QUE A VERDADE FALA DENTRO DE NÓS, SEM ESTRÉPITO DE PALAVRAS

QUE A VERDADE FALA DENTRO DE NÓS, SEM ESTRÉPITO DE PALAVRAS

Livro III — Capítulo 2.

Falai, Senhor, que o vosso servo escuta: — “Vosso servo sou eu, dai-me inteligência para que conheça os vossos ensinamentos. Inclinai meu coração às palavras de vossa boca; nele penetre, qual orvalho, vosso discurso” (1 Reis 3:10; Salmos 118, 36, 125; Deuteronômio 32:2). Diziam, outrora, os filhos de Israel a Moisés: — “Fala tu conosco, e ouviremos: — e não fale Deus conosco, para que não morramos” (Êxodo 20:19). Não assim, Senhor, não assim, vos rogo eu; antes, como o profeta Samuel, humilde e ansioso, vos suplico: — “Falai, Senhor, que o vosso servo escuta. Não fale Moisés, nem algum dos profetas, mas falai-me de vós, Senhor, Deus, que inspirastes e iluminastes todos os profetas, porque vós podeis, sem eles, me ensinar perfeitamente, ao passo que eles, sem vós, de nada me serviriam”.

Podem muito bem proferir palavras, mas não conseguem dar o espírito; falam com muita elegância, mas, se vós vos calais, não inflamam o coração. Ensinam a letra; vós, porém, explicais o sentido. Propõem os mistérios, mas vós descobris a significação das figuras. Proclamam os mandamentos, mas vós ajudais a cumpri-los. Mostram o caminho, mas vós dais força para segui-lo. Eles regam a superfície, mas vós dais a fecundidade. Eles clamam com palavras, mas vós dais a inteligência ao ouvido.

Não me fale, pois, Moisés, mas vós, Senhor meu Deus, Verdade eterna, para que não morra sem ter alcançado fruto algum, se só for admoestado por fora e não abrasado interiormente; e não seja minha condenação a palavra ouvida e não praticada, conhecida e não amada, criada e não observada. Falai, pois, Senhor, que o vosso servo escuta; porque possuís palavras de vida eterna (1 Reis 3:10; João 6:69). Falai-me para consolação de minha alma e emenda de minha vida, também para louvor, glória e perpétua honra vossa.

Paz e graça.

[1] Tomás de Kempis, 1380 – 1471, Imitação de Cristo, p. 45 – 46.

[2] Pr. Dr. Plínio Sousa — Revisor: — notas e significações.

QUE A VERDADE FALA DENTRO DE NÓS, SEM ESTRÉPITO DE PALAVRAS

DA COMUNICAÇÃO ÍNTIMA DE CRISTO COM A ALMA FIEL

Livro III — Capítulo 1.

Ouvirei o que em mim disser o Senhor meu Deus (Salmos 85:8[2]). “Bem–aventurada a alma que ouve em si a voz do Senhor e recebe de seus lábios palavras de consolação!”. Benditos os ouvidos que percebem o sopro do divino sussurro e nenhuma atenção prestam às sugestões do mundo! Bem–aventurados, sim, os ouvidos que não atendem às vozes que atroam (bradam) lá fora, mas à Verdade que os ensina lá dentro! Bem–aventurados os olhos que estão fechados para as coisas exteriores e abertos para as interiores! Bem–aventurados aqueles que penetram as coisas interiores e se empenham, com exercícios contínuos de piedade, em compreender, cada vez melhor, os celestes arcanos. Bem–aventurados os que com gosto se entregam a Deus e se desembaraçam de todos os empenhos do mundo. Considera bem isso, ó minha alma, e fecha as portas dos sentidos, para que possas ouvir o que em ti falar o Senhor teu Deus. Eis o que te diz o teu Amado: — “Eu sou tua salvação, tua paz e tua vida. Fica comigo e acharás paz. Deixa todas as coisas transitórias e busca as eternas. Que é todo o temporal, senão engano sedutor? E de que te servem todas as criaturas, se o Criador te abandonar? Renuncia, pois, a tudo, entrega-te dócil e fiel a teu Criador, para que possas alcançar a verdadeira felicidade”.

Paz e graça.

[1] Tomás de Kempis, 1380 – 1471, Imitação de Cristo, p. 45.

[2] “Escutarei o que Deus, o Senhor, falar; porque falará de paz ao seu povo, e aos santos, para que não voltem à loucura” (ACF).

[3] Pr. Dr. Plínio Sousa — Revisor: — notas e significações.

QUE A VERDADE FALA DENTRO DE NÓS, SEM ESTRÉPITO DE PALAVRAS

DA ESTRADA REAL DA SANTA CRUZ

Livro II — Capítulo 12.

A muitos parece dura esta palavra: — “Renuncia a ti mesmo, toma a tua cruz e segue a Jesus Cristo” (Mateus 16:24). Muito mais duro, porém, será de ouvir aquela sentença final: — “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno” (Mateus 25:41). Pois os que agora ouvem e seguem, docilmente, a palavra da cruz não recearão então a sentença da eterna condenação. Este sinal da cruz estará no céu, quando o Senhor vier para julgar. Então todos os servos da cruz, que em vida se conformam com Cristo crucificado, com grande confiança chegar-se-ão a Cristo juiz.

Por que temes, pois, tomar a cruz, pela qual se caminha ao reino do céu? “Na cruz está a salvação, na cruz a vida, na cruz o amparo contra os inimigos, na cruz a abundância da suavidade divina, na cruz a fortaleza do coração, na cruz o compêndio das virtudes, na cruz a perfeição da santidade”. Não há salvação da alma nem esperança da vida, senão na cruz. “Toma, pois, a tua cruz, segue a Jesus e entrarás na vida eterna”. O Senhor foi adiante, com a cruz às costas, e nela morreu por teu amor, para que tu também leves a tua cruz e nela desejes morrer. Porquanto, “se com Ele morreres, também com Ele viverás. E, se fores seu companheiro na pena, também o serás na glória”.

Verdadeiramente, da cruz tudo depende, e em morrer para si mesmo está tudo; não há outro caminho para a vida e para a verdadeira paz interior, senão o caminho da santa cruz e da contínua mortificação. Vai para onde quiseres, procura quanto quiseres, e não acharás caminho mais sublime em cima nem mais seguro embaixo que o caminho da santa cruz. Dispõe e ordena tudo conforme teu desejo e parecer, e verás que sempre hás de sofrer alguma coisa, bom ou mau grado teu; o que quer dizer que sempre haverás de encontrar a cruz. Ou sentirás dores no corpo, ou tribulações no espírito.

Ora serás desamparado de Deus, ora perseguido do próximo, e o que é pior não raro serás molesto a ti mesmo. E não haverá remédio e nem conforto que te possa livrar ou aliviar; cumpre que sofras quanto tempo Deus quiser. “Pois Deus quer ensinar-te a sofrer a tribulação sem alívio, para que de todo te submetas a Ele e mais humilde te faças pela tribulação”. Ninguém sente tão vivamente a paixão de Cristo como quem passou por semelhantes sofrimentos. A cruz, pois, está sempre preparada e em qualquer lugar te espera. Não lhe podes fugir, para onde quer que te voltes, pois em qualquer lugar a que fores, te levarás contigo e sempre encontrarás a ti mesmo. Volta-te para cima ou para baixo, volta-te para fora ou para dentro, em toda parte acharás a cruz; e é necessário que sempre tenhas paciência, se queres alcançar a paz da alma e merecer a coroa eterna.

“Se levares a cruz de boa vontade, ela te há de levar e conduzir ao termo desejado, onde acaba o sofrimento, posto que não seja neste mundo”. Se a levares de má vontade, aumenta-lhe o peso e fardo maior te impões; contudo é forçoso que a leves. Se rejeitares uma cruz, sem dúvida acharás outra, talvez mais pesada.

Pensas tu escapar àquilo de que nenhum mortal pôde eximir-se? Que santo houve no mundo sem tribulação? Nem Jesus Cristo, Senhor Nosso, esteve uma hora, em toda a sua vida, sem dor e sofrimento. Convinha, disse Ele, que Cristo sofresse e ressurgisse dos mortos, e assim entrasse na sua glória (Lucas 24:26). Como, pois, buscas tu outro caminho que não seja o caminho real da santa cruz?

“Toda a vida de Cristo foi cruz e martírio; e tu procuras só descanso e gozo? Andas errado, e muito errado, se outra coisa procuras e não sofrimentos e tribulações; pois toda esta vida mortal está cheia de misérias e assinalada de cruzes”. E quanto mais uma pessoa faz progressos na vida espiritual, tanto maiores cruzes encontra, muitas vezes, porque o amor lhe torna o exílio mais doloroso.

Mas, apesar de tantas aflições, o homem não está sem o alívio da consolação, porque sente o grande fruto que lhe advém à alma pelo sofrimento da cruz. Pois, quando de bom grado a toma às costas, todo o peso da tribulação se lhe converte em confiança na divina consolação. E quanto mais a carne é cruciada [martiriza] pela aflição, tanto mais se fortalece o espírito pela graça interior. “E, às vezes, tanto se fortalece, pelo amor das penas e tribulações que, para conformar-se com a cruz de Cristo, não quisera estar sem dores e sofrimentos, pois julga ser tanto mais aceito a Deus, quanto mais e maiores males sofre por seu amor”. Não é isto virtude humana, mas graça de Cristo, que tanto pode e realiza na carne frágil, que o espírito com ardor abraça e ama o que a natureza aborrece e foge.

Não é conforme à inclinação humana levar a cruz, amar a cruz, castigar o corpo e impor-lhe sujeição, fugir às honras, aceitar as injúrias, desprezar-se a si mesmo e desejar ser desprezado, suportar as aflições e desgraças e não almejar prosperidade alguma neste mundo. Se olhares somente a ti, reconheces que de nada disso és capaz. Mas, “se confiares em Deus, do céu te será concedida a fortaleza, e sujeitar-se-ão ao teu mando o mundo e a carne”. Nem o infernal inimigo temerás, se andares escudado na fé e armado com a cruz de Cristo.

Portanto, como bom e fiel servo de Cristo, dispõe-te a levar a cruz do teu Senhor, por teu amor crucificado. Prepara-te a sofrer muitos contratempos e incômodos nesta vida miserável, pois em toda a parte, onde quer que estiveres, ou te esconderes, os encontrarás. “Convém que assim seja e não há outro remédio contra a tribulação da dor e dos males senão sofrê-los com paciência”. Bebe, generoso, o cálice do Senhor, se queres ser seu amigo e ter parte com Ele. Entrega a Deus as consolações, para Ele dispor delas como lhe aprouver. Tu, porém, dispõe-te a suportar as tribulações e considera-as como as consolações mais preciosas, porquanto não têm proporção as penas do tempo com a glória futura (Romanos 8:18) que havemos de merecer, ainda que tu só as devesses sofrer todas.

“Quando chegares a tal ponto que a tribulação te seja doce e amável por amor de Cristo, dá-te por feliz, pois achaste o paraíso na terra”. Enquanto o padecer te é molesto e procuras fugir-lhe, andas mal, e em toda parte te persegue o medo da tribulação.

Se te resolveres ao que deves, isto é, a padecer e morrer, logo te sentirás melhor e acharás paz. Ainda que fosses arrebatado, com São Paulo, ao terceiro céu, nem por isso estarias livre de sofrer alguma contrariedade. Eu, diz Jesus, mostrar-lhes-ei quanto terá de sofrer por meu nome (Atos 9:16). Não te resta, pois, senão sofrer se pretendes amar e servir a Jesus para sempre.

Oxalá fosses digno de sofrer alguma coisa pelo nome de Jesus! Que grande glória resultaria para ti, que alegria para os santos de Deus, e que edificação para o próximo! Pois todos recomendam a paciência, ainda que poucos queiram praticá-la. “Com razão devias padecer, de bom grado, este pouco por amor de Cristo, quando muitos sofrem pelo mundo coisas incomparavelmente maiores”.

Fica sabendo e tem por certo que tua vida deve ser uma morte contínua, e quanto mais cada um morre a si mesmo, tanto mais começa a viver para Deus. Só é capaz de compreender as coisas do céu quem por Cristo se resolve a sofrer toda adversidade. “Nada neste mundo é mais agradável a Deus nem mais proveitoso a ti, que o sofrer, de bom grado, por Cristo”. E se te dessem a escolha, antes deverias desejar sofrer adversidade, por amor de Cristo, do que ser recreado com muitas consolações porque assim serias mais conforme a Cristo, e mais semelhante a todos os santos. “Porquanto não consiste nosso merecimento e progresso espiritual em ter muitas doçuras e consolações, mas em sofrer grandes angústias e tribulações”.

Se houvera coisa melhor e mais proveitosa para a salvação dos homens do que o padecer, Cristo, de certo, o teria ensinado com palavras e exemplo. Pois claramente exorta seus discípulos e quantos o desejam seguir a que levem a cruz, dizendo: — “Quem quiser vir após mim renuncie a si mesmo, tome sua cruz, e siga-me” (Lucas 9:23). Seja, pois, de todas as lições e estudos este o resultado final: — “Cumpre-nos passar por muitas tribulações, para entrar no reino de Deus” (Atos 14:21).

Paz e graça.

[1] Tomás de Kempis, 1380 – 1471, Imitação de Cristo, p. 40 – 44.

[2] Pr. Me. Plínio Sousa — Revisor: — notas e significações.

QUE A VERDADE FALA DENTRO DE NÓS, SEM ESTRÉPITO DE PALAVRAS

QUÃO POUCOS SÃO OS QUE AMAM A CRUZ DE JESUS

Livro II — Capítulo 11.

“Muitos encontram Jesus agora apreciadores de seu reino celestial; mas poucos que queiram levar a sua cruz”. Tem muitos sequiosos de consolação, mas poucos da tribulação; muitos companheiros à sua mesa, mas poucos de sua abstinência. “Todos querem gozar com Ele, poucos sofrer por Ele alguma coisa”. Muitos seguem a Jesus até ao partir do pão, poucos até beber o cálice da paixão. “Muitos veneram seus milagres, mas poucos abraçam a ignomínia da cruz”. Muitos amam a Jesus, enquanto não encontram adversidades. Muitos o louvam e bendizem, enquanto recebem dEle algumas consolações; se, porém, Jesus se oculta e por um pouco os deixa, caem logo em queixumes e desânimo excessivo.

“Aqueles, porém, que amam a Jesus por Jesus mesmo e não por própria satisfação, tanto o louvam nas tribulações e angústias, como na maior consolação”. E posto que nunca lhes fosse dada a consolação, sempre o louvariam e lhe dariam graças.

Oh! Quanto pode o amor puro de Jesus, sem mistura de interesse ou amor–próprio! “Não são porventura mercenários os que andam sempre em busca de consolações?”. Não se amam mais a si do que a Cristo os que estão sempre cuidando de seus cômodos e interesses? “Onde se achará quem queira servir desinteressadamente a Deus?”.

É raro achar um homem tão espiritual que esteja desapegado de tudo. Pois o verdadeiro pobre de espírito e desprendido de toda criatura — quem o descobrirá? Tesouro precioso que é necessário buscar nos confins do mundo (Provérbios 31:10). “Se o homem der toda a fortuna, não é nada. E se fizer grande penitência, ainda é pouco. Compreenda embora todas as ciências, ainda estão muito longe. E se tiver grande virtude de devoção ardente, muito ainda lhe falta, a saber: — uma coisa que lhe é sumamente necessária”. Que coisa será esta? Que, deixado tudo, se deixa a si mesmo e saia totalmente de si, sem reservar amor–próprio algum, e, depois de feito tudo que soube fazer, reconheça que nada fez.

Não tenha em grande conta o pouco que nEle possa ser avaliado por grande: — antes, confesse sinceramente que é um servo inútil, como nos ensina a verdade. Quando tiverdes cumprido tudo que vos for mandado, dizei: — Somos servos inúteis (Lucas 17:10). Então, sim, o homem poderá chamar-se verdadeiramente pobre de espírito e dizer com o profeta: — Sou pobre e só neste mundo (Salmos 24:16). Entretanto, ninguém é mais poderoso, ninguém mais livre que aquele que sabe deixar-se a si e a todas as coisas e colocar-se no último lugar.

Paz e graça.

[1] Tomás de Kempis, 1380 – 1471, Imitação de Cristo, p. 37 – 39.

[2] Pr. Me. Plínio Sousa — Revisor: — notas e significações.

QUE A VERDADE FALA DENTRO DE NÓS, SEM ESTRÉPITO DE PALAVRAS

DO AGRADECIMENTO PELA GRAÇA DE DEUS

Livro II — Capítulo 10.

“Para que buscas repouso se nascestes para o trabalho?”. Dispõe-te mais à paciência que à consolação, mais para levar a cruz que para ter alegria. “Quem dentre os mundanos não aceitaria de bom gosto a consolação e a alegria espiritual, se a pudesse ter sempre ao seu dispor?”. As consolações espirituais excedem todas as delícias do mundo e todos os deleites da carne. Pois todas as delícias do mundo ou são vãs ou torpes, e só as do espírito são suaves e honestas, nascidas que são das virtudes e infundidas por Deus nas almas puras. Mas ninguém pode lograr estas divinas consolações à medida de seu desejo, porque não cessa por muito tempo a guerra da tentação.

“Grande obstáculo às visitas celestiais é a falsa liberdade do espírito e a demasiada confiança em si mesmo”. Deus faz bem dando-nos a graça da consolação; mas o homem faz mal não retribuindo tudo a Deus, com ação de graças. “E se não se nos infundem os dons da graça, é porque somos ingratos ao Autor, não atribuindo tudo à fonte original”. Pois sempre Deus concede a graça a quem dignamente se mostra agradecido e tira ao soberbo o que costuma dar ao humilde.

“Não quero consolação que me tire a compunção, nem desejo contemplação que me seduz ao desvanecimento; porque nem tudo que é sublime é santo, nem tudo que é agradável é bom, nem todo desejo é puro, nem tudo que nos deleita agrada a Deus”. De boa mente aceito a graça, que me faz humilde e timorato e me dispõe melhor para renunciar a mim mesmo. O homem instruído pela graça e experimentado com sua subtração não ousará atribuir-se bem algum, antes reconhecerá sua pobreza e nudez. “Dá a Deus o que é de Deus, e atribui a ti o que é teu; isto é, dá graças a Deus pela graça, e só a ti atribui a culpa e a pena que a culpa merece”.

“Põe-te sempre no ínfimo lugar, e dar-te-ão o supremo, porque o mais alto não existe sem o apoio do inferior”. Os maiores santos diante de Deus são os que se julgam menores, e quanto mais glorioso, tanto mais humildes são no seu conceito. Como estão cheios de verdade e glória celestial, não cobiçam a glória vã. Em Deus fundados e firmados, nada os pode ensoberbecer. Atribuindo a Deus todo o bem que receberam, não pretendem a glória uns dos outros; só querem a glória que procede de Deus; seu único fim, seu desejo constante é que Ele seja louvado neles e em todos os santos, acima de todas as coisas.

“Agradece, pois, os menores benefícios e maiores merecerás. Considera como muito o pouco, e o menor dom por dádiva singular”. Se considerarmos a grandeza do benfeitor, não há dom pequeno ou de pouco valor; porque não pode ser pequena a dádiva que nos vem do soberano Senhor. Ainda quando nos der penas e castigos, lho devemos agradecer, porque sempre é para nossa salvação quanto permite que nos suceda. “Se desejares a graça de Deus, sê agradecido quando a recebes e paciente quando a perdes”. Roga que ela volte, anda cauteloso e humilde, para não vires a perdê-la.

Paz e graça.

[1] Tomás de Kempis, 1380 – 1471, Imitação de Cristo, p. 37 – 39.

[2] Pr. Me. Plínio Sousa — Revisor: — notas e significações.