O «SCALA — Sistema Categorial de Avaliação por Laudos de Apropriação» é o sistema próprio de avaliação adotado pela Escola das Vias, no âmbito do Instituto Reformado Santo Evangelho (IRSE), e foi concebido em consonância com a proposta de formação intelectual, moral e espiritual que caracteriza a instituição. A escolha do termo «scala» não é meramente nominal. A própria imagem da escada expressa a concepção de formação que orienta a Escola das Vias: — «o conhecimento é adquirido progressivamente, mediante graus ordenados de compreensão, apropriação e domínio». O estudante não é simplesmente situado em uma escala quantitativa, mas reconhecido em determinado estágio de seu percurso formativo.
Por que não utilizar uma escala numérica?
O sistema convencional de avaliação, baseado em notas numéricas, parte da atribuição de valores quantitativos ao desempenho do estudante. Assim, uma prova pode resultar em 6, 7, 8, 9 ou 10. O problema não está simplesmente no uso dos números, mas naquilo que frequentemente se pretende concluir a partir deles. O que significa, em termos propriamente intelectuais, obter 7 em uma avaliação de Prolegômenos de Teologia?
O número, isoladamente, não responde.
Ele não informa com precisão o que o estudante compreendeu, quais conceitos efetivamente domina, quais relações consegue estabelecer, quais dificuldades ainda possui ou se é capaz de explicar e aplicar aquilo que estudou. Tampouco uma diferença entre 7 e 9 permite concluir, por si mesma, que houve uma correspondente diferença na inteligência do estudante. Uma avaliação não constitui um teste absoluto da inteligência. O estudante pode apresentar um desempenho insuficiente em determinado exame e, ainda assim, possuir elevada capacidade intelectual. Da mesma forma, pode obter excelente resultado em uma avaliação por ter memorizado adequadamente determinado conteúdo sem possuir, contudo, compreensão profunda e ordenada dele. Além disso, a inteligência e o conhecimento não são realidades estáticas. O intelecto progride mediante estudo, exercício, meditação, comparação, argumentação e experiência. Aquilo que hoje é apenas parcialmente compreendido pode, mediante o trabalho intelectual, tornar–se posteriormente um conhecimento bem fundamentado e profundamente assimilado. Por essa razão, a Escola das Vias não pretende reduzir esse processo a uma quantidade numérica.
O que o SCALA avalia?
O SCALA procura identificar uma realidade mais concreta: — «o grau de apropriação intelectual que o estudante consegue manifestar acerca do objeto estudado». O exame, portanto, não procura simplesmente descobrir quantas respostas o estudante acertou, mas verificar como ele compreende, articula, explica e aplica aquilo que estudou. Conforme a natureza da disciplina e do conteúdo, o estudante poderá ser submetido a questões teóricas, práticas, analíticas e discursivas, de modo que o examinador possa verificar efetivamente seu grau de domínio. A avaliação torna–se, assim, um juízo categorial acerca do estado atual da apropriação intelectual do estudante. O resultado não será uma quantidade, mas uma categoria.
O que são os «laudos de apropriação»?
O termo laudo é empregado no sentido de uma apreciação ou parecer fundamentado acerca da realidade constatada mediante o exame. No SCALA, entretanto, não se trata necessariamente da emissão de um documento separado. O laudo de apropriação é o próprio resultado categorial da avaliação: — «o juízo pelo qual se reconhece o grau de domínio intelectual manifestado pelo estudante».
Esses laudos são representados por letras. As letras, contudo, não constituem uma escala numérica disfarçada. No sistema americano de «letter grades», por exemplo, as letras continuam vinculadas a uma escala quantitativa subjacente. Assim, embora o resultado seja apresentado por meio de letras, estas correspondem a determinados intervalos numéricos: — A, geralmente entre 90 e 100; B, entre 80 e 89; C, entre 70 e 79; D, entre 60 e 69; e F, abaixo de 60, conforme a convenção adotada pela instituição examinadora ou pelo sistema educacional em questão. Nesse modelo, portanto, a letra funciona essencialmente como uma representação abreviada de uma faixa de pontuação.
O SCALA segue princípio distinto. As letras não traduzem intervalos numéricos nem ocultam uma escala quantitativa. Cada letra constitui um «laudo categorial de apropriação» e corresponde diretamente a uma realidade qualitativa determinada: — A — Domínio Excelente; B — Bom Domínio; C — Domínio Suficiente; D — Domínio Insuficiente.
Portanto, não há equivalência entre A e uma determinada quantidade de pontos, nem entre B e uma faixa numérica inferior. A letra expressa o juízo qualitativo acerca do grau de domínio intelectual que o estudante efetivamente manifestou no momento do exame. Ela não pretende estabelecer uma medida definitiva de sua inteligência ou de sua capacidade intelectual, mas registrar o estado de sua apropriação em relação ao conteúdo avaliado naquela ocasião. Cada letra corresponde, portanto, a uma realidade qualitativa determinada do desempenho intelectual manifestado no exame. Esse resultado deve ser compreendido à luz da própria natureza progressiva da formação intelectual: — o domínio manifestado em uma avaliação corresponde ao estado atual do estudante diante daquele objeto de conhecimento e pode ser posteriormente aprofundado, consolidado e elevado mediante estudo, exercício e amadurecimento intelectual.
As categorias do SCALA.
A — Domínio Excelente.
Indica elevado grau de apropriação intelectual. O estudante não apenas compreende os conceitos, mas consegue articulá–los, explicá–los com clareza, estabelecer suas relações e aplicá–los adequadamente. O domínio alcançado é suficientemente profundo para que, em grau elevado, possa transmitir e até ensinar aquilo que aprendeu.
B — Bom Domínio.
Indica apropriação intelectual consistente. O estudante compreende os conceitos fundamentais, consegue articulá–los e expressá–los adequadamente, embora ainda não manifeste a profundidade, a autonomia e a capacidade de transmissão próprias do domínio excelente.
C — Domínio Suficiente.
Indica que o estudante alcançou o grau de apropriação necessário para prosseguir em sua formação. As principais dúvidas foram superadas e os elementos fundamentais foram assimilados, embora ainda existam lacunas, imprecisões ou dificuldades que exigem estudo, exercício e aprofundamento.
D — Domínio Insuficiente.
Indica que a apropriação intelectual manifestada no exame ainda não alcançou o grau necessário. O estudante deverá retomar o conteúdo, corrigir suas lacunas e aprofundar seu estudo até que possa demonstrar domínio suficiente.
As letras não são notas.
Uma característica fundamental do SCALA é que A, B, C e D não correspondem a valores numéricos. Não se trata, portanto, de substituir:
6 = D.
7 = C.
8 = B.
9 ou 10 = A.
Essa interpretação contrariaria justamente a finalidade do sistema. As letras não são números ocultos. São categorias qualitativas. A categoria A não significa «mais pontos» que B; significa uma realidade diferente de apropriação intelectual. Da mesma maneira, C não representa uma quantidade menor de inteligência que A. Significa que, naquele objeto de conhecimento e naquela manifestação examinada, o estudante demonstrou domínio suficiente, mas ainda não alcançou o grau de profundidade próprio do domínio excelente. Por isso, o estudante não deve compreender a avaliação como uma competição entre números, mas como uma indicação do estado atual de sua formação.
A avaliação como instrumento de progresso.
A própria imagem da «scala» ajuda a compreender essa dinâmica. Quem sobe uma escada não precisa considerar o terceiro degrau como um fracasso porque ainda não alcançou o décimo. O terceiro degrau possui uma função própria dentro da ascensão. Ele representa uma posição real no caminho e permite alcançar o seguinte. Da mesma maneira, o estudante que alcançou «C — Domínio Suficiente» não deve interpretar esse resultado como uma derrota. Ele deve compreender que alcançou determinado grau de apropriação e que ainda precisa avançar. O percurso formativo pode ser compreendido, portanto, como uma ascensão:
Domínio Insuficiente → Domínio Suficiente → Bom Domínio → Domínio Excelente.
O propósito da avaliação é tornar visível essa progressão e indicar ao estudante o próximo passo que deve ser dado. Se em uma avaliação o estudante alcança C e, posteriormente, alcança A, isso não significa que tenha passado de uma inteligência «7» para uma inteligência «9». Significa que seu domínio daquele objeto de conhecimento se aprofundou. Essa distinção é fundamental para uma educação verdadeiramente formativa.
O exame e a manifestação real do conhecimento.
O SCALA também procura superar um problema frequente das avaliações convencionais: — a possibilidade de que o estudante obtenha um resultado elevado mediante simples memorização de informações. Memorizar possui seu lugar no processo formativo, mas memória não é sinônimo de compreensão. Por isso, os exames da Escola das Vias buscam colocar o estudante diante do próprio objeto de conhecimento. Ele deverá ser capaz de responder, explicar, distinguir, relacionar, aplicar e, quando necessário, defender aquilo que estudou.
Quanto maior for a categoria pretendida, maior deverá ser a realidade intelectual manifestada.
O Domínio Excelente, por exemplo, não poderá ser sustentado apenas pela reprodução mecânica de definições. Ele pressupõe uma apropriação suficientemente profunda para que o estudante consiga reorganizar o conteúdo em sua própria exposição, estabelecer relações e comunicá–lo a outro. Nesse sentido, a categoria mais elevada corresponde a um princípio antigo da pedagogia cristã e clássica: — há uma diferença entre ler para aprender e alcançar aquele grau de compreensão pelo qual se torna possível ensinar.
Contudo, independentemente do resultado obtido, todos os laudos de apropriação, segundo o sistema «scala», serão sempre acompanhados de uma exortação. Aquele que alcançou um A é exortado a não se envaidecer; aquele que recebeu um D, a não se desesperar. O ser humano caminha sempre entre essas duas linhas tênues: — «a presunção e o desespero». Assim, os laudos procurarão não apenas avaliar, mas também ordenar e formar.
O propósito formativo do SCALA.
O SCALA não foi concebido simplesmente para substituir números por letras. Seu propósito é mais profundo: — substituir uma concepção predominantemente quantitativa da avaliação por uma concepção categorial e formativa do domínio intelectual. O estudante deve sair de cada exame sabendo não apenas se foi aprovado ou qual número recebeu, mas o que já domina, o que ainda não domina e em que direção deve prosseguir. A avaliação, assim, deixa de ser apenas um mecanismo de classificação e passa a participar do próprio processo de formação.
Na Escola das Vias, formar o intelecto significa conduzi–lo ordenadamente à verdade. Por isso, também a avaliação deve possuir uma ordem: — reconhecer o estado atual, identificar as insuficiências, consolidar aquilo que foi adquirido e indicar o próximo grau de aprofundamento. É nesse sentido que o nome SCALA exprime adequadamente o método. A «scala» latina é a escada pela qual se sobe de um degrau a outro. O estudante também progride mediante graus de apropriação, não por saltos artificiais nem por quantidades abstratas.
O SCALA, portanto, não pergunta simplesmente:
«Quanto o estudante tirou?».
Pergunta:
«O que ele efetivamente compreendeu?».
«O que ele consegue explicar?».
«O que ele consegue aplicar?».
«Qual grau de apropriação intelectual demonstrou?».
«Qual é o próximo degrau que precisa alcançar?».
Assim, o «SCALA — Sistema Categorial de Avaliação por Laudos de Apropriação» integra–se ao projeto de formação integral da Escola das Vias como instrumento de diagnóstico, orientação e aperfeiçoamento intelectual. A avaliação deixa de ser simplesmente uma medida do desempenho passado e passa a ser também uma indicação do caminho futuro.
Não se trata apenas de saber quanto o estudante obteve, mas de reconhecer até onde ele chegou — e ajudá–lo a subir o próximo degrau.
