por Tomás de Kempis | 5 jul 2019 | DEVOCIONAL
Livro I — Capítulo 2.
Todo homem tem desejo natural de saber; mas que aproveitará a ciência, sem o temor de Deus? Melhor é, por certo, o humilde camponês que serve a Deus, do que o filósofo soberbo que observa o curso dos astros, mas se descuida de si mesmo. Aquele que se conhece bem se despreza e não se compraz em humanos louvores. Se eu soubesse quanto há no mundo, porém, me faltasse a caridade [amor], de que me serviria isso perante Deus, que me há de julgar segundo minhas obras?
Renuncia ao desordenado desejo de saber, porque nele há muita distração e ilusão. Os letrados gostam de ser vistos e tidos por sábios. Muitas coisas há cujo conhecimento pouco ou nada aproveita à alma. E mui insensato é quem de outras coisas se ocupa e não das que tocam à sua salvação. As muitas palavras não satisfazem à alma, mas uma palavra boa refrigera o espírito e uma consciência pura inspira grande confiança em Deus.
Quanto mais e melhor souberes, tanto mais rigorosamente serás julgado (cf. Tiago 3:1), se com isso não viveres mais santamente. Não te desvaneças, pois, com qualquer arte ou conhecimento que recebeste. Se te parece que sabes e entendes bem muitas coisas, lembra-te que é muito mais o que ignoras. Não te presumas de alta sabedoria (Romanos 11:20); antes, confessa a tua ignorância. Como tu queres a alguém te preferir, quando se acham muitos mais doutos do que tu e mais versados na Lei? Se queres saber e aprender coisa útil, deseja ser desconhecido e tido por nada.
Não há melhor e mais útil estudo que se conhecer perfeitamente e desprezar-se a si mesmo. Ter-se por nada e pensar sempre bem e favoravelmente dos outros, prova é de grande sabedoria e perfeição. Ainda quando vejas alguém pecar publicamente ou cometer faltas graves, nem por isso te deves julgar melhor, “pois não sabes quanto tempo poderás perseverar no bem”. Nós todos somos fracos, mas a ninguém deves considerar mais fraco que a ti mesmo.
Devoção.
O devoto Frei Rufino, naquela visão que teve da glória à qual chegaria o grande São Francisco por sua humildade, fez-lhe esta pergunta: — “Meu caro pai, eu vos suplico dizer-me na verdade que opinião tendes de vós mesmo”. E o santo lhe disse: — “Na verdade eu me considero o maior pecador do mundo e aquele que menos serve a Nosso Senhor”. Mas, replicou Frei Rufino, “como podeis dizer isto de verdade e em consciência, uma vez que muitos outros, como se pode ver claramente, cometem muitos pecados graves, dos quais, graças a Deus, estais isento?”. Ao que São Francisco respondeu: — “Se Deus tivesse favorecido esses outros, dos quais falas, com tanta misericórdia como me favoreceu, estou certo de que, por maus que sejam agora, eles teriam sido muito mais reconhecidos pelos dons de Deus do que eu, e o serviriam muito melhor do que eu. E se meu Deus me abandonasse, eu cometeria mais maldades do que nenhum outro […]”. Ora, tenho por oráculo o sentimento desse grande doutor na ciência dos santos que, nutrido na escola do crucifixo, só respirava as divinas inspirações (Amour de Dieu, II, capítulo XI, I, 413 e 414).
Piedade.
Nas almas dos pecadores reinam aqueles princípios diabólicos que os faria arder agora mesmo no inferno, “se não fosse a restrição imposta por Deus”. Existe na própria natureza carnal do homem uma potencialidade alicerçando os tormentos do inferno. Há aqueles princípios corruptos que agem de maneira poderosa sobre eles, que só dominam completamente, e que são sementes do fogo do inferno. Esses princípios são ativos e poderosos, de natureza extremamente violenta, e “se não fosse à mão restringidora do Senhor sobre eles, seriam logo destruídos”. Iriam arder em chamas da mesma forma que a corrupção e a rebeldia fazem arder os corações das pessoas condenadas, gerando nelas os mesmos tormentos. As almas dos ímpios são comparadas nas Escrituras com o mar agitado (cf. Isaías 57:20). “Por enquanto, Deus controla as iniquidades deles pelo seu imenso poder, como faz com as ondas enfurecidas do mar, dizendo: — Virão até aqui, mas não prosseguirão”. Mas “se Deus retirasse deles seu poder refreador, seriam todos tragados por elas”. O pecado é a ruína e a miséria da alma. Ele é destrutivo pela própria natureza. E “se Deus o deixasse sem controle, não seria preciso mais nada para tornar as almas humanas absolutamente miseráveis”. A corrupção no coração do homem é algo cheio de fúria incontrolável e sem freio. Enquanto os pecadores viverem aqui, essa fúria será como fogo “reprimido pelas restrições divinas”. Ao passo que, se fosse liberada, incendiaria o curso natural da vida. E como o coração é um poço de pecado, este mesmo pecado iria imediatamente transformar a alma num forno incandescente ou numa fornalha de fogo e enxofre, caso “não fosse restringido” (EDWARDS, 2019, p. 5).
Paz e graça.
[1] Tomás de Kempis, 1380 – 1471, Imitação de Cristo, p. 2 – 3.
[2] Pr. Me. Plínio Sousa — Revisor: — notas e significações.
por Tomás de Kempis | 4 jul 2019 | DEVOCIONAL
Livro I — Capítulo 1.
“Quem me segue não anda nas trevas, diz o Senhor” (cf. João 8:12). São estas as palavras de Cristo, pelas quais somos advertidos que imitemos sua vida e seus costumes, se verdadeiramente queremos ser iluminados e livres de toda cegueira de coração. Seja, pois, o nosso principal empenho meditar sobre a vida de Jesus Cristo.
A doutrina de Cristo é mais excelente que a de todos os santos, e quem tiver seu espírito encontrará nela um maná escondido. Sucede, porém, que muitos, embora ouçam frequentemente o Evangelho, sentem nele pouco enlevo (espasmo): — “é que não possuem o Espírito de Cristo”. Quem quiser compreender e saborear plenamente as palavras de Cristo, é-lhe preciso que procure conformar à dEle toda a sua vida.
Que te aproveita discutires sabiamente sobre a Santíssima Trindade, se não és humilde, desagradando, assim, a essa mesma Trindade? Na verdade, não são palavras elevadas que fazem o homem justo; mas é a vida virtuosa que o torna agradável a Deus. Prefiro sentir a contrição dentro de minha alma, a saber defini-la. Se soubesses de cor toda a Bíblia e as sentenças de todos os filósofos, de que te serviria tudo isso sem a caridade (amor) e a graça de Deus? Vaidade das vaidades, e tudo é vaidade (cf. Eclesiastes 1:2), senão amar a Deus e só a Ele servir. A suprema sabedoria é esta: — “pelo desprezo do mundo tender (inclinar-se) ao reino dos céus”.
Vaidade é, pois, buscar riquezas perecedoras e confiar nelas. Vaidade é também ambicionar honras e desejar posição elevada. Vaidade, seguir os apetites da carne e desejar aquilo pelo que, depois, serás gravemente castigado. Vaidade, desejar longa vida e, entretanto, descuidar-se de que seja boa. Vaidade, só atender à vida presente sem providenciar para a futura. Vaidade, amar o que passa tão rapidamente, e não buscar, pressuroso (precipitado), a felicidade que sempre dura.
Lembra-te a miúdo do provérbio: — “Os olhos não se fartam de ver, nem os ouvidos de ouvir” (Eclesiastes 1:8). Portanto, procura desapegar teu coração do amor às coisas visíveis e afeiçoá-lo às invisíveis: — pois, aqueles que satisfazem seus apetites sensuais mancham a consciência e perdem a graça de Deus.
Paz e graça.
[1] Tomás de Kempis, 1380 – 1471, Imitação de Cristo, p. 1 – 2.
[2] Pr. Me. Plínio Sousa — Revisor: — notas e significações.
por Plínio Sousa | 27 jun 2019 | DEVOCIONAL
Jeremias 9:17 – 26.
Carpideira é uma profissional feminina cuja função consiste em chorar para um defunto estranho, alheio [desconhecido]. É feito um acordo monetário entre a carpideira e os familiares do falecido, a carpideira chorava e mostrava seus prantos sem nenhum sentimento, grau de parentesco ou amizade. A profissão existe há mais de 2 mil anos.
As carpideiras profissionais (cf. 2 Samuel 14:2; Mateus 9:23; João 11:31, 33) tomavam parte em cerimônias fúnebres; sua tarefa era a de evocar lamentação apropriada aos enlutados. Ainda hoje sua voz se ouve de Sião.
No Brasil, as carpideiras chegaram junto com a colonização portuguesa. Inicialmente o pagamento não era feito em dinheiro, mas com bens da família do cadáver — O que seria propriamente a relação da Igreja e as carpideiras?
Vamos a explicação — a punição predita e lágrimas de lamúria, de lamentação, de ai […].
O próprio Senhor dos Exércitos diz: — “Considerai e chamai carpideiras, para que venham”, versículo 17, do capítulo 9 de Jeremias. O objetivo disso é mostrar o quanto, provavelmente, seria lamentável e dolorosa a condição desse povo; há aqui trabalho para as carpideiras: — “Chamem as carpideiras, pois elas sabem como compor cantigas tristes, ou, pelo menos, entoá-las com tons tristes, e por isso são usadas em funerais para compensar a falta de pessoas que realmente pranteiem” — que “levantem o seu lamento sobre nós”, diz o versículo 18. As mortes e os funerais eram tantos que as pessoas choravam por eles até que já não tivessem mais forças para chorar, como em 1 Samuel 30:4 (TB): — “Davi e o povo que se achava com ele, levantaram a sua voz e choraram, até não terem mais forças para chorar”. Que o façam, portanto, aquelas que trabalham nisso. Ou, melhor dizendo, isso indica a extrema estupidez do povo, que não compreendeu os juízos sob os quais se encontravam, e, nem mesmo quando houve tanto sangue derramado puderam motivar seus corações a derramar uma lágrima. Eles não choram quando Deus os imobiliza — “Aqueles que têm um coração perverso guardam raiva e, mesmo quando são castigados, não clamam pedindo socorro” (cf. Jó 36:13). Deus lhes enviou os seus profetas pranteadores para convocá-los a chorar e lamentar. Mas a sua palavra na boca dos profetas não despertou a fé deles. Portanto, antes que a sua ruína tenha início, que venham as carpideiras e tentem trabalhar sobre a sua imaginação, para que “os seus olhos possam, por fim, se desfazer em lágrimas, e as suas pálpebras possam gotejar abundantemente”. No princípio ou no final, os pecadores deverão chorar — sempre há trabalho para os verdadeiros chorosos.
No versículo 19 está uma grande lamentação, a cena atual é muito trágica, diz o texto: — “Uma voz de pranto se ouviu de Sião”. Alguns entendem que se trata da cantiga das carpideiras. Na verdade, é um eco dela, ressoado por aqueles cujos sentimentos foram despertados por seus lamentos — existe outro texto que demonstra, que [pelo choro de Jesus] judeus tiveram sentimentos conscientes despertados sobre, de fato, o que Ele sentia por um amigo [Lázaro]: — “Jesus chorou. Os judeus, então, diziam: — Vede como Ele o amava!” (cf. João 11:35, 36), teve outras situações em que Jesus chorou (cf. Lucas 19:41, 42; Hebreus 5:7); talvez judeus já sabiam o que um lamento exprimia, expunha ou representava — em Sião, enquanto o povo se manteve próximo de Deus, a voz de alegria e prazer costumava ser ouvida. Mas o pecado tinha alterado o tom e a inflexão. Agora o que se ouve é a voz da lamentação. Aparentemente, é a voz daqueles que fugiram de todas as partes da nação para a fortaleza de Sião, em busca de proteção. Em vez de alegrar-se por ter chegado a salvo até ali, eles lamentavam terem sido forçados a refugiar-se ali: — “Como estamos arruinados!”, diziam eles (v. 19). Como fomos despidos de todas as nossas posses! “Estamos mui envergonhados” — substanciavam em tom obstinado eles — de nós e da nossa pobreza. Eles se queixam não do seu pecado, mas se enrubescem [avermelham] somente de pensar: — “Estamos mui envergonhados, porque deixamos a terra” (forçados a fazer isso pelo inimigo). Eles se envergonham não porque deixaram o Senhor, sendo afastados e seduzidos pelas suas próprias luxurias, mas porque as suas moradas foram transtornadas, porque foram expulsos delas, mas não porque o seu Deus os expulsou.
A Igreja encontra-se nesta realidade, tanto homens quanto mulheres, choram e ruborizam, dentro de seus antros (os quais chamam de “Igreja”, o que não a é) e espeluncas familiares (os quais chamam de “Família”, que também não a é) por seus bens, lacrimejam por dinheiro, choramingam por posições, gemem por luxúrias, visam e intentam disputas, consumam adultérios, estudam e efetivam assassinatos — não as Escrituras, pois desprezam a doutrina divina — se tornam egoístas e avarentos, petulantes e altivos, arrogantes, blasfemos e condenados, razão, de negarem a Lei de Cristo (cf. 2 Tessalonicenses 2:10 – 12; João 3:18), se mostram desde a juventude, desobedientes aos pais, e, à vista disso, quando adultos agem como ingratos (pois, se negaram o amor dos pais, qualquer outra coisa, é para eles, ridicularia, insignificância); comportam-se como ímpios [e talvez sejam], sem amor pela família, em tão alto grau a terrena quanto a eterna, evidencia-se irreconciliáveis e caluniadores em ambas, não possuem domínio próprio [não produzem o Fruto do Espírito], em vista disso, são cruéis, inimigos do bem e traidores, sempre precipitados agem soberbamente, pois, confiam em si, são mais amantes dos prazeres do que amigos de Deus, e assim, vivem obstinados, altaneiros, apresentando sempre a aparência de piedade em suas ações, mas, em suas próprias ações acabam negando o seu poder — a Escritura ordena: — “Afaste-se desses também” (cf. 2 Timóteo 3:2 – 5) — mas, a Igreja aproxima-se dos tais, ao invés de, se afastar, achando-se mais sábia que Deus — e, por isto, bebem igualmente do mesmo juízo (cf. 2 João 11); dar hospitalidade aos falsos mestres ou a falsos cristãos indica simpatia e apoio aos seus ensinamentos e comportamentos do mal; não é proibido a cortesia comum, mas é proibido a ação que estimula, incentiva ou encoraja, os malévolos em suas obras más (cf. Efésios 5:11). “A Igreja se envergonha não porque deixou o Senhor, sendo afastados e seduzidos pelas suas próprias concupiscências, mas porque as suas casas foram e estão transtornadas, porque foram expulsos da presença de Deus, mas não estão tristes, porque o seu Deus os expulsou — é nítido o quão distante a Igreja está do seu Senhor” — chamem as carpideiras!
Assim, os corações arrogantes lamentam a calamidade, mas não a sua iniquidade — nesta ocasião, se negar a Lei era algo assustadoramente terrível, hoje, negar o Evangelho é ainda infindavelmente pior, pois, a Lei versa de verdades fragmentárias, mas, o Evangelho da verdade plena, totalmente revelada (cf. Hebreus 1:1 – 3) — que é a principal causa da calamidade. Ainda haverá mais motivos para lamentação. As coisas estão mal, mas provavelmente irão piorar. Aqueles cujas terras os vomitaram (como aconteceu com seus antecessores, os cananeus, e com razão, porque esses, do texto de Jeremias 9, estão seguindo os passos deles, Levítico 18:28) se queixam de que são levados à cidade, mas, depois de algum tempo, os da cidade, e eles também, serão forçados a fugir dali: — “Ouvi, pois, vós […] a palavra do Senhor”. Ele tem algo mais a vos dizer, como diz o versículo 20: — “Contudo ouvi, mulheres, a palavra de Jeová, e recebam os vossos ouvidos a palavra da sua boca, e ensinai a vossas filhas o pranto, e cada uma à sua vizinha o lamento”. Que as mulheres o ouçam, as mulheres cujos espíritos podem receber as impressões de tristeza e medo, pois, os homens não darão ouvidos, não ouvirão com paciência — “os homens são sempre tentados a vaidade”. Os profetas ficarão felizes em pregar a uma congregação de mulheres que treme diante das palavras de Deus. “Os vossos ouvidos recebam a palavra da sua boca”, e lhe dêem as boas vindas, ainda que a palavra seja de terror. “Ensinai o pranto a vossas filhas”. Isto sugere que os problemas durariam muito tempo, a tristeza seria transmitida à geração futura. Os jovens são propensos a amar a alegria, e esperar a alegria, e têm disposição para serem alegres. Mas que as mulheres mais velhas ensinem as mulheres mais jovens a serem sérias, que lhes digam sobre o vale de lágrimas que devem esperar encontrar neste mundo, e que as eduquem entre as carpideiras de Sião (cf. Tito 2:4, 5) — “que cada uma ensine a lamentação à sua companheira” — Isto sugere que o problema se espalhará por grandes áreas, irá de casa em casa. As pessoas não precisarão ser solidárias com os seus amigos. Elas terão motivos suficientes para prantear por si mesmas. Note algo, que aqueles que se influenciam com os terrores do Senhor devem empenhar-se para influenciar a outros com eles. O juízo ameaçado aqui é descrito como terrível; primeiro diz, “multidões morrerão” (v. 21). A morte entrará em triunfo e não haverá como escapar quando ela vier com comissão, seja nas casas, seja nas ruas. Não nas portas, pois ainda que as portas sejam fechadas com extrema rapidez, ainda que sejam firmemente trancadas e aferrolhadas, a morte sobe pelas janelas, como um salteador à noite, e nos rouba antes que nos demos conta — como sempre digo: — “Fleres, si scires tua têmpora mensem. Rides, cum non sit forsitan una dies”. Deveríamos ficar alarmados, aflitos, assustados, e apreensivos se tivéssemos a certeza de que não viveríamos mais um mês, de fato; no entanto, ficamos indiferentes, apáticos, alheios, estranhos, afastados, neutrais, imparciais, e desapaixonados mesmo sem termos a certeza de que viveremos mais um dia — a Escritura diz: — “Louco! Esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?” (cf. Lucas 12:20, 21) — Assim é aquele que para si ajunta “tesouros”, e não é rico para com Deus — Nem atacará ousadamente somente as cabanas, mas entrará em nossos palácios, os palácios de nossos príncipes e nobres, por mais grandiosos que sejam, por mais fortificados e guardados que sejam. Note novamente algo, que nenhum palácio pode manter a morte do lado de fora, não podem manter-se seguros, mas, aqueles que estão do lado de fora, também não estão seguros. “A morte remove até mesmo as crianças das ruas e os jovens das praças”. As crianças que poderiam ter sido poupadas pelo inimigo, por piedade, por jamais lhe terem sido prejudiciais, e os jovens que poderiam ter sido poupados por questões políticas, por serem capazes de lhe serem úteis, cairão juntos, pela espada. Em nossos dias se tornou usual, até mesmo nas mais severas execuções, não abater ninguém à tiros, exceto aqueles que são encontrados com armas. Mas naquela época, até mesmo os meninos e as meninas brincando nas ruas eram sacrificados à fúria do conquistador; segundo, aqueles que forem mortos não serão sepultados (v. 22): — “Fala: — Assim diz o Senhor (para confirmação e agravamento do que foi dito antes): — Até os cadáveres dos homens jazerão como esterco”, negligenciados, e deixados para serem repugnantes com seu cheiro, assim como o é o esterco, eles serão semelhantes aos vermes que o consomem; a humanidade comum obriga que os sobreviventes enterrem os mortos, até mesmo por si mesmos. Mas aqui será morta uma quantidade tão grande de pessoas, e tão dispersos estarão por toda a nação, que será uma tarefa interminável enterrar a todos, e nem haverá mãos suficientes para fazer isto, e nem os conquistadores o permitirão, e aqueles que fossem fazê-lo estariam tão dominados pela tristeza que não teriam coragem de fazê-lo. Não é exatamente assim que nós nos sentimos já? Os cadáveres, até mesmo dos mais formosos e fortes, depois de expostos por algum tempo, tornam-se esterco; seria bom se todos entendessem o que foi dito por Jó diante do cenário que foi arrasado e assolado pela morte: — “Nu deixei o ventre de minha mãe, e nu partirei da terra” (Jó 1:21). Tamanha é a fragilidade dos corpos que temos. E aqui, multidões tão numerosas cairão, a ponto de seus corpos ficarem como montes de esterco sobre a face do campo. E não se prestará mais atenção a eles do que aos punhados que o segador [ceifeiro] deixa para os que colhem. Pois, ninguém os recolherá, mas permanecerão expostos, como monumentos da vingança divina, para que o olho dos sobreviventes impenitentes possa influenciar os seus corações. Não os mates e não os sepultes, “para que o meu povo se não esqueça” (Salmos 59:11).
Como exprime-se e esclarece, Matthew Henry, acerca do texto: — “O profeta tinha se esforçado para dotar esse povo de um santo temor a Deus e aos seus juízos, para convencê-los tanto do pecado como da ira. Mas eles ainda têm recurso a algum subterfúgio ou a outro, sob o qual se abrigam da condenação, e com o qual se desculpam pela obstinação e pela desatenção. Ele, portanto, se dedica a afastá-los desses refúgios de mentiras, e a mostrar-lhes como eram insuficientes” — Os ministros da palavra de Deus desta obstinada e birrenta geração — sofre o peso, o desconforto dos antigos profetas.
Quando eles ficaram sabendo quão inevitável era o julgamento, alegaram a defesa de seus políticos e suas autoridades, que, com a ajuda da sua riqueza e do seu tesouro, pensaram que tornariam a cidade inexpugnável. Em resposta a isso, ele lhes mostra a loucura de confiar nesses auxílios, e de vangloriar-se deles, enquanto não têm um Deus em concerto no qual possam se apoiar, como mostra os versículos 23 e 24. Aqui Ele mostra: — [1] – Aquilo em que não podemos confiar, em um dia de aflição: — “Não se glorie o sábio na sua sabedoria”, como se com esse auxílio ele pudesse superar ou minar o inimigo, ou, na situação mais extrema, encontrar uma ou outra evasiva. Pois, a sabedoria de um homem pode falhar quando ele mais necessitar dela, e ele será enganado pela sua própria astúcia. Aitofel foi enganado, e os conselheiros frequentemente são malconduzidos. Mas, se a prudência de um homem lhe falhar, ainda assim ele certamente poderá conseguir seu intento, pelo poder e pela coragem. “Nem se glorie o forte na sua força”, pois, a batalha nem sempre pertence ao mais forte. “Davi, o jovem, prova ser duro demais para Golias, o gigante”. Toda força humana não é nada, sem Deus, pior que nada contra Ele. Mas a riqueza do rico não poderá ser a sua fortaleza? (o dinheiro responde a todas as coisas) Não. “Não se glorie o rico nas suas riquezas”, pois, elas estarão tão longe de abrigá-lo que poderão expô-lo e torná-lo um alvo mais nítido. Ou seja, a mensagem diz: — que o povo não se glorie dos sábios, e fortes, e ricos, que estão em seu meio, como se pudessem fazer algo contra os caldeus, porque têm homens sábios para aconselhá-los a respeito da guerra, homens fortes para lutar suas batalhas, e homens ricos para arcar com os gastos da guerra. Que as pessoas, particularmente, não pensem em escapar à calamidade comum por sua sabedoria, por sua força ou por seu dinheiro. Pois, tudo isso provará ser apenas inútil para a segurança. [2] – Ele mostra em que podemos confiar em um dia de aflição. O nosso único consolo, em meio às dificuldades, será o fato de termos cumprido o nosso dever. Aqueles que se recusaram a conhecer a Deus, como demonstra o versículo 6, se vangloriarão, em vão, de sua sabedoria e riqueza. Mas aqueles que conhecem a Deus de um modo inteligente, que compreendem corretamente que Ele é o Senhor, que não somente compreendem corretamente a sua natureza, os seus atributos, e o seu relacionamento com o homem — através de uma Teologia sã — mas, que recebem e retêm as impressões de todas essas coisas, podem se gloriar no precioso e glorioso Senhor; esse conhecimento será a sua alegria no dia da calamidade. Mais uma coisa, a nossa única confiança, nas dificuldades, será o fato de que, tendo, pela graça, de alguma maneira cumprido o nosso dever, veremos que Deus é um Deus auto-suficiente para nós. Nós podemos nos gloriar no fato de que, onde quer que estejamos, temos uma familiaridade e um interesse no Deus que faz “beneficência, juízo e justiça na terra”. Ele não é somente justo para com todas as suas criaturas, e não fará mal algum a qualquer uma delas, mas é bondoso para todos os seus filhos, os protegerá, e proverá para eles. “O que se gloriar glorie-se nisto: — em me conhecer e saber que eu sou o Senhor, que faço beneficência, juízo e justiça na terra. Porque destas coisas me agrado”, diz o versículo 24, de Jeremias 9. Deus se agrada em mostrar bondade e em realizar o juízo, e se agrada com aqueles que são seus seguidores, como filhos queridos e amados. Aqueles que têm tal conhecimento da glória de Deus a ponto de serem transformados à mesma imagem, e de participarem da sua santidade, percebem que esse conhecimento é a sua perfeição e glória — sabendo algo, que para nós, Igreja, a santificação é “a qualidade da santidade”, que será exteriorizada no Dia do Juízo, portanto, participem da santidade de Deus, “em paz […] sem a qual ninguém o verá” (cf. Hebreus 12:14). Em meio às suas maiores dificuldades eles podem confiar alegremente no Deus com o qual fielmente se colocam em conformidade. Mas o profeta sugere que a maioria dessas pessoas não se preocupou com isso. A sua sabedoria, e o seu poder, e as suas riquezas, eram sua alegria e esperança, que terminariam em tristeza e desespero. Mas aqueles poucos entre eles que conheciam a Deus podiam se alegrar com isso, e se vangloriar disso. Esse conhecimento valioso lhes serviria muito mais “do que inúmeras riquezas em ouro ou prata” (cf. Mateus 6:19 – 24); quando eles ouviram o quanto seus pecados eram provocadores a Deus, inutilmente alegaram o concerto da sua circuncisão (não a circuncisão feita no coração, mas, a da carne, que para nada serve, senão apontar para a circuncisão do coração) — sem dúvida, eles eram o “povo” [nação] de Deus. Assim como tinham o templo do Senhor na sua cidade, também tinham o sinal de seus filhos na carne. É verdade que o exército caldeu devastou tais e tais nações, porque eram incircuncisas. Portanto, não estavam sob a proteção da divina providência, como nós estamos. A isso, o profeta responde: — “Eis que agora os dias da visitação são chegados, nos quais Deus punirá todas as pessoas ímpias, sem fazer nenhuma distinção entre circuncidados e incircuncisos”, como diz os versículos 25 e 26. Eles tinham, pelo pecado, profanado a coroa da sua peculiaridade [propriedade], e tinham vivido em comum com as nações incircuncisas, e assim tinham perdido o benefício daquela peculiaridade e deveriam esperar não obter as suas vantagens. Deus visitará “a todo circuncidado com o incircunciso”. Assim como a ignorância dos incircuncisos não desculpará a sua impiedade, também os privilégios dos circuncidados não desculparão a sua ignorância, mas todos eles serão punidos, juntos. Note, que o Juiz de toda a terra é imparcial, e ninguém se sairá bem no seu tribunal através de qualquer vantagem externa, pois. Ele dará a cada homem, circuncidado ou incircunciso, segundo as suas obras. A condenação dos pecadores impenitentes que são batizados será tão garantida, ou melhor, será mais severa do que a dos pecadores impenitentes que não são batizados. Seria impressionante encontrar Judá habilmente colocada entre o Egito e Edom, como estando no mesmo nível que eles e sob a mesma condenação (v. 26). A essas nações é proibida uma participação nos privilégios dos judeus (cf. Deuteronômio 23:3). Mas os judeus aqui ficam sabendo que compartilharão as suas punições, ou seja, “ímpios não participam nem participarão das bênçãos da Igreja – talvez de forma indireta, aqui somente, pelo que Deus faz no meio do seu povo – mas, certamente, a Igreja que não se voltar para Deus, compartilhará dos juízos dos ímpios, severamente (cf. Mateus 7:21 – 23). Aqueles que estão nos locais mais distantes, que “habitam no deserto”, são supostamente os de Quedar e os dos reinos de Hazor, como percebemos através da comparação com Jeremias 49:28 – 32. Alguns pensam que são assim chamados porque habitavam, de certa forma, em um local muito distante no mundo. Outros, porque tinham os cabelos cortados nos cantos. De qualquer maneira, pertenciam àquelas nações que eram incircuncisas na carne, e os judeus são contados com eles, e estão tão próximos da sua destruição por causa de seus pecados quanto eles — não é diferente o que ocorre na Igreja atual, não mesmo! Pois, toda a casa de Israel é incircuncisa de coração: — “eles têm o sinal, mas não possuem a essência do sinal”. Não possuem aquilo que o sinal representa (cf. Jeremias 4:4). “Eles são pagãos em seus corações, estranhos a Deus, e inimigos em suas mentes, devido às obras ímpias que praticam”; seus corações se dedicam a ídolos, assim como os corações dos gentios incircuncisos — digo sempre — “Idolatria é tanto oferecer um culto a falso deus, quanto oferecer culto falso ao verdadeiro Deus” — ouvi certa vez, que “um ídolo na mente é tão ofensivo a Deus, quanto um ídolo nas mãos”. Observe algo, que os selos do concerto, ainda que nos dignifiquem e nos coloquem sob obrigações, não nos salvarão, a menos que o nosso espírito, e o teor de nossa vida, estejam em conformidade com o concerto; a circuncisão é um sinal externo. Mas o batismo é um sinal que está no coração (cf. Romanos 2:28, 29).
A Igreja necessita de perfeitos arquétipos (padrões perfeitos), razão disto, é que no máximo que este mundo pode oferecer há alguma imperfeição; nunca chega a ser totalmente o que sabemos que deveria ser; no amor maior da Terra há ainda alguma imperfeição; no conhecimento mais alto da Terra há ainda ignorância; na maior realização humana há ainda persistentemente algum elemento de imperfeição; na fé há ainda incredulidade; na santidade há ainda a necessidade de santificação (separação), pois, há pecado em nós — o Padrão cristão deve ser necessariamente a Escritura, somente — e não devemos jamais envergonharmos das instruções divinas, pois, é o Padrão de todas as coisas criadas; e aqui é apenas o pálido reflexo da realidade, a eternidade; como dizia Browning: — “O alcance de um homem deveria exceder seu logro ou, para que existe então o céu?”.
Onde, em que lugar estão as carpideiras? Sabemos que para tudo há uma ocasião certa; há um tempo certo para cada propósito debaixo do céu, inclusivamente: — “tempo de chorar […], tempo de prantear” (Eclesiastes 3:4); precisamos seguir a ordem: — “chorem com os que choram [pode ser pelo eco das carpideiras]!” (Romanos 12:15), e a razão é que: — “Rios de lágrimas correm dos […] olhos, porque a […] lei [de Deus] não é obedecida [em sua Igreja]” (Salmos 119:136) — façamos, urgentemente como Jó — “Costuremos vestes de lamento sobre a pele e enterremos a testa no pó. Até que o rosto fique rubro de tanto chorar, e sombras densas circundem nossos olhos” (Jó 16:15, 16), para que “lágrimas sejam o alimento de dia e de noite” (Salmos 42:3), e assim, culmine, atinja e alcance, em que: — “Aqueles que semeiam com lágrimas, com cantos de alegria colham. Aqueles que saem chorando enquanto lança a semente, voltem com cantos de alegria, trazendo os seus feixes” (Salmos 126:5, 6) e, no fim, aqui, Deus “mude o pranto em dança, a veste de lamento em veste de alegria” (Salmos 30:11) e lá na eternidade, ecoe-se esta alegria que é para sempre, sabendo que será, “enxugado dos olhos toda lágrima. [Pois, lá] não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro [de tristeza e medo], nem dor, pois, a antiga ordem já passou” (Apocalipse 21:4).
Mas, ainda hoje a ordem é: — Chamem as carpideiras!
Paz e graça.
[1] Matthew Henry’s Commentary on the whole Bible, Volume IV, Isaiah to Malachi – Domínio público – Tradução: Valdemar Kroker, Haroldo Janzen, Degmar Ribas Júnior [citações].
por Plínio Sousa | 10 jun 2019 | DEVOCIONAL
Girassol é o nome de uma planta. O nome científico do girassol é “Helianthus annus”, cujo significado é “flor do sol”. É uma planta originária da América do Norte e possui a particularidade de ser heliotrópica, ou seja, gira o caule sempre posicionando a flor na direção do sol.
O heliotropismo é um tipo de fototropismo, “resposta de um organismo a uma fonte de luz”. Existem o heliotropismo “positivo”, ela cresce se movimentando em direção ao sol (ou da fonte de luz) e caso apresente heliotropismo “negativo” ela cresce em direção oposta ao sol (ou da fonte de luz).
O girassol é uma planta anual, o que significa que é um tipo de planta que normalmente germina, floresce e morre no período de um ano. Estas plantas também podem viver menos de um ano, se não encontrarem as condições apropriadas para se reproduzirem.
O girassol também é “Asteraceae”, ou seja, é de uma família botânica pertencente a ordem “Asterales”, um dos membros das “eudicotiledôneas”. Também conhecidas por “Compositae” ou “compostas”, são uma das famílias com maior número de espécies entre as “Angiospermas”. Muitas espécies são usadas no cultivo devido ao seu valor biológico, e alguns representantes dessa família são o absinto (Artemisia absinthium), a alface (Lactuca sativa), o girassol (Helianthus), o crisântemo (Chrysanthemum sp.), a margarida (Bellis perenis), entre muitas outras. Elas encontram-se em regiões tropicais, subtropicais e temperadas, vegetando nos mais diversos habitats.
De acordo com a sabedoria popular a flor de girassol significa felicidade. Sua cor amarela ou os tons cor de laranja das pétalas podem simbolizar calor, lealdade, entusiasmo e vitalidade, refletindo a energia positiva que emana do sol. O girassol também pode representar altivez. Pela sua beleza e exuberância, a flor do girassol é muito procurada para ornamentação.
E, você pode estar se perguntando, não entendi até agora: — e o que isto tem a ver com a Igreja?
Respondo que tudo; irei a partir do girassol traçar um pálido reflexo do que a Escritura diz acerca da vida da Igreja, isso seria a expressão de “revelação geral”, claramente demonstrado em Romanos (1:20) nas palavras de Paulo, que, “Desde que Deus criou o mundo, as suas qualidades invisíveis, isto é, o seu poder eterno e a sua natureza divina, têm sido vistas claramente. Os seres humanos podem ver tudo isso nas coisas que Deus tem feito e, portanto, eles não têm desculpa nenhuma” — que o salmista igualmente escreve de que a criação “manifesta”, “proclama”, “declara sabedoria”, “sem linguagem”, “sem fala”, “ouvem-se as suas vozes em toda a extensão da terra”, e “as suas palavras, até o fim do mundo” — a glória de Deus faz-se presente em tudo criado (cf. Salmos 19:1 – 4). E são nesses pálidos reflexos em que o mundo se torna inescusável.
O que significam estas passagens? Este Salmos 19 (ou Romanos 1, e outras passagens correlatas) une apropriadamente as duas maneiras pelas quais Deus revela a si mesmo ao homem: — a revelação geral na sua criação (v. 1 – 6; cf. Romanos 1:19, 20) e a revelação específica na sua Palavra inspirada (v. 7 – 14; cf. Hebreus 1:1).
E, você ainda pode estar se perguntando, e o girassol, a Igreja, o que uma coisa tem a ver com a outra? Então, vamos fazer, agora, algo análogo entre o girassol e a Igreja.
[1] – O girassol significa “flor do sol” (como dito inicialmente), e a Igreja de fato é iluminada igualmente pelo “sol da justiça”, assim como a flor (mais a frente entenderá por qual razão o girassol é conhecido como a “flor do sol”), em Malaquias 4:2 é dito: — “Mas, para vocês que me temem, a minha salvação brilhará como o sol da justiça, trazendo vida nos seus raios”; e, Jesus em Apocalipse 22:16 diz ser a “resplandecente estrela da manhã”. Há outra expressão próxima, “estrela da alva”, em 2 Pedro 1:19: — “Assim, temos ainda mais firme a palavra dos profetas, e vocês farão bem se a ela prestarem atenção, como a uma candeia que brilha em lugar escuro, até que o dia clareie e a estrela da alva nasça no coração de vocês”. Somos, de fato, a “Igreja do sol da justiça”.
[2] – O girassol é heliotrópico, o que significa que “gira o caule sempre posicionando a flor na direção do sol”, e que o heliotropismo é um tipo de fototropismo, ou seja, significa a “resposta de um organismo a uma fonte de luz, e que movimenta-se buscando a mesma”. A Igreja é um corpo de pessoas que foram vivificadas por Deus (ou seja, à compleição de indivíduos vivos), Ele “nos deu vida com Cristo” (Efésios 2:5), e, Cristo Jesus é a nossa luz, “Eu sou a luz do mundo” (João 8:12a) e o nosso fundamento, o nosso alicerce, “Porque ninguém pode colocar outro alicerce além do que já está posto, que é Jesus Cristo” (1 Coríntios 3:11) — Por conseguinte, a Igreja anuncia a luz, “Vocês foram escolhidos para anunciar os atos poderosos de Deus, que os chamou da escuridão para a sua maravilhosa luz” (1 Pedro 2:9), guia-se pela luz, “Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho” (Salmos 119:105), pertence a luz, “Quem me segue, nunca andará em trevas, mas terá a luz da vida” (João 8:12b), é a própria luz do mundo, “Vocês são a luz do mundo” (Mateus 5:14), recebe conhecimento da glória de Deus na face de Cristo pela luz, “Pois Deus, que disse: — “Das trevas resplandeça a luz”, Ele mesmo brilhou em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo” (2 Coríntios 4:6), glorifica a Deus por boas obras diante dos homens por entre da luz, “Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus” (Mateus 5:16), santifica-se pela luz, “[…] o meu Deus transforma em luz as minhas trevas” (Salmos 18:28), tem comunhão uns com os outros pela luz, “Se, porém, andarmos na luz, como Ele está na luz, temos comunhão uns com os outros” (1 João 1:7), recebe dádivas pela luz, “Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes […]” (Tiago 1:17), vence pela luz, “A luz brilha nas trevas, e as trevas não a derrotaram” (João 1:5), e, por último, terá a Deus e o Cordeiro como luz para sempre, “A cidade não precisa de sol nem de lua para brilharem sobre ela, pois a glória de Deus a ilumina, e o Cordeiro é a sua candeia” (Apocalipse 21:23).
[3] – O girassol é heliotrópico (como já mencionado), mas existem o heliotropismo “positivo”, que cresce se movimentando em direção ao sol (ou da fonte de luz), e heliotropismo “negativo” que cresce em direção oposta ao sol (ou da fonte de luz). É exposto na Escritura, que existem no agrupamento da Igreja, a parte “negativa” que cresce oposta à luz de Cristo juntamente com a parte que cresce em direção a Cristo, ou seja, pormenorizado como por exemplo, o “Joio e o Trigo”, o joio representando aqueles que crescem se adversando, contradizendo, contestando a Cristo, e o trigo representando aqueles que crescem a imagem de Cristo. De acordo com Mateus 13:24 – 30, durante o Juízo Final, os anjos vão separar como os “filhos do maligno” (ou ervas daninhas) dos “filhos do reino” (o trigo), e essa parábola é sobre os termos de uma ceifa, ambos crescem juntos, mas apenas o trigo será guardado no celeiro, todavia, o joio será queimado (cf. Mateus 13:30); também é reportado em 1 João (2:19) que esses “negativos”, divergentes a doutrina de Cristo, de fato, nunca fizeram parte da Igreja, “Eles saíram do nosso meio, mas na realidade não eram dos nossos, pois se fossem dos nossos, teriam permanecido conosco; o fato de terem nos abandonado revela que nenhum deles era realmente dos nossos”. Os “negativos” que movimentam-se opostos a Cristo, o “sol da justiça”, também são chamados de outros nomes, como: — “bode” (Mateus 25:31 – 46), “filhos do diabo” (1 João 3:10, 11), “réprobos” (2 Timóteo 3:8), “mentiroso e anticristo” (1 João 2:22), “falsos cristos e falsos profetas” (Mateus 24:24), “enganadores” (2 João 1:7), “perverso” (2 Tessalonicenses 2:8 – 10), e centenas de outros nomes, eles também, possivelmente, são aqueles que “se recusam a crescer” (Hebreus 6:1 – 3) — é definido como: — “qui cessat esse melior cessat esse bonus” (em Latim) aquele que cessa de ser melhor cessa de ser bom. Os “negativos” produzem obras mortas, que podem ser as ações que conduzem a morte: — as ações mortíferas; as ações imorais, egoístas, ímpias, desafeiçoadas e sujas que conduzem à morte. Aquele, que como o “girassol heliotrópico positivo” que cresce se movimentando em direção ao sol (Jesus), ou da fonte de luz, a Escritura, é o que progride espiritualmente, prossegue para o alvo que é o Senhor, caminha no Espírito, apega-se ao amor de Deus – é a Igreja que atua significando algo que se refere à vida, como o girassol que em movimento perfeito, sabendo que necessita do sol para germinar, florescer e morrer, atua constantemente até mostrar a brevidade da vida (para o girassol pode-se ter a duração de um ano, ou até menos); enquanto um homem cresce deveria ir refletindo cada vez mais a Cristo; durante todo o tempo deveria ir-se libertando das antigas faltas e conquistando novas virtudes. Enquanto a vida cresce deve progredir em amor, fortaleza e delicadeza — “O grande segredo do girassol é crescer para a luz, dando as costas à escuridão”.
[4] – O girassol é uma planta anual, o que significa que é um tipo de planta que normalmente germina, floresce e morre no período de um ano; podem até viver menos de um ano, se não encontrarem as condições apropriadas para se reproduzirem. A Igreja não é diferente, ela nasce, rompe, engendra, desenvolve, avança, progride, evolui, prospera, e finalmente morre. Como disse a pouco tempo, “Fleres, si scires tua têmpora mensem. Rides, cum non sit forsitan una dies” (em Latim). Deveríamos ficar alarmados, aflitos, assustados, e apreensivos se tivéssemos a certeza de que não viveríamos mais um mês, de fato; no entanto, ficamos indiferentes, apáticos, alheios, estranhos, afastados, neutrais, imparciais, e desapaixonados mesmo sem termos a certeza de que viveremos mais um dia — “Louco! Esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?” (cf. Lucas 12:20, 21) — Assim é aquele que para si ajunta “tesouros”, e não é rico para com Deus. O girassol fez-me lembrar de um texto sagrado, que se encontra em Mateus (cf. 6:28 – 30), “E por que vocês se preocupam com roupas? Vejam como crescem as flores do campo: — elas não trabalham, nem fazem roupas para si mesmas. Mas eu afirmo a vocês que nem mesmo Salomão, sendo tão rico, usava roupas tão bonitas como essas flores. É Deus quem veste a erva do campo, que hoje dá flor e amanhã desaparece, queimada no forno. Então é claro que ele vestirá também vocês, que têm uma fé tão pequena!” — a partir desse texto parece-me que o girassol tem mais fé que muitos que fazem parte da Igreja. De fato, ele espera tudo do sol, assim deveria ser a Igreja, esperando tudo do “sol da justiça” – e não à é. Pedro escreve, “exorto-vos como a peregrinos e estrangeiros a vos absterdes” deste mundo. Pois, temos uma vida aqui, para ser refletida, equilibrada, comedida e ajuizada para a glória de Deus (cf. 1 Coríntios 10:31), e que possui brevidade, “Porquanto, todo ser humano é como a relva e toda a sua glória, como a flor da relva; a relva murcha e cai a sua flor, mas a Palavra do Senhor permanece para sempre” (1 Pedro 1:24). Assim como o girassol temos um tempo de vida, que pode ser abreviado. A nossa vida é como quando as águas de uma enchente ou transbordamento do mar ou rio se retiram – o local atingido logo fica seco, e o seu lugar não mais os conhece. As águas da vida logo evaporam e desaparecem. O erudito Sir Richard Blackmore faz disto também uma comparação. Embora as águas se esgotem e sequem no verão, ainda assim retornarão no inverno, mas a vida do homem não é assim. Veja parte da sua paráfrase, nas suas próprias palavras: — “Um rio que corre, ou um lago estático, pode abandonar suas margens secas e suas bordas nuas, as suas águas podem evaporar e ir para o alto, deixando seu canal, para rolar nas nuvens acima, mas a água que retorna restaurará o que, no verão, tinham perdido antes: — mas se, ó homem! As tuas correntezas vitais abandonam os seus canais púrpura e enganam o coração, eles nunca receberão novos recrutas, nem sentirão a saltitante maré de retorno da vida”. Temos hoje, apenas, portanto, então, faça-se coisas que ecoarão para a eternidade. Outro ponto destacado é que se os girassóis não encontrarem as condições apropriadas para se reproduzirem, eles morrem. A Igreja também está nesta mesma realidade, necessita de condições apropriadas para que se tenha a vida – a condição apropriada para que a Igreja se renove, se volte, reinicie, recomece, apresente-se, se reforme, etc., é apenas uma: — “sola Scriptura”, a Escritura somente. “Nas Escrituras, cada florzinha é uma campina” (Martinho Lutero).
[5] – O girassol também é “Asteraceae”, ou seja, é de uma família botânica pertencente a ordem “Asterales”, um dos membros das “eudicotiledôneas”. Também conhecidas por “Compositae” ou “compostas”, são uma das famílias com maior número de espécies entre as “Angiospermas”. Não irei adentrar aos termos técnicos, e também não trarei a explicação do significado científico da família botânica pertencente a ordem “Asterales”, apenas irei exposar analogamente entre a família do girassol (Angiospermas) e a família de Deus (Igrejas) – A palavra “angiosperma”, é compósita a partir de dois termos gregos: — “angeos” (ἄγγος) “bolsa” e “sperma” (σπέρμα) “semente”, ou seja, o girassol, pode ser reconhecido também como a flor “bolsa de semente” (pois, faz parte desta família das Angiospermas), são plantas cujas sementes são protegidas por uma estrutura denominada fruto; são o maior e mais moderno grupo de plantas, englobando cerca de 230 mil espécies. Elas possuem raiz, caule, folha, flores, semente e fruto. Assim, concluo que a Igreja também é pertencente igualmente a uma ordem, e, esta divina — Deus; somos de uma família, e, esta divina — a família de Deus (a Igreja); esta família tem um número diversificado de pessoas que formam um corpo, e, este possui a “semente santa” — a semente de Deus; e, esta semente é protegida pelo fruto do Espírito Santo que é Deus, “criador de todas as coisas, do girassol e do homem” — a Igreja é um corpo incalculável, incomensurável, englobado de muitas pessoas; é reconhecida por se ter: — raiz, “Eu sou a raiz” (Apocalipse 22:16), caule, “Eu sou a videira verdadeira” (João 15:1, 2), folha e flores, “Dá fruto no tempo certo e suas folhas não murcham” (Salmos 1:1 – 3; cf. Ezequiel 17:24), semente, “A semente é a palavra de Deus” (Lucas 8:11 – 15; cf. Isaías 61:11; Salmos 126:5, 6; Mateus 17:20; 1 Pedro 1:24) e fruto, “Aquele que tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às Igrejas. Ao vencedor darei o direito de comer da árvore da vida, que está no paraíso de Deus” (Apocalipse 2:7, cf. Gálatas 5:22).
“Há no cosmos, vivo e que respira, algo misterioso, maravilhoso e tremendo, acima da compreensão de todas as mentes. O crente não alega entender tudo. Ele cai de joelhos e sussurra: — Deus!” – A. W. Tozer.
Conclusão.
Observe entre a criação a glória de Deus, pois Deus assinou, subscritou a criação, que “manifesta”, “proclama”, “declara sabedoria”, “sem linguagem”, “sem fala”, “ouvem-se as suas vozes” e “as suas palavras” — “O grande segredo do girassol é crescer para a luz, dando as costas à escuridão” — que a Igreja seja todos dias como um girassol, de costas para a escuridão e posicionado de frente para luz [de Cristo]. Temos a Escritura para dar sentido a criação (que silenciosamente “fala”) como tentei fazer neste devocional, fazendo com que o silêncio da criação se transforme em palavra de Deus audível.
Consoante com a “sabedoria popular” a flor de girassol significa felicidade — destarte, não precisamos de “sabedoria popular”, porque somos possuidores da sabedoria divina, e, por esta razão, é dito: — “Bem–aventurados são vocês [felizes são vocês]” (cf. Mateus 5:1 – 12). Sua cor amarela ou os tons cor de laranja das pétalas podem simbolizar calor, lealdade, entusiasmo e vitalidade, refletindo a energia positiva que emana do sol, não temos superstições – e, acreditamos na própria vida e ressurreição, “Eu sou a ressurreição e a vida […]. E todo aquele que vive, e crê em mim, nunca morrerá” (cf. João 11:25, 26). O girassol também pode representar altivez, temos o redarguir e exortar por meio, por instrumento, da Escritura (cf. Romanos 14 — 15; 2 Timóteo 3:16, 17). Pela sua beleza e exuberância, a flor do girassol é muito procurada para ornamentação — a Igreja deve ser vista pela beleza de uma noiva, “gloriosa, sem mancha nem ruga ou qualquer outra imperfeição, mas santa e inculpável” (cf. Efésios 5:27). Aprendamos com o “grande segredo do girassol” a ser assim, como indivíduos que fazem parte desta Igreja, indivíduos “santos e irrepreensíveis” diante do Criador em amor (cf. Efésios 1:4).
Paz e graça.
por Plínio Sousa | 8 fev 2019 | DEVOCIONAL
“[…] para todos os montes elevados e todas as colinas altas […]. A arrogância dos homens será abatida, e o seu orgulho será humilhado. Somente o Senhor será exaltado naquele dia” (Isaías 2:14, 17).
A arrogância é a atitude de quem se acha superior aos outros — pecado contra o próximo — e insolência é a atitude desrespeitosa a Palavra de Deus — pecado contra Deus.
Como representando as próprias pessoas orgulhosas, que são, em sua própria percepção, como os cedros e os carvalhos, firmemente enraizados e não abaláveis pelas tempestades. Elas consideram todos ao seu redor como arbustos. Esses são os montes altos e os outeiros elevados que parecem encher a terra, que são contemplados por todos e se julgam inabaláveis, mas continuam detestáveis e sujeitos aos ataques dos relâmpagos de Deus. “Feriuntique summos fulmina montes — Os montes mais elevados ficam mais expostos aos relâmpagos”. E diante do poder da ira de Deus esses montes são esmiuçados e os outeiros se encurvam e derretem como cera (Habacuque 3:6; Salmos 97:5). Esses homens arrogantes, que são como torres altas nas quais se penduram os sinos ruidosos, em que os canhões assassinos estão instalados — esses muros que se fortificam com sua dureza natural, e se entrincheiram na sua solidez — serão destruídos.
A altivez dos homens será abatida, seja pela graça de Deus, convencendo-os do mal do seu orgulho, e revestindo-os de humildade, ou pela providência de Deus, privando-os de todas as coisas de que se orgulhavam e humilhando-os. Nosso Salvador frequentemente expressava uma máxima de que qualquer que a si mesmo se exaltar será humilhado. Ele [o homem] se humilhará, no verdadeiro arrependimento, ou Deus o humilhará, e derramará desprezo sobre ele. Aqui lemos: — [1] – Por que isso será feito: — Porque “[…] só o Senhor será exaltado […]”. Observe que os homens orgulhosos serão humilhados porque “só o Senhor será exaltado”.
“Portanto, humilhem-se debaixo da poderosa mão de Deus, para que Ele os exalte no tempo devido” (1 Pedro 5:6).
Relacionamentos interpessoais humildes (1 Pedro 5:2, 3, 5) devem ser vividos “debaixo da potente mão de Deus” [observe o “portanto” no início do verso]. É Ele também que exalta os humildes “no tempo devido”, isto é, quando o “Sumo Pastor” aparecer (v. 4). A “potente mão de Deus” talvez faça especial alusão ao êxodo, quando a libertação chegou a Israel (cf. Êxodo 3:19; 6:1; 7:5; 13:3; Deuteronômio 5:15). Pois, “gememos interiormente, esperando ansiosamente nossa adoção como filhos, a redenção do nosso corpo” — o “êxodo corpóreo” — Romanos 8:23.
Não há falsidade no intelecto quando este é guiado por Deus.
Como dito por Tomás de Aquino, “Como as coisas têm o ser pela forma própria, assim, a potência cognoscitiva [perceptiva], o conhecimento, pela semelhança da coisa conhecida”. Pois bem, a uma coisa natural não lhe falta o ser, que, pela sua forma, lhe convém, embora possa faltar-lhe algum acidente ou consequente. “Assim, a um homem podem-lhe faltar os pés, mas, não, a essência humana”, e a essência humana é a humildade, e não a altivez.
Assim também à potência cognoscitiva não lhe pode faltar o conhecimento quanto à coisa por cuja semelhança é informada, embora lhe possa faltar algum consequente ou acidente dela. Pois, como dissemos, a vista não se engana relativamente ao seu “sensível próprio” [sentido único, o ver], mas sim, aos sensíveis comuns que lhes são consequentes, e aos sensíveis por acidente. Por onde, como o sentido é informado diretamente pela semelhança dos sensíveis próprios, assim também o intelecto, pela semelhança da quididade [virtude essencial] da coisa.
Portanto, quanto à quididade, a virtude essencial, ou seja, a natureza real de algo, o intelecto não se engana, quando este sabe de fato a verdade que o embasa — a palavra de Deus — como também não se engana um sentido quanto ao seu “sensível próprio”, o ver as coisas. Porém, o intelecto pode enganar-se no compor ou dividir, atribuindo à coisa, cuja quididade intelige, algo que dela não resulte ou lhe seja contrário. Pois o intelecto, julgando de tais realidades comporta-se como os sentidos quando julgam dos sensíveis comuns acidentais; sempre conservada, contudo, a diferença já explicada, quando tratamos da verdade, a saber, que a falsidade pode existir no intelecto, não somente quando é falso o seu conhecimento, quando não se tem o preenchimento do mesmo, com aquilo que a Escritura ordena (cf. Filipenses 4:8), mas também porque ele a conhece, assim como conhece a verdade; ao passo que nos sentidos, a falsidade não existe como conhecida, pois, o vê não define de fato, o que é verdade ou não, por esta razão Samuel se equivocou ao pensar em um rei para Israel pela vista, por sua percepção, e não pelo intelecto de Deus (1 Samuel 16:7); segundo já dissemos: — Como, porém, só pode existir falsidade no intelecto, quando ele compõe, também pode ela existir por acidente, na operação do intelecto, que conhece a quididade, quando tal conhecimento implica a composição. O que se pode dar de dois modos. De um modo se o intelecto atribuir a definição de uma coisa, a outra; como, por exemplo, se atribuir ao homem a definição do círculo. E então, a definição de uma coisa é falsa, atribuída a outra.
De outro modo, quando compõe entre si partes da definição que não se podem adunar; e então, a definição não somente é falsa, em relação a uma determinada coisa, mas é falsa em si mesma. Por exemplo, se formasse essa definição — animal racional quadrúpede — o intelecto, que assim definisse, seria falso, porque é falso ao formar essa composição — algum animal racional é quadrúpede. Por isso, o intelecto não pode ser falso, quando conhece as quididades simples, ou seja, a essência das coisas; mas, ou é verdadeiro, ou não intelige absolutamente nada. Razão de todos os cristãos, buscarem em Deus a essência de todas as coisas, para que assim, não criem em seus intelectos falsidades como verdades.
Aplicação para a construção do raciocínio saudável.
Obter o conceito bíblico, articular com outros conceitos bíblicos para produzir os juízos doutrinários, e também de valores, depois articular com outros juízos, para produzir um raciocínio.
Por exemplo, “Melhor é o vagaroso em irar-se do que o homem poderoso, e aquele que controla seu espírito, do que aquele que captura uma cidade” (Provérbios 16:32), um conceito bíblico que diz que, embora os guerreiros que capturam uma cidade demonstrem muita força, controlar o temperamento exige força e coragem ainda maiores — agora, comparo com outros conceitos bíblicos, “Não tenhas companheirismo com alguém dado à ira; e não deves entrar com o homem que tem acessos de furor, para não te familiarizares com as suas veredas e certamente tornares um laço para a tua alma” (Provérbios 22:24, 25), “Uma resposta, quando branda, faz recuar o furor, mas a palavra que causa dor faz subir a ira” (Provérbios 15:1), “O princípio da contenda é como alguém deixando sair águas; portanto, retira-te antes de estourar a altercação” (Provérbios 17:14). Agora, produzo um juízo: — Todas estas declarações incentivam a fugir de situações que suscitam a ira desde o começo. E, comparo com outro juízo: — Todas as pessoas ocasionalmente tendem a se exaltar de maneira imprudente. Exigem excessivamente dos outros, ou talvez digam ou façam algo que ofenda. Concluo, com a construção do raciocínio [e este, saudável, bíblico]: — “Os cristãos não são perfeitamente inocentes, mas a inocência é o que eles visam e buscam pela prudência e o autocontrole. A sinceridade é a inocência dos cristãos, e os que são justos são considerados inocentes de grande transgressão (Salmos 19:13). Eles são os justos, que andam no caminho da justiça e do equilíbrio. Eles têm as mãos limpas, e as conservam limpas das graves corrupções do pecado, e, quando as mancham com fraquezas ou indecisões, as lavam na inocência (Salmos 26:6)” — O raciocínio é, de como lidar com a ira.
Paz e graça.