por Plínio Sousa | 30 jan 2019 | DEVOCIONAL
“Dize-lhes mais: — Assim diz o Senhor: — Cairão os homens, e não se tornarão a levantar? Desviar-se-ão, e não voltarão?” (Jeremias 8:4).
Eles [os homens] não desejaram dar ouvidos aos ditames da razão. Eles não desejaram agir, nas questões das suas almas, com a mesma prudência comum com que agiam em outras coisas – terrenas e muitas diabólicas. Os pecadores se tornariam santos se apenas se mostrassem seres humanos, e a religião logo os governaria se o espírito reto os dominasse. Observe que aqui o Senhor diz: — “Vinde, e raciocinemos juntos” (v. 4, 5): — “Cairão os homens e não se tornarão a levantar!”. Se os homens caírem ao solo, caírem na lama, não se levantarão outra vez, tão depressa quanto puderem? Claro! Eles não são loucos a ponto de ficarem parados no chão. “Desviar-se-ão” do caminho correto? Sim, até mesmo os viajantes mais cuidadosos podem errar o caminho — e estes, cristãos, podem se perder, não absolutamente. Mas então, tão logo se dêem conta do engano, “não voltarão?”. Sim, este é o dever de todo cristão, certamente voltarão, com toda rapidez, e darão graças aquele que lhes mostrou seu erro — esta é a função do mestre de Teologia – o ministro de Deus.
Assim agem os homens em outras coisas [infelizmente terrenas]. “Por que, pois, se desvia este povo de Jerusalém com uma apostasia continua?”. Por que, depois de terem caído no pecado, não se apressaram a se levantar arrependidos? Por que, depois de terem visto que haviam tomado um caminho equivocado, não corrigiram o seu erro, e não se transformaram? Nenhum homem em perfeito juízo prosseguiria em um caminho que soubesse que jamais o levaria ao final da sua jornada — não agiriam assim eles pelos os seus pecados? Sabendo que o pagamento do pecado é a morte triplicada — em vida distante de Deus, física abandonada por Deus e eterna julgada por Deus (Romanos 6:23a)?; por mais “doce” que seja o pecado, não é racional aceitá-lo – “aconselho, que se a sua razão subjuga [e condena] o coração, não siga em frente” – Podendo aceitar o pagamento, o fiador — o dom gratuito de Deus — a própria vida, a saber, Jesus Cristo (Romanos 3:23b; João 14:6); é mais racional ouvir os profetas em vida (Lucas 16:29) do que Deus depois da morte — Ele dirá: — “[…] nunca os conheci” (Mateus 7:23) e por isso, “eles (os ímpios — os filhos do diabo) gritarão às montanhas e às rochas: Caiam sobre nós e escondam-nos da face daquele que está assentado no trono e da ira do Cordeiro! Pois chegou o grande dia da ira deles; e quem poderá suportar?” (Apocalipse 6:16, 17); está posto a vida e a morte. Veja a natureza do pecado: — é uma apostasia, é um retrocesso do caminho correto, não somente em direção a um desvio, mas um caminho contrário, deixando o caminho que leva à vida e tomando o caminho que leva à destruição completa — e, o que pode livrar o homem da morte, a não ser, o que a venceu? Vejamos.
O homem não encontra a Verdade – a Verdade encontra o homem.
Santo Ambrósio diz que, “Não é o homem que encontra a Verdade, mas a Verdade que encontra o homem, pois, é Pessoa, Jesus Cristo, o Filho de Deus”. E, acrescento, duas razões: — “Primeiro, o homem encontra-se completamente perdido; segundo encontra-se completamente morto”. E o que define-se como verdade?
Explico: — Assim como o bem qualifica o termo para o qual inclina-se o apetite [querer], assim, a verdade, o termo para o qual tende o intelecto. Pois bem, a diferença entre o apetite e o intelecto, ou qualquer conhecimento, está em que o conhecimento supõe o objeto conhecido, no conhecedor, ao passo que o apetite supõe que o desejável se inclina para a coisa mesma apetecida – ambicionado.
E, assim, o termo do apetite, que é o bem, está na coisa apetecível [desejada], enquanto o termo do conhecimento, que é a verdade, está no próprio intelecto — Por esta razão, o “culto racional [intelecto]” (Romanos 12:1), o amor por Deus, que permeia “todo o entendimento [intelecto]” (Marcos 12:30), em aprender da Verdade que é Cristo, pois Ele afirma ser “a Verdade” (João 14:6) e o Mestre, “aprendei [intelecto] de mim” (Mateus 11:29) — O oposto também é verdadeiro, “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá? [a resposta é – Deus]” (cf. Jeremias 17:9), por isto (Deus) ordena, a nossa razão [intelecto] que se alimente de “tudo o que for verdadeiro, tudo o que for honesto, tudo o que for justo, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, nisso pensai” (Filipenses 4:8), se não fizer, ou seja, se não ouvir (seguir) a razão [intelecto], será guiado pelo coração, que é corrupto – “Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, fornicação, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias” (Mateus 15:19), diz Jesus.
Pois bem, o “bem” está na coisa, enquanto esta se ordena para o apetite; por isso, a noção da bondade deriva da coisa apetecível [desejada] para o apetite, sendo, assim, a razão por que chamamos “bom ao apetite do bem”. Do mesmo modo, a verdade, estando no intelecto, enquanto este se conforma com a coisa inteligida [compreendida], necessariamente a noção da verdade deriva para essa coisa (aqui, Jesus Cristo), de maneira que também esta se chama verdadeira, enquanto se ordena, de certo modo, para o intelecto. Por isso, Jesus diz, “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8:32); ela está no intelecto – ou seja, Redenção, e na compreensão de todas as coisas – ou seja, Biocosmovisão.
Como o bem tem a natureza de apetecível [desejado], assim, a verdade se ordena ao conhecimento. Ademais, cada ser é cognoscível – acessível e alcançável – na medida em que é, e, por isso, diz Aristóteles: — “Que a alma é, de certo modo, tudo, quanto ao sentido e ao intelecto”.
E, portanto, assim como o bem se converte com o ser, assim também a verdade. Mas, assim como o bem acrescenta ao ser a noção de apetibilidade [desejo], assim a verdade, a relação com o intelecto — “Por esta razão, todos devem estudar Teologia, e o mestre tem este ofício de ser, “servus servorum Dei — servo dos servos de Deus”.
Os antigos filósofos não diziam que as espécies das coisas naturais procediam de algum intelecto, mas, que provinham do acaso – o que é falso. E por considerarem que a verdade implica relação com o intelecto, viam-se forçados a constituir a verdade das coisas em dependência do nosso intelecto; donde, as incongruências assinaladas pelo Filósofo, no lugar citado. “Mas, tais incongruências desaparecem, se admitirmos que a verdade das coisas consiste na relação com o intelecto divino” – pois, Deus nos fez a sua própria imagem (cf. Gênesis 1:26).
Concluo, que, conforme dito, a verdade existe no intelecto, que apreende a realidade como ela é – e isto, de fato; e, na realidade, enquanto tem o ser conformável com o intelecto preenchido do conhecimento de Deus. Pois bem, isto existe sobretudo em Deus. Pois, o seu ser não só é conforme com o seu intelecto, mas também é o seu próprio inteligir [compreender]; e o seu inteligir [compreender] é a medida e a causa de qualquer outro ser e de qualquer outro intelecto [nós]; e Ele mesmo é o seu ser e o seu inteligir, neste sentido nenhuma dogmática é suficiente na explicação de Deus, apenas o próprio Deus, pode dá explicação do seu próprio ser. Donde se segue, que não somente há nEle verdade, mas também que é a mesma suma, essência, substância e primeira Verdade – E, ore que esta Verdade te encontre, e conceda-te verdadeiro arrependimento, e verdadeira fé (cf. Marcos 16:16; Atos 4:12).
Essa enfadonha ocupação, essa dificuldade que existe em procurar a verdade e encontrá-la, deu Deus aos filhos dos homens, para nela os exercitar, como um castigo por nossos primeiros pais terem cobiçado o conhecimento proibido (cf. Eclesiastes 1:13; Gênesis 3:3, 6); e, o nosso consolo é, reitero, que não é o homem que encontra a Verdade, mas a Verdade é que encontra o homem, pois, ela é Pessoa (cf. João 14:6; 1 João 4:19), Jesus Cristo, o Filho de Deus; e é Deus quem nos ensinará (cf. João 6:44, 45; Isaías 54:13; Jeremias 31:34) todas as coisas (cf. 1 Coríntios 14:37).
Paz e graça.
por Plínio Sousa | 14 jan 2019 | DEVOCIONAL
Deveríamos ficar alarmados, aflitos, assustados, e apreensivos se tivéssemos a certeza de que não viveríamos mais um mês, de fato; no entanto, ficamos indiferentes, apáticos, alheios, estranhos, afastados, neutrais, imparciais, e desapaixonados mesmo sem termos a certeza de que viveremos mais um dia — “Louco! Esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?” (cf. Lucas 12:20, 21) — Assim é aquele que para si ajunta “tesouros”, e não é rico para com Deus.
Todas as noites, nós nos deitamos para dormir, e na manhã seguinte despertamos e nos levantamos outra vez, mas na morte, nós devemos nos deitar na sepultura, para não mais despertar e levantar outra vez para este mundo — digo, este estado aqui — para nunca espertar ou erguer, até que não haja mais céus, a fiel medida do tempo, e consequentemente o próprio tempo terá chegado ao fim, e terá sido engolido pela eternidade, de modo que a vida do homem pode ser apropriadamente comparada com as águas de uma inundação, que se estendem e fazem uma grande exibição, mas são rasas, e logo secam. Ou comparada e assemelhada com aquilo que irá nos consumir — os vermes, pois desceremos ao nível deles e seremos idênticos — seremos como eles. Qual o motivo para não se preocupar com as coisas salutares e divinas, se é isso que é eterno e não temporal? Não devemos realizar obras que ecoem para a eternidade? Se não for isso, digo que é vaidade e nada novo! Como diz Kempis: — “Procura tempo oportuno para cuidar de ti e relembra amiúde os benefícios de Deus”.
A nossa vida é como quando as águas de uma enchente ou transbordamento do mar ou rio se retiram – o local atingido torna-se secura, e o seu lugar não mais os conhece. As águas da vida logo evaporam e desaparecem — assim como a vida que é efêmera para aqui, mas não para lá (para a eternidade), que deve ser absolutamente o padrão visional para todas as coisas daqui, ou seja, uma vida vivida para Deus, e para Ele somente, pois Ele é eterno.
O corpo — como algumas daquelas águas – afunda na terra e ali é consumido, a alma, como outras águas, é levada para o alto, para se misturar às águas que estão acima do firmamento, assim é todo aquele que confia em Deus. O erudito [Richard Blackmore] faz disto também uma comparação. Embora as águas se esgotem e sequem no verão, ainda assim retornarão no inverno, mas a vida do homem não é assim, ela não retornará nem no verão, nem em nenhuma outra estação. Veja parte da sua paráfrase, nas suas próprias palavras: — “Um rio que corre, ou um lago estático, pode abandonar suas margens secas e suas bordas nuas, as suas águas podem evaporar e ir para o alto, deixando seu canal, para rolar nas nuvens acima, mas a água que retorna restaurará o que, no verão, tinham perdido antes: — mas se, ó homem! As tuas correntezas vitais abandonam os seus canais púrpura e enganam o coração, eles nunca receberão novos recrutas, nem sentirão a saltitante maré de retorno da vida”.
A sepultura não é somente um local de descanso, mas um esconderijo, para o povo de Deus. Deus tem a chave para a sepultura [Ele venceu a morte, e somente Ele], para deixar entrar agora, e deixar sair na ressurreição. Ele esconde os homens na sepultura por sua bondade e para sua ira, como nós escondemos nosso tesouro em um lugar seguro e secreto, e também nossas indignações são guardadas para as injustiças e engano, e aquele que morre o encontrará, e nada será perdido [desde que, esteja nEle]. Tomara que me escondesses, não somente das tempestades e dificuldades da vida, mas para a bem–aventurança e a glória de uma vida melhor.
Que haverá um retorno do homem à vida, novamente, em outro mundo, no fim dos tempos, quando não houver mais céus, isso é fato — e, o caminho para o outro mundo, é Jesus Cristo, unicamente Ele — “Não há salvação em nenhum outro, pois, debaixo do céu não há nenhum outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos” (Atos 4:12). Não adianta diante de Deus, a credulidade de tradição e dos costumes, a intelectualidade internalizada e adquirida de obras de santos mortos, a riqueza do suor, a mordomia de uma vida, as vãs filosofias, as especulação sobre questões misteriosas e obscuras, de cuja ignorância não seremos julgados, a moralidade exacerbada, a caridade culpada, a confissão fingida, palavras notáveis que fazem os homens justos a si mesmos, mas, o que será confirmado pelo Criador é o ódio por suas almas neste mundo, para possuí-las eternamente no outro e a vida virtuosa que torna o cristão agradável a Ele — Deus. Também não é outros caminhos que os homens teimam em criar, nem mesmo o homem pode encontrar a verdade, sem que a verdade o encontre, pois, trata-se de uma Pessoa, Jesus Cristo o Filho de Deus.
O que importa é o que a Palavra de Deus diz: — Arrependimento e vida regenerada, não morta, “Necessário vos é nascer de novo” (Marcos 1:15; João 3:7); e isto, deriva de um encontro causado por aquele que é incausado, Jesus a Verdade de Deus e Redentor de todo aquele que crer nEle para a salvação desta vida e da outra, pois, Ele disse ser: — “a Verdade” (João 14:6), e a Verdade liberta o homem da morte, “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará [da morte para a vida]” (João 8:32). E também disse ser “o” Caminho, não abrindo a possibilidade para ter-se “outros caminhos” e atalhos, semelhante aos únicos caminhos que nos guiam aos nossos sentimentos, raramente existem diversos caminhos para o nosso específico sentir, e conclui com a vida — “Eu Sou a Vida” — de fato, o homem não tem a vida por efeito de seus feitos, assim os ricos seriam detentores, pois muitos são os seus feitos que causam efeitos, nem em razão das necessidades desta vida, sendo assim, os pobres as teria, nem a razão do inteligido, pois o doutos a dominaria — a vida pertence a Deus, e a Ele somente. Por algo que o Filho fez através da sua própria vida, morte e ressurreição — “Ele [o Filho amado] se fez maldito, para que os malditos, fossem feitos filhos amados, Ele se fez o que somos, para nos tornar o que Ele é (Gálatas 3:13), amado de Deus Pai, vivificados, justificados e santificados, esperando a glorificação de corpos mortos, para a glória da sua graça para todo sempre. Amém!”.
Conselho — Ter coração contrito e suplicante.
Meu Deus, tão longe quanto o abismo do oceano, as profundezas do coração dos homens buscam tormentas e guerras, e o SENHOR parece está adormecido como no dia em que o Senhor estava com os apóstolos no lago de Tiberíades. Então, como eu, eles fizeram, eu devo implorar agora: — “Senhor, Senhor! Estamos prestes a morrer […] o Senhor não se importa? Acorde Senhor! Aplaque o vendaval como naquele dia, acalme o coração dos homens, e nos pergunte como fez naquele dia: — Porque estão com tanto medo? Acaso não tem fé?” (Mateus 8:23 – 27).
O sábio Kempis nos ensina um tesouro: — “Não pode haver alegria segura, sem o testemunho de boa consciência. Nunca te dês por seguro nesta vida, ainda que pareças bom religioso ou ermitão devoto”.
Paz e graça.
por Plínio Sousa | 6 jan 2019 | DEVOCIONAL
Para muitas pessoas, através da História, a principal coisa na vida tem sido a busca dos prazeres, mas podemos ver o fracasso do hedonismo: — O prazer não tem sentido em si mesmo – o sábio e o tolo encaram um fim comum, como demonstra o texto sagrado de Eclesiastes 2:1 – 17. Embora a Bíblia não desencoraje ninguém de se divertir, enfatiza a necessidade de se obter um conceito mais equilibrado das diversões. “Achaste mel? Come o que for suficiente para ti, a fim de que não tomes demais e tenhas de vomitá-lo” (Provérbios 25:16). Assim como comer mel literal demais pode deixar a pessoa fisicamente doente, assim o excesso de diversão voltada para a “doce vida” pode levar à doença tanto física como espiritual. Além disso, o excesso de prazeres amiúde conduz a circunstâncias de extrema miséria. “Aquele que ama a hilaridade será alguém em necessidade; quem ama o vinho e o azeite não enriquecerá” (Provérbios 21:17).
Como diz o sábio: — Vaidade das vaidades, e tudo é vaidade (Eclesiastes 1:2), senão amar a Deus e unicamente a Ele servir. A suprema sabedoria é esta: — “pelo desprezo do mundo inclinar-se ao reino dos céus”.
Vaidade é, pois, buscar riquezas findáveis e transitórias e confiar nelas. Vaidade é também ambicionar honras e desejar posição elevada. Vaidade é seguir os apetites da carne e desejar aquilo pelo que, depois, serás gravemente castigado, pois o pagamento pelo desejo da carne é a separação de Deus para sempre. Vaidade é desejar longa vida e, todavia, descuidar-se de que seja boa. Vaidade é também unicamente atender à vida presente sem providenciar para a futura. Vaidade é amar o que passa tão rapidamente, e não buscar, precipitado, a felicidade que sempre dura.
Como diz o sábio Kempis: — Lembra-te amiúde do provérbio: — “Os olhos não se fartam de ver, nem os ouvidos de ouvir” (Eclesiastes 1:8). Portanto, procura desapegar teu coração do amor às coisas visíveis e afeiçoá-lo às invisíveis: — pois, aqueles que satisfazem seus apetites sensuais mancham a consciência e perdem a graça de Deus.
O que dizer da determinação de acumular riquezas? O livro de Provérbios avisa que as riquezas não são seguras e podem desaparecer subitamente. Lemos: — “Não labutes para enriquecer. Deixa da tua própria compreensão. Fizeste teus olhos relanceá-la [a riqueza], sendo que ela não é nada? Pois, sem falta fará para si asas como as da águia e sairá voando em direção aos céus” (Provérbios 23:4, 5). Visto que fortunas imensas podem ser perdidas rapidamente por serem manejadas deficientemente ou por circunstâncias imprevistas, as Escrituras admoestam as pessoas a dirigir seus esforços na direção de alguma coisa mais segura do que a busca das riquezas (cf. Mateus 6:19 – 21; 18:3). Observe atentamente este conselho: — “Devias conhecer positivamente a aparência do teu rebanho. Fixa teu coração nas tuas greis (rebanho); porque o tesouro não ficará por tempo indefinido, nem o diadema por todas as gerações. Desapareceu o capim verde e apareceu a relva nova, e ajuntou-se a vegetação dos montes. Os carneirinhos são para a tua vestimenta e os cabritos são o preço do campo. E há suficiência de leite de cabra para teu alimento, para alimento dos da tua casa, e os meios de vida para as tuas moças” (Provérbios 27:23 – 27).
Nem as riquezas materiais [representada pela palavra tesouro], nem uma posição de destaque [representada pela palavra diadema] garantem segurança real. Tempo, esforço e dinheiro investidos em negócios com frequência se perdem devido ao fracasso de empreendimentos arriscados.
Acontecimentos inesperados podem causar o desaparecimento súbito tanto da riqueza como da posição respeitável, note isto na vida de Jó, capítulos 1 a 3; cf. Deuteronômio 14:2; 1 Pedro 2:2, 11; Romanos 8:18, 12:1, 2).
Por outro lado, esforços empregados na criação de animais domésticos não resultam em decréscimos, mas geralmente resultam em acréscimos para o proprietário. Deus provê “vegetação” abundante para alimentar os animais domésticos. Através da História humana os cuidados diligentes na criação de animais têm provado ser, de maneira constante, mais seguros como meio de se obter alimento, roupa e rendimentos do que as riquezas ou a proeminência. Daí o sábio conselho: — “Devias conhecer positivamente a aparência do teu rebanho”. O princípio nestas palavras pode ser aplicado hoje ao trabalho diligente em qualquer campo de trabalho seguro e frugal.
O livro de Provérbios, embora escrito há muitos anos, contém orientação incomparável para as pessoas que vivem hoje. Leia estas palavras inspiradas regularmente. Medite nas suas lições. Embora cada provérbio tenha apenas algumas palavras, sua sabedoria abundante pode fazer a sua vida perdurar de maneira segura e feliz.
A conformidade de uma vida cristã deve ter como base a petição que consta na Oração do Senhor — o Pai Nosso.
“Dá–nos hoje o nosso pão de cada dia” (Mateus 6:11); somos peregrinos — mas, não órfãs — em uma terra longe de ser aquilo que poderia ser, e ainda estranha – logo estaremos naquele descanso que nos foi preparado por Deus. Segue-se a segunda parte da Oração do Senhor para nossa segurança, na qual descemos aos nossos interesses, certamente não ao ponto que prejudique a glória de Deus, a qual, Paulo o atesta em 1 Coríntios 10:31, deve também ser contemplada no alimento e bebida, busquemos apenas o que nos é da conveniência; pedimos de Deus todas as coisas em geral de que o uso do corpo necessita sob os elementos deste mundo (Gálatas 4:3), não somente com o que sejamos alimentados e sejamos vestidos, mas também tudo quanto Ele mesmo antevê que nos conduza a que comamos nosso pão em paz. Em suma, por esta petição nos entregamos a seu cuidado e nos confiamos a sua providência, para que nos dê alimento, sustente e preserve.
Paz e graça.
por Plínio Sousa | 4 jan 2019 | DEVOCIONAL
Uma das causas mais frequentes do sofrimento entre as pessoas, é a ira descontrolada. Muitos talvez achem que se entregar à ira é evidência de força. Mas a Palavra de Deus declara exatamente o contrário, dizendo: — “Melhor é o vagaroso em irar–se do que o homem poderoso, e aquele que controla seu espírito, do que aquele que captura uma cidade” – Provérbios 16:32. Embora os guerreiros que capturam uma cidade demonstrem muita força, controlar o temperamento exige força e coragem ainda maiores.
Como pode alguém continuar a manter o seu temperamento sob controle? Provérbios oferece estas excelentes orientações: — “Não tenhas companheirismo com alguém dado à ira; e não deves entrar com o homem que tem acessos de furor, para não te familiarizares com as suas veredas e certamente tornares um laço para a tua alma” – Provérbios 22:24, 25. “Uma resposta, quando branda, faz recuar o furor, mas a palavra que causa dor faz subir a ira” – Provérbios 15:1. “O princípio da contenda é como alguém deixando sair águas; portanto, retira-te antes de estourar a altercação” – Provérbios 17:14.
Todas estas declarações incentivam a fugir de situações que suscitam a ira desde o começo. A razão é bem expressa nestas palavras adicionais: — “Se agisse de modo insensato por te elevares a ti mesmo, e se fixaste nisto o teu pensamento [“se maquinaste o mal”, Almeida, atualizada], põe a mão à boca. Pois, bater o leite é o que produz manteiga, e premer o nariz é o que faz sair sangue, e premer a ira é o que produz a altercação” – Provérbios 30:32, 33.
Todas as pessoas ocasionalmente tendem a se exaltar de maneira imprudente. Exigem excessivamente dos outros, ou talvez digam ou façam algo que ofenda. Em tais ocasiões a pessoa deveria “por a mão à boca”, reprimindo quaisquer palavras ou ações adicionais que provocariam ainda mais aquele que ficou ofendido. Assim como é necessário bater o leite para fazer manteiga e premer ou golpear o nariz para causar uma hemorragia, assim uma briga só acontece quando as pessoas soltam as rédeas dos sentimentos de furor e continuam incitando umas às outras à ira.
Nisto pensai.
Os cristãos não são perfeitamente inocentes, mas a inocência é o que eles visam e buscam. A sinceridade é a inocência evangélica, e os que são justos são considerados inocentes de grande transgressão (Salmos 19:13). Eles são os justos, que andam no caminho da justiça. Eles têm as mãos limpas, e as conservam limpas das graves corrupções do pecado, e, quando as mancham com fraquezas ou indecisões, as lavam na inocência (Salmos 26:6).
Paz e graça.
por Plínio Sousa | 31 dez 2018 | DEVOCIONAL
Vejamos os realces escriturísticos a respeito do sofrimento cristão.
Por intermédio do ermo (isolamento sofredor), num lugar chamado Betel, Jacó viu Deus numa experiência espiritual e profética muito importante (Gênesis 28:10 – 22; cf. João 1:51). No decurso do retiro sofredor, Moisés atônito, viu o SENHOR “em uma chama de fogo do meio duma sarça” (Êxodo 3:1 – 22). Ao longo de um profundo sofrimento e perseguição, pedindo para si a morte, Elias ouviu “um sussurro calmo e suave”, a voz do SENHOR. A este profeta ancião, desencorajado e desesperançado, Deus responde com brandura (1 Reis 19:12, 13). Igualmente, durante o exílio sofredor no meio dos cativos, Ezequiel viu “a glória do Senhor” junto ao rio Quebar, “se abriram os céus”, Ezequiel “teve visões de Deus, e ali esteve sobre ele a mão do SENHOR” (Ezequiel 1:1 – 28). No tempo da expatriação, Daniel viu se assentar o “Ancião de Dias”. Este é um título divino que se refere à dignidade e eternidade de Deus, Daniel soube verdadeiramente quanto o Senhor era [é] digno de receber a sua genuína adoração em meio ao seu sofrimento (Daniel 7:1 – 28). Num cativeiro de opressão terrena e espiritual em constante oração e aprendizado das coisas celestiais, Jó viu (conheceu verdadeiramente) a Deus (Jó 42:10). Atravessadamente desgraçado com a sua alma esmorecida, apegada ao pó, Davi alcançou e vestiu–se da misericórdia de Deus (Salmos 51:1 – 19). No decorrer de violenta aflição na ilha de Patmos, enclausurado, João foi arrebatado “no Espírito” (sendo poderosamente controlado pelo Espírito), e no Dia do Senhor viu o resplendor da glória de Deus. João encontrou–se com o seu Amado Jesus ressurreto (Apocalipse 1:10). Por meio de um “espinho na carne”, um ataque incitado de maneira demoníaca, um mensageiro do próprio Satanás ao Apóstolo Paulo, fez com que o sofredor Paulo aprendesse sobre a suficiente e poderosa graça do Senhor (2 Coríntios 12:7 – 9). Para que tenhamos deleitável ânimo na entrada do reino de Deus, depositando corajosamente e ousadamente fé unicamente em Cristo (tendo desprendimento das coisas terrenas), faz–se necessário padecer muitas aflições, segundo o que ensinaram Jesus e o Apóstolo Paulo (João 16:33; Atos 14:22). “No mundo vocês vão sofrer; mas tenham coragem. Eu venci o mundo” — por vocês a minha Igreja! Por que motivo, nos queixamos tanto do sofrimento? Não deveríamos bradar como o salmista: — “O Senhor é o meu Pastor, e por isso, de nada terei falta?” —, ainda que andássemos “pelo vale da sombra da morte?” (Salmos 23:4) ou que “comêssemos perante inimigos?”. Essas aflições indicam a realidade que ocorre aqui neste mundo, entrepõe–se céu e terra e nos faz buscar destemidamente as coisas salutares e divinas com mais afinco. As Escrituras, frequentemente, indicam que Deus guia seus filhos através do sofrimento antes de eles alcançarem a glória dEle — conhecemos, de fato, a Deus enquanto sofremos. O Espírito Santo garante a glória que é sempre futura (Romanos 8:17 – 30).
Então, por que razão, com tal intensidade são as contestações e imposição da soltura a respeito do sofrimento? Ora, não devemos entregar confiantemente nossos sofrimentos a Deus? Se qualquer cristão rejeitar carregar a sua cruz, sem dúvida achará outra, e pior, talvez mais pesada, porque será separada da ajuda de Deus.
Nem Jesus Cristo, nosso Senhor, esteve uma hora, em toda a sua vida, sem dor, humilhação e sofrimento. Ele admitiu e aceitou sofrer e ressurgir dos mortos, para que assim entrasse na sua glória eterna (Lucas 24:26).
Como, diante disso, podemos buscar outro caminho que não seja o caminho real do sofrimento (a cruz que assemelha–nos a Cristo)? Devemos crer que Deus “age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito” (Romanos 8:28).
Sim, é uma vida de sofrimento, contudo, diametralmente diferente com a vida abundante na eternidade de glória. O que importa–nos? O que Jesus afirmou: — “E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos” (Mateus 28:20).
“A nossa pressa em acabar o sofrimento do amanhã (ansiedade), não retira o sofrimento de nossas vidas, apenas retira de nós a força e esperança de suportamos o sofrimento de hoje”.
Como escreveu Charles Haddon Spurgeon: — “Aqueles que mergulham no mar das aflições trazem pérolas raras para cima”.
O Senhor sempre demonstrou seu poder, santidade e sua ira contra o pecado. Mas, se revelou a sua Igreja sofredora, em gentileza e graça, e quando Deus não está agindo de forma claramente visível, está trabalhando suavemente e silenciosamente por ela. Apenas confie, Ele nunca deixará de amar a sua Igreja.
Paz e graça.