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ARTIGOS
O ESPÍRITO SANTO, OU A TERCEIRA PESSOA DA TRINDADE
1 – O nome aplicado à terceira pessoa da Trindade. Apesar de se nos dizer em João 4:24 que Deus é Espírito[1], o nome se aplica mais particularmente à terceira pessoa da Trindade. O termo hebraico com o qual Ele é designado é “Ruach”, e o grego, é “Pneuma”, ambos os quais, como o vocábulo latino “Spiritus”, derivam de raízes que significam “soprar”, “respirar”. Daí, também podem ser traduzidos por “sopro” ou “fôlego” (Gênesis 2:7; 6, 17; Ezequiel 37:5, 6), ou “vento” (Gênesis 8:1; 1 Reis 19:11; João 3:8). O Antigo Testamento geralmente emprega o termo “espírito” sem qualificativos, ou fala do “Espírito de Deus” ou “Espírito do Senhor”, e utiliza a expressão “Espírito Santo” somente em...
DANIEL 9:27
Na última preleção explicamos como Cristo confirmou o pacto com muitos durante a última semana; pois Ele congregou os filhos de Deus de seu estado de dispersão, quando a devastação da Igreja assumiu um caráter extremamente terrível e miserável. Embora o Evangelho não fosse instantaneamente promulgado entre as nações estrangeiras, todavia somos corretamente informados que Cristo confirmou o pacto “com muitos”, visto que as nações foram diretamente chamadas à esperança da salvação (cf. Mateus 10:5). Embora Ele proibisse os discípulos de pregarem então o Evangelho aos gentios ou aos samaritanos, contudo os instruiu dizendo que muitas ovelhas viviam dispersas pelo mundo fora, e que estava...
ABORTO E SALVAÇÃO
Há tantos que atribuem a Deus algum grau de autoria pelo mal que existe no mundo; obviamente não é Deus o autor do pecado (do mal), mas o homem, nem violentada é a vontade do homem, nem é removida a liberdade ou eventualidade (probabilidade) das causas secundárias, antes estabelecidas, pois é–nos dito que — “Desde o nascimento se rebelaram os ímpios e se desviaram do caminho certo todos aqueles que vivem mentindo” (Tiago 4:1 – 10; Salmos 58:3; Salmos 51:5; Jó 15:14). Deus é sumamente bom, Espírito puríssimo, infinito em seu ser e em perfeição, e de nenhum modo permitiria existir algum mal nas suas obras, se não fosse onipotente, justíssimo e bom para, mesmo do que é mal, tirar aquilo que é...
A CANONICIDADE DO NOVO TESTAMENTO
A “Inspiração do Texto Sagrado” é uma qualidade intrínseca – ela é porque é. No entanto, nós podemos perceber essa qualidade inerente, comparando material inspirado com outro que não é. Existem também argumentos outros: — [1] – a unidade da Bíblia – embora escrita por muitos autores humanos diferentes (pelo menos 30), no decorrer de 2.000 anos e em duas (principais) línguas bem distintas (hebraico e grego), ela é coerente, não se contradiz; [2] – profecias específicas e detalhadas, até com o nome próprio da pessoa, dadas com centenas de anos de antecedência, que se cumpriram cabalmente, literalmente; [3] – a própria natureza do conteúdo ou da mensagem – não é o tipo de coisa que o homem...
APÊNDICE — A SALMODIA EXCLUSIVA E A CONFISSÃO DE FÉ DE WESTMINSTER
A expressão cântico de Salmos na Confissão de Fé de Westminster se refere ao “saltério canônico”; ou, é um termo genérico que inclui composições humanas não inspiradas? Na Confissão de Fé[2], nós lemos a respeito do culto religioso: — “A leitura das Escrituras com temor divino; a sã pregação, e a consciente atenção à palavra, em obediência a Deus, com entendimento, fé, e reverência; o cântico de salmos com graça no coração; bem como a devida administração e digna recepção dos sacramentos instituídos por Cristo; são todas partes do culto comum oferecido a Deus”. De acordo com a confissão, o que é que os cristãos devem cantar durante o culto comum oferecido a Deus? Eles devem cantar Salmos....
O SER DE DEUS
Até aqui nós discutimos a natureza da revelação que Deus nos deu em sua graça, fizemos algumas considerações sobre como a revelação veio à existência, e como, sob a normativa direção dos credos e das confissões, nós a temos conhecido. Também vimos o conteúdo da revelação e mostramos como essa revelação age na mente e no coração, no entendimento e na vida. Se nós estivemos olhando o edifício da revelação pelo lado de fora e tivemos alguma noção de sua arquitetura, nós vamos agora entrar no santuário para contemplar todo o tesouro de sabedoria e conhecimento contido nele e vamos deleitar nossos olhos nesse banquete. Não é necessário afirmar que nós podemos desenvolver o rico conteúdo dessa...
O EVANGELHO DE JOÃO — DEUS COMO ESPÍRITO SANTO
João contém ensinamentos muito importantes sobre o Espírito Santo. Ele começa com o testemunho de João Batista, que viu o Espírito Santo “descer do céu como pomba e pousar sobre [Jesus]” (1:32). Todos os sinóticos registram o batismo de Jesus, mas somente o quarto Evangelho relata o que João Batista disse naquele momento. E ele relata um detalhe que não consta dos sinóticos: — “o Espírito Santo permaneceu sobre Jesus”. O ministério público de Jesus não foi só iniciado no poder do Espírito Santo, mas o Espírito também permaneceu sobre Ele por todo o ministério. João nos diz em seguida que João Batista não conhecia a Jesus, e que este foi o sinal que lhe foi dado para que reconhecesse aquele...
TOMÁS DE AQUINO E AS CINCO EVIDÊNCIAS DA EXISTÊNCIA DE DEUS
[1] – Via do movimento–primeiro motor ou modificação. O valor técnico da palavra “motus” não pode ser expresso por “movimento” com a condição de estender seu significado primeiro de movimento local (ou mecânico) a tudo o que seja mudança, devir[1]. O que, aliás, a linguagem moderna não hesita em fazer, falando de movimento das almas (“etimologia de emoção”), do movimento do espírito (“indutivo, dedutivo, dialético”), dos movimentos sociais e políticos, do movimento da evolução, etc. Para Tomás de Aquino, assim como para Aristóteles, tudo aquilo que poderíamos denominar movimento e devir no mundo físico reduz-se a três grandes categorias: — [1] – O movimento local, medido pelo tempo; [2] –...
PIEDADE, CONFIANÇA E REVERÊNCIA SÃO OS REQUISITOS PARA SE CONHECER A DEUS
Portanto, de fato entendo como conhecimento de Deus aquele em virtude do qual não apenas concebemos que Deus existe, mas ainda apreendemos o que nos importa dEle conhecer, o que lhe é relevante à glória, enfim, o que é proveitoso saber a seu respeito. Ora, falando com propriedade, nem diremos que Deus é conhecido onde nenhuma religiosidade há, nem piedade. E aqui ainda não abordo essa modalidade de conhecimento pela qual os homens, em si perdidos e malditos, apreendem a Deus como Redentor, em Cristo, o Mediador. “Ao contrário, estou falando apenas desse conhecimento primário e singelo, a que nos conduziria a própria ordem da natureza, se Adão se conservasse íntegro”. Ora, se bem que nesta...
CASAMENTO — O VÍNCULO PRECIOSO
Efésios 5:22 – 33. Ninguém em pleno século XX que leia esta passagem pode esgotar toda sua grandeza. Através dos séculos se chegou enfim a aceitar a visão cristã do casamento. Mesmo quando a prática não alcance o ideal, este sempre está nas mentes e corações dos homens que vivem numa situação cristã. O casamento é considerado como a união perfeita de corpo, mente e espírito e para sempre entre o homem e a mulher. Mas quando Paulo escrevia a situação era muito diferente. Nesta passagem Paulo apresenta perante homens e mulheres um ideal que brilha com pureza radiante num mundo imoral. A. W. Verrall, o grande erudito clássico, dizia certa vez que uma das principais enfermidades pelas que...
A MULTIFORME SABEDORIA DE DEUS E O PRINCÍPIO REGULADOR DO CULTO
“[...] para que agora a multiforme sabedoria de Deus, por meio da Igreja, fosse conhecida aos principados e potestades nas regiões celestes, segundo o propósito dos séculos, que Ele fez em Cristo Jesus nosso Senhor [...]” (Efésios 3:10, 11). Mas, o que esta passagem de Efésios 3, tem a ver com o Princípio Regulador do Culto? Bem, poucas pessoas se utilizam desta passagem para afirmarem que Deus por meio da “multiforme sabedoria da Igreja”, estabelece muitas formas de culto aceitáveis, e que por isso, não é um pecado termos formas variadas de culto — de serviço sagrado prestado ao SENHOR em profundo devotamento e piedade. Iremos ver neste artigo, o que realmente este texto de Efésios 3...
AS CARACTERÍSTICAS DA VIDA CRISTÃ
Hebreus 13:1 – 6. Ao aproximar-se ao final de sua carta o autor passa a ocupar-se de assuntos práticos. Aqui sublinha cinco qualidades essenciais da vida cristã. [1] – O amor fraternal. As mesmas circunstâncias da Igreja primitiva ameaçavam algumas vezes o amor fraternal. O próprio fato de tomar tão a peito a religião era em certo sentido um perigo. Numa Igreja ameaçada de fora e desesperadamente ciumenta de dentro, há sempre dois perigos. Em primeiro lugar o perigo de dedicar-se à caça de heresias. O próprio desejo de preservar a fé faz com que os homens tenham o afã de descobrir e eliminar os hereges ou os que se desviaram da fé. Em segundo lugar, o tratamento duro e pouco amável dos que...
O FIM DOS FRAGMENTOS
Hebreus 1:1 – 3. Esta é a peça oratória grega mais eloquente de todo o Novo Testamento. Qualquer orador clássico grego teria estado orgulhoso de tê-la escrito. O autor da carta aos Hebreus utilizou aqui todos os recursos de palavras e ritmo que a bela e flexível língua grega permitia. Em grego os dois advérbios que se traduzem muitas vezes e de muitas maneiras são palavras únicas (“polymeros” e “polytropos”). O prefixo grego poly– nestas combinações significa muitos. Os grandes oradores gregos, como Demóstenes, o maior de todos eles, tinham o hábito de intercalar tão sonoros adjetivos no primeiro parágrafo de um discurso. O autor de Hebreus sentiu que, já que ia falar da revelação suprema...
JOÃO CALVINO E O PRINCÍPIO REGULADOR
João Calvino (1509 – 1564) foi o maior teólogo e expositor bíblico da Reforma Protestante. Através da academia teológica em Genebra e de seus muitos escritos, Calvino fez mais do que qualquer um para moldar a doutrina e o culto das Igrejas presbiterianas, reformadas e puritanas. O ensinamento de Calvino quanto ao culto reflete-se claramente em todos os diversos credos e confissões reformados: — A Confissão Francesa (1559), a Confissão Escocesa (1560), a Confissão Belga (1561), o Catecismo de Heidelberg (1536), a Segunda Confissão Helvética (1566), e os Padrões de Westminster (1643 – 1648). É importante que os crentes que se autodenominam de reformados ou presbiterianos tenham, por várias...
UMA CARTA DE RECOMENDAÇÃO
Romanos 16:1, 2. Quando uma pessoa está buscando um novo emprego ou uma nova posição, geralmente apresenta referências ou um testemunho de alguém que a conhece bem e que pode certificar seu caráter e sua capacidade. Quando uma pessoa vai viver em algum povo desconhecido, frequentemente leva consigo alguma carta de apresentação de alguém que conhece alguma pessoa nesse povo. No mundo antigo estas cartas eram muito comuns. Eram conhecidas como “sustatikai epistolai”, cartas de recomendação ou apresentação. Ainda conservamos muitas destas cartas escritas em papiros, e recuperadas dentre montões de lixo enterrados nas areias do deserto no Egito. Um tal Mystarión, olivicultor egípcio, enviou a...
A VIDA CRISTÃ NA AÇÃO DE CADA DIA
Romanos 12:9 – 13. Aqui Paulo se apresenta ao seu pessoal com dez concisas regras para a vida cotidiana. Vamos examiná-las uma por uma. [1] – O amor deve ser completamente sincero. Não deve haver no amor cristão hipocrisia, simulação ou motivos ocultos. Existe o amor de despensa que dá afeto com um olho posto no ganho que pode proporcionar. Existe o amor egoísta cujo objetivo é obter muito mais do que dá. O amor cristão é um amor liberto do eu. É o vôo puro do coração para com outros. [2] – Devemos odiar o mal e nos apegar ao bem. Tem-se dito que nosso único seguro contra o pecado está em que este nos escandalize. Carlyle disse que o que precisamos é ver a infinita beleza da santidade, e a...
INCONSISTÊNCIAS PROTESTANTES — PARTE 4
4 – O Declínio Reformado. Muitas Igrejas reformadas também abandonaram a autoridade exclusiva da Bíblia sobre o culto. Muitas denominações reformadas e presbiterianas permanecem oficialmente apegadas à Sola Scriptura na esfera do culto. O papel da Escritura quanto ao culto é denominado de Princípio Regulador do Culto (PRC). Este princípio declara que todas as partes ou elementos do culto tem que possuir sanção divina, isto é, toda parte do culto que possui significado religioso (isto é, coisas e atos que não são circunstanciais) tem de ser autorizada ou por um mandamento direto da Escritura (por exemplo, “fazei isto em memória de mim” – Lucas 22:19); ou pela inferência lógica da Escritura...
INCONSISTÊNCIAS PROTESTANTES — PARTE 3
3 – O Evangelicalismo. Os evangélicos também são culpados de restringir a aplicação da autoridade da Bíblia. Quando o assunto é culto, os evangélicos não crêem que a Escritura é suficiente. Eles diriam que nada que seja pecaminoso deve fazer parte do culto. Entretanto crêem que os homens têm autoridade para dar qualquer forma e conteúdo que acharem ser útil ao culto. Infelizmente o entendimento de culto dos episcopais e luteranos tem sido adotado pela grande maioria dos cristãos professos. Essa visão pragmática do culto tem, previsivelmente, conduzido ao caos litúrgico nas Igrejas evangélicas. Sempre que as Igrejas abandonam o Sola Scriptura na esfera do culto e abraçam o pragmatismo, o...
INCONSISTÊNCIAS PROTESTANTES — PARTE 2
2 – O Luteranismo. As Igrejas luteranas também se apartaram do Sola Scriptura na compreensão e regulamentação do culto público. Lê-se na Confissão de Augsburgo (1530): — “E para [alcançar] a verdadeira unidade da Igreja é bastante que se concorde quanto à doutrina do Evangelho e a administração dos sacramentos. Nem é necessário que as tradições humanas, rituais, ou cerimônias instituídas pelos homens devam ser iguais em toda parte, como disse São Paulo: — uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos” (Artigo 7, Da Igreja). Quanto aos rituais eclesiásticos (criados pelos homens), eles ensinam que aqueles rituais devem ser obedecidos e observados sem pecado, e que são proveitosos...
INCONSISTÊNCIAS PROTESTANTES ― PARTE 1
Não obstante alguns protestantes, felizmente, afirmarem o Sola Scriptura, muitos outros ensinam e praticam coisas que contradizem a doutrina de que a Escritura é o único padrão para a fé e para a vida. A negação implícita do Sola Scriptura, seja pelo ensino ou prática, pode ser encontrada em Igrejas luteranas, episcopais, evangélicas e até mesmo reformadas. Um breve exame de algumas dessas inconsistências nos auxiliará a entender esse ensino crucial. A doutrina do Sola Scriptura é ao mesmo tempo afirmada e implicitamente negada nas declarações de fé da Igreja da Inglaterra (os Trinta e Nove Artigos da Religião – 1563, Revisão Americana de 1801) e dos luteranos (A Confissão de Augsburgo –...
DEVOCIONAIS
DO AMOR À SOLIDÃO E AO SILÊNCIO
DO AMOR À SOLIDÃO E AO SILÊNCIO Livro I — Capítulo 20. “Procura tempo oportuno para cuidar de ti e relembra amiúde [frequentemente] os benefícios de Deus”. Renuncia às curiosidades e escolhe leituras tais, que mais sirvam para te compungir, que para te distrair. “Se te abstiveres de conversações supérfluas e passeios ociosos, como também de ouvir novidades e boatos, acharás tempo suficiente e adequado para te entregares a santas meditações”. Os maiores santos evitavam, quando podiam, a companhia dos homens, preferindo viver com Deus, em retiro. Disse alguém: — “Sempre que estive entre os homens menos homem voltei” (Sêneca, Epístola 7). Isso experimentamos muitas vezes, quando falamos...
DOS EXERCÍCIOS DO BOM RELIGIOSO
Livro I — Capítulo 19. A vida do bom religioso deve ser ornada de todas as virtudes, para que corresponda o interior ao que por fora vêem os homens; e com razão, ainda mais perfeito deve ser no interior do que por fora parece, pois lá penetra o olhar perscrutador de Deus, a quem devemos suma reverência, em qualquer lugar onde estivermos, e em cuja presença devemos andar com pureza angélica. Cada dia devemos renovar nosso propósito e exercitar-nos a maior fervor, como se esse fosse o primeiro dia de nossa conversão, dizendo: — “Confortai-me, Senhor, meu Deus, no bom propósito e em vosso santo serviço; concedei-me começar hoje deveras, pois nada é o que até aqui tenho feito”. A medida da...
DOS EXEMPLOS DOS SANTOS PADRES
Livro I — Capítulo 18. Contempla os salutares exemplos dos santos padres, nos quais brilhou a verdadeira perfeição religiosa, e verás quão pouco ou quase nada é o que fazemos. Ah! Que é a nossa vida em comparação com a deles? “Os santos e amigos de Cristo serviram ao Senhor em fome e sede, em frio e nudez, em trabalho e fadiga, em vigílias e jejuns, em orações e santas meditações, em perseguições e muitos opróbrios”. Oh! Quantas e quão graves tribulações sofreram os apóstolos, os mártires, os confessores, as virgens e todos quantos quiseram seguir as pisadas de Cristo! “Odiaram suas almas neste mundo, para possuí-las eternamente no outro”. Oh! Que vidas austeras e mortificadas levaram os...
DAS OBRAS FEITAS COM CARIDADE, DO SOFRER OS DEFEITOS DOS OUTROS E DA VIDA MONÁSTICA
Livro I — Capítulos 15 — 17. 1 – Das obras feitas com caridade. “Por nenhuma coisa do mundo, nem por amor de pessoa alguma, se deve praticar qualquer mal; mas, em prol de algum necessitado, pode-se, às vezes, omitir uma boa obra, ou trocá-la por outra melhor”. Desta sorte, a boa obra não se perde, mas se converte em outra melhor. Sem a caridade [amor] nada vale a obra exterior; tudo, porém, que da caridade procede, por insignificante e desprezível que seja, produz abundantes frutos, porque Deus não atende tanto à obra, como à intenção com que a fazemos. “Muito faz aquele que muito ama”. Muito faz quem bem faz o que faz. Bem faz quem serve mais ao bem comum que à sua própria vontade....
COMO SE HÁ DE RESISTIR ÀS TENTAÇÕES E COMO SE DEVE EVITAR O JUÍZO TEMERÁRIO
Livro I — Capítulos 13 — 14. 1 – Como se há de resistir às tentações. “Enquanto vivemos neste mundo, não podemos estar sem trabalhos e tentações”. Por isso lemos no livro de Jó (7:1): — “É um combate a vida do homem sobre a terra”. Cada qual, pois, deve estar acautelado contra as tentações, mediante a vigilância e a oração, para não dar azo [oportunidade] às ilusões do demônio, que nunca dorme, mas anda por toda parte em busca de quem possa devorar (1 Pedro 5:8). “Ninguém há tão perfeito e santo, que não tenha, às vezes, tentações, e não podemos ser delas totalmente isentos”. São, todavia, utilíssimas ao homem as tentações, posto que sejam molestas e graves, porque nos humilham, purificam...
DA PAZ E DO ZELO EM APROVEITAR E DA UTILIDADE DAS ADVERSIDADES
Livro I — Capítulos 11 — 12. 1 – Da paz e do zelo em aproveitar. “Muita paz podíamos gozar, se não nos quiséssemos ocupar com os ditos e fatos alheios que não pertencem ao nosso cuidado”. Como pode ficar em paz por muito tempo aquele que se intromete em negócios alheios, que busca relações exteriores, que raras vezes e mal se recolhe interiormente? “Bem-aventurados os simples, porque hão de ter muita paz!”. Por que muitos santos foram tão perfeitos e contemplativos? É que eles procuraram mortificar-se inteiramente em todos os desejos terrenos, e assim puderam, no íntimo de seu coração, unir-se a Deus e atender livremente a si mesmos. Nós, porém, nos ocupamos demasiadamente das próprias...
DA OBEDIÊNCIA E SUJEIÇÃO
Livro I — Capítulos 9 — 10. 1 – Da obediência e sujeição. Grande coisa é viver na obediência, sob a direção de um superior, e não dispor da própria vontade. Muito mais seguro é obedecer que mandar. Muitos obedecem mais por necessidade que por amor: — “por isso sofrem e facilmente murmuram”. Esses não alcançarão a liberdade de espírito, enquanto não se sujeitarem de todo o coração, por amor de Deus. Anda por onde quiseres: — “não acharás descanso senão na humilde sujeição e obediência ao superior”. A imaginação dos lugares e mudanças a muitos tem iludido. Verdade é que cada um gosta de seguir seu próprio parecer e mais se inclina àqueles que participam da sua opinião. Entretanto, se Deus...
COMO DEVEMOS FUGIR À VÃ ESPERANÇA E PRESUNÇÃO E COMO SE DEVE EVITAR A EXCESSIVA FAMILIARIDADE
Livro I — Capítulos 7 — 8. 1 – Como devemos fugir à vã esperança e presunção. Insensato é quem põe sua esperança nos homens ou nas criaturas. “Não te envergonhes de servir a outrem por Jesus Cristo, e ser tido como pobre neste mundo”. Não confies em ti mesmo, mas põe em Deus tua esperança. Faze de tua parte o que puderes, e Deus ajudará tua boa vontade. Não confies em tua ciência, nem na sagacidade de qualquer vivente, mas antes na graça de Deus, que ajuda os humildes e abate os presunçosos (cf. Provérbios 15:25; 1 Pedro 5:5). Se tens riquezas, não te glories delas, nem dos amigos, por serem poderosos, senão em Deus, que dá tudo, além de tudo, deseja dar-se a si mesmo. Não te desvaneças...
DA PRUDÊNCIA NAS AÇÕES, DA LEITURA DAS SAGRADAS ESCRITURAS E DAS AFEIÇÕES DESORDENADAS
Livro I — Capítulos 4 — 6. 1 – Da prudência nas ações. Não se há de dar crédito a toda palavra nem a qualquer impressão, mas cautelosa e naturalmente se deve, diante de Deus, ponderar as coisas — Mas, ai! — que mais facilmente acreditamos e dizemos dos outros o mal que o bem, tal é a nossa fraqueza. As almas perfeitas, porém, não crêem levianamente em qualquer coisa que se lhes conta, pois, conhecem a fraqueza humana inclinada ao mal e fácil de pecar por palavras. Grande sabedoria é não ser precipitado nas ações, nem aferrado obstinadamente à sua própria opinião; “sabedoria é também não acreditar em tudo que nos dizem, nem comunicar logo a outros o que ouvimos ou suspeitamos”. Toma...
DOS ENSINAMENTOS DA VERDADE
Livro I — Capítulo 3. “Bem-aventurado aquele a quem a verdade por si mesma ensina, não por figuras e vozes que passam, mas como em si é”. Nossa opinião e nossos juízos muitas vezes nos enganam e pouco alcançam. De que serve a sutil especulação sobre questões misteriosas e obscuras, de cuja ignorância não seremos julgados? Grande loucura é descurarmos as coisas úteis e necessárias, entregando-nos, com avidez, às curiosas e nocivas. “Temos olhos para não ver” (cf. Salmos 113:13). Que se nos dá dos gêneros e das espécies dos filósofos? Aquele a quem fala o Verbo eterno se desembaraça de muitas questões. Desse Verbo único procedem todas as coisas e todas o proclamam e esse é o princípio que...
