por Plínio Sousa | 31 dez 2018 | DEVOCIONAL
[…] “e disse: — Saí nu do ventre da minha mãe, e nu partirei. O Senhor o deu, o Senhor o levou; louvado seja o nome do Senhor” (Jó 1:21).
Ele reconheceu a mão de Deus tanto nas misericórdias que havia desfrutado anteriormente, quanto nas tribulações com as quais ora era exercitado: — “O Senhor o deu e o Senhor o tomou”. Devemos reconhecer a Providência divina: — Em todos os nossos consolos. Deus nos deu a existência, nos criou, e não nós mesmos, foi Ele que nos concedeu a nossa riqueza, não foi a nossa própria engenhosidade ou empenho que nos enriqueceram, mas a bênção de Deus em nossos cuidados e esforços. Ele nos deu poder para obtermos riquezas, não apenas criou os animais para nós, mas determinou, da melhor maneira possível, a parte que nos cabia.
Aquele que o deu o tomou, e não pode Ele fazer o que quiser com o que lhe pertence? — Entendimento tácito – Romanos 9:21. Veja como Jó olha para além dos agentes, e se concentra em Deus. Ele não diz: — “‘O Senhor concedeu, e os sabeus e os caldeus o tomaram, Deus me tornou rico, e o diabo me tornou pobre’”, mas: — Aquele que o deu o tomou’, e por essa razão ele está estupefato, e não tem nada para dizer, porque pensou que Deus havia feito isso. Aquele que tudo concedeu, pode tomar o que, quando, e quanto lhe aprouver. Sêneca pode argumentar assim: — Abstulit, sed et dedit – Ele o tomou, mas Ele também o deu’; e Epíteto diz esplendidamente (capítulo 15): — ‘Quando és privado de qualquer consolo, como, por exemplo, um filho que é levado pela morte, ou se perderes parte dos teus bens, não digas ‘apolesa auto’ – ‘Eu o perdi’, mas ‘apedoka’ – ‘Eu o restituí ao verdadeiro dono’, mas tu alegarás (diz ele), ‘kakos ho aphelomenos’ – ‘foi um homem perverso que me roubou’, ao que ele responde, ti de ‘soi melei’ – ‘O que te importa com qual mão aquele que dá toma aquilo que deu?’”.
Jó adorou a Deus nos dois casos.
Quando tudo havia terminado, ele se ajoelhou e adorou (v. 20). Note que as tribulações não devem nos desviar das práticas da religião, mas sim nos estimular ao exercício delas. O pranto não deve impedir a semeadura, nem a adoração. Ele percebeu não apenas a mão, mas o nome de Deus, em suas aflições, e o honrou: — Jó louvou o nome do Senhor — Isto é doxologia viva.
“O cristão deve ser uma doxologia viva” (Martinho Lutero).
Paz e graça.
por Plínio Sousa | 28 dez 2018 | DEVOCIONAL
Sem a lei, o pecado estava adormecido, mas a lei suscitou um desejo de fazer o que ela proibia. O mesmo é verdadeiro para todo cristão. A percepção do pecado através da instrumentalidade da lei torna as pessoas conscientes de sua morte espiritual – somos excluídos da penalidade da Lei (quando justificados), mas a Lei nos conduz o caminho que devemos sempre seguir, “um Caminho de obediência conformes a Obediência e Justiça de Cristo” — nesse ínterim, descobri que há um terrível inimigo a ser mortificado e ele não está lá fora (como o que Cristo sentiu e passou, pois nEle não havia pecado), mas dentro de todos nós (pois somos pecadores), e aquilo, a tentação, que vem de fora não nos induz a pecar (como Cristo passou em sua tentação), mas apenas revela o que já existe dentro de nós — o pecado, e nesse sentido, devemos mortificá-lo todos os dias. Percebi então, que não há razão para se julgar o pior dos seres quando de fato, nós somos o pior dos seres. Se Deus tivesse favorecido essas pessoas que consideramos desprezíveis, dos quais falamos sem temor, com tanta misericórdia como nos favoreceu, estou certo de que, por maus que sejam agora, eles teriam sido muito mais reconhecidos pelos dons de Deus do que muitos dos que hoje julgam sem temor, e o serviriam muito melhor do que esses. Eu digo: — “E se meu Deus me abandonasse, eu cometeria mais maldades do que nenhum outro […]” — pense nisto, e faça o seu próprio juízo diante de Deus, não dos homens, pois sabemos que aqui existem graus de perfeição de um ser para outro, mas faça esse juízo diante do Deus Santíssimo e Justíssimo, e assim será revelado a sua miséria, diante dEle somos todos miseráveis.
Como diz o sábio Kempis: — “Não há melhor e mais útil estudo que se conhecer perfeitamente e desprezar-se a si mesmo”.
Ter-se por nada e humildemente piedoso, é pensar sempre bem e favoravelmente dos outros, é prova de grande sabedoria e perfeição de que estamos agradando a Deus. Ainda quando vemos alguém pecar publicamente ou cometer faltas graves, nem por isso devemos nos julgar melhor, “pois não sabemos quanto tempo ainda poderemos perseverar no bem”. Nós todos somos fracos, mas a ninguém devemos considerar mais fraco que a nós mesmos.
Aqueles que foram alvos da graça não têm razões plausíveis para um olhar altivo e arrogante (Romanos 7:7 – 25; Mateus 7:1 – 6). Desta feita, a única distinção entre os homens a ser reconhecida, é aquela que o próprio Deus estabeleça quando confere “[…] a um autoridade sobre o outro, ou enriquece um com mais talentos do que o outro, para que o homem de mais talentos sirva o homem de menos, e nele sirva o seu Deus”.
Paz e graça.