QUANDO UM PASTOR DEVE SE NEGAR A REALIZAR UM CASAMENTO?

Por Brian Croft.

Um pastor deve realizar o casamento de dois não-cristãos? E, quanto a um cristão se casar com um não-cristão? Existem quaisquer circunstâncias em que um pastor não deve casar dois cristãos?

Estas são perguntas que eu sempre ouço de outros pastores. O que permite a celebração de um casamento nesta ou naquela situação, e quando um pastor deve dizer não?

Eu sou bem consciente que existem muitas opiniões fortes sobre cada versão das questões que envolvem o casamento, e desacordos veementes sobre que casais evangélicos os pastores devem casar. E, com a decisão da Suprema Corte no ano passado sobre o casamento de pessoas do mesmo sexo, evidentemente o debate não termina aí.

Presumindo a concordância que o casamento é entre um homem e uma mulher, eu sugiro os seguintes limites dentro de três padrões comuns.

(1) Cristão casando-se com um não-cristão.

A maioria concorda, como eu, que a Escritura não permite que um cristão se case com um não-cristão (por exemplo, 1 Coríntios 7:39; 2 Coríntios 6:14 – 18), portanto, é imprudente que um pastor realize um casamento nesta circunstância. Embora muitos de nós conheçamos exemplos em que o cônjuge descrente foi finalmente convertido, eu jamais incentivaria um crente a se casar com um incrédulo. E, portanto, eu nunca incentivaria um pastor a realizar tal casamento.

Dito isso, se você está pastoreando uma esposa cristã casada com um incrédulo, 1 Pedro 3:1 – 6 é profundamente relevante. Uma mulher cristã tentando viver em fidelidade e paz com um marido descrente é um dos mais poderosos testemunhos de Cristo que eu já encontrei. Ainda assim, eu nunca estaria disposto a incentivar uma mulher a assumir esse fardo. O casamento entre dois crentes já é difícil o suficiente.

(2) Cristão casando-se com um cristão.

O cenário ideal de um pastor é casar dois cristãos, particularmente um casal que ele conheça bem, seja capaz de aconselhar antes do casamento e será capaz de pastorear durante os primeiros anos de casamento. Sabedoria e discernimento são necessários quando dois cristãos solicitam a um pastor que os case, embora eles ainda não estejam unidos a uma igreja local, nem vinculados a um pastor que tenha responsabilidade por eles.

Independentemente do cenário, se você casar dois cristãos a cerimônia deve ser vista como um culto no qual o evangelho é pregado. Você deve estar bem familiarizado com o casal para que possa exortá-los a se relacionarem um com o outro de uma forma que demonstre claramente o amor de Cristo por sua noiva, a igreja (Efésios 5:22 – 33), e vivam um com o outro de uma forma compreensiva quando, por vezes, o casamento se tornar difícil, o que acontecerá (1 Pedro 3:1 – 7).

Se um casal estiver vivendo em pecado evidente, habitual e impenitente (como coabitação ou intimidade física), você deveria renunciar realizar a cerimônia, supondo que eles persistem em sua impenitência, já que você não pode recomendá-los como testemunhas públicas que vivem uma vida exemplar.

(3) Não-cristão casando-se com um não-cristão.

Aqui é onde grande parte do debate reside. A base bíblica para casar dois não-cristãos vem de Gênesis 2, onde o casamento é visto como uma instituição da criação, da graça comum, em que Deus é glorificado enquanto o seu propósito original (um homem e uma mulher) é manifesto, ainda que a união não cumpra o seu supremo propósito redentivo (Efésios 5:22 – 33).

Mas, finalmente, esta é uma questão de consciência.

Se a sua consciência lhe permite casar dois não-cristãos, certifique-se que o casamento não seja apresentado como um culto. Deve ser realizado simplesmente como uma cerimônia que permite que você, um pastor, una o homem e a mulher, juntamente com as testemunhas presentes. Isso pode servir como uma oportunidade estratégica para pregar o evangelho, mas, primeiramente, eu combinaria esta parte com a noiva e o noivo antes de me comprometer a casá-los.

Três dicas breves.

Lembre-se, você nunca deve se sentir forçado a realizar qualquer casamento, independentemente da pressão que venha de membros da família ou da igreja. Se você tiver dúvidas se duas pessoas devem se casar, aqui estão três maneiras de buscar a orientação de Deus:

(1) Ouça a sua consciência.

O Espírito Santo opera poderosamente através de nossa consciência, e não devemos ignorá-la. A consciência é especialmente importante em questões não explicitamente claras nas Escrituras. Ouça bem.

(2) Seja guiado pela Escritura.

Sua certeza sobre a possibilidade de realizar um casamento deve ser igual a sua certeza sobre quão claramente a Palavra de Deus aborda as questões envolvidas. Não devemos falar onde a Escritura é silenciosa. Como Tim Keller diz: “Nós devemos ser tão imersos na Palavra escrita e verdade de Deus que sejamos exercitados a escolher corretamente, mesmo nos casos em que a Bíblia não fala diretamente”.

Este princípio simples é útil para determinar decisões complicadas sobre casamento.

(3) Busque conselho de outros pastores.

Devemos sempre nos sentar aos pés de pastores mais velhos, mais experientes, e aprender com os seus erros. Frequentemente, as implicações de um casamento não são evidentes por anos, às vezes, até mesmo por décadas. Ouça vozes sábias que já casaram alguns e se regozijaram, mas que também casaram outros e se entristeceram. Eles ajudarão você a evitar erros semelhantes.

E o que você decidir sobre uma circunstância de casamento específica, não tome a decisão sozinho. Envolva outras pessoas. Obtenha ajuda de quem já caminhou pelas veredas que agora você pisa.

Todo pastor eventualmente enfrentará uma decisão em torno de uma situação específica de casamento. Que Deus nos conceda sabedoria para pensarmos em cada caso com sensibilidade pastoral e cuidado bíblico.

Paz e graça.
Fonte: Editora Fiel.

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Plinio Sousa

Plínio Sousa é fundador do Instituto Reformado Santo Evangelho — IRSE, é Pastor Reformado, Bacharel em Teologia e Mestre em Teologia do N.T. Especializado em Interpretação Bíblica e em Teologia Sistemática; Professor de Grego; Métodos de Estudo Bíblico; EBD — Escola Bíblica Dominical; Teologia do Novo Testamento, Psicologia; Sociologia e Filosofia da Educação, atua como Diretor Geral e Professor do IRSE. É Psicólogo Cristão; Juiz de Paz Eclesiástico; (Autoridade Eclesiástica e Ministro de Confissão Religiosa, Conforme Decreto Lei 3.689/41, artigo 295 VIII §ª 4º); Capelão Cristão; Missionário; Palestrante e Escritor.

Apologista, autor de diversos artigos teológicos, de 04 (quatro) livros, atua como conteudista do Instituto Êxito de Teologia (SP), da WRF — World Reformed Fellowship (Comunidade Mundial Reformada) onde também é membro e do Santo Evangelho (Blogue do IRSE); também atua como co-editor do site Reformados 21. É membro da TDI — Sociedade Brasileira do Design Inteligente sob nº de registro 1057.

Adepto e muito abrangente com a defesa da Teologia Reformada e a herança Puritana. Acredita na inspiração verbal e plenária, na revelação proposicional, infalibilidade, inerrância, clareza e suficiência das Sagradas Escrituras. É Supralapsarianista, Calvinista, Aliancista [Teologia Pactual], Pedobatista, Amilenista, e Cessacionista –, rejeita a crença no livre–arbítrio, no apostolado contemporâneo e nos dons revelacionais. Quanto à liturgia, adota o Princípio Regulador do Culto –, como entenderam os Reformadores.
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