DA HUMILDE SUBMISSÃO E DO HOMEM BOM E PACÍFICO

Para a leitura cotidiana, a música instrumental que favorece o recolhimento.

Coletânea de Música Clássica

por Bach, Beethoven, Bizet, Boccherini, Boulanger, Bruckner, Burgmüller, Chaminade, Chopin, Debussy, Dvořák, Elgar, Gershwin, Gounod / Liszt, Granados, Handel, Joplin

Para o Dia do Senhor, o canto dos Salmos, próprio da adoração.

Saltério

por Comissão Brasileira de Salmodia

por | 3 dez 2019

Livro II — Capítulos 2 – 3.

1 – Da humilde submissão.

“Não te importes muito de saber quem seja por ti ou contra ti; mas trata e procura que Deus seja contigo em tudo que fizeres”. Tem boa consciência e Deus te defenderá, pois a quem Deus ajuda não há maldade que o possa prejudicar. Se souberes calar e sofrer, verás, sem dúvida, o socorro do Senhor. Ele sabe o tempo e o modo de te livrar; portanto, entrega-te todo a Ele. A Deus pertence aliviar-nos e tirar-nos de toda a confusão. Às vezes é muito útil, para melhor conservarmos a humildade, que os outros saibam os nossos defeitos e no-los repreendam.

Quando o homem se humilha por seus defeitos, aplaca facilmente os outros e satisfaz os que estão irados contra ele. “Ao humilde Deus protege e salva, ao humilde ama e consola, ao humilde Ele se inclina, dá-lhe abundantes graças e depois do abatimento o levanta a grande honra. Ao humilde revela seus segredos e com doçura a si o atrai e convida”. O humilde, ao sofrer afrontas, conserva sua paz, porque confia em Deus e não no mundo. “Não julgues ter feito progresso algum, enquanto te não reconheças inferior a todos”.

2 – Do homem bom e pacífico.

“Primeiro conserva-te em paz, e depois poderás pacificar os outros”. O homem apaixonado, até o bem converte em mal e facilmente acredita no mal; o homem bom e pacífico, pelo contrário, faz com que tudo se converta em bem. “Quem está em boa paz de ninguém desconfia; o descontente e perturbado, porém, é combatido de várias suspeitas e não sossega, nem deixa os outros sossegarem”. Diz muitas vezes o que não devia dizer, e deixa de fazer o que mais lhe conviria. Atende às obrigações alheias, e descuida-se das próprias. Tem, pois, principalmente zelo de ti, e depois o terás, com direito, do teu próximo.

“Bem sabes desculpar e cobrir tuas faltas, e não queres aceitar as desculpas dos outros!”. Mais justo fora que te acusasses a ti e escusasses o teu irmão. “Suporta os outros, se queres que te suportem a ti”. Nota quão longe estás ainda da verdadeira caridade [amor] e humildade, que não sabe irar-se ou indignar-se senão contra si próprio. Não é grande coisa conviver com homens bons e mansos, porque isso, naturalmente, agrada a todos; e cada um gosta de viver em paz e ama os que são de seu parecer. Viver, porém, em paz com pessoas ásperas, perversas e mal–educadas que nos contrariam, é grande graça e ação louvável e varonil.

Uns há que têm paz consigo e com os mais; outros que não têm paz nem a deixam aos demais; são insuportáveis aos outros, e ainda mais o são a si mesmos. E há outros que têm paz consigo e procuram-na para os demais. Toda a nossa paz, porém, nesta vida miserável, consiste mais na humilde resignação, que em não sentir as contrariedades. Quem melhor sabe sofrer maior paz terá. “Esse é vencedor de si mesmo e senhor do mundo, amigo de Cristo e herdeiro do céu”.

Paz e graça.

[1] Tomás de Kempis, 1380 – 1471, Imitação de Cristo, p. 31 – 32.

[2] Pr. Me. Plínio Sousa — Revisor: — notas e significações.

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