CONCÍLIOS DA IGREJA SOBRE O CÂNTICO EXCLUSIVO DOS SALMOS

Para a leitura cotidiana, a música instrumental que favorece o recolhimento.

Coletânea de Música Clássica

por Bach, Beethoven, Bizet, Boccherini, Boulanger, Bruckner, Burgmüller, Chaminade, Chopin, Debussy, Dvořák, Elgar, Gershwin, Gounod / Liszt, Granados, Handel, Joplin

Para o Dia do Senhor, o canto dos Salmos, próprio da adoração.

Saltério

por Comissão Brasileira de Salmodia

por | 4 mar 2024

Este fim de semana, pude assistir ao debate sobre o Cântico Exclusivo dos Salmos entre o Dr. Gordon e o Dr. Prutow. Foi um grande debate. Você pode ouvi-lo aqui: — “Debate sobre o Cântico dos Salmos entre Gordon e Prutow[2].

Uma coisa que gostaria que fosse discutida com mais profundidade é o “Cântico Exclusivo dos Salmos na História da Igreja”. Neste material, quero compartilhar algumas citações de Concílios e Confissões da Igreja. Esta não é uma lista completa, mas apenas aquelas que são bastante claras. Existem muitas citações de Pais da Igreja e Reformadores, mas talvez eu reserve essas para futuros materiais. Estou sem uma citação do Concílio de Calcedônia de 451 d.C., mas este também rejeitou o canto de canções não–inspiradas no culto.

Concílio de Laodicéia (343 – 381 d.C.), cânon LIX: — “Nenhum salmo composto por indivíduos privados nem quaisquer livros não canônicos podem ser lidos na Igreja, mas apenas os Livros Canônicos do Antigo e do Novo Testamento”.

Concílio de Braga (563 d.C.): — “nenhuma composição poética seja cantada na Igreja exceto os Salmos do Cânon Sagrado […]”.

Sínodo Nacional de Dort, 1578, Art. 76.: — “Os Salmos de Davi, na edição de Petrus Dathenus, serão cantados nas reuniões cristãs das Igrejas dos Países Baixos (como tem sido feito até agora), abandonando os hinos que não se encontram na Sagrada Escritura”.

Sínodo Nacional de Middelburg, 1581, Art. 51: — “Apenas os Salmos de Davi serão cantados na Igreja, omitindo os hinos que não se pode encontrar na Sagrada Escritura”.

Sínodo Nacional de Gravenhage, 1586, Art. 62: — “Os Salmos de Davi serão cantados nas Igrejas, omitindo os hinos que não se encontra na Sagrada Escritura”.

Confissão de Fé de Westminster 21:5 (1646)[3]: — “A leitura das Escrituras com temor piedoso; a pregação sã e a audição consciente da Palavra, em obediência a Deus, com entendimento, fé e reverência; o cântico dos salmos com graça no coração (Colossenses 3:16; Efésios 5:19; Tiago 5:13); bem como a devida administração e recebimento digno dos sacramentos instituídos por Cristo; são todas partes do culto religioso ordinário a Deus: — além de juramentos religiosos e votos, jejuns solenes e ações de graças em ocasiões especiais, que devem ser usados em seus tempos e épocas, de maneira santa e religiosa”.

O Diretório de Westminster para o Culto Público de Deus: — “Do Cântico dos Salmos – É dever dos cristãos louvar a Deus publicamente, cantando salmos juntos na congregação e também em particular na família. Ao cantar salmos, a voz deve ser ordenada de maneira harmoniosa e grave; mas o cuidado principal deve ser cantar com entendimento e com graça no coração, fazendo melodia ao Senhor. Para que toda a congregação possa participar, todos os que sabem ler devem ter um livro de salmos; e todos os outros, não incapacitados pela idade ou de outra forma, devem ser exortados a aprender a ler. Mas, por enquanto, onde muitos na congregação não podem ler, é conveniente que o ministro, ou outra pessoa adequada designada por ele e pelos outros oficiais governantes, leia o salmo, linha por linha, antes de cantá-lo”.

Atas da Reunião da Assembleia de Westminster – 15 de abril de 1646: — “Ordenado, que o Livro de Salmos, elaborado pelo Sr. Rous e examinado pela Assembleia de Divinos, seja imediatamente impresso em volumes diversos: — ‘E que os ditos Salmos, e nenhum outro, serão, após o primeiro dia de janeiro próximo, cantados em todas as Igrejas e Capelas dentro do Reino da Inglaterra, Domínio do País de Gales e Cidade de Berwick–upon–Tweed [Cidade na Inglaterra]; e que seja recomendado ao Sr. Rous cuidar da verdadeira impressão do mesmo’. A concordância dos Senhores deve ser desejada aqui”.

Paz e graça.

[1] Por Carlos Gonzalez em https://www.semperreformanda.com/psalmody/church-councils-on-exclusive-psalmody-by-carlos-gonzalez/ Copiado com permissão do autor: — https://covenantalreformation.wordpress.com/2015/03/30/church-councils-on-exclusive-psalmody/

[2] https://beta.sermonaudio.com/sermons/329157532910/

[3] “É um fato histórico que a Assembleia de Westminster limitou deliberadamente o cântico de adoração aos Salmos inspirados. A análise cuidadosa das evidências históricas feita por Matthew Winzer mostra conclusivamente que as afirmações em contrário não têm base sólida nos fatos. Este artigo de revisão precisa ser colocado nas mãos de todas as pessoas que afirmam o contrário” — Michael Bushell, autor de Songs of Zion (nova edição disponibilizada pelo autor, maio de 2010). “Westminster e Adoração Examinados: — Uma Análise do Ensaio de Nick Needham sobre o Ensino da Confissão de Fé de Westminster sobre o Princípio Regulador, o Canto dos Salmos e o Uso de Instrumentos Musicais no Culto Público a Deus” — https://www.cpjournal.com/wp-content/uploads/2011/04/Winzer-NeedhamReviewf.pdf (Joel Beeke parece ter achado o Winzer mais persuasivo do que o Needham).

[4] Pr. Dr. Plínio Sousa — Tradutor: — revisor, notas e significações.

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