AS IMAGENS DE CRISTO SÃO ANTIBÍBLICAS?

Para a leitura cotidiana, a música instrumental que favorece o recolhimento.

Coletânea de Música Clássica

por Bach, Beethoven, Bizet, Boccherini, Boulanger, Bruckner, Burgmüller, Chaminade, Chopin, Debussy, Dvořák, Elgar, Gershwin, Gounod / Liszt, Granados, Handel, Joplin

Para o Dia do Senhor, o canto dos Salmos, próprio da adoração.

Saltério

por Comissão Brasileira de Salmodia

por | 26 ago 2025

Em nossos dias, é muito comum ver imagens de Cristo em Igrejas e lares. Imagens do Salvador são frequentemente encontradas em vitrais, saguões de Igrejas, salas de aula de escolas cristãs, salas de estar, capas de livros, programas de televisão carismáticos, outdoors de Igrejas, Bíblias de família e na parede atrás do púlpito. A grande maioria das livrarias “cristãs” vende uma ampla variedade de imagens de Jesus. Há de tudo, desde a representação efeminada do Messias do norte da Europa até as versões grotescamente musculosas e semelhantes ao Hulk. Mesmo em Igrejas Reformadas (que deveriam ter mais discernimento), imagens do Servo Sofredor são bastante comuns em materiais de escola dominical. As representações do Filho de Deus violam as Escrituras ou são apenas obras de arte perfeitamente aceitáveis, contanto que não sejam adoradas ou usadas como auxílio à adoração? Tenha em mente que os protestantes de Igrejas menos formais que usam imagens de Cristo insistem que as imagens não são usadas em cultos religiosos. No máximo (dizem eles), são apenas representações artísticas usadas para fins educacionais.

Embora muitas pessoas que usam imagens de Jesus sejam muito sinceras e não se prostrem diante de tais imagens, o uso de tais imagens é, no entanto, ilícito e pecaminoso. Existem muitas razões pelas quais o uso de imagens de Cristo é antibíblico.

Primeiro, o uso de imagens de nosso Senhor é uma violação do Segundo Mandamento. Este mandamento diz: — “Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam” (Êxodo 20:4, 5).

Este mandamento proíbe adorar ídolos de qualquer categoria ou imagens de Deus, bem como qualquer figura de coisa criada. Também proíbe o uso de imagens como auxílio para a adoração ou devoção. Os papistas, por exemplo, dizem que não adoram um crucifixo ou uma estátua de Cristo, mas que tais imagens são auxílios ou meios através dos quais se presta culto ao Filho de Deus. “Os romanistas fazem imagens de Deus Pai, pintando-o em seus vitrais de igreja como um ancião; e uma imagem de Cristo no crucifixo; e, por ser contra a letra deste mandamento, eles o apagam sacrilegamente [ímpiamente] de seu catecismo e dividem o décimo mandamento em dois[2].

Os protestantes modernos que usam imagens de Jesus ressaltam que, ao contrário dos romanistas, ortodoxos orientais e anglicanos de alta Igreja, eles não se prostram nem adoram imagens do Senhor. Eles argumentam que suas imagens são puramente educacionais, artísticas ou lembretes históricos. Além disso, é notado que imagens de pessoas, cenas históricas, figuras famosas e animais são universalmente aceitos como permitidos entre os protestantes, desde que não se prostrem, sirvam ou adorem essas coisas. Assim, ter uma imagem de Jesus não difere de ter uma imagem de Abraham Lincoln ou de um amigo próximo. Embora este argumento típico faça sentido para muitas pessoas, ele precisa ser enfaticamente rejeitado pelas seguintes razões.

[1] – Jesus não é como Abraham Lincoln ou qualquer outra pessoa, porque Ele é tanto Deus quanto homem em uma só Pessoa. Portanto, qualquer imagem de nosso Senhor seria automaticamente de natureza religiosa ou devocional. Sendo assim, ela cairia imediatamente sob o perímetro bíblico do Princípio Regulador do Culto. Em outras palavras, uma imagem do Salvador não pode ser considerada um item pertencente à esfera das coisas indiferentes (adiáfora). Se os crentes devem usar imagens do Senhor, eles devem primeiro encontrar mandato divino [autorização divina] na palavra de Deus para seu uso.

Existe mandato divino para representações pictóricas do Messias? Não, não existe. Não há mandamentos para fazer imagens de nosso Senhor. Na verdade, tais imagens violam claramente o Segundo Mandamento, pois uma imagem verdadeira de Jesus deveria evocar adoração no crente. Se uma representação pitoresca traz pensamentos de amor, devoção e louvor em relação ao Filho de Deus, então, obviamente, ela é um auxílio ou meio para a adoração, mesmo que as pessoas não se prostrem diante da imagem.

[2] – A palavra de Deus não dá aos crentes informações suficientes para fazer uma representação fiel da aparência física de Cristo. Isaías nos diz que, com relação à aparência do Salvador, não há nada de beleza para agradar os olhos (veja 53:2). No livro de Apocalipse, há uma descrição apocalíptica do Senhor exaltado (por exemplo, Apocalipse 1:13 – 17) e do Salvador como um Cordeiro imolado (Apocalipse 4:6). No entanto, nenhum estudioso competente consideraria essas declarações apocalípticas como descrições literais de Cristo. Elas são visões proféticas vívidas que têm a intenção de ensinar à Igreja uma rica Teologia a respeito de nosso Senhor e sua obra. Os Apóstolos que passaram mais de três anos com Jesus, que sabiam exatamente como era seu rosto humano e tinham fortes memórias de sua pessoa e obra, poderiam ter trabalhado com artistas para deixar à Igreja um retrato preciso do Messias. No entanto, eles se recusaram a deixar à Igreja tal retrato. Portanto, é óbvio que Deus não aprova retratos de seu Filho.

Segundo, uma vez que nenhuma imagem precisa de Cristo pode ser produzida pelo homem, todas as imagens do Salvador são representações falsas do Filho de Deus. Mas (como alguns podem objetar), se é permitido fazer representações artísticas de batalhas famosas e até mesmo dos Apóstolos, por que seria errado fazer o mesmo com o Messias? Mais uma vez, devemos ser lembrados de que Jesus é totalmente único. Embora Ele tivesse um corpo e alma humanos reais (1 João 1:14), “ainda assim sua natureza humana subsiste em sua Pessoa divina, que nenhuma imagem pode representar (Salmos 45:2)[3]. O Filho de Deus é distinto porque somente Ele é o supremo objeto de nossa fé. Isso significa que tudo o que devemos crer a respeito dEle deve vir somente da revelação divina, porque, “tudo o que não é de fé é pecado” (Romanos 14:23). Qualquer imagem do Senhor que seja fruto da imaginação humana é “adoração voluntária”, por estabelecer uma invenção do homem no lugar ou ao lado dos dados bíblicos concernentes a Cristo. Quando a fé é direcionada a fantasias humanas no lugar ou ao lado da fé na revelação divina, a religião bíblica é rebaixada com o humanismo.

Como Jesus, que é “o caminho, a verdade e a vida” (João 14:6), ou o Espírito Santo, que é “o Espírito da verdade” (João 16:13), poderiam ser honrados ou agradados com fantasias humanas a respeito do Filho? O fato de nosso Senhor ser tanto Deus quanto homem em uma só Pessoa torna todas as representações humanas do Filho totalmente inapropriadas e até abomináveis. Fazer uma versão falsa do Messias é ainda mais perverso do que fazer uma versão simulada da Bíblia. Além disso, o que pensaria um dos Apóstolos das muitas imagens perversas do Salvador que são comuns hoje (por exemplo, o Jesus efeminado, loiro e de olhos azuis; o Jesus do Black Power; o Jesus hippie de Hollywood; o Jesus dos filmes evangélicos; o Jesus musculoso das livrarias)? Pedro e João ficariam totalmente chocados com esse lixo irreverente, desrespeitoso, antibíblico, humanista e blasfemo. Além disso, como os artistas não podem formar uma representação fiel da aparência física do Salvador, suas representações do Senhor são inevitavelmente influenciadas por sua “teologia” e cosmovisão. Muitas das pinturas, gravuras e desenhos populares vistos em livros e Bíblias de família hoje são produtos do liberalismo do século XIX, do “feminismo cristão”, do Arminianismo e de formas pietistas de Antinomianismo. Esses sistemas teológicos falsos apresentam um retrato unilateral e distorcido de nosso Senhor. Ele é geralmente apresentado como o Jesus gentil, o mestre manso e humilde que enfatizava o amor e a paternidade de Deus; que era um simpático professor de ética; que jamais se irava com pecadores ou pregava sobre pecado, juízo e ira vindoura. Johannes G. Vos escreve: — “Talvez mais pessoas vivendo hoje tenham derivado suas ideias de Jesus Cristo dessas imagens tipicamente ‘liberais’ de Jesus do que tenham derivado suas ideias de Jesus da própria Bíblia. Essas pessoas, inevitavelmente, pensam em Jesus como uma pessoa humana, em vez de pensarem nEle, segundo o ensino bíblico, como uma Pessoa Divina com uma natureza humana. O efeito inevitável da aceitação popular de imagens de Jesus é superenfatizar a sua humanidade e esquecer ou negligenciar a sua divindade (o que, é claro, nenhuma imagem pode retratar)[4].

Também, imagens de nosso Senhor perpetuam a falsa doutrina pré–milenista de que o Messias não está presentemente reinando como Rei à destra de Deus. Muitos evangélicos creem que o Senhor realmente não governa sobre a terra até a sua Segunda Vinda. Teologicamente, veem Jesus muito parecido com o que era em seu Estado de Humilhação. O Apóstolo Paulo rejeita tal pensamento. Ele diz: — “Assim que daqui por diante a ninguém conhecemos segundo a carne, e, ainda que também tenhamos conhecido Cristo segundo a carne, contudo agora já não o conhecemos deste modo” (2 Coríntios 5:16). Vivemos na era pós–ressurreição. O Messias já não é o Servo Sofredor manso e humilde. Agora Ele é o Cavaleiro do cavalo branco, o Rei vitorioso, que está glorificado, que tem todo o poder no céu e na terra (Mateus 28:19). A Bíblia inteira, e nada além da Bíblia, deve informar nosso entendimento de Cristo. Todo aspecto de sua pessoa e obra é objeto de nossa fé. Qualquer coisa que coloque uma fantasia, uma invenção humana ou uma imagem falsa de nosso Senhor diante de nossos olhos, ou em nossas mentes, não fortalece a fé bíblica, mas a corrompe e degrada. Se você quer ver o Salvador, então estude, medite e memorize a Escritura, pois é nela que o Messias é revelado em toda a sua glória. Durham escreve: — “Não é lícito ter imagens de Jesus Cristo […] porque, se não desperta devoção, é vão; se desperta devoção, é uma adoração por meio de uma imagem ou representação e, portanto, uma quebra palpável do Segundo Mandamento[5].

Terceiro, todas as imagens do Salvador promovem implicitamente a antiga heresia de Nestório, que separava ambas asnaturezas de Cristo — a humana da divina[6]. Quando os Apóstolos olhavam para Jesus, contemplavam o Deus–Homem. Assim, o Apóstolo João pôde escrever: — “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (João 1:14). Além do fato de que imagens do Filho de Deus são falsas impressões artísticas, eles também não podem retratar a natureza divina do Messias. Assim, eles não apenas o retratam como infinitamente menor do que Ele era, é e sempre será; mas também subtraem a sua glória divina. Eles implicitamente ensinam uma Teologia falsa de Cristo. Esta observação é uma das razões principais pelas quais a Igreja primitiva condenou as imagens de Jesus. Um importante concílio da Igreja em Constantinopla (754 d.C.) decretou: — “Se qualquer pessoa dividir a natureza humana, unida à Pessoa de Deus, o Verbo; e, tendo-a apenas na imaginação de sua mente, tentar, portanto, pintar a mesma em uma ‘Imagem’; que seja tida como amaldiçoada. Se qualquer pessoa dividir Cristo, sendo Ele um só, em duas pessoas; colocando de um lado o Filho de Deus e, do outro, o filho de Maria; nem confessar a união contínua que é feita; e, por essa razão, pintar em uma ‘Imagem’ o filho de Maria, como se subsistisse por si mesmo; que seja amaldiçoada. Se qualquer pessoa pintar em uma ‘Imagem’ a natureza humana, sendo deificada pela união dela a Deus, o Verbo; separando-o, por assim dizer, da Divindade assumida e deificada; que seja tida como amaldiçoada”.

A respeito deste concílio, Philip Schaff escreve: — “O concílio, apelando para o Segundo Mandamento e outras passagens das Escrituras que denunciam a idolatria (Romanos 1:23, 25; João 4:24), e para as opiniões dos Pais (Epifânio, Eusébio, Gregório Nazianzeno, Crisóstomo etc.), condenou e proibiu a adoração pública e privada de imagens sagradas sob pena de deposição e excomunhão […]. Ele denunciou todas as representações religiosas feitas por pintor ou escultor como presunçosas, pagãs e idólatras. Aqueles que fazem imagens do Salvador, que é Deus e também homem em uma Pessoa inseparável, ou limitam a incompreensível Divindade aos limites da carne criada, ou confundem suas duas naturezas como Êutiques, ou as separam como Nestório, ou negam a sua Divindade como Ário; e aqueles que adoram tal imagem são culpados da mesma heresia e blasfêmia[7].

Imagens de Cristo são mentiras da imaginação que pervertem e degradam a doutrina bíblica de nosso Senhor. Devemos nos lembrar de nosso digno e precioso Salvador não por fantasias artísticas grosseiras, mas celebrando a Ceia do Senhor, participando dos meios da graça e meditando nas Escrituras. Paulo diz que “a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus” (Romanos 10:17). Jesus nos diz que a santificação vem por meio da palavra de Deus. “Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade” (João 17:17). Impressões artísticas do Filho de Deus podem despertar as emoções. Podem trazer uma lágrima aos olhos ou alegria ao coração. Mas, visto que são meras invenções da mente humana, elas não podem santificar ou aumentar a nossa fé. De fato, como violações não ordenadas do ensino expresso da Bíblia, elas são destrutivas da fé e da santificação. “Filhinhos, guardai-vos dos ídolos. Amém” (1 João 5:21).

Imagens de nosso Senhor não podem santificar porque: — [1] – derivam da imaginação do artista e, portanto, são ficções; e [2] – pervertem o ensino bíblico acerca do Salvador teantrópico[8], roubando-lhe a glória, separando as duas naturezas — a divina da humana. Este fato tem implicações importantes para aqueles que querem manter imagens para fins educacionais (por exemplo, materiais de escola dominical para crianças).

Perguntamos àqueles a favor de imagens do Filho de Deus para fins educacionais as seguintes questões. Como você pode ensinar a verdade ao colocar uma mentira (isto é, uma fantasia humana, uma representação fictícia) diante dos olhos das crianças? Quantas crianças crescem pensando no Messias como um fracote de olhos azuis, efeminado, de cabelos compridos e hippie devido à ignorância e incompetência dos professores de escola dominical? Como você espera que as crianças sejam santificadas por algo que não tem base nas Escrituras e, portanto, é uma invenção da mente do homem? (Lembre-se que a Bíblia não dá nenhuma descrição física de nosso Senhor, a não ser por algumas passagens que não podem ser realmente representadas por um artista, por exemplo, Mateus 17:2; Apocalipse 1:13 e seguintes).

Paulo diz que as filosofias humanas e as regras e regulamentos autônomos não têm valor contra a indulgência da carne[9] (Colossenses 2:8, 21 – 23). Imagens de Jesus para uso educacional ou devocional são invenções feitas pelo homem que não têm base nas Escrituras e, portanto, são tradições humanas que caem sob a condenação de Deus.

Quarto, tanto a Bíblia quanto a História da Igreja ensinam que imagens religiosas inventadas por homens para uso educacional ou devocional são laços do diabo que corrompem o povo de Deus com idolatria e declínio. Por causa de nossa natureza pecaminosa, os corações dos homens são facilmente — e, tristemente, com frequência — atraídos a formas sensuais e corruptas de culto. Em 2 Reis 18:4 lemos que o piedoso rei Ezequias despedaçou a serpente de bronze que Moisés havia feito, porque o povo de Israel queimava incenso a ela. A serpente de bronze (ao contrário de imagens de Cristo) era uma imagem lícita porque fora ordenada por Deus. Ainda assim, tão logo se tornou um objeto devocional religioso, Jeová quis que fosse destruída como item de superstição e idolatria.

Na Igreja antiga, imagens foram feitas para honrar os santos, a virgem Maria e Jesus. Essa prática levou a todo tipo de práticas supersticiosas, corruptas e idólatras: — oração a santos mortos; a adoração e o culto a Maria; beijar os pés de estátuas dos santos; guardar e adorar relíquias; dias de santos; peregrinações; vestir estátuas com roupas diferentes para dias santos diferentes; procissões com estátuas e imagens em honra aos santos, à virgem–mãe e a Cristo; catedrais construídas para honrar as relíquias de santos mortos, e assim por diante.

Não há dúvida de que muitas das pobres almas iludidas que levaram a Igreja pelo caminho demoníaco e sombrio do Romanismo eram sinceras. Elas provavelmente eram muito piedosas e tinham as melhores das intenções. Mas o amor delas por invenções humanas, suas adições ao culto que Deus havia autorizado, levaram à plena e condenável religião do papismo. “Mas, dizem os Papistas, as imagens são os livros dos leigos, e são boas para lembrá-los de Deus. Um dos Concílios Papistas afirmou que poderíamos aprender mais por uma imagem do que por um longo estudo das Escrituras […]. Para os Papistas dizerem que se servem de uma imagem para se lembrarem de Deus, é como se uma mulher dissesse que anda em companhia de outro homem para se lembrar de seu marido[10].

Para os protestantes modernos ignorarem o claro ensino das Escrituras e da história como se estivessem imunes aos perigos da superstição e da idolatria é arrogante, insensato e mortal. A Igreja papal não se desenvolveu na monstruosidade demoníaca que é agora da noite para o dia. Mas, como Paulo advertiu, “Não sabeis que um pouco de fermento faz levedar toda a massa?” (1 Coríntios 5:6).

A prática bastante comum hoje (mesmo em Igrejas presbiterianas conservadoras) de usar imagens de Jesus em materiais educacionais (por exemplo, livros, vídeos, materiais de escola dominical) viola o Segundo Mandamento, ensina uma falsa doutrina do Messias, corrompe o culto a Deus, é descaradamente desrespeitosa com a Segunda Pessoa da Trindade e, portanto, deve ser odiada e evitada por todos os cristãos que creem na Bíblia. Os antepassados da ala calvinista da Reforma se abstiveram escrupulosamente, por uma questão de princípio, do uso de imagens de Cristo.

Note as palavras de John Knox no “Book of Disciple, Third Head” (1560): — “Pois que Vossas Honras estejam asseguradamente persuadidas, que a ira de Deus reinará, não apenas sobre o idólatra cego e obstinado, mas também sobre os que negligentemente o toleram; especialmente se Deus tiver armado as mãos deles com poder para suprimir tais abominações. Por idolatria entendemos a Missa, a invocação de santos, a adoração de imagens e a guarda e retenção das mesmas; e, finalmente, toda honra a Deus que não esteja contida em sua Santa Palavra”.

Façamos o mesmo e voltemos à estrita e consciente adesão ao Segundo Mandamento por parte dos nossos antepassados espirituais. O fato de o uso de imagens de Cristo ser generalizado entre cristãos professos em nossos dias não o torna certo. Isso, infelizmente, é mais um sinal da ampla decadência e apostasia entre muitas Igrejas modernas. Que Deus nos capacite a adorar nosso precioso Salvador apenas de uma maneira autorizada por sua infalível Palavra.

Paz e graça.

[1] Por Brian Schwertley (2002).

[2] Thomas Watson, The Ten Commandments (Carlisle, PA: Banner of Truth, 1965 [1692, 1890]), 61.

[3] Fisher’s Catechism, from Q & A #51, answer to subquestion #9.

[4] Johannes G. Vos, The Westminster Larger Catechism: A Commentary (Phillipsburg, NJ: Presbyterian and Reformed, 2002), 292.

[5] James Durham, The Law Unsealed: or A Practical Exposition of the Ten Commandments.

[6] “E se for dito que a alma do homem não pode ser pintada, mas o seu corpo pode, e ainda assim essa pintura representa um homem; eu respondo, isso acontece porque ele tem apenas uma natureza, e o que a representa, representa a pessoa; mas não é assim com Cristo: — a sua divindade não é uma parte distinta da natureza humana, como a alma do homem (o que é necessariamente suposto em todo homem vivo), mas uma natureza distinta, apenas unida com a humanidade naquela única pessoa, Cristo, que não tem igual; portanto, o que o representa não deve representar apenas um homem, mas deve representar Cristo, Emanuel, Deus–Homem, caso contrário não é a sua imagem. Além disso, não há autorização para representá-lo em sua humanidade; nem qualquer possibilidade plausível disso, a não ser como os homens imaginam; e isso será chamado de retrato de Cristo? Seria isso chamado de retrato de qualquer outro homem se fosse desenhado ao bel–prazer dos homens, sem levar em conta o padrão? Novamente, não há utilidade para isso; pois ou essa imagem teria que ter apenas uma estima comum com outras imagens, e isso ofenderia a Cristo, ou um respeito peculiar de reverência, e assim pecaria contra o mandamento que proíbe toda reverência religiosa a imagens, mas, sendo Ele Deus e, portanto, o objeto de adoração, devemos ou dividir suas naturezas, ou dizer que aquela imagem ou figura não representa Cristo” (Da obra “The Law Unsealed: or A Practical Exposition of the Ten Commandments”).

[7] Phillip Schaff, History of the Christian Church (Grand Rapids: Eerdmans, 1987 [1910]), 4:457 – 458

[8] “Teantrópico” designa o mistério da dupla natureza de Jesus Cristo: — a união perfeita do verdadeiro Deus (θεός) e do verdadeiro homem (ἄνθρωπος) em uma só e indivisível Pessoa — nota do tradutor.

[9] Com fundamento em Colossenses 2:8, 21 – 23, o autor sustenta que as imagens de Jesus não passam de invenções humanas, desprovidas de respaldo bíblico e, por isso, incapazes de refrear a natureza pecaminosa — a “indulgência da carne” — ou de promover a verdadeira santificação — nota do tradutor.

[10] Thomas Watson, The Ten Commandments, 61.

[11] Pr. Dr. Plínio Sousa — Tradutor: — notas e significações.

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