Você tem permissão para o uso livre deste material, sendo inclusive incentivada a sua distribuição, desde que sem qualquer alteração de conteúdo, seja no todo ou em parte, e em qualquer formato. A reprodução em blogs, sites ou outros meios de divulgação é permitida, solicitando–se apenas a citação expressa do Instituto Reformado Santo Evangelho (IRSE) como fonte, bem como a indicação do endereço eletrônico www.santoevangelho.com.br. Este material destina–se à livre divulgação de Cristo e do Evangelho, por quaisquer meios lícitos de compartilhamento, vedada expressamente a sua comercialização. É proibida a venda, direta ou indireta, deste conteúdo.
Leitores alcançados
ARTIGOS
LEIA CORRETAMENTE!
Identifique-se com que espécie de leitura é a sua, para que assim, tenha um maior aproveitamento enquanto leitor; não se pode embaralhar a essência com o método, mutuamente. Primeiro, lê-se para se ter uma formação e ser alguém. As leituras de profundidade requerem docilidade e acatamento; docilidade, no sentido em que aqui emprego a palavra, quer dizer, da maneira mais específica e particular, “qualidade de quem demonstra obediente compreensão” e a palavra acatamento, “particularidade de quem contém brandura no modo de se perceber necessitado da compreensão a partir do outro”. Quando estamos em meio a formação intelectual e que por essa razão devemos adquirir quase que tudo formando assim...
UM PASTOR DEVERIA ENCORAJAR E FOMENTAR A FIM DE QUE CRISTÃOS AMBICIONEM O DINHEIRO?
A riqueza torna o homem insensato, pois quem quiser viver feliz deve viver segundo a fé e a razão, não segundo a riqueza, pois é-nos advertido demasiadamente que “[...] os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína” (1 Timóteo 6:9). Todos os homens que fazem do cristianismo um comércio para servirem aos seus próprios interesses neste mundo se decepcionarão amargamente — “tentação, laço, concupiscências loucas e nocivas, perdição e ruína é o que esses homens irão receber por quererem ser ricos” — contudo, aqueles que consideram a fé como sua vocação, terão a promessa da vida presente e a...
A BATALHA DO CRENTE CONTRA AS ARTIMANHAS DE SATANÁS
Calvino advertiu os crentes sobre as armadilhas de Satanás, dizendo: — “Tudo o que as Escrituras ensinam sobre os demônios têm o objetivo de nos levar a nos precaver contra seus estratagemas e maquinações e também a nos equipar com as armas que são fortes e suficientemente poderosas para derrotar esses inimigos poderosíssimos[2]”. Os puritanos levavam esse conselho a sério. William Spurstowe (1605 – 1666) advertiu: — “Satanás está cheio de artifícios e procura encontrar maneiras de enganar, mediante as quais busca incansavelmente a destruição irremediável das almas dos homens[3]”. Thomas Brooks (1608 – 1680) afirmou: — “Cristo, as Escrituras, vossos próprios corações e as artimanhas de...
A MARCA DA BESTA
“‘Vi emergir do mar uma besta que tinha dez chifres e sete cabeças e, sobre os chifres, dez diademas e, sobre as cabeças, nomes de blasfêmia’ (v. 1). ‘Vi ainda outra besta emergir da terra; possuía dois chifres, parecendo cordeiro, mas falava como dragão’ (v. 11). ‘Aqui está a sabedoria. Aquele que tem entendimento calcule o número da besta, pois é número de homem. Ora, esse número é seiscentos e sessenta e seis’ (v. 18)” (Apocalipse 13:1, 11, 18). O capítulo 12 revela que o próprio diabo é a origem mais profunda do mal. Breves referências a ele já apareceram nos capítulos 2:13, 6:8 e 9:11. O diabo é o grande iniciador dos sofrimentos dos santos e das perseguições que eles sofrem; ele...
A PROFUNDIDADE TRINITÁRIA DAS ESCRITURAS
A maioria das apresentações evangélicas da doutrina das Escrituras são implicitamente trinitárias. Eles identificam o Pai como o autor principal das Escrituras, o Filho como o assunto central das Escrituras e o Espírito como o agente imediato da inspiração profética e apostólica. “A Escritura é Deus Pai pregando a Deus o Filho por Deus o Espírito”, para usar a famosa descrição de J. I. Packer. Além disso, os evangélicos reconhecem que o Evangelho de Jesus Cristo, o assunto central das Escrituras, é implicitamente trinitário. O Evangelho diz respeito ao amor de Deus Pai pelos pecadores eleitos, o sofrimento e a glória de Deus o Filho Encarnado e a comunhão dos santos em Deus o Espírito. O...
AS 95 TESES DE MARTINHO LUTERO
Disputatio pro declaratione virtutis indulgentiarum. As “95 Teses” ou “Disputação do Doutor Martinho Lutero sobre o Poder e Eficácia das Indulgências” (“Disputatio pro declaratione virtutis indulgentiarum”)[1] são uma lista de proposições para uma disputa acadêmica escrita em 1517 por Martinho Lutero, professor de Teologia moral da Universidade de Vitemberga (Wittenberg), Alemanha, as quais iniciaram a Reforma Protestante, um cisma da Igreja Católica que mudou profundamente a Europa. Tais ‘Teses’ discorrem sobre as posições de Lutero contra o que ele viu como práticas abusivas por pregadores que realizavam a venda de indulgências, que tinham por finalidade reduzir a punição temporal de...
DESTES TIPOS DE HOMENS, AFASTA–TE
2 Timóteo 3:1 – 5. Sabe, porém, isto: — que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos (perigosos). Porque haverá: 1 – homens amantes de si mesmos — propriamente, um amante de si, alguém com fortíssimas inclinações narcisistas; descrevendo alguém preocupado sempre com os seus próprios desejos egoístas, que busca tão somente e ininterruptamente interesses próprios e nunca alheios, 2 – avarentos — propriamente, um amante do dinheiro, ou seja, alguém literalmente apaixonado pelo ganho pessoal — em ter dinheiro a qualquer custo, mesmo que para isso negocie os seus princípios e corrompa os seus valores (Lucas 16:14), 3 – presunçosos — propriamente, um vagabundo errante, gabando–se de...
O ESPÍRITO SANTO, OU A TERCEIRA PESSOA DA TRINDADE
1 – O nome aplicado à terceira pessoa da Trindade. Apesar de se nos dizer em João 4:24 que Deus é Espírito[1], o nome se aplica mais particularmente à terceira pessoa da Trindade. O termo hebraico com o qual Ele é designado é “Ruach”, e o grego, é “Pneuma”, ambos os quais, como o vocábulo latino “Spiritus”, derivam de raízes que significam “soprar”, “respirar”. Daí, também podem ser traduzidos por “sopro” ou “fôlego” (Gênesis 2:7; 6, 17; Ezequiel 37:5, 6), ou “vento” (Gênesis 8:1; 1 Reis 19:11; João 3:8). O Antigo Testamento geralmente emprega o termo “espírito” sem qualificativos, ou fala do “Espírito de Deus” ou “Espírito do Senhor”, e utiliza a expressão “Espírito Santo” somente em...
DANIEL 9:27
Na última preleção explicamos como Cristo confirmou o pacto com muitos durante a última semana; pois Ele congregou os filhos de Deus de seu estado de dispersão, quando a devastação da Igreja assumiu um caráter extremamente terrível e miserável. Embora o Evangelho não fosse instantaneamente promulgado entre as nações estrangeiras, todavia somos corretamente informados que Cristo confirmou o pacto “com muitos”, visto que as nações foram diretamente chamadas à esperança da salvação (cf. Mateus 10:5). Embora Ele proibisse os discípulos de pregarem então o Evangelho aos gentios ou aos samaritanos, contudo os instruiu dizendo que muitas ovelhas viviam dispersas pelo mundo fora, e que estava...
ABORTO E SALVAÇÃO
Há tantos que atribuem a Deus algum grau de autoria pelo mal que existe no mundo; obviamente não é Deus o autor do pecado (do mal), mas o homem, nem violentada é a vontade do homem, nem é removida a liberdade ou eventualidade (probabilidade) das causas secundárias, antes estabelecidas, pois é–nos dito que — “Desde o nascimento se rebelaram os ímpios e se desviaram do caminho certo todos aqueles que vivem mentindo” (Tiago 4:1 – 10; Salmos 58:3; Salmos 51:5; Jó 15:14). Deus é sumamente bom, Espírito puríssimo, infinito em seu ser e em perfeição, e de nenhum modo permitiria existir algum mal nas suas obras, se não fosse onipotente, justíssimo e bom para, mesmo do que é mal, tirar aquilo que é...
A CANONICIDADE DO NOVO TESTAMENTO
A “Inspiração do Texto Sagrado” é uma qualidade intrínseca – ela é porque é. No entanto, nós podemos perceber essa qualidade inerente, comparando material inspirado com outro que não é. Existem também argumentos outros: — [1] – a unidade da Bíblia – embora escrita por muitos autores humanos diferentes (pelo menos 30), no decorrer de 2.000 anos e em duas (principais) línguas bem distintas (hebraico e grego), ela é coerente, não se contradiz; [2] – profecias específicas e detalhadas, até com o nome próprio da pessoa, dadas com centenas de anos de antecedência, que se cumpriram cabalmente, literalmente; [3] – a própria natureza do conteúdo ou da mensagem – não é o tipo de coisa que o homem...
APÊNDICE — A SALMODIA EXCLUSIVA E A CONFISSÃO DE FÉ DE WESTMINSTER
A expressão cântico de Salmos na Confissão de Fé de Westminster se refere ao “saltério canônico”; ou, é um termo genérico que inclui composições humanas não inspiradas? Na Confissão de Fé[2], nós lemos a respeito do culto religioso: — “A leitura das Escrituras com temor divino; a sã pregação, e a consciente atenção à palavra, em obediência a Deus, com entendimento, fé, e reverência; o cântico de salmos com graça no coração; bem como a devida administração e digna recepção dos sacramentos instituídos por Cristo; são todas partes do culto comum oferecido a Deus”. De acordo com a confissão, o que é que os cristãos devem cantar durante o culto comum oferecido a Deus? Eles devem cantar Salmos....
O SER DE DEUS
Até aqui nós discutimos a natureza da revelação que Deus nos deu em sua graça, fizemos algumas considerações sobre como a revelação veio à existência, e como, sob a normativa direção dos credos e das confissões, nós a temos conhecido. Também vimos o conteúdo da revelação e mostramos como essa revelação age na mente e no coração, no entendimento e na vida. Se nós estivemos olhando o edifício da revelação pelo lado de fora e tivemos alguma noção de sua arquitetura, nós vamos agora entrar no santuário para contemplar todo o tesouro de sabedoria e conhecimento contido nele e vamos deleitar nossos olhos nesse banquete. Não é necessário afirmar que nós podemos desenvolver o rico conteúdo dessa...
O EVANGELHO DE JOÃO — DEUS COMO ESPÍRITO SANTO
João contém ensinamentos muito importantes sobre o Espírito Santo. Ele começa com o testemunho de João Batista, que viu o Espírito Santo “descer do céu como pomba e pousar sobre [Jesus]” (1:32). Todos os sinóticos registram o batismo de Jesus, mas somente o quarto Evangelho relata o que João Batista disse naquele momento. E ele relata um detalhe que não consta dos sinóticos: — “o Espírito Santo permaneceu sobre Jesus”. O ministério público de Jesus não foi só iniciado no poder do Espírito Santo, mas o Espírito também permaneceu sobre Ele por todo o ministério. João nos diz em seguida que João Batista não conhecia a Jesus, e que este foi o sinal que lhe foi dado para que reconhecesse aquele...
TOMÁS DE AQUINO E AS CINCO EVIDÊNCIAS DA EXISTÊNCIA DE DEUS
[1] – Via do movimento–primeiro motor ou modificação. O valor técnico da palavra “motus” não pode ser expresso por “movimento” com a condição de estender seu significado primeiro de movimento local (ou mecânico) a tudo o que seja mudança, devir[1]. O que, aliás, a linguagem moderna não hesita em fazer, falando de movimento das almas (“etimologia de emoção”), do movimento do espírito (“indutivo, dedutivo, dialético”), dos movimentos sociais e políticos, do movimento da evolução, etc. Para Tomás de Aquino, assim como para Aristóteles, tudo aquilo que poderíamos denominar movimento e devir no mundo físico reduz-se a três grandes categorias: — [1] – O movimento local, medido pelo tempo; [2] –...
PIEDADE, CONFIANÇA E REVERÊNCIA SÃO OS REQUISITOS PARA SE CONHECER A DEUS
Portanto, de fato entendo como conhecimento de Deus aquele em virtude do qual não apenas concebemos que Deus existe, mas ainda apreendemos o que nos importa dEle conhecer, o que lhe é relevante à glória, enfim, o que é proveitoso saber a seu respeito. Ora, falando com propriedade, nem diremos que Deus é conhecido onde nenhuma religiosidade há, nem piedade. E aqui ainda não abordo essa modalidade de conhecimento pela qual os homens, em si perdidos e malditos, apreendem a Deus como Redentor, em Cristo, o Mediador. “Ao contrário, estou falando apenas desse conhecimento primário e singelo, a que nos conduziria a própria ordem da natureza, se Adão se conservasse íntegro”. Ora, se bem que nesta...
CASAMENTO — O VÍNCULO PRECIOSO
Efésios 5:22 – 33. Ninguém em pleno século XX que leia esta passagem pode esgotar toda sua grandeza. Através dos séculos se chegou enfim a aceitar a visão cristã do casamento. Mesmo quando a prática não alcance o ideal, este sempre está nas mentes e corações dos homens que vivem numa situação cristã. O casamento é considerado como a união perfeita de corpo, mente e espírito e para sempre entre o homem e a mulher. Mas quando Paulo escrevia a situação era muito diferente. Nesta passagem Paulo apresenta perante homens e mulheres um ideal que brilha com pureza radiante num mundo imoral. A. W. Verrall, o grande erudito clássico, dizia certa vez que uma das principais enfermidades pelas que...
A MULTIFORME SABEDORIA DE DEUS E O PRINCÍPIO REGULADOR DO CULTO
“[...] para que agora a multiforme sabedoria de Deus, por meio da Igreja, fosse conhecida aos principados e potestades nas regiões celestes, segundo o propósito dos séculos, que Ele fez em Cristo Jesus nosso Senhor [...]” (Efésios 3:10, 11). Mas, o que esta passagem de Efésios 3, tem a ver com o Princípio Regulador do Culto? Bem, poucas pessoas se utilizam desta passagem para afirmarem que Deus por meio da “multiforme sabedoria da Igreja”, estabelece muitas formas de culto aceitáveis, e que por isso, não é um pecado termos formas variadas de culto — de serviço sagrado prestado ao SENHOR em profundo devotamento e piedade. Iremos ver neste artigo, o que realmente este texto de Efésios 3...
AS CARACTERÍSTICAS DA VIDA CRISTÃ
Hebreus 13:1 – 6. Ao aproximar-se ao final de sua carta o autor passa a ocupar-se de assuntos práticos. Aqui sublinha cinco qualidades essenciais da vida cristã. [1] – O amor fraternal. As mesmas circunstâncias da Igreja primitiva ameaçavam algumas vezes o amor fraternal. O próprio fato de tomar tão a peito a religião era em certo sentido um perigo. Numa Igreja ameaçada de fora e desesperadamente ciumenta de dentro, há sempre dois perigos. Em primeiro lugar o perigo de dedicar-se à caça de heresias. O próprio desejo de preservar a fé faz com que os homens tenham o afã de descobrir e eliminar os hereges ou os que se desviaram da fé. Em segundo lugar, o tratamento duro e pouco amável dos que...
O FIM DOS FRAGMENTOS
Hebreus 1:1 – 3. Esta é a peça oratória grega mais eloquente de todo o Novo Testamento. Qualquer orador clássico grego teria estado orgulhoso de tê-la escrito. O autor da carta aos Hebreus utilizou aqui todos os recursos de palavras e ritmo que a bela e flexível língua grega permitia. Em grego os dois advérbios que se traduzem muitas vezes e de muitas maneiras são palavras únicas (“polymeros” e “polytropos”). O prefixo grego poly– nestas combinações significa muitos. Os grandes oradores gregos, como Demóstenes, o maior de todos eles, tinham o hábito de intercalar tão sonoros adjetivos no primeiro parágrafo de um discurso. O autor de Hebreus sentiu que, já que ia falar da revelação suprema...
DEVOCIONAIS
DO AMOR À SOLIDÃO E AO SILÊNCIO
DO AMOR À SOLIDÃO E AO SILÊNCIO Livro I — Capítulo 20. “Procura tempo oportuno para cuidar de ti e relembra amiúde [frequentemente] os benefícios de Deus”. Renuncia às curiosidades e escolhe leituras tais, que mais sirvam para te compungir, que para te distrair. “Se te abstiveres de conversações supérfluas e passeios ociosos, como também de ouvir novidades e boatos, acharás tempo suficiente e adequado para te entregares a santas meditações”. Os maiores santos evitavam, quando podiam, a companhia dos homens, preferindo viver com Deus, em retiro. Disse alguém: — “Sempre que estive entre os homens menos homem voltei” (Sêneca, Epístola 7). Isso experimentamos muitas vezes, quando falamos...
DOS EXERCÍCIOS DO BOM RELIGIOSO
Livro I — Capítulo 19. A vida do bom religioso deve ser ornada de todas as virtudes, para que corresponda o interior ao que por fora vêem os homens; e com razão, ainda mais perfeito deve ser no interior do que por fora parece, pois lá penetra o olhar perscrutador de Deus, a quem devemos suma reverência, em qualquer lugar onde estivermos, e em cuja presença devemos andar com pureza angélica. Cada dia devemos renovar nosso propósito e exercitar-nos a maior fervor, como se esse fosse o primeiro dia de nossa conversão, dizendo: — “Confortai-me, Senhor, meu Deus, no bom propósito e em vosso santo serviço; concedei-me começar hoje deveras, pois nada é o que até aqui tenho feito”. A medida da...
DOS EXEMPLOS DOS SANTOS PADRES
Livro I — Capítulo 18. Contempla os salutares exemplos dos santos padres, nos quais brilhou a verdadeira perfeição religiosa, e verás quão pouco ou quase nada é o que fazemos. Ah! Que é a nossa vida em comparação com a deles? “Os santos e amigos de Cristo serviram ao Senhor em fome e sede, em frio e nudez, em trabalho e fadiga, em vigílias e jejuns, em orações e santas meditações, em perseguições e muitos opróbrios”. Oh! Quantas e quão graves tribulações sofreram os apóstolos, os mártires, os confessores, as virgens e todos quantos quiseram seguir as pisadas de Cristo! “Odiaram suas almas neste mundo, para possuí-las eternamente no outro”. Oh! Que vidas austeras e mortificadas levaram os...
DAS OBRAS FEITAS COM CARIDADE, DO SOFRER OS DEFEITOS DOS OUTROS E DA VIDA MONÁSTICA
Livro I — Capítulos 15 — 17. 1 – Das obras feitas com caridade. “Por nenhuma coisa do mundo, nem por amor de pessoa alguma, se deve praticar qualquer mal; mas, em prol de algum necessitado, pode-se, às vezes, omitir uma boa obra, ou trocá-la por outra melhor”. Desta sorte, a boa obra não se perde, mas se converte em outra melhor. Sem a caridade [amor] nada vale a obra exterior; tudo, porém, que da caridade procede, por insignificante e desprezível que seja, produz abundantes frutos, porque Deus não atende tanto à obra, como à intenção com que a fazemos. “Muito faz aquele que muito ama”. Muito faz quem bem faz o que faz. Bem faz quem serve mais ao bem comum que à sua própria vontade....
COMO SE HÁ DE RESISTIR ÀS TENTAÇÕES E COMO SE DEVE EVITAR O JUÍZO TEMERÁRIO
Livro I — Capítulos 13 — 14. 1 – Como se há de resistir às tentações. “Enquanto vivemos neste mundo, não podemos estar sem trabalhos e tentações”. Por isso lemos no livro de Jó (7:1): — “É um combate a vida do homem sobre a terra”. Cada qual, pois, deve estar acautelado contra as tentações, mediante a vigilância e a oração, para não dar azo [oportunidade] às ilusões do demônio, que nunca dorme, mas anda por toda parte em busca de quem possa devorar (1 Pedro 5:8). “Ninguém há tão perfeito e santo, que não tenha, às vezes, tentações, e não podemos ser delas totalmente isentos”. São, todavia, utilíssimas ao homem as tentações, posto que sejam molestas e graves, porque nos humilham, purificam...
DA PAZ E DO ZELO EM APROVEITAR E DA UTILIDADE DAS ADVERSIDADES
Livro I — Capítulos 11 — 12. 1 – Da paz e do zelo em aproveitar. “Muita paz podíamos gozar, se não nos quiséssemos ocupar com os ditos e fatos alheios que não pertencem ao nosso cuidado”. Como pode ficar em paz por muito tempo aquele que se intromete em negócios alheios, que busca relações exteriores, que raras vezes e mal se recolhe interiormente? “Bem-aventurados os simples, porque hão de ter muita paz!”. Por que muitos santos foram tão perfeitos e contemplativos? É que eles procuraram mortificar-se inteiramente em todos os desejos terrenos, e assim puderam, no íntimo de seu coração, unir-se a Deus e atender livremente a si mesmos. Nós, porém, nos ocupamos demasiadamente das próprias...
DA OBEDIÊNCIA E SUJEIÇÃO
Livro I — Capítulos 9 — 10. 1 – Da obediência e sujeição. Grande coisa é viver na obediência, sob a direção de um superior, e não dispor da própria vontade. Muito mais seguro é obedecer que mandar. Muitos obedecem mais por necessidade que por amor: — “por isso sofrem e facilmente murmuram”. Esses não alcançarão a liberdade de espírito, enquanto não se sujeitarem de todo o coração, por amor de Deus. Anda por onde quiseres: — “não acharás descanso senão na humilde sujeição e obediência ao superior”. A imaginação dos lugares e mudanças a muitos tem iludido. Verdade é que cada um gosta de seguir seu próprio parecer e mais se inclina àqueles que participam da sua opinião. Entretanto, se Deus...
COMO DEVEMOS FUGIR À VÃ ESPERANÇA E PRESUNÇÃO E COMO SE DEVE EVITAR A EXCESSIVA FAMILIARIDADE
Livro I — Capítulos 7 — 8. 1 – Como devemos fugir à vã esperança e presunção. Insensato é quem põe sua esperança nos homens ou nas criaturas. “Não te envergonhes de servir a outrem por Jesus Cristo, e ser tido como pobre neste mundo”. Não confies em ti mesmo, mas põe em Deus tua esperança. Faze de tua parte o que puderes, e Deus ajudará tua boa vontade. Não confies em tua ciência, nem na sagacidade de qualquer vivente, mas antes na graça de Deus, que ajuda os humildes e abate os presunçosos (cf. Provérbios 15:25; 1 Pedro 5:5). Se tens riquezas, não te glories delas, nem dos amigos, por serem poderosos, senão em Deus, que dá tudo, além de tudo, deseja dar-se a si mesmo. Não te desvaneças...
DA PRUDÊNCIA NAS AÇÕES, DA LEITURA DAS SAGRADAS ESCRITURAS E DAS AFEIÇÕES DESORDENADAS
Livro I — Capítulos 4 — 6. 1 – Da prudência nas ações. Não se há de dar crédito a toda palavra nem a qualquer impressão, mas cautelosa e naturalmente se deve, diante de Deus, ponderar as coisas — Mas, ai! — que mais facilmente acreditamos e dizemos dos outros o mal que o bem, tal é a nossa fraqueza. As almas perfeitas, porém, não crêem levianamente em qualquer coisa que se lhes conta, pois, conhecem a fraqueza humana inclinada ao mal e fácil de pecar por palavras. Grande sabedoria é não ser precipitado nas ações, nem aferrado obstinadamente à sua própria opinião; “sabedoria é também não acreditar em tudo que nos dizem, nem comunicar logo a outros o que ouvimos ou suspeitamos”. Toma...
DOS ENSINAMENTOS DA VERDADE
Livro I — Capítulo 3. “Bem-aventurado aquele a quem a verdade por si mesma ensina, não por figuras e vozes que passam, mas como em si é”. Nossa opinião e nossos juízos muitas vezes nos enganam e pouco alcançam. De que serve a sutil especulação sobre questões misteriosas e obscuras, de cuja ignorância não seremos julgados? Grande loucura é descurarmos as coisas úteis e necessárias, entregando-nos, com avidez, às curiosas e nocivas. “Temos olhos para não ver” (cf. Salmos 113:13). Que se nos dá dos gêneros e das espécies dos filósofos? Aquele a quem fala o Verbo eterno se desembaraça de muitas questões. Desse Verbo único procedem todas as coisas e todas o proclamam e esse é o princípio que...
