A ARROGÂNCIA E INSOLÊNCIA DO HOMEM E A IRA E JUSTIÇA DE DEUS

Para a leitura cotidiana, a música instrumental que favorece o recolhimento.

Coletânea de Música Clássica

por Bach, Beethoven, Bizet, Boccherini, Boulanger, Bruckner, Burgmüller, Chaminade, Chopin, Debussy, Dvořák, Elgar, Gershwin, Gounod / Liszt, Granados, Handel, Joplin

Para o Dia do Senhor, o canto dos Salmos, próprio da adoração.

Saltério

por Comissão Brasileira de Salmodia

por | 8 fev 2019

“[…] para todos os montes elevados e todas as colinas altas […]. A arrogância dos homens será abatida, e o seu orgulho será humilhado. Somente o Senhor será exaltado naquele dia” (Isaías 2:14, 17).

A arrogância é a atitude de quem se acha superior aos outros — pecado contra o próximo — e insolência é a atitude desrespeitosa a Palavra de Deus — pecado contra Deus.

Como representando as próprias pessoas orgulhosas, que são, em sua própria percepção, como os cedros e os carvalhos, firmemente enraizados e não abaláveis pelas tempestades. Elas consideram todos ao seu redor como arbustos. Esses são os montes altos e os outeiros elevados que parecem encher a terra, que são contemplados por todos e se julgam inabaláveis, mas continuam detestáveis e sujeitos aos ataques dos relâmpagos de Deus. “Feriuntique summos fulmina montes — Os montes mais elevados ficam mais expostos aos relâmpagos”. E diante do poder da ira de Deus esses montes são esmiuçados e os outeiros se encurvam e derretem como cera (Habacuque 3:6; Salmos 97:5). Esses homens arrogantes, que são como torres altas nas quais se penduram os sinos ruidosos, em que os canhões assassinos estão instalados — esses muros que se fortificam com sua dureza natural, e se entrincheiram na sua solidez — serão destruídos.

A altivez dos homens será abatida, seja pela graça de Deus, convencendo-os do mal do seu orgulho, e revestindo-os de humildade, ou pela providência de Deus, privando-os de todas as coisas de que se orgulhavam e humilhando-os. Nosso Salvador frequentemente expressava uma máxima de que qualquer que a si mesmo se exaltar será humilhado. Ele [o homem] se humilhará, no verdadeiro arrependimento, ou Deus o humilhará, e derramará desprezo sobre ele. Aqui lemos: — [1] – Por que isso será feito: — Porque “[…] só o Senhor será exaltado […]”. Observe que os homens orgulhosos serão humilhados porque “só o Senhor será exaltado”.

“Portanto, humilhem-se debaixo da poderosa mão de Deus, para que Ele os exalte no tempo devido” (1 Pedro 5:6).

Relacionamentos interpessoais humildes (1 Pedro 5:2, 3, 5) devem ser vividos “debaixo da potente mão de Deus” [observe o “portanto” no início do verso]. É Ele também que exalta os humildes “no tempo devido”, isto é, quando o “Sumo Pastor” aparecer (v. 4). A “potente mão de Deus” talvez faça especial alusão ao êxodo, quando a libertação chegou a Israel (cf. Êxodo 3:19; 6:1; 7:5; 13:3; Deuteronômio 5:15). Pois, “gememos interiormente, esperando ansiosamente nossa adoção como filhos, a redenção do nosso corpo” — o “êxodo corpóreo” — Romanos 8:23.

Não há falsidade no intelecto quando este é guiado por Deus.

Como dito por Tomás de Aquino, “Como as coisas têm o ser pela forma própria, assim, a potência cognoscitiva [perceptiva], o conhecimento, pela semelhança da coisa conhecida”. Pois bem, a uma coisa natural não lhe falta o ser, que, pela sua forma, lhe convém, embora possa faltar-lhe algum acidente ou consequente. “Assim, a um homem podem-lhe faltar os pés, mas, não, a essência humana”, e a essência humana é a humildade, e não a altivez.

Assim também à potência cognoscitiva não lhe pode faltar o conhecimento quanto à coisa por cuja semelhança é informada, embora lhe possa faltar algum consequente ou acidente dela. Pois, como dissemos, a vista não se engana relativamente ao seu “sensível próprio” [sentido único, o ver], mas sim, aos sensíveis comuns que lhes são consequentes, e aos sensíveis por acidente. Por onde, como o sentido é informado diretamente pela semelhança dos sensíveis próprios, assim também o intelecto, pela semelhança da quididade [virtude essencial] da coisa.

Portanto, quanto à quididade, a virtude essencial, ou seja, a natureza real de algo, o intelecto não se engana, quando este sabe de fato a verdade que o embasa — a palavra de Deus — como também não se engana um sentido quanto ao seu “sensível próprio”, o ver as coisas. Porém, o intelecto pode enganar-se no compor ou dividir, atribuindo à coisa, cuja quididade intelige, algo que dela não resulte ou lhe seja contrário. Pois o intelecto, julgando de tais realidades comporta-se como os sentidos quando julgam dos sensíveis comuns acidentais; sempre conservada, contudo, a diferença já explicada, quando tratamos da verdade, a saber, que a falsidade pode existir no intelecto, não somente quando é falso o seu conhecimento, quando não se tem o preenchimento do mesmo, com aquilo que a Escritura ordena (cf. Filipenses 4:8), mas também porque ele a conhece, assim como conhece a verdade; ao passo que nos sentidos, a falsidade não existe como conhecida, pois, o vê não define de fato, o que é verdade ou não, por esta razão Samuel se equivocou ao pensar em um rei para Israel pela vista, por sua percepção, e não pelo intelecto de Deus (1 Samuel 16:7); segundo já dissemos: — Como, porém, só pode existir falsidade no intelecto, quando ele compõe, também pode ela existir por acidente, na operação do intelecto, que conhece a quididade, quando tal conhecimento implica a composição. O que se pode dar de dois modos. De um modo se o intelecto atribuir a definição de uma coisa, a outra; como, por exemplo, se atribuir ao homem a definição do círculo. E então, a definição de uma coisa é falsa, atribuída a outra.

De outro modo, quando compõe entre si partes da definição que não se podem adunar; e então, a definição não somente é falsa, em relação a uma determinada coisa, mas é falsa em si mesma. Por exemplo, se formasse essa definição — animal racional quadrúpede — o intelecto, que assim definisse, seria falso, porque é falso ao formar essa composição — algum animal racional é quadrúpede. Por isso, o intelecto não pode ser falso, quando conhece as quididades simples, ou seja, a essência das coisas; mas, ou é verdadeiro, ou não intelige absolutamente nada. Razão de todos os cristãos, buscarem em Deus a essência de todas as coisas, para que assim, não criem em seus intelectos falsidades como verdades.

Aplicação para a construção do raciocínio saudável.

Obter o conceito bíblico, articular com outros conceitos bíblicos para produzir os juízos doutrinários, e também de valores, depois articular com outros juízos, para produzir um raciocínio.

Por exemplo, “Melhor é o vagaroso em irar-se do que o homem poderoso, e aquele que controla seu espírito, do que aquele que captura uma cidade” (Provérbios 16:32), um conceito bíblico que diz que, embora os guerreiros que capturam uma cidade demonstrem muita força, controlar o temperamento exige força e coragem ainda maiores — agora, comparo com outros conceitos bíblicos, “Não tenhas companheirismo com alguém dado à ira; e não deves entrar com o homem que tem acessos de furor, para não te familiarizares com as suas veredas e certamente tornares um laço para a tua alma” (Provérbios 22:24, 25), “Uma resposta, quando branda, faz recuar o furor, mas a palavra que causa dor faz subir a ira” (Provérbios 15:1), “O princípio da contenda é como alguém deixando sair águas; portanto, retira-te antes de estourar a altercação” (Provérbios 17:14). Agora, produzo um juízo: — Todas estas declarações incentivam a fugir de situações que suscitam a ira desde o começo. E, comparo com outro juízo: — Todas as pessoas ocasionalmente tendem a se exaltar de maneira imprudente. Exigem excessivamente dos outros, ou talvez digam ou façam algo que ofenda. Concluo, com a construção do raciocínio [e este, saudável, bíblico]: — “Os cristãos não são perfeitamente inocentes, mas a inocência é o que eles visam e buscam pela prudência e o autocontrole. A sinceridade é a inocência dos cristãos, e os que são justos são considerados inocentes de grande transgressão (Salmos 19:13). Eles são os justos, que andam no caminho da justiça e do equilíbrio. Eles têm as mãos limpas, e as conservam limpas das graves corrupções do pecado, e, quando as mancham com fraquezas ou indecisões, as lavam na inocência (Salmos 26:6)” — O raciocínio é, de como lidar com a ira.

Paz e graça.

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