A CANONICIDADE DO NOVO TESTAMENTO

Para a leitura cotidiana, a música instrumental que favorece o recolhimento.

Coletânea de Música Clássica

por Bach, Beethoven, Bizet, Boccherini, Boulanger, Bruckner, Burgmüller, Chaminade, Chopin, Debussy, Dvořák, Elgar, Gershwin, Gounod / Liszt, Granados, Handel, Joplin

Para o Dia do Senhor, o canto dos Salmos, próprio da adoração.

Saltério

por Comissão Brasileira de Salmodia

por | 10 jun 2020

A “Inspiração do Texto Sagrado” é uma qualidade intrínseca – ela é porque é. No entanto, nós podemos perceber essa qualidade inerente, comparando material inspirado com outro que não é. Existem também argumentos outros: — [1] – a unidade da Bíblia – embora escrita por muitos autores humanos diferentes (pelo menos 30), no decorrer de 2.000 anos e em duas (principais) línguas bem distintas (hebraico e grego), ela é coerente, não se contradiz; [2] – profecias específicas e detalhadas, até com o nome próprio da pessoa, dadas com centenas de anos de antecedência, que se cumpriram cabalmente, literalmente; [3] – a própria natureza do conteúdo ou da mensagem – não é o tipo de coisa que o homem gostaria de escrever, mesmo que pudesse, e nem que ele poderia escrever, mesmo que quisesse; [4] – o efeito que produz – a Bíblia tem poder sobrenatural, pois sua mensagem transforma as vidas das pessoas. Dito tudo, no entanto, devemos reconhecer que afirmarmos a inspiração divina da Bíblia é uma declaração de fé – “fé inteligente e que condiz com as evidências, mas fé (não ciência no sentido objetivo)”.

Contudo, existe a questão (aguda) da canonicidade do Texto: — “porque a nossa Bíblia tem o exato sortimento de livros que tem – não mais, não menos e não outros?”. A inspiração diz respeito à ação divina no ato de escrever o material, garantindo o resultado. Já a canonização do texto diz respeito à ação humana, reconhecendo a qualidade divina daquele material. Esse processo de reconhecimento se deu no seio da comunidade da fé – a comunidade hebraica, quanto ao Antigo Testamento, e a comunidade cristã, quanto ao Novo Testamento.

É importante observar que o próprio Senhor Jesus Cristo abonou o Antigo Testamento, citando as diversas seções — Lei, História, Profecia, Poesia — como palavra de Deus, coisa sagrada e de autoridade – os autores humanos do Novo Testamento também. O Antigo Testamento era exatamente a Bíblia deles. Agora, a canonização tem tudo a ver com a preservação do texto. Pois, a comunidade da fé só iria se preocupar em transmitir e proteger os livros “canônicos”, tidos como inspirados. A parte humana na transmissão do texto fica patente, mas será que houve ação divina também, protegendo o texto (a exata redação do texto)? E como medir essa participação divina? Parece-me existir duas linhas relevantes, a lógica e a histórica. Vejamos primeiro a lógica.

Inspiração é resultado ou qualidade da Revelação – com essa linguagem estamos afirmando que o Criador achou por bem transmitir alguma informação objetiva à raça humana. Se o alvo fosse apenas um determinado indivíduo ou grupo, num certo momento histórico, bastaria uma palavra falada. Mas se o alvo foi de alcançar as gerações subsequentes também, então o meio indicado seria exatamente o escrito, como foi (1 Crônicas 16:15 — “a palavra que preservou para mil gerações” – de Adão até nós não passa de 300!). Agora, se o Criador quis que sua revelação chegasse intacta, ou pelo menos de forma íntegra e confiável, até o século XXI, fatalmente teria que vigiar o processo da transmissão através dos séculos.

Teria que proibir a perda irrecuperável de qualquer parte genuína, bem como a inserção indetectável de material espúrio.

A redação original deveria ficar disponível, em qualquer geração, às pessoas interessadas o suficiente para pagarem o preço necessário (tempo, viagem, dinheiro) para haver essa redação — “no geral as pessoas se dariam por satisfeitas com a redação à mão, desde que tida por confiável”. Assim sendo, a pessoa que crê na divina inspiração do Novo Testamento, por exemplo, deve crer também na divina preservação do Novo Testamento – é questão de lógica. Mas, e as evidências históricas – elas sustentam nossa expectativa, ou a desmentem?

Passo a alistar os argumentos históricos mais relevantes para iluminar esta questão[1].

Os próprios autores humanos sabiam que estavam escrevendo “Bíblia”, ou coisa autoritária.

Seus colegas, contemporâneos, também reconheceram que estavam escrevendo “Bíblia”.

Os líderes cristãos do século I e do século II (e III, IV, etc.) utilizaram e citaram material neotestamentário lado a lado com material do Antigo Testamento como sendo palavra de Deus.

Entendendo, como entenderam, que estavam lidando com coisa sagrada, iriam zelar por essa Palavra, vigiando o processo da transmissão.

Dispomos de declarações cabais dessa preocupação a partir do próprio Novo Testamento (Apocalipse 22:18, 19).

Justino Mártir (a. 150 d.C.) escreveu que era costume nas congregações cristãs, quer na cidade quer no campo, ler tanto o Novo Testamento como o Antigo Testamento cada domingo.

Resulta dali que tinham que existir cópias, muitas cópias (não se pode ler sem livro), e teriam que ser cópias boas (os usuários seriam exigentes).

Embora o processo de copiar a mão resulte em erros sem querer, muitas vezes, no início seria possível verificar qualquer cópia contra o Autógrafo (documento original), e principalmente nas regiões mais próximas da Igreja detentora do Autógrafo.

Tudo indica que pelo menos 18 e talvez até 24 dos 27 Autógrafos (2/3 a 8/9) se encontravam na região Egea (Grécia e Ásia Menor).

Foi exatamente nessa área que a Igreja mais prosperou, e ela se tornou o eixo da Igreja até o século IV (pelo menos) (lembrar que Jerusalém foi saqueada em 70 d.C., e provavelmente quaisquer Autógrafos ali existentes foram levados para a Antioquia, ou ainda mais longe).

Foi também nessa área que a língua Grega foi mais usada, e durante mais tempo – foi língua oficial do Império Bizantino, que durou até o século XV (transmissão exata de qualquer texto é possível unicamente na língua original).

A Ásia Menor foi caracterizada também por uma mentalidade conservadora quanto ao Texto Sagrado; na Antioquia surgiu uma “escola” de interpretação literalista (por formação um literalista é obrigado a se preocupar com a exata redação do texto, pois sua interpretação se prende a ela).

Quer dizer, até o ano 300 C., tinha um fluxo cada vez maior de cópias boas, fidedignas emanando da região Egea para o mundo cristão, precisamente porque aquela região reunia todos os requisitos para se impor à confiança da Igreja, quanto ao Texto Sagrado. Em contraste, no Egito a Igreja era fraca, herética, não se usava Grego, não havia nenhum Autógrafo (fatalmente o texto ali existente sempre seria de segunda mão, no mínimo), grassava uma mentalidade alegorista – enfim, o Egito seria um dos últimos lugares onde procurar um texto bom.

Aí houve a campanha de Diocleciano (303 d.C.), visando destruir os MSS do Novo Testamento sendo que a perseguição mais ferrenha se deu exatamente na região Egea, teria sido uma oportunidade perfeita para os tipos de texto existentes no Egito e na Itália conquistarem espaço maior no fluxo da transmissão do texto, fossem considerados aceitáveis ou viáveis. Mas não aconteceu; os grandes pergaminhos ℵ, B e D não têm “filhos” [D tem um, copiado 300 anos depois] – ninguém quis copiar semelhante texto.

Aliás, podemos deduzir que a campanha de Diocleciano teve um efeito purificador na transmissão. A grosso modo, os MSS menos preciosos e respeitados seriam os primeiros a serem entregues à destruição; já os exemplares mais cotados e respeitados seriam protegidos a qualquer custo, e uma vez que a perseguição passou serviriam de base para suprir as Igrejas com cópias boas novamente. O movimento Donatista girou em torno da punição merecida pelas pessoas que entregaram seus MSS (entre outras coisas). Obviamente muitos não entregaram, e os que sim entregaram foram

É geralmente reconhecido por eruditos de todas as linhas teóricas que a partir do século IV o fluxo da transmissão do texto foi tranquilamente dominado por um tipo de texto, geralmente conhecido por “Bizantino” em nossos dias. “Bizantino” porque esse Império abrangeu exatamente a região Egea, a região que reunia todas as qualificações necessárias para garantir a transmissão fiel do texto. Até hoje as “Igrejas Ortodoxas” do Oriente utilizam esse tipo de texto.

Lá pelo século IX houve um “movimento” (parece que foi mais ou menos espontâneo) no sentido de mudar o estilo de grafia de letras maiúsculas (unciais) para cursivas (minúsculas). Os exemplares antigos eram copiados na nova “roupagem” e aparentemente grande número desses antigos foram destruídos ou reciclados (daí os “palimpsestos”).

Dos MSS gregos existentes hoje (do Novo Testamento), uns 95% trazem o texto “Bizantino” e os outros 5% são um tanto heterogêneos (o erudito Frederic Wisse fez uma comparação minuciosa de 1.386 MSS gregos nos capítulos 1, 10 e 20 de Lucas e chegou à conclusão de que apenas oito deles representavam o tipo de texto egípcio, geralmente chamado “Alexandrino” em nossos dias – oito contra 1.375!).

Cabem aqui algumas ressalvas.

A mera antiguidade dum MS não garante nada quanto a sua qualidade. Aliás, devemos perguntar: — “como poderia um MS sobreviver fisicamente durante mais de 1.500 anos?”. Teria que ficar no desuso e ainda num clima seco. Como todos os MSS mais antigos estão cheios de erros cabais, tudo indica que foram reprovados no seu tempo – certo é que não foram copiados, a julgar pelos MSS existentes.

Como é que não dispomos de MS tipicamente “Bizantino” de antes do século V? Qualquer MS digno de uso seria usado e gasto por esse uso (eu sozinho já desgastei várias Bíblias). Assim, seria estranho encontrar um MS bom com tanta idade. Os MSS fidedignos foram intensamente usados e copiados, e acabados, mas o texto (ou redação) que traziam foi preservado através das sucessivas gerações de cópias.

A idéia de que teria havido um congresso ou concílio no século IV que “normalizou” o texto do Novo Testamento carece de qualquer sustentação histórica. No caso da Vulgata Latina, que na hipótese seria análogo (o papa tentou impor a nova tradução), não resultou o consenso que existe entre os MSS “Bizantinos”.

Como é que a grande maioria dos eruditos dos últimos cem anos  tem  preferido  o  texto  “Alexandrino”  e desprezado o texto “Bizantino”? A resposta está nas pressuposições e no terreno espiritual — por exemplo, nenhum dos cinco redatores responsáveis pelo texto eclético ora em voga acredita que o Novo Testamento seja inspirado por Deus, e o próprio Senhor Jesus adverte que a neutralidade no terreno espiritual não existe (Lucas 11:23). Resumindo, os livros neotestamentários foram reconhecidos como “Bíblia” desde o início, e através das décadas e dos séculos as gerações sucessivas de crentes zelaram pela transmissão fiel desses livros. O texto nunca se “perdeu”; nos primeiros 200 anos era sempre possível constatar a exata redação de qualquer livro. A preservação divina operou durante os séculos todos de tal modo que ainda hoje podemos ter certeza razoável, com base em critérios objetivos, da exata redação original do Novo Testamento, creio — Veja o resumo abaixo.

E daí? Daí, uma preservação tamanha, uma preservação semelhante, abrangendo tantos séculos de transmissão a mão, e passando por tantas tribulações – uma preservação assim é simplesmente miraculosa; é uma prova aparente da atuação divina, que vale dizer também que Deus abonou a escolha da Igreja, o Cânon.

Ao meu ver, o argumento mais contundente e convincente a favor do exato Cânon que a Igreja vem defendendo através dos séculos é exatamente a preservação miraculosa desse Cânon. Essa preservação é igualmente um forte argumento a favor da inspiração do texto. É o argumento lógico.

Se o Criador fosse dar uma revelação a nossa raça, deveria também preservá-la. Constatamos que Ele a preservou, com efeito. Porque Ele cuidou tanto de preservar esse texto, e só esse texto? Presumivelmente porque Ele tinha interesse especial nesse texto.

Conclusão.

Eu, pelo menos, não hesito em afirmar que podemos confiar no exato Cânon que recebemos como herança da comunidade da fé através dos séculos. Assim faço por entender que o próprio Criador, mediante a sua preservação singular, tanto abona como garante esse Cânon.

Resumo.

Resumindo, com base nas evidências até aqui disponíveis, afirmo o seguinte:

A redação original do Novo Testamento nunca se “perdeu”, e a sua transmissão através dos anos foi basicamente normal, sendo reconhecida como matéria inspirada desde o começo.

Esse processo normal resultou em linhas de transmissão.

A fim de delinear tais linhas, manuscritos devem ser agrupados empiricamente com base num perfil/mosaico de variantes em comum.

Tais grupos ou famílias devem ser avaliados por independência e credibilidade.

O maior grupo que é claramente definido é a “Família 35”.

A “Família 35” é demonstravelmente independente de todas as outras linhas de transmissão no Novo Testamento inteiro, capa a capa.

A “Família 35” é demonstravelmente antiga, remontando ao século III, no mínimo.

Os representantes da “Família 35” vêm de toda a área mediterrânea; a distribuição geográfica é quase total.

A “Família 35” não é uma “recensão”; o seu arquétipo não foi bolado em algum lugar ou momento subsequente aos Autógrafos.

A “Família 35” é uma entidade com definição objetiva/empírica no Novo Testamento inteiro; tem um perfil/mosaico demonstrável de Mateus 1:1 a Apocalipse 22:21.

A forma do arquétipo da “Família 35” é demonstrável – já foi demonstrado (ver o apêndice B em “Qual o texto original do Novo Testamento?” – Texto III).

O Texto Original é o arquétipo máximo; daí, qualquer candidato a texto original também precisa ser um arquétipo – isto é, um arquétipo real, verdadeiro, de fato e objetivamente verificável. Só existe um: — “Família 35”.

Que Deus tem interesse na preservação do texto bíblico é evidente: — entendo que passagens tais como 1 Crônicas 16:15, Salmos 119:89, Isaías 40:8, Mateus 5:18, Lucas 16:17 e 21:33, João 10:35 e 16:12, 13, 1

Pedro 1:23 – 25 e Lucas 4:4 podem razoavelmente ser interpretadas como representando uma promessa que as Escrituras (até o til) serão preservadas para o uso do homem (havemos de viver a partir de “cada palavra de Deus”), e até o fim do mundo (“para mil gerações”), mas nenhuma idéia foi dada de exatamente como Deus se propunha a fazê-lo. Havemos de deduzir a resposta a partir do que Ele tem feito – descobrimos que Ele de fato fez!

Esse interesse se reflete na “Família 35”; ela se caracteriza por uma transmissão incrivelmente cuidadosa (contrastando-se com outras linhas de transmissão). Tenho em mãos cópias perfeitas do arquétipo da Família 35 para a maioria dos livros do Novo Testamento (21); tenho em mãos cópias feitas a partir de exemplar perfeito (presumido) para outros quatro (4);  ao  passo  que  continuo  cotejando manuscritos, espero acrescentar os dois que faltam (Mateus e Atos), mas para eles também a forma do arquétipo é demonstrável.

Se Deus estivesse preservando a redação original em alguma outra linha de transmissão, em vez da “Família 35”, seria essa linha menos cuidadosa? Creio que não. Daí, qualquer linha de transmissão caracterizada por confusão interna fica desqualificada – isto inclui todas as outras linhas de transmissão que vi até aqui.

Afirmo que Deus utilizou a “Família 35” para preservar a exata redação original do texto neotestamentário.

Conclusão.

Afirmo que Deus preservou a exata redação original do Novo Testamento e que podemos saber, como de fato sabemos, qual ela é. Esta redação é reproduzida exatamente na minha edição do texto em grego (que também traz um aparato crítico totalmente novo). Meu texto está livremente disponível em www.walkinhiscommandments.com

Paz e graça.

[1] Uma discussão detalhada se encontra no meu livro “Qual o Texto Original do Novo Testamento?”.

[2] Pr. Me. Plínio Sousa — Revisão.

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