A crise do Evangelho na Igreja Presbiteriana Ortodoxa (OPC) e na Igreja Presbiteriana da América (PCA).
No âmbito presbiteriano e reformado conservador, uma controvérsia tem se intensificado desde o ano de 2002. Na Igreja Presbiteriana Ortodoxa (OPC) e na Igreja Presbiteriana na América (PCA), tal controvérsia tem sido particularmente dolorosa, pois os ensinos da “Visão Federal” foram adotados por diversos pastores e presbíteros que, por meio de sua doutrina e de seu exemplo, desviaram congregações inteiras das doutrinas das Escrituras e dos Padrões de Westminster em questões cruciais do Evangelho[2].
Na Igreja Presbiteriana Ortodoxa (OPC), a questão dos ensinos da “Visão Federal” está chegando a um ponto decisivo neste verão. A 73ª Assembleia Geral decidirá o que fazer ao discutir o relatório do comitê (“Relatório do Comitê para Estudar a Doutrina da Justificação”), que trata da “Visão Federal”, em junho.
Aproveitamos a ocasião da publicação do Relatório da OPC para tecer alguns comentários sobre ele, discutir o que a OPC e a PCA precisam fazer nessa matéria se desejam evitar uma apostasia completa e oferecer uma análise de por que tão pouco foi feito nos últimos quatro anos para deter a propagação desse ensino perigoso.
É nossa expressa esperança e oração que a OPC e a PCA tratem final e decisivamente da heresia da “Visão Federal”, antes que mais congregações e famílias sejam atraídas para o abismo de um legalismo contrário às Escrituras.
O relatório sobre a justificação, que trata da “Nova Perspectiva sobre Paulo” e da “Visão Federal”, é, do ponto de vista acadêmico, bastante útil[3]. Ele apresenta uma crítica erudita, bem argumentada e organizada desses dois perigosos sistemas teológicos modernos. Condena, de modo inequívoco, praticamente todas as aberrações antibíblicas dos paradigmas da Nova Perspectiva e da Visão Federal.
O mais importante é que afirma explicitamente que a doutrina da justificação ensinada pela “Visão Federal” é contrária à palavra de Deus e à Confissão de Fé de Westminster.
O comitê escreve: — “Assim, nosso exame do ensino da ‘Visão Federal’ em todas essas áreas da Teologia é sempre feito tendo em vista seu impacto sobre a doutrina da justificação. O comitê observa que, quanto à doutrina da justificação, considerada mais estritamente, os problemas da ‘Visão Federal’ incluem a falha em afirmar a imputação da obediência ativa de Cristo, juntamente com uma redefinição da fé que funde a confiança de Cristo no Pai com a nossa fé na obra de Cristo, e que também inclui as boas obras na própria definição de fé (1689 – 1690)”.
O relatório apresenta três recomendações. Primeiramente, recomenda quatorze diferentes tópicos que devem ser usados “com o objetivo de assegurar a fidelidade de cada candidato ao ensino bíblico e confessional sobre a justificação, bem como sua capacidade de articular tal ensino […]” (1690). Em segundo lugar, “que os presbitérios, sessões e pastores sejam proativos ao lidar com o ensino da ‘Nova Perspectiva sobre Paulo [NPP]’ e da ‘Visão Federal [FV]’, que comprometem a pureza do Evangelho” (1961). Em terceiro lugar, que o relatório seja amplamente divulgado na denominação e em outras denominações com as quais mantém relações fraternas (1691). Em resumo, trata-se de uma exortação para maior cuidado na avaliação dos candidatos ao ministério, no ensino sobre os erros da ‘Nova Perspectiva’ e da ‘Visão Federal’, oferecendo este relatório como auxílio para tais recomendações.
Embora, como refutação teológica acadêmica da NPP/FV, estejamos geralmente satisfeitos com o relatório e suas conclusões, existem vários problemas graves relacionados às recomendações do relatório que precisam ser considerados.
[1] – O relatório recomenda a leitura dos escritos desses hereges. Embora os pastores precisem estar cientes de opiniões teológicas perigosas contemporâneas, a fim de proteger o rebanho de Deus, é antibíblico e irresponsável recomendar que os crentes leiam doutrinas heréticas sutis, insidiosas, ambíguas e contraditórias, que desviam as pessoas da fé uma vez entregue aos santos. Não encontramos Paulo, João ou Pedro recomendando a leitura de escritos de judaizantes, gnósticos ou antinomianos. Diversas citações desses hereges em refutações devem ser suficientes.
[2] – As recomendações do relatório falham em pastorear biblicamente o povo de Deus. Esse ponto é evidenciado pelo que o relatório não recomenda. Lembre-se de que o relatório afirma que a doutrina da justificação da ‘Visão Federal’ é contrária às Escrituras e aos Padrões de Westminster. Não estamos lidando apenas com um erro menor ou não escandaloso, mas com um erro que ataca o próprio coração do protestantismo, do evangelicalismo, da fé reformada e do cristianismo. Não há nada no relatório que trate de sanções contra os lobos (hereges) dentro do rebanho[4]. O que o relatório deveria ter recomendado?
Primeiro, os ensinamentos da “Visão Federal” sobre a justificação devem ser declarados uma heresia condenável. Quanto àqueles que pervertem o Evangelho de Cristo, Paulo diz pelo Espírito Santo: — “Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema” (Gálatas 1:8, 9). Os comentários de Martinho Lutero sobre esta passagem merecem ser observados.
Ele escreve: — “Portanto, ele claramente excomunga e amaldiçoa todos os mestres em geral, a si mesmo, seus irmãos, um anjo e, além disso, todos os demais, ou seja, todos aqueles falsos mestres que são seus adversários. Aqui se manifesta uma fervorosa intensidade de espírito no Apóstolo, que ousa amaldiçoar todos os mestres em todo o mundo e no céu que pervertem o seu Evangelho e ensinam outro qualquer: — pois todos devem crer naquele Evangelho que Paulo pregou, ou então serão amaldiçoados e condenados. Oxalá que esta terrível sentença do Apóstolo pudesse despertar temor nos corações daqueles que se empenham em perverter o Evangelho de Paulo; e, lamentavelmente, o mundo está hoje cheio de pessoas desse tipo[5]”.
Em segundo lugar, todo oficial da Igreja que adere ao paradigma da “Visão Federal” deve ser destituído do ministério. “Ao homem herege, depois de uma e outra admoestação, evita-o, sabendo que esse tal está pervertido, e peca, estando já em si mesmo condenado” (Tito 3:10, 11). Os tribunais eclesiásticos devem tentar, em duas ocasiões distintas, reconduzir à verdade aquele que adere a doutrinas escandalosamente falsas. “Não se entende por qualquer ‘admoestação’, ou de um indivíduo privado, mas sim por uma ‘admoestação’ dada por um ministro, com a autoridade pública da Igreja; pois o significado das palavras do Apóstolo é como se dissesse que os hereges devem ser repreendidos com censura solene e severa[6]”.
Se essa pessoa não se arrepender, ela deve ser expulsa da Igreja visível por excomunhão. O imperativo “παραιτοῦ–paraitou” “é usado aqui no sentido de ‘rejeitar’ ou ‘demitir’, isto é, remover da comunhão da comunidade cristã” (cf. 1 Coríntios 5:11 – 13; 2 Tessalonicenses 3:14; Mateus 18:17, 18)[7]. Quando um cristão é culpado de ensino escandalosamente falso, Paulo, falando por inspiração divina, deixa claro que palavras, argumentos, declarações e ensinamentos positivos não são suficientes quando os hereges se mostram obstinados. A disciplina eclesiástica deve ser aplicada com firmeza e amor; caso contrário, os debates e batalhas teológicas jamais terão fim (Gálatas 5:15).
Após duas advertências solenes e sóbrias, os hereges devem ser expulsos da Igreja. O impacto da destituição de um cargo eclesiástico pode ser usado por Deus para levá-los do erro de volta ao verdadeiro Evangelho de Cristo. Ademais, o bem-estar da Igreja é protegido. A disciplina da Igreja é um ato de amor em relação ao excomungado (como Paulo afirma: — “[…] para que o espírito seja salvo no dia do Senhor Jesus” [1 Coríntios 5:5]). Devemos obedecer à Escritura que diz em 1 Timóteo 1:3: — “Como te roguei […] para advertires a alguns, que não ensinem outra doutrina”. Se necessário, presbitérios inteiros podem ser censurados pela assembleia geral ou pelo sínodo, em defesa dos oficiais da Igreja que se manifestaram contra os erros e apresentaram reclamações no presbitério.
Paulo também instruiu Tito sobre o que deve ser feito com os falsos mestres. Ele escreve: — “Retendo firme a fiel Palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina, como para convencer os contradizentes. Porque há muitos desordenados, faladores, vãos e enganadores, principalmente os da circuncisão, aos quais convém tapar a boca; homens que transtornam casas inteiras ensinando o que não convém, por torpe ganância” (Tito 1:9 – 11; cf. 12 – 16; 3:10, 11). Quando o Apóstolo afirma que suas bocas devem ser caladas, ele utiliza o verbo grego “ἐπιστομίζειν” (epistomizein), cujo significado primário é “calar a boca com freio, mordaça ou atadura[8]”.
Para Paulo, não basta que Tito redija um artigo ou parecer explicando por que os falsos mestres estão errados. Eles devem ser silenciados. Não lhes deve mais ser permitido ensinar e, se persistirem, devem ser disciplinados e até excomungados, se necessário. “Quando homens são assim refutados por argumentos, vencidos pela espada do Espírito e confrontados pelo poder da verdade, e ainda assim perturbam a paz da Igreja e a fé dos santos, a Igreja pode e deve agir com censura e admoestação, ordenando-lhes silêncio; se não obedecerem, devem ser expulsos da comunhão dos fiéis. E, se se mostrarem perniciosos, devem ser definitivamente cortados[9]”.
Os comentários de Calvino sobre esta passagem aplicam-se perfeitamente à situação em que muitos presbiterianos se encontram hoje.
Ele escreve: — “Um bom pastor deve, portanto, permanecer vigilante, para não permitir silenciosamente que doutrinas ímpias e perigosas avancem gradualmente, nem dar oportunidade a homens perversos de espalhá-las. Pode-se perguntar: — ‘Como pode um bispo obrigar homens obstinados e de vontade própria a se calarem? Pois tais pessoas, mesmo derrotadas em argumentos, continuam a falar; e frequentemente, quanto mais são refutadas e vencidas, mais insolentes se tornam, pois sua malícia se fortalece e inflama, e ainda se entregam à indolência’. A resposta é: — ‘Quando abatidos pela espada da palavra de Deus e sobrepujados pela força da verdade, a Igreja pode ordená-los a permanecer em silêncio; e, se persistirem, ao menos podem ser banidos da comunhão dos crentes, para que não tenham oportunidade de causar dano’[10]”.
Até o presente, a PCA não tem seguido o ensino de Paulo, deixando de ordenar que Steve Wilkins, Richard Lusk, Mark Horne e outros cessem de espalhar seus ensinamentos heréticos sobre justificação, expiação, sacramentos e adoração. Da mesma forma, a OPC não tem tomado providências contra James B. Jordan (membro da Igreja), Prof. Richard Gaffin, Thomas Tyson, Tom Trouwborst e tantos outros que estão corrompendo as ovelhas com seus ensinos.
Semelhantemente, Paulo escreve: — “E rogo-vos, irmãos, que noteis os que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina que aprendestes; desviai-vos deles. Porque os tais não servem a nosso Senhor Jesus Cristo, mas ao seu ventre; e com suaves palavras e lisonjas enganam os corações dos simples” (Romanos 16:17, 18). Paulo nos adverte a vigiar aqueles que causam divisões na Igreja, pois sua doutrina contradiz o ensino dos Apóstolos. Ele nos ordena a nos afastar de homens que se desviam da fé. Se devemos seguir Paulo e nos separar dos hereges, então precisamos separar-nos também dos falsos profetas e, por extensão, daqueles que os protegem. Os comentários de John Murray são particularmente elucidativos nesse ponto.
Ele escreve: — “Aqui nos deparamos com falsos mestres e propagandistas […]. O tropeço decorre da doutrina falsa e se enquadra na categoria do erro anatematizado em Gálatas. As advertências dirigem-se precisamente a um erro dessa natureza; devemos ‘marcar’ os proponentes para nos afastarmos deles e ‘desviar-nos deles’ […]. Esses mestres eram habilidosos no artifício da ‘palavra suave e lisonjeira’, traço característico de quem corrompe a pureza e a simplicidade do Evangelho[11]”.
Se uma Igreja, por sua omissão irresponsável em lidar com falsos mestres, força os crentes a se separarem a fim de manterem fidelidade ao Evangelho e às orientações destinadas a protegê-lo, então os crentes não devem considerar essa separação como divisão do corpo de Cristo, mas sim como o meio mais eficaz de promover sua verdadeira união. Pois a união deve estar sempre fundamentada na verdade. Somos ordenados a ter a mente de Cristo. Essa separação não se baseia em orgulho ou egoísmo, mas na obediência à vontade de Deus e no interesse supremo da Igreja de Cristo.
Ao lidar com ensinos falsos — especialmente heresias condenáveis — não basta fazer declarações positivas em favor da doutrina verdadeira e, em seguida, emitir advertências gerais contra o falso. Devem existir sanções que respaldem tais declarações. A relutância, até o momento, ao longo de quase quatro anos, em disciplinar mestres em suas próprias fileiras que publicamente defendem heresia grosseira é inconcebível. No início da controvérsia, quando as pessoas ainda buscavam compreender exatamente o que esses homens ensinavam, poderia-se argumentar que algum tempo (um ou dois meses) seria necessário para avaliar corretamente a situação. Mas esta heresia tem sido analisada e exposta por mais de três anos e meio. O que esperam a OPC e a PCA? Quando se arrependerão de sua negligência pecaminosa e flagrante?
O Apóstolo João também ensina que denominações e até mesmo crentes individuais têm a obrigação moral de rejeitar pastores, mestres e presbíteros que apostataram e ensinam heresia condenável.
“Todo aquele que prevarica, e não persevera na doutrina de Cristo, não tem a Deus. Quem persevera na doutrina de Cristo, esse tem tanto ao Pai como ao Filho. Se alguém vem ter convosco, e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem tampouco o saudeis. Porque quem o saúda tem parte nas suas más obras” (2 João 1:9 – 11). João adverte-nos contra mestres que, intencional ou inadvertidamente, trabalham para destruir a Igreja de Jesus Cristo. “[O] cristão que acolhe o instrutor em sua casa, na verdade, favorece o propósito de seu visitante. Na prática, dá sua bênção à obra do falso mestre. Observe que João não considera isso um ato inocente ou insignificante; ele o chama de participação em obra maligna originada em Satanás […][12]”.
Quanto aos falsos mestres, Matthew Henry escreve: — “Não se deve recebê-los como ministros de Cristo […]. [1] – ‘Não os sustenteis’ […] [2] – ‘Não abençoeis suas empreitadas […]. Não assistais aos seus cultos com vossas orações e bons desejos’ […]. Deus não será patrono da falsidade, sedução e pecado[13]”.
Aquele que apoia um homem ou uma organização com sua presença ou recursos torna-se moralmente responsável pela heresia propagada por esse falso profeta ou denominação. Os membros das congregações da OPC e PCA devem dialogar com seus Conselhos sobre a necessidade de separação e, em unidade, se apartar dessas denominações; todavia, membros individuais e cabeças de família sob Aliança devem retirar imediatamente a si mesmos e seus filhos dessas denominações corruptas, caso as Sessões respectivas se recusem a agir.
Quando a OPC ou a PCA falham em depor ministros publicamente, difundindo essa heresia, elas estão implicitamente dando a esses falsos profetas oportunidades muito maiores de causar dano a Igrejas e crentes reformados em outros lugares. Além disso, estão agindo de maneira que torna muito mais difícil para esses falsos mestres reconhecerem os erros de seus caminhos. Essas denominações podem argumentar que, em diversos momentos, condenaram esses ensinamentos (por exemplo, o recente relatório da OPC sobre justificação [73ª Assembleia Geral, abril de 2006]) e, portanto, suas mãos estariam agora limpas. Mas, se uma denominação condena a doutrina de um professor em um assunto tão crucial como a justificação, considerando-a não bíblica e não confessional, e ainda assim não sustenta essa declaração com a disciplina exigida pela Escritura, de que adianta? O que a OPC e a PCA têm feito essencialmente nos últimos quatro anos é equivalente a dizer: — “O adultério é contrário às Escrituras e aos nossos Padrões. Somos veementemente contrários ao adultério. De fato, precisamos ser mais cuidadosos ao excluir adúlteros da membresia da Igreja. No entanto, não disciplinamos nem excomungamos adúlteros; isso seria demasiado severo e sem amor[14]”. A história da Igreja nos ensina que relatórios e declarações denominacionais sem atos apropriados de disciplina correspondentes alcançam pouco ou nada. Os hereges, geralmente, não saem por vontade própria; eles precisam ser expulsos.
Os homens que ensinam e governam na Igreja de Cristo devem usar seus dons “para edificação, e não para destruição” (2 Coríntios 10:8; 13:10). As doutrinas que apresentam precisam ser bíblicas e claras, se realmente desejam conduzir à salvação e à edificação espiritual da Igreja. Aqueles ministros que promovem este novo ensino não buscam o bem espiritual dos outros, mas os conduzem a múltiplas heresias. Por isso, a Igreja deve exercer a autoridade que Deus lhe conferiu para eliminar este erro mortal; caso contrário, será responsável pelo abuso, apostasia e destruição das ovelhas sob seu cuidado. Homens que, pelo seu ensino, privam seus congregantes da perfeita justiça de Cristo e os conduzem, em lugar disso, aos seus próprios trapos imundos e fétidos de “fidelidade da aliança” para a justificação final, são lobos, e não pastores. Se a OPC e a PCA se recusarem a depor e excomungar os proponentes da “teologia da Visão Federal” que não se arrependem, então, constitucionalmente e em princípio, elas deixam de ser uma Igreja verdadeira. Na prática, tornam-se fundamentalmente apóstatas. Todo o sangue dessas almas, ceifadas por seu ensino condenável sobre a justificação, e que elas deliberadamente se recusaram a remover em nome da tolerância, do amor e da compaixão (falsamente assim chamados), será exigido de suas mãos. “E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel? E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: — Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. Por isso saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; e não toqueis nada imundo, e eu vos receberei” (2 Coríntios 6:15 – 17).
Terceiro, após o devido processo nos tribunais, aqueles que aderirem e/ou apoiarem os ensinamentos da “teologia da Visão Federal” devem ser excomungados da comunhão da Igreja visível de Jesus Cristo, a menos que se arrependam dessas doutrinas heréticas e retratem quaisquer sermões, escritos, livros, palestras, fitas, sites, boletins, ou outros materiais que promovam tais ensinamentos. “Se alguém ensina alguma outra doutrina, e se não conforma com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo, e com a doutrina que é segundo a piedade, é soberbo, e nada sabe, mas delira acerca de questões e contendas de palavras, das quais nascem invejas, contendas, blasfêmias, ruins suspeitas, perversas contendas de homens corruptos de entendimento, e privados da verdade, cuidando que ganho seja piedade; aparta-te dos tais” (1 Timóteo 6:3 – 5). Paulo proíbe os servos de Cristo de manter qualquer convívio com tais pessoas. Ele não apenas adverte Timóteo a não se assemelhar a eles, mas o exorta a evitá-los como pragas perigosas[15]. Bons ministros e cristãos se afastarão de tais indivíduos[16]. “Não tenhas nada a ver com tais homens; evita-os em tuas conversas privadas e expulsa-os da Igreja se seus pecados forem escândalos públicos e forem contumazes[17]”. “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade. Mas evita os falatórios profanos, porque produzirão maior impiedade” (2 Timóteo 2:15, 16; cf. 3:5, 13; 4:2 – 4). “Mandamo-vos, porém, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que vos aparteis de todo o irmão que anda desordenadamente, e não segundo a tradição que de nós recebeu. […] Mas, se alguém não obedecer à nossa palavra por esta carta, notai o tal, e não vos mistureis com ele, para que se envergonhe. Todavia não o tenhais como inimigo, mas admoestai-o como irmão” (2 Tessalonicenses 3:6, 14, 15; as passagens discutidas na seção anterior aplicam-se igualmente a este ponto).
Nessas passagens, Paulo ensina, de forma implícita ou explícita: — [1] – Os crentes individuais têm a obrigação moral de se afastar, social e eclesiasticamente, daqueles que ensinam ou vivem na heresia. [2] – A Igreja tem a responsabilidade bíblica de ordenar que os homens cessem de ensinar doutrina falsa. Devem ser silenciados, pois seu ensino é devastador para famílias inteiras (Tito 1:11). [3] – Os falsos mestres devem ser censurados e separados da comunhão e da convivência da Igreja.
“Paulo declara que tais pessoas devem ser afastadas da sociedade dos crentes, para que não tragam desonra à Igreja[18]”.
A marca principal de uma Igreja verdadeira é a pregação e a profissão puras da Palavra (João 8:31, 32, 47; 14:16; 6:34; 2 Timóteo 1:13; 2:2; 3:10, 14; 4:3; Tito 1:9; 2:1; 3:10, 11 etc.). A verdadeira Igreja só pode sustentar-se sobre a doutrina apostólica genuína. Calvino escreve: — “Mas, assim que a falsidade irrompe na cidadela da religião, e a soma da doutrina necessária é derrubada, e o uso dos sacramentos destruído, segue-se certamente a morte da Igreja — assim como a vida de um homem se encerra quando sua garganta é perfurada ou seu coração mortalmente ferido. E isso se evidencia claramente nas palavras de Paulo, quando ensina que a Igreja está fundada sobre o ensino dos Profetas e Apóstolos, tendo Cristo como a principal pedra angular (Efésios 2:20). Se o fundamento da Igreja é o ensino dos Profetas e Apóstolos, que ordena aos crentes confiar sua salvação somente em Cristo — então, se se retira esse ensino, como poderá o edifício continuar de pé? Portanto, a Igreja deve ruir quando morre aquela soma da religião que sozinha pode sustentá-la. E, novamente, se a verdadeira Igreja é o pilar e fundamento da verdade (1 Timóteo 3:15), é certo que nenhuma Igreja pode existir onde a mentira e a falsidade tenham prevalecido[19]”.
Por esta razão, ministros e presbíteros, como guardiães do rebanho, têm a responsabilidade — após seguirem os níveis necessários de admoestação — de “rejeitar” (Tito 3:10), “afastar da Igreja” (1 Coríntios 5:13) e considerar como “gentios” (Mateus 18:17) aqueles que não se arrependem dessa heresia.
A Confissão de Westminster apresenta várias razões pelas quais as censuras eclesiásticas são essenciais: — “As censuras da Igreja são necessárias para a recuperação e reconciliação dos irmãos ofensores, para deter outros de ofensas semelhantes, para purgar o fermento que poderia infectar toda a massa, para vindicar a honra de Cristo e a santa profissão do Evangelho, e para prevenir a ira de Deus, que poderia justamente cair sobre a Igreja se permitisse que sua Aliança e os seus sinais fossem profanados por ofensores notórios e obstinados” (30:3; cf. 1 Coríntios 5; 1 Timóteo 5:20; Mateus 7:6; 1 Timóteo 1:20; 1 Coríntios 11:27 – 34; Judas 23).
Quanto aos ministros que defendem a doutrina da Auburn Avenue ou da “Visão Federal”, colocamos as seguintes perguntas: — [1] – Seu ensino alcança o nível da mais alta censura, chamada excomunhão maior (Mateus 18:17)? Sim, todos os bons protestantes concordam que negar a doutrina da justificação somente pela fé é heresia grave e condenável. [2] – Os defensores dessa doutrina são ensináveis e humildes ou obstinados e rebeldes? Infelizmente, é evidente que se trata do último caso. Confrontados com a verdade, endureceram-se e tornaram-se mais cegos e obstinados. Até o momento, nenhum se arrependeu[20]. [3] – Esses homens receberam as admoestações bíblicas adequadas e tiveram tempo razoável para se arrepender? Esses homens (isto é, pelo menos os líderes proeminentes) foram confrontados de forma privada, pública e foram minuciosamente refutados por escrito[21]. Esta controvérsia já dura quase quatro anos.
Essas respostas levantam outra questão: — por que a OPC e a PCA se recusam a disciplinar praticamente qualquer pessoa ligada a essa heresia?[22] Trata-se de uma questão perplexa. Uma razão pela qual os homens se esquivam de tal dever é que “é um trabalho penoso para toda mente benevolente. É um trabalho no qual ninguém deseja se engajar, a menos que seja compelido pelo senso de dever[23]”.
Outra possível razão é que algumas pessoas interpretam a excomunhão como uma declaração de que a pessoa é não–regenerada e certamente pertence ao inferno. Na verdade, a excomunhão consiste em lançar o ofensor “para fora da Igreja, no mundo, que a Escritura descreve como o reino de Satanás[24]”. Tais pessoas, porém, podem se arrepender e ser readmitidas na Igreja visível. Outra razão provável é que muitos líderes eclesiásticos colocam a paz institucional (ou seja, têm medo de um cisma na Igreja) acima dos requisitos disciplinares da Escritura. Se isso for verdade, esses homens não aprenderam as lições da tomada modernista na PCUSA. Quem busca paz onde não há paz carece de sabedoria. Os cismas virão (alguns já vieram), mas serão os fiéis se separando da corrupção, da apostasia e da covardia, em vez de hereges fugindo da justiça. Líderes que se recusam a exercer disciplina agem como os falsos profetas que diziam: — “Paz, paz”, quando não havia paz (Jeremias 6:14; 8:11). Hoje, a OPC e a PCA permitem que homens permaneçam no ministério como falsos profetas, caminhando pelo caminho largo que conduz à destruição. Diante das claras injunções bíblicas quanto aos falsos mestres, torna-se abundantemente evidente que a resposta escriturística à penetração da “Visão Federal” na OPC e na PCA deve possuir tanto um aspecto positivo quanto negativo.
Além disso, muitos têm uma visão antibíblica da disciplina, considerando-a severa, desnecessária e carente de amor. Aqueles que se opuseram às doutrinas da Auburn Avenue chegaram a ser chamados de insensíveis ou “sem amor”. Contudo, tal perspectiva pressupõe, em contradição com as Escrituras, que a disciplina é algo ruim. A disciplina, de fato, é dolorosa; provoca tristeza e angústia. Mas certamente não é má. Poderíamos até afirmar que a recusa em disciplinar aqueles que certamente a merecem é o oposto do amor, pois conforta as pessoas em seus pecados (Levítico 19:17) e proporciona aos que se rebelam contra Deus uma falsa sensação de segurança.
A razão pela qual a OPC e a PCA estão infestadas de ministros falsos e deficientes reside em seu conceito demasiadamente frouxo de subscrição aos Padrões de Westminster. Ao viajar ou mudar-se para uma nova região, a família que visita uma Igreja da OPC ou PCA não sabe o que encontrará até participar de um culto. Será um serviço celebrativo de “nova vida” (isto é, no estilo arminiano carismático), um culto anglo–católico à maneira de James Jordan, um serviço “tradicional” à moda antiga ou um culto confessionário de Westminster (apenas salmodia a capela)? Haverá os inúmeros ensinos e práticas falsas que são tolerados por exceções aos Padrões: — pedocomunhão, liturgias pré–latelicais da alta Igreja[25], vestes e paramentos sacerdotais[26], interpretações desviantes dos primeiros capítulos de Gênesis, monoconvenantalismo[27], regeneração batismal, conceitos antinomianos do amor na “vida superior”, justificação por obediência fiel, entre outros?
Uma denominação presbiteriana que adota um conceito frouxo de subscrição é “como uma caixa de chocolates […] nunca se sabe o que vai encontrar”. Se a OPC e a PCA desejam deter a decadência, devem cessar de tratar os Padrões como uma régua elástica ou meras recomendações amplas. Devem retornar à subscrição plena de seus antecessores.
Se a OPC e a PCA não condenarem nem censurarem os hereges — o que é provável, dado o avançado estado de decadência doutrinária em que se encontram quanto à criação, ao Evangelho, à moral, ao culto bíblico, aos sacramentos etc. — então deveriam ser transparentes e reescrever os Padrões de Westminster para refletir aquilo que realmente creem, permitem e praticam.
O propósito da subscrição plena é consolidar um sistema teológico específico e protegê-lo da corrupção. Outro objetivo é declarar publicamente o que é confessado e representado. O sistema frouxo vigente hoje não cumpre nenhuma dessas funções. Os Padrões de Westminster tornaram-se, na prática, algo como “isto é o que cremos, às vezes, dependendo de quem seja o pastor local e a sessão da Igreja”.
Na OPC e na PCA de hoje existem dois sistemas religiosos rivais. De um lado, de maneira geral, encontra-se o remanescente conservador do Presbiterianismo da Nova Escola. Do outro lado, temos os sacramentalistas, que são essencialmente anglo–católicos no culto e modernamente judaizantes na doutrina da justificação. Esses últimos não se pautam verdadeiramente por Calvino, Knox ou Melville, mas pelo cristianismo medieval, por Norman Shepherd e pelo neolegalismo. Ambos os lados não podem coexistir em harmonia, pois, em essência, representam dois sistemas religiosos distintos: — um fundamentado exclusivamente na graça, o outro na justiça pelas obras.
A questão central para ambas as denominações é a imposição de sanções. Regras, confissões e leis sem sanções tornam-se, a longo prazo, inúteis.
Uma denominação sem subscrição plena e sem disciplina eclesiástica que a sustente será gradualmente corroída por inúmeras exceções.
Com subscrição plena e disciplina bíblica, os fiéis desfrutam da liberdade que a palavra de Deus concede, havendo previsibilidade tanto na doutrina quanto na ética. Por outro lado, uma subscrição frouxa, acompanhada de pragmatismo e flexibilidade humana, deixa o rebanho à mercê dos caprichos de burocratas liberais da Igreja. Nesse cenário, a doutrina e a prática evoluem lentamente para longe da fé reformada. É por isso que, em diversos aspectos — doutrina, culto e prática — a OPC e a PCA encontram-se hoje consideravelmente mais debilitadas do que estavam há apenas 30 ou 40 anos.
Conclusão.
Tendo brevemente considerado o Relatório da OPC sobre a Justificação, somos levados a concluir o seguinte: — o relatório do comitê da OPC não recomenda que os mestres e defensores da “Visão Federal” que não se arrependem sejam depostos e censurados — precisamente aquilo de que a OPC necessita.
A menos que um oficial da Igreja presente proponha e aprove uma moção para iniciar o processo de admoestação e censura, o relatório permanece pouco mais do que palavras, passíveis de serem ignoradas. Por um lado, a doutrina da “Visão Federal” sobre a justificação é afirmada como contrária às Escrituras; por outro, seus defensores são tolerados como se se tratasse de um erro não vital. Isto constitui um pecado escandaloso, tão grave que justifica separação ou secessão por parte daqueles que desejam ser fiéis à Escritura[28]. Até quando os verdadeiramente reformados (TR[29]) ou os “conservadores” na OPC e na PCA continuarão a tolerar contradições tão evidentes, sérias e até mortais às Escrituras e aos Padrões de Westminster em suas comunhões?[30]
Quem não se separa da tolerância à heresia condenável torna-se cúmplice desses pecados escandalosos. Ao eliminar todas as desculpas — pragmatismos, concepções mundanas de amor, interesses financeiros e manobras burocráticas —, resta apenas a permissão de uma completa negação da suficiência da redenção de Cristo. Tal conivência com um evangelho falso é absolutamente inaceitável.
Quantas congregações e famílias ainda precisarão ser destruídas pela heresia antes que se tome a decisão de se separar?
“Não sabeis que um pouco de fermento faz levedar toda a massa?” (1 Coríntios 5:6). Chega o momento em que o caminho mais eficaz para a reforma é protestar e secessar [separar-se], rompendo com a jurisdição vigente. A fidelidade neste tempo exige exatamente isso.
Paz e graça.
[1] Por Brian M. Schwertley (2006).
[2] Há diversos ministros e presbíteros da OPC e da PCA que escreveram artigos, participaram de conferências em favor dessa “teologia” e defenderam, nos tribunais eclesiásticos, oficiais da Igreja que sustentam as mesmas ideias — por exemplo: o Prof. Richard Gaffin, Thomas Tyson, Thomas Trouwburst, Peter Lillback, Richard Lusk e Steven Wilkins. Não há diferença substancial entre o “Shepherdismo” e a “Visão Federal”, pois os defensores de ambas participam das mesmas conferências e, juntos, promovem a doutrina da justificação pela fé acrescida de obediência fiel ou boas obras. O livro herético de Norman Shepherd, “The Call of Grace: How the Covenant Illustrates Salvation and Evangelism”, publicado pela editora Presbyterian and Reformed, foi endossado pelo Prof. Richard Gaffin.
[3] O comitê da Assembleia Geral foi formado em 2004 para tratar da “Visão Federal” e da “Nova Perspectiva sobre Paulo”, em razão de uma proposta vinda do Presbitério do Meio–Oeste. Logo na primeira página do relatório há uma advertência sobre os artigos publicados na internet e sobre aqueles que “divulgam opiniões sem a devida reflexão e sem adequada responsabilidade diante de outros”. Os artigos da internet, tidos como não acadêmicos e não confiáveis, são contrastados com materiais “responsáveis”, circulados por “canais ordinários”. Embora, sem dúvida, existam muitos textos antibíblicos e pouco eruditos na internet, os artigos e livros publicados por “respeitáveis” professores de seminários, através desses “canais ordinários”, após “devida reflexão” e “receberem valiosas críticas”, frequentemente não são mais confiáveis do que muitos dos textos heterodoxos disponíveis online. Pode-se citar, por exemplo, os dois livros antibíblicos sobre adoração de John Frame, publicados pela Presbyterian and Reformed e endossados por quatro professores de seminário (“Worship in Spirit and in Truth” foi recomendado por Richard Pratt Jr. e Steven Brown, do Reformed Theological Seminary em Orlando, e por Richard B. Gaffin Jr. e D. Clair Davis, do Westminster Theological Seminary na Filadélfia). Para uma refutação bíblica do ataque de Frame ao Princípio Regulador do Culto e aos Padrões de Westminster, veja Brian M. Schwertley, “The Neo–Presbyterian Challenge to Confessional Presbyterian Orthodoxy”; e também Kevin Reed, “Presbyterian Worship: Old and New”, em Brian M. Schwertley, “Musical Instruments in the Public Worship of God” (Southfield, MI: Reformed Witness, 1999). Outro exemplo é a defesa de James Hurley de que mulheres podem ensinar doutrina a homens no culto público, em seu livro “Man and Woman in Biblical Perspective” (Grand Rapids: Zondervan, 1981). Também os escritos de Meredith Kline sobre o capítulo primeiro de Gênesis, antibíblicos e perigosos, constituem outro caso notório. Poder-se-iam multiplicar tais exemplos, pois os modernos seminários presbiterianos “conservadores” refletem e sustentam as amplas defecções dos Padrões de Westminster que hoje se encontram tanto na OPC quanto na PCA.
[4] As omissões do relatório são particularmente preocupantes, dado o histórico de falhas da OPC em proteger as ovelhas sob seus cuidados quando tiveram oportunidade. O Presbitério da Filadélfia da OPC não conseguiu condenar Norman Shepherd por heresia no final da década de 1970, quando ele foi afastado do Westminster Theological Seminary, na Filadélfia. Além disso, o presbítero John O. Kinnard foi absolvido pela Assembleia Geral da OPC, após ter sido condenado por ensinar a doutrina da justificação pela fé acrescida de obras. Embora Kinnard tenha demonstrado algum arrependimento pela falta de clareza em seu ensino, ele nunca se arrependeu de ensinar a doutrina “shepherdita/Visão Federal” da justificação pela fé e pela obediência fiel (ou pelas obras).
[5] Martinho Lutero, Comentário à Epístola de São Paulo aos Gálatas (Cambridge: James Clarke, 1953), p. 69. William Hendriksen observa: — “A verdade expressa na primeira oração condicional (v. 8) reforça ainda mais a expressa na segunda (v. 9). O raciocínio é o seguinte: — se até mesmo nós, ou um anjo santo, devemos ser objeto da justa maldição de Deus ao pregar um evangelho diferente daquele que anteriormente vos anunciamos, quanto mais os autoproclamados insignificantes que agora se tornam culpados desse crime devem sofrer a ira divina. Aqui a tempestade da condenação se revela em toda a sua intensidade. O ‘Seja anátema’ de Paulo não é um mero desejo, mas uma invocação efetiva. O Apóstolo, como representante plenamente autorizado de Cristo, pronuncia a maldição sobre os judaizantes, que cometem o terrível pecado de declarar falso o verdadeiro Evangelho e de substituí-lo por um evangelho falso, destrutivo e perdido, em lugar do verdadeiro e salvador” (Gálatas e Efésios [Grand Rapids: Baker, 1967, p. 68; 1979], p. 41).
[6] John Calvin, Sermons on Galatians by John Calvin (Audubon, NJ: Old Paths, [1574] 1995), p. 50, 51, 55, 63, 64, 65).
[7] John Calvin, Commentaries on the Epistles to Timothy, Titus and Philemon (Grand Rapids: Baker, 1981), p. 342.
[8] Archibald Thomas Robertson, Word Pictures in the New Testament (Grand Rapids: Baker [1931] n.d.), 4:600.
[9] Thomas Taylor, Exposition of Titus (Minneapolis, MN: Klock and Klock [1619] 1980), p. 174 – 175.
[10] John Calvin, Commentaries on the Epistles to Timothy, Titus and Philemon (Grand Rapids: Baker, 1981), p. 298.
[11] John Murray, The Epistle to the Romans (Grand Rapids: Eerdmans, [1959, 65] 1968), 2:236.
[12] Simon J. Kistemaker, James and I – III John (Grand Rapids: Baker, 1986), p. 384.
[13] Matthew Henry, Commentary on the Whole Bible [McLean, VA: MacDonald, no date], 5:1102.
[14] Enquanto Deus define frequentemente o amor em termos de sua disposição de castigar o seu próprio povo quando este se desvia, os presbiterianos modernos e corrompidos parecem definir o amor como a disposição de castigar aqueles que creem que o pecado e a heresia devem receber admoestação, repreensão e censura. Quando a RPCUS defendeu o Evangelho de Jesus Cristo em 2002, condenando o ensino da Visão Federal sobre a justificação como heresia, a reação generalizada de muitos presbiterianos e assim chamados teonomistas foi de choque e ira, não contra os hereges condenáveis que negavam o verdadeiro Evangelho, mas contra a RPCUS por defendê-lo. Vivemos em um tempo de ignorância e declínio generalizados.
[15] John Calvin, Commentaries on the Epistles to Timothy, Titus and Philemon, p. 156.
[16] Matthew Henry, Commentary on the Whole Bible, 6:828.
[17] Matthew Poole, Commentary on the Holy Bible (Carlisle, PA: Banner of Truth, [1685] 1963), 3:788.
[18] John Calvin, Commentaries on the Epistles of Paul the Apostle to the Philippians, Colossians and Thessalonians, p. 352.
[19] John Calvin, Institutes of the Christian Religion (Philadelphia: The Westminster Press, 1960), 4:2:1, 2:1041 – 1042. Sobre a disciplina da Igreja, William Cunningham escreve: — “As censuras são simplesmente a aplicação das declarações das Escrituras à conduta externa dos homens individualmente, sendo ratificadas ou confirmadas por Deus em sua influência sobre a salvação eterna do homem, apenas na medida em que correspondem às declarações de sua Palavra e às circunstâncias reais do caso […]. A exclusão por sentença judicial da Igreja visível é, em substância, uma declaração solene pelos oficiantes eclesiásticos de que consideram a pessoa que excluem como sustentando opiniões ou seguindo um curso de conduta oposto à palavra de Deus” (Discussions on Church Principles: Popish, Erastian, and Presbyterian [Edinburgh: T and T. Clark, 1868], 244 – 245).
[20] Douglas Wilson tem procurado parecer mais ortodoxo e moderado do que seus colegas ao afirmar sua crença na imputação da justiça de Cristo. Embora Wilson, em suas sutis ambiguidades e declarações ortodoxas, possa parecer melhor do que alguns de seus parceiros teológicos na heresia (por exemplo, Rich Lusk), ele deve, na realidade, ser rejeitado como herege porque: — [1] – Apesar de seu tom moderado, chega a praticamente todas as mesmas conclusões que Lusk e Wilkins. [2] – Apoia plenamente o movimento que, em sua essência, é herético e mortal. A Canon Press publica as opiniões mais radicais, e o New St. Andrew’s College emprega Peter Leithart, cujos escritos sobre a Igreja, o culto e os sacramentos são radicalmente heterodoxos. Se um homem apoia um movimento herético com seu dinheiro, escritos, publicações, palestras etc., então esse homem é um herege perigoso.
[21] See Brian M Schwertley, Auburn Avenue Theology: A Biblical Analysis (Iola, WI: Covenanted Reformation Press, 2005); John M. Otis, Danger in the Camp: An Analysis and Refutation of the Heresies of the Federal Vision (Corpus Christi, TX: Triumphant Publications, 2005).
[22] “Os ocupantes de cargos nessas denominações — pastores, presbíteros, diáconos, professores e administradores de seminários — não tomaram nenhuma ação eficaz para impedir a propagação das heresias ou para disciplinar os hereges. Pelo contrário, fizeram exatamente o oposto. Existem redes de “bons camaradas”, formadas ainda nos tempos de seminário, que protegem falsos mestres de qualquer disciplina ou oposição efetiva. Estudantes protegem seus professores; professores protegem seus estudantes; estudantes e professores protegem-se mutuamente. Como controlam os tribunais eclesiásticos, essas redes de “bons camaradas” impediram que os tribunais da Igreja tomassem qualquer medida efetiva contra falsos mestres nas Igrejas presbiterianas. Com a única exceção de John Kinnaird (um presbítero acusado de heresia por membros comuns da Igreja, não por seminaristas, e cuja condenação foi posteriormente revertida pelo mais alto tribunal da Igreja Presbiteriana Ortodoxa, controlado, é claro, pelos seminaristas), nenhum professor foi disciplinado por essas denominações. Em um caso obscuro envolvendo Burke Shade — hoje ‘pastor’ afiliado à seita de Douglas Wilson, a CREC —, o Presbitério de Illiana (PCA) depôs-o do cargo. Quase ninguém tomou conhecimento desse caso fora daquele presbitério, pois este não percebeu que Shade, seguidor de James Jordan, representava um problema muito maior dentro da PCA. Entre as dezenas de pastores, presbíteros e professores de seminário que ensinaram doutrina falsa na OPC e na PCA nos últimos cinco anos, nenhum foi removido do cargo, nenhum foi condenado por erro doutrinário, nenhum foi julgado e nenhum sequer foi formalmente acusado de erro. Alguns presbitérios e congregações emitiram ‘declarações’ sobre certos erros, mas tais declarações são inócuas e superficiais. Os responsáveis pelos seminários e pelas Igrejas falharam em seu dever para com Cristo e sua Igreja, mas até agora conseguiram proteger suas próprias posições e as de seus amigos. Contudo, quando os oficiais da Igreja falham em cumprir seu dever, são julgados por Deus; e Ele levanta cristãos que conhecem e cumprem o seu dever” (John Robbins, The Trinity Review [Unicoi, TN: The Trinity Foundation, February 2006], 1).
[23] Samuel Miller, The Ruling Elder (Dallas, TX: Presbyterian Heritage Publications, [1831, 32, 43, 44] 1999, 189).
[24] Robert Shaw, An Exposition of the Westminster Confession of Faith (Geanies House, Feann: Christian Focus Publications, [1845] 1973), 364.
[25] Refere-se a formas de culto ou rituais que remontam à tradição da “alta Igreja” (high church), particularmente anteriores ao Concílio de Latrão ou que evocam práticas litúrgicas antigas da Igreja Católica. Envolvem cerimônias mais formais, uso de ritos elaborados, gestos ritualísticos e uma ênfase no sacramentalismo, distinguindo-se do culto simples e centrado na Palavra típico do presbiterianismo reformado — nota do tradutor.
[26] São vestes ou roupas específicas usadas por ministros ou líderes litúrgicos durante o culto, como albas, casulas, estolas, capas ou colares litúrgicos. No contexto reformado, seu uso é visto com suspeita, pois pode sugerir uma função sacerdotal sacramentalista, desviando do entendimento de Cristo como único Sumo Sacerdote e da simplicidade do culto bíblico — nota do tradutor.
[27] É a visão teológica que sustenta a existência de um único Pacto entre Deus e a humanidade, negando a distinção bíblica entre o Pacto da Graça no Antigo Testamento (com Abraão e Israel) e o Novo Pacto em Cristo. Na perspectiva reformada clássica, há um Pacto único de graça, mas manifestado em diferentes administrações ou dispensações (Antigo e Novo). O monoconvenantalismo, ao fundir ou eliminar essas distinções, altera a compreensão bíblica da Aliança, do papel da Lei e da continuidade entre Antigo e Novo Testamento — nota do tradutor.
[28] Em vez de um silêncio resignado ou de simplesmente transferir-se para outra denominação, o método histórico reformacional de protesto e secessão é a resposta adequada para alertar outros oficiais da Igreja e membros comungantes quanto à gravidade da corrupção do Evangelho. Estas são heresias condenáveis, semelhantes às dos judaizantes e da Igreja Católica Romana, exigindo uma ruptura.
[29] Truly Reformed.
[30] A prática da subscrição muito frouxa, hoje, em que denominações presbiterianas “conservadoras” abrigam muitas visões teológicas e práticas de culto divergentes, gerou um tipo de independência funcional para as congregações verdadeiramente reformadas (TR). Essas congregações sabem, do ponto de vista humano, que pouco podem fazer a respeito. Assim, inconscientemente — e às vezes até conscientemente — adotam uma postura de “sejamos rigorosos em doutrina e culto — apenas nos deixem em paz”. Talvez cheguem a se ver como uma oásis reformada em um deserto de decadência e apatia. Justificam sua permanência em uma denominação corrupta e deformante dizendo a si mesmas: — “Estamos aqui para ser usados por Deus na reforma desta denominação” ou “Se sairmos, quem ficará para trabalhar pela reforma?”. Como não há evidência de que as TR tenham promovido sequer um vestígio de reforma na OPC ou na PCA nos últimos trinta anos, resta aos irmãos conservadores uma pergunta final: — agora que um dos pilares centrais da fé — a justificação somente pela fé, sem obras da Lei — é aberta e impunemente negado na OPC e na PCA, que desculpa ainda resta?
[31] Pr. Dr. Plínio Sousa — Tradutor: — notas e significações.

