VENCENDO A TENTAÇÃO

“Santificai-vos na verdade; a tua palavra e a verdade” – João 17:17.

Por Pr. Plínio Sousa.

Cristãos têm sofrido e muitas vezes vencidos pelas tentações da vida, e muitos cristãos sofrem consequências terríveis por esses obstáculos invisíveis que atuam em nossas vidas de forma muito visível, sentimos muitas vezes no próprio corpo, e às vezes até audíveis e sensíveis a outros, os gemidos e o choro sufocado ultrapassam paredes, muitos entram em depressão e desejam a morte, não com o intuito de dar cabo à vida, mas de por um fim em seu sofrimento. Por exemplo, a depressão. A existência, e a sua incidência nas diversas faixas etárias, classes sociais e religiões. O que a causa e o que ela pode gerar serão os fatos impulsionadores em nossas vidas, muitas vezes decorrentes de tentações humanas.

Já foram testados vários estímulos, tratamentos, medicamentos, mas em quase todos os casos verificou-se a necessidade de acompanhamento psicológico e/ou espiritual.

As causas desse mal também são as mais variadas possíveis (Biológicas, vida urbana, desemprego, doença física, alteração afetiva, histórico familiar da doença, adolescência, eventos estressantes ou perdas, transtornos de personalidade, medicamentos, drogas, álcool, entre outros) e tanto pode ser desencadeada por uma tragédia como por pequenos problemas do dia-a-dia. Outra causa seria o resultado de um desequilíbrio de substâncias químicas específicas no encéfalo denominadas neurotransmissores. Quase sempre a ansiedade é a sua predecessora, e muitos outros males internos, todos esses males (tentações) acabam refletindo em todas as áreas da vida, existe dois lados da tentação, o positivo e o negativo, a ênfase desse artigo será no negativo, que por fim resultará positivamente na vida de um cristão.

As Escrituras nos dizem que todos nós enfrentamos tentações. Em 1 Coríntios 10:13 diz: “Não vos sobreveio tentação que não fosse humana”. Talvez isso proporcione um pouco de encorajamento porque muitas vezes nos sentimos como se sofrêssemos sozinhos, e que os outros são imunes às tentações. A Bíblia nos diz que Cristo também foi tentado: “Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi Ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado”. (Hebreus 4:15).

De onde, então, essas tentações vêm? Primeiro de tudo, elas não vêm de Deus, embora Ele as permita. Tiago 1:13 diz: “Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e Ele mesmo a ninguém tenta”. No primeiro capítulo de Jó, vemos que Deus permitiu que Satanás tentasse Jó, mas com restrições. Satanás está vagueando pela terra como um leão, buscando pessoas para devorar (1 Pedro 5:8). O versículo 9 nos diz para resisti-lo, sabendo que outros cristãos também estão sendo atingindo por seus ataques. Por essas passagens podemos saber que tentações são oriundas de Satanás. Vemos em Tiago 1:14 que a tentação pode se originar em nós também. O versículo 14 diz que cada um é “tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz”. Deixamo-nos pensar certos pensamentos, ir a lugares que não devemos e tomar decisões baseadas em nossos desejos que nos levam à tentação.

Como, então, podemos resistir às tentações? Primeiro de tudo, temos de voltar ao exemplo de Jesus sendo tentado no deserto por Satanás em Mateus 4:1 – 11. Cada uma das tentações de Satanás foi recebida com a mesma resposta: “Está escrito”, seguida pela Escritura. Se o Deus Filho usou a Escritura para, com eficácia, por um fim às tentações do tentador, o que sabemos que funciona porque depois de três tentativas fracassadas, “o Diabo o deixou” (v.11), quanto mais nós criaturas caídas e fracas. Precisamos usá-la para resistir às nossas próprias tentações, sejam elas internas ou externas.

Todos os nossos esforços para resistir serão fracos e ineficazes, a menos que sejam movidos pelo Espírito Santo através da leitura constante, do estudo e da meditação na Palavra de Deus. Desta forma, seremos “transformados pela renovação da mente” (Romanos 12:2). Não há nenhuma outra arma contra a tentação exceto a “espada do Espírito, que é a Palavra de Deus” (Efésios 6:17). Colossenses 3:2 diz: “Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra” e em Filipenses 4:8 diz: “Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai”. Se as nossas mentes estiverem cheias com os mais recentes programas de TV, música e todo o resto que a cultura tem para oferecer seremos bombardeados com mensagens e imagens que inevitavelmente levam a paixões pecaminosas, em diversas esferas. Deixando bem claro que 99,9% de tudo que passa na TV Deus odeia, para não ser injusto e dizer que tudo, pois grande parte dos programas televisivos fere fundamentos bíblicos, inclusive o estudo diligente da Palavra de Deus, como a investigação piedosa e devocional que todos os cristãos devem ter (invocamos aqui o espírito dos bereanos – Atos 17:11).

Por isso escolhi não assistir mais TV, não porque sou mais santo e nem hipócrita, mas preferir encher a minha mente das Escrituras Sagradas, saturar a minha mente com “tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, tudo que há virtude, tudo que há louvor”. Cada um é livre (livre agência – vontade responsiva) para escolher o que “quiser fazer” de suas vidas cristãs. No entanto, se nossas mentes estiverem cheias com a Majestade e Santidade de Deus, o Amor, o Consolo do Espírito Santo, a Compaixão de Cristo, o brilho de seus atributos refletidos em Sua perfeita Palavra, e inserirmos em nossos corações por meio da santificação toda instrução de Deus, veremos que o nosso interesse pelas concupiscências do mundo diminuem e aos poucos desaparecem. Mas, sem a influência da Palavra de Deus atuante continuamente em nossos corações corruptos e perversos, estamos abertos a quaisquer coisas provenientes de Satanás, como verdadeiros “dardos inflamados do que é maligno” todos os tipos de maledicência nos derrubam da graça, mesmo sendo temporariamente. “Assim, aquele que julga estar firme, cuide-se para que não caia” – 1 Coríntios 10:12. Todavia, se cairmos “… o Senhor ama o juízo e não desampara os seus santos” – Salmos 37:28, “pois ainda que um justo caia sete vezes, sete vezes tornará a se erguer” – Provérbios 24:16.

Aqui, então, é o único meio para guardar nossos corações e mentes, a fim de manter as fontes de tentação longe de nós. Lembre-se das palavras de Cristo a Seus discípulos no jardim, na noite em que foi traído: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca”. (Mateus 26:41). A maioria dos cristãos não iria querer abertamente, voluntariamente “pular” em pecados, sabendo que o salário do pecado é a morte, mas não podemos resistir cair nele porque a nossa carne não é forte o suficiente para resistir. Nós nos colocamos em situações ou preenchemos nossas mentes com paixões sensuais, e isso nos leva a pecar, somos seres caídos e fracos como já antes mencionei. A única forma de sermos fortes em meio às tentações é estarmos verdadeiramente em Cristo, a Cruz como meio e Cristo como a fonte de nossa esperança por meio da graça dada por Deus Pai (Efésios 1:4). Fomos chamados para sermos santos e irrepreensíveis diante de Deus. E ser santo, é ser separado para Deus e do mundo.

“Recuse-se a sucumbir a quaisquer exigências da carne, pois a inclinação para a carne é morte”.

Precisamos renovar o nosso pensamento como nos é dito em Romanos 12:1, 2. Não devemos mais pensar como o mundo pensa, ou andar da mesma forma em que o mundo caminha. Provérbios 4:14, 15 nos diz: “Não entres na vereda dos perversos, nem sigas pelo caminho dos maus. Evita-o; não passes por ele; desvia-te dele e passa de largo”. Precisamos evitar o caminho do mundo que nos conduz em tentação porque a nossa carne é fraca. Somos facilmente levados por nossas próprias concupiscências. “Como é feliz aquele que não segue o conselho dos ímpios, não imita a conduta dos pecadores, nem se assenta na roda dos zombadores! Ao contrário, sua satisfação está na lei do Senhor, e nessa lei medita dia e noite. É como árvore plantada à beira de águas correntes: Dá fruto no tempo certo e suas folhas não murcham. Tudo o que ele faz prospera!” – Salmos 1:1 – 3.

Acerca do mundo (dos ímpios) Jonathan Edwards diz:

“Os ímpios estão sujeitos a cair por si mesmos, sem serem derrubados pelas mãos de outrem, pois aquele que se detém ou anda por terrenos escorregadios não precisa mais do que seu próprio peso para cair por terra”.

Mateus 5:29 tem alguns excelentes conselhos. “Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não seja todo o teu corpo lançado no inferno”. Isso soa grave! O pecado é grave! A tentação é grave! Jesus não está dizendo que devemos literalmente remover partes do corpo. Cortar o olho é uma medida drástica, e Jesus está nos ensinando que, se necessário, uma medida drástica deve ser tomada para evitar o pecado. Pense nisso e lembre-se que existem pecados que devem ser arrancados de nossas vidas, caso contrário trarão consequências terríveis nessa vida que ecoarão por toda eternidade. Pois, o salário do pecado é a morte, “Arrependam-se e creiam nas boas novas!” – Marcos 1:15 essa é a mensagem do evangelho de Cristo.

CONCLUSÃO

 No fim, ou até mesmo em meio à tentação encontramos a Deus. Ele sempre estará como uma rocha inamovível, o socorro presente em nossas maiores angústias (Salmos 46), Cristo disse que teríamos muitas aflições (João 16:33), mas mesmo em meio às tentações (aflições) há uma paz alegre na certeza da vitória de Cristo “Eu venci o mundo!” (v.33). E “Contudo, alegrai-vos por serdes participantes dos sofrimentos de Cristo, para que também vos alegreis e exulteis na revelação da sua glória” – 1 Pedro 4:13. Paulo disse “Pois as nossas aflições leves e passageiras estão produzindo para nós uma glória incomparável, de valor eterno” – 2 Coríntios 4:17. “E se a graça foi suficiente para o apóstolo Paulo, ela também nos é suficiente, pois o poder de Deus se aperfeiçoa em nossas fraquezas”, e se a nossa carne é fraca por não suportar as tentações, o poder de Deus é suficiente em guardarmos.

Ocorre é que o homem deprimido por suas tentações na maioria das vezes não tem forças pra procurar ajuda, não consegue vislumbrar uma solução pra o seu problema, e a família muitas vezes não consegue ajudá-lo, e no fim quase sempre procura recursos falíveis.

O expositor da Escritura adverte: “O Senhor sabe quem você é e conhece a sua maior tentação, a sua maior fraqueza”. Mas Ele tem poder para preservar os seus santos de quaisquer tentações, pois lhe assegura o escape “Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar” – 1 Coríntios 10:13, pois para Ele nada é impossível. Se está desanimado, abatido e angustiado devido as tentações, ou pensa que não tem mais jeito e chegou ao fim de sua vida cristã, sente-se dominado (a) pela tentação. Repouse, alimente-se, e deposite sua fé no Senhor e procure ajuda, confesse aos santos suas necessidades. “Comunicai com os santos nas suas necessidades…” – Romanos 12:13. Amém.

“Existe muito barulho religioso nesta geração, mas ainda assim não há qualquer evidência da mortificação do pecado” – John Owen.

Paz e graça.

Capa: Marcos Frade.

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Plinio Sousa

Plínio Sousa é fundador do Instituto Reformado Santo Evangelho — IRSE, é Pastor Reformado, Bacharel em Teologia e Mestre em Teologia do N.T. Especializado em Interpretação Bíblica e em Teologia Sistemática; Professor de Grego; Métodos de Estudo Bíblico; EBD — Escola Bíblica Dominical; Teologia do Novo Testamento, Psicologia; Sociologia e Filosofia da Educação, atua como Diretor Geral e Professor do IRSE. É Psicólogo Cristão; Juiz de Paz Eclesiástico; (Autoridade Eclesiástica e Ministro de Confissão Religiosa, Conforme Decreto Lei 3.689/41, artigo 295 VIII §ª 4º); Capelão Cristão; Missionário; Palestrante e Escritor.

Apologista, autor de diversos artigos teológicos, de 04 (quatro) livros, atua como conteudista do Instituto Êxito de Teologia (SP), da WRF — World Reformed Fellowship (Comunidade Mundial Reformada) onde também é membro e do Santo Evangelho (Blogue do IRSE); também atua como co-editor do site Reformados 21. É membro da TDI — Sociedade Brasileira do Design Inteligente sob nº de registro 1057.

Adepto e muito abrangente com a defesa da Teologia Reformada e a herança Puritana. Acredita na inspiração verbal e plenária, na revelação proposicional, infalibilidade, inerrância, clareza e suficiência das Sagradas Escrituras. É Supralapsarianista, Calvinista, Aliancista [Teologia Pactual], Pedobatista, Amilenista, e Cessacionista –, rejeita a crença no livre–arbítrio, no apostolado contemporâneo e nos dons revelacionais. Quanto à liturgia, adota o Princípio Regulador do Culto –, como entenderam os Reformadores.
LER  CRISTO – O VERDADEIRO EVANGELHO

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