DAS OBRAS FEITAS COM CARIDADE, DO SOFRER OS DEFEITOS DOS OUTROS E DA VIDA MONÁSTICA

Para a leitura cotidiana, a música instrumental que favorece o recolhimento.

Coletânea de Música Clássica

por Bach, Beethoven, Bizet, Boccherini, Boulanger, Bruckner, Burgmüller, Chaminade, Chopin, Debussy, Dvořák, Elgar, Gershwin, Gounod / Liszt, Granados, Handel, Joplin

Para o Dia do Senhor, o canto dos Salmos, próprio da adoração.

Saltério

por Comissão Brasileira de Salmodia

por | 5 ago 2019

Livro I — Capítulos 15 — 17. 

1 – Das obras feitas com caridade.

“Por nenhuma coisa do mundo, nem por amor de pessoa alguma, se deve praticar qualquer mal; mas, em prol de algum necessitado, pode-se, às vezes, omitir uma boa obra, ou trocá-la por outra melhor”. Desta sorte, a boa obra não se perde, mas se converte em outra melhor. Sem a caridade [amor] nada vale a obra exterior; tudo, porém, que da caridade procede, por insignificante e desprezível que seja, produz abundantes frutos, porque Deus não atende tanto à obra, como à intenção com que a fazemos.

“Muito faz aquele que muito ama”. Muito faz quem bem faz o que faz. Bem faz quem serve mais ao bem comum que à sua própria vontade. Muitas vezes parece caridade o que é mero amor próprio, porque raras vezes nos deixa a inclinação natural, a própria vontade, a esperança da recompensa, o nosso interesse. 

“Aquele que tem verdadeira e perfeita caridade em nada se busca a si mesmo, mas deseja que tudo se faça para a glória de Deus”.

De ninguém tem inveja, porque não deseja proveito algum pessoal, nem busca sua felicidade em si, mas procura sobre todas as coisas ter alegria e felicidade em Deus. “Não atribui bem algum à criatura, mas refere tudo a Deus, como à fonte de que tudo procede, e em que, como em fim último, acham todos os santos o deleitoso repousar”.

Oh! Quem tivera só uma centelha (faísca, fagulha) de verdadeira caridade logo compreenderia a vaidade de todas as coisas terrenas!

2 – Do sofrer os defeitos dos outros.

Aquilo que o homem não pode emendar (consertar, corrigir) em si mesmo ou nos demais, deve-o tolerar com paciência, até que Deus disponha de outro modo. Considera que talvez seja melhor assim, para provar tua paciência, sem a qual não têm grande valor nossos méritos. Todavia, convém, nesses embaraços, pedir a Deus que te auxilie, para que os possas levar com seriedade.

Se alguém, com uma ou duas advertências, não se emendar, não contendas com ele; mas encomenda tudo a Deus para que seja feita a sua vontade, e seja Ele honrado em todos os seus servos, pois sabe tirar bem do mal. Procura sofrer com paciência os defeitos e quaisquer imperfeições dos outros, pois tens também muitas que os outros têm de aturar.

“Se não te podes modificar como desejas, como pretendes ajeitar os outros à medida de teus desejos?”.

Muito desejamos que os outros sejam perfeitos, e nem por isso emendamos as nossas faltas.

Queremos que os outros sejam corrigidos com rigor, e nós não queremos ser repreendidos. Estranhamos a larga liberdade dos outros, e não queremos sofrer recusa alguma. Queremos que os outros sejam apertados por estatutos e não toleramos nenhum constrangimento que nos coíba. “Donde claramente se vê quão raras vezes tratamos o próximo como a nós mesmos”.

Se todos fossem perfeitos, que teríamos então de sofrer nós mesmos por amor de Deus?

Ora, Deus assim o dispôs para que aprendamos a carregar uns o fardo dos outros; porque ninguém há sem defeito; ninguém sem carga; ninguém com força e juízo bastante para si; mas cumpre que uns aos outros nos suportemos, consolemos, auxiliemos, instruamos e aconselhemos. Quanta virtude cada um possui, melhor se manifesta na ocasião da adversidade; pois as ocasiões não fazem o homem fraco, mas revelam o que ele é.

3 – Da vida monástica.

Aprende a abnegar-te em muitas coisas, se queres ter paz e concórdia com os outros. Não é pouco habitar em mosteiros ou congregações religiosas, viver ali sem queixas e perseverar fielmente até à morte.

“Bem-aventurado é aquele que aí vive bem e termina a vida com um fim abençoado!”.

Se queres permanecer firme e fazer progressos, considera-te como desterrado e peregrino sobre a terra. “Convém fazer-te louco por amor de Cristo, se queres seguir a vida religiosa”.

De pouca monta — relevância — são o hábito e a tonsura[2]: — “são a mudança dos costumes e a perfeita mortificação das paixões que fazem o verdadeiro religioso”.

Quem outra coisa procura senão a Deus só e a salvação de sua alma, só achará tribulações e angústias. Não pode ficar por muito tempo em paz quem não procura ser o menor e o mais submisso de todos.

Para servir vieste, não para mandar; lembra-te que foste chamado para trabalhar e sofrer, e não para folgar e conversar. Aqui, pois, se provam os homens, à semelhança do ouro na fornalha. Aqui, ninguém perseverará, se não quiser humilhar-se, de todo o coração, por amor de Deus.

Paz e graça.

[1] Tomás de Kempis, 1380 – 1471, Imitação de Cristo, p. 12 – 14.

[2] Corte redondo dos cabelos no topo da cabeça dos eclesiásticos.

[3] Pr. Me. Plínio Sousa — Revisor: — notas e significações.

Post relacionado:

É LÍCITO JEJUAR NO DIA DO SENHOR?

É LÍCITO JEJUAR NO DIA DO SENHOR?

“Mas aos dez dias desse sétimo mês será o dia da expiação; tereis santa convocação, e afligireis as vossas almas; e oferecereis oferta queimada ao Senhor. E naquele mesmo dia nenhum trabalho fareis, porque é o dia da expiação, para fazer expiação por vós perante o Senhor vosso Deus. Porque toda a alma, que naquele mesmo dia se não afligir, será extirpada do seu povo. Também toda a alma, que naquele mesmo dia fizer algum trabalho, eu destruirei aquela alma do meio do seu povo. Nenhum trabalho fareis; estatuto perpétuo é pelas vossas gerações...

ler mais
A UNIDADE TRINITÁRIA E A VALIDADE DO BATISMO

A UNIDADE TRINITÁRIA E A VALIDADE DO BATISMO

Forma, essência e legitimidade na Tradição Reformada. Pode ser considerado válido o batismo quando, embora administrado por hereges ou em seitas, é ministrado com água e segundo a fórmula trinitária instituída por Cristo? Sim, o batismo pode ser considerado válido quando, ainda que administrado por hereges ou em comunidades heterodoxas, são preservados os seus essenciais, tanto quanto à forma quanto à matéria, a saber: — a Palavra da instituição, o elemento externo — a água — e a fórmula prescrita por Jesus Cristo, a qual deve ser ministrada...

ler mais
A CRISE DO EVANGELHO NA OPC E NA PCA — A HERESIA DA “VISÃO FEDERAL”

A CRISE DO EVANGELHO NA OPC E NA PCA — A HERESIA DA “VISÃO FEDERAL”

A crise do Evangelho na Igreja Presbiteriana Ortodoxa (OPC) e na Igreja Presbiteriana da América (PCA). No âmbito presbiteriano e reformado conservador, uma controvérsia tem se intensificado desde o ano de 2002. Na Igreja Presbiteriana Ortodoxa (OPC) e na Igreja Presbiteriana na América (PCA), tal controvérsia tem sido particularmente dolorosa, pois os ensinos da “Visão Federal” foram adotados por diversos pastores e presbíteros que, por meio de sua doutrina e de seu exemplo, desviaram congregações inteiras das doutrinas das Escrituras e dos...

ler mais

O que você perdeu:

QUE A VERDADE FALA DENTRO DE NÓS, SEM ESTRÉPITO DE PALAVRAS

QUE A VERDADE FALA DENTRO DE NÓS, SEM ESTRÉPITO DE PALAVRAS

Livro III — Capítulo 2. Falai, Senhor, que o vosso servo escuta: — “Vosso servo sou eu, dai-me inteligência para que conheça os vossos ensinamentos. Inclinai meu coração às palavras de vossa boca; nele penetre, qual orvalho, vosso discurso” (1 Reis 3:10; Salmos 118, 36, 125; Deuteronômio 32:2). Diziam, outrora, os filhos de Israel a Moisés: — “Fala tu conosco, e ouviremos: — e não fale Deus conosco, para que não morramos” (Êxodo 20:19). Não assim, Senhor, não assim, vos rogo eu; antes, como o profeta Samuel, humilde e ansioso, vos suplico: —...

ler mais
DA COMUNICAÇÃO ÍNTIMA DE CRISTO COM A ALMA FIEL

DA COMUNICAÇÃO ÍNTIMA DE CRISTO COM A ALMA FIEL

Livro III — Capítulo 1. Ouvirei o que em mim disser o Senhor meu Deus (Salmos 85:8[2]). “Bem–aventurada a alma que ouve em si a voz do Senhor e recebe de seus lábios palavras de consolação!”. Benditos os ouvidos que percebem o sopro do divino sussurro e nenhuma atenção prestam às sugestões do mundo! Bem–aventurados, sim, os ouvidos que não atendem às vozes que atroam (bradam) lá fora, mas à Verdade que os ensina lá dentro! Bem–aventurados os olhos que estão fechados para as coisas exteriores e abertos para as interiores! Bem–aventurados...

ler mais
A NATUREZA E A EXCELÊNCIA DA DEVOÇÃO

A NATUREZA E A EXCELÊNCIA DA DEVOÇÃO

Capítulo 2. Aqueles que desanimavam os israelitas do desígnio de conquistar a terra prometida, diziam-lhes que esta terra consumia os habitantes, isto é, que os ares eram tão insalubres que aí não se podia viver, e que os naturais da terra eram homens bárbaros e monstruosos a ponto de comer os seus semelhantes, como gafanhotos. Deste modo, Filotéia, “o mundo anda a difamar diariamente a santa devoção, espalhando por toda parte que ela torna os espíritos melancólicos e os caracteres insuportáveis e que, para persuadir-se, é bastante contemplar...

ler mais

Descubra mais sobre INSTITUTO REFORMADO SANTO EVANGELHO (IRSE)

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading