PREDESTINAÇÃO E ELEIÇÃO

“Os gentios, ouvindo isto, regozijavam-se e glorificavam a palavra do Senhor, e creram todos os que estavam destinados para a vida eterna” – Atos 13:48.

Por Pr. Plínio Sousa.

O que é predestinação e eleição? É a predestinação e a eleição bíblica? Como posso entender sobre a predestinação e a eleição? Vejamos:

O SOFISMA DA PRESCIÊNCIA – REFUTAÇÃO

Os homens têm se esforçado em inventar sofismas para obscurecer a graça de Deus. Porque eles dizem que, apesar de Deus escolher os homens antes do inicio do mundo, ainda assim foi de acordo com sua presciência que um seria diferente do outro. As Escrituras demonstram claramente que Deus não esperou ver se os homens eram dignos ou não, quando Ele os escolheu, mas os sofistas, pensam que podem obscurecer a graça de Deus, dizendo que embora Ele não tenha considerado os méritos passados, Ele tinha um olho naqueles que estavam por vir. Pois dizem eles que embora Jacó e seu irmão Esaú não tivessem feito nem o bem nem o mal, e Deus tenha escolhido um e recusado a outro, ainda assim Ele previu, (como todas as coisas são presentes para Ele) que Esaú seria um homem vicioso, e que Jacó seria como se mostrou posteriormente. Mas essas são especulações tolas, porque elas simplesmente fazem de São Paulo um mentiroso; os quais dizem que Deus não recompensa nossas obras quando Ele nos escolhe, porque Ele fez isso antes do inicio do mundo. Porém, embora a autoridade de São Paulo fosse abolida, ainda assim a questão é muito clara e evidente, não só nas Sagradas Escrituras, mas, também na razão, de modo que aqueles que fazem um escape desse tipo se mostram homens vazios de toda a habilidade. Porque se buscarmos em nós mesmos a fundo, o que podemos encontrar de bom? Não foi toda a humanidade amaldiçoada? O que trazemos do ventre de nossa mãe, a não ser pecado? Portanto, não diferimos nem um pouco uns dos outros, mas apraz a Deus tomar para Si aqueles que Ele quer. E por esse motivo, São Paulo usa estas palavras em outro lugar, quando diz que os homens não têm do que se regozijar, pois nenhum homem se encontra melhor do que seus companheiros, a não ser porque Deus o distingue. Então, se confessarmos que Deus nos escolheu antes do inicio do mundo, segue-se necessariamente que Deus nos preparou para receber a Sua graça. Porque Ele concedeu sobre nós a bondade, que não estava em nós anteriormente. Porque Ele não somente nos escolheu para sermos herdeiros do reino dos céus, mas também nos justifica e nos governa pelo Seu Espírito Santo. O cristão deve ser muito bem resolvido nesta doutrina, estando além de qualquer dúvida.

A doutrina da predestinação e eleição está particularmente associada ao Calvinismo. A predestinação e a eleição são elementos que descende da teologia de João Calvino, e porque não dizer de Paulo e dos apóstolos. Dentro do espectro de crenças quanto à predestinação e eleição, é no Calvinismo que possui sua forma mais enfática entre cristãos, muito conhecida pelo acróstico TULIP.

Ensina que a predestinação e eleição de Deus é fruto de Sua onisciência, como presciência, a qual Ele rege de acordo com a Sua vontade e absoluta Soberania, em relação às pessoas e acontecimentos. Em uma forma insondável, por muitas vezes não compreensível ao nosso entendimento, por está em uma esfera diametralmente, e infinitamente oposta da nossa esfera temporal e finita, Deus age continuamente com liberdade total, de forma a realizar a Sua vontade de forma completa em acordo com Seu conselho. Como podemos entender sobre predestinação e eleição? A luz de textos bíblicos mais claros, e de antigos da fé.

“Somos como anões aos ombros de gigantes, pois podemos ver mais coisas do que eles e mais distantes, não devido à acuidade da nossa vista ou à altura do nosso corpo, mas porque somos mantidos e elevados pela estatura de gigantes” – Bernardo de Chartres, referido por João de Salisbúria, Metalogicon III – Webb Oxford 1929.

Por outras palavras, o Calvinismo baseia a sua doutrina da predestinação e eleição na perspectiva de que Deus predestina previa e absolutamente a humanidade, escolhendo dentre os homens aqueles que irão ser salvos – e aqueles que vão ser condenados. Esta doutrina tira do homem qualquer possibilidade de rejeitar ou aceitar livremente a graça divina.

Santo Agostinho sobre a eleição declarou:

 “Procuremos entender a vocação própria dos eleitos, os quais não são eleitos porque creram, mas são eleitos para que cheguem a crer. O próprio Senhor revela a existência desta classe de vocação ao dizer: Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi (João 15:16). Pois, se fossem eleitos porque creram, tê-lo-iam escolhido antes ao crer nele e assim merecerem ser eleitos. Evita, porém, esta interpretação aquele que diz: Não fostes vós que me escolhestes. Não há dúvida que eles também o escolheram, quando nele acreditaram. Daí o ter ele dito: Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi, não porque não o escolheram para ser escolhidos, mas para que o escolhessem, ele os escolheu. Isso porque a misericórdia se lhes antecipou (Salmos 53:11) segundo a graça, não segundo uma dívida. Portanto, retirou-os do mundo quando ele vivia no mundo, mas já eram eleitos em si mesmos antes da criação do mundo – Portanto, Deus escolheu os crentes, mas para que o sejam e não porque já o eram. Diz o apóstolo Tiago: Não escolheu Deus os pobres em bens deste mundo para serem ricos na fé e herdeiros do Reino que prometeu aos que o amam? (Tiago 2:5). Portanto, ao escolher, fá-los ricos na fé, assim como herdeiros do Reino. Pois, com razão, se diz que Deus escolheu nos que crêem aquilo pelo qual os escolheu para neles realizá-lo”.

Tanto para o Calvinismo quanto para a doutrina agostiniana, não há livre-arbítrio. Para ambos, a soberania de Deus prevalece. O cristão escolhido não pode rejeitar sua eleição, pois Deus há de curvá-lo até que ele aceite a Sua graça.

Romanos 8:29 – 30 nos diz: “Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de Seu Filho, a fim de que Ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou”. Efésios 1:5 e 11 diz: “E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para Si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade (…) Nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade”. Muitas pessoas têm forte hostilidade à doutrina da predestinação e eleição. Entretanto, a predestinação e a eleição é uma doutrina Bíblica. O segredo é compreender, biblicamente, o que significa os termos e a sua aplicabilidade.

As palavras traduzidas como “predestinou” / “predestinados” nas Escrituras citadas acima vêm da palavra grega “proōrisen – προώρισεν”, que carrega o significado de “anteriormente determinado”, “predestinar”, “decidir de antemão” (cf. Romanos 8:29, 30; Atos 4:28; 1 Coríntios 2:7; Efésios 1:5, 11).

As palavras traduzidas como “como também nos elegeu” são “kathōs exelexato – καθὼς ἐξελέξατο” que carrega fortemente o significado de Deus Pai escolhendo os cristãos como aqueles que Ele separa da multidão sem religião como seus amados, aos quais transformou, através da fé em Cristo, em cidadãos do reino messiânico: (cf. Tiago 2:5) de tal forma que o critério de escolha arraiga-se unicamente em Cristo e Seus méritos. Outros significados: “Escolher entre muitos, como Jesus escolheu Seus discípulos – de Deus que escolhe quem Ele julga “dignos” de receber Seus favores e separa do resto da humanidade para serem peculiarmente Seu e para ser assistido continuamente pela Sua graciosa supervisão” (cf. Filipenses 1:6).

Então, predestinação e eleição é Deus determinando antes, o acontecimento de certas coisas. E o que Deus determinou antes que acontecesse? De acordo com Romanos 8:29 – 30 Deus pré-determinou que certas pessoas estivessem em conformidade com a imagem de Seu filho, sendo chamadas, justificadas e glorificadas.

“O futuro dos redimidos é tão certo que, algumas vezes o Novo Testamento fala de acontecimentos futuros usando os verbos no tempo passado, como se já estivessem acontecido”.

“E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou”. (Romanos 8:30). Note que os eleitos já são chamados (chamou), justificados (justificou), e glorificados (glorificou), dando certeza de que algo que já antes foi decretado por Deus, e certamente acontecerá sem que nada possa impedir. “Isaías 14:27 – Pois esse é o propósito do Senhor dos Exércitos; quem pode impedi-lo? Sua mão está estendida; quem pode fazê-la recuar?” – “Jó 42: 2 – Sei que podes fazer todas as coisas; nenhum dos teus planos pode ser frustrado” – “Romanos 8: 31 – 35 – Que diremos, pois, diante dessas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que não poupou a Seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós, como não nos dará juntamente com Ele, e de graça, todas as coisas? Quem fará alguma acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará? Foi Cristo Jesus que morreu; e mais, que ressuscitou e está à direita de Deus, e também intercede por nós. Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? (…) Pois estou convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor”. Amém.

Essencialmente, Deus predetermina que certas pessoas sejam salvas. Vários textos escriturísticos referem-se aos crentes em Cristo como sendo escolhidos (Mateus 24:22, 31; Marcos 13:20, 27; Romanos 8:33; 9:11; 11:5 – 7, 28; Efésios 1:11; Colossenses 3:12; 1 Tessalonicenses 1:4; 1 Timóteo 5:21; 2 Timóteo 2:10; Tito 1:1; 1 Pedro 1:1, 2; 2:9; 2 Pedro 1:10). Confira nosso artigo “80 razões porque um cristão não pode perder a salvação”.

A objeção mais comum à doutrina da predestinação e eleição é que ela não é justa. Por que Deus escolheria algumas pessoas e não outras? O que é importante lembrar é que ninguém merece ser salvo. Todos nós somos pecadores, pois todos nós pecamos, e não somos pecadores por que pecamos, pecamos porque somos pecadores (Romanos 3:23; Efésios 2:1 – 3) e todos merecemos punição eterna (Romanos 6:23). Em Deus procurar um justo sobre a terra, a Sua palavra declara:

“Como está escrito: Não há nenhum justo, nem um sequer; não há ninguém que entenda, ninguém que busque a Deus. Todos se desviaram, tornaram-se juntamente inúteis; não há ninguém que faça o bem, não há nem um sequer. Suas gargantas são um túmulo aberto; com suas línguas enganam. Veneno de serpentes está em seus lábios. Suas bocas estão cheias de maldição e amargura. Seus pés são ágeis para derramar sangue; ruína e desgraça marcam os seus caminhos, e não conhecem o caminho da paz. Aos seus olhos é inútil temer a Deus. Sabemos que tudo o que a lei diz, o diz àqueles que estão debaixo dela, para que toda boca se cale e todo o mundo esteja sob o juízo de Deus” – Romanos 3:10 – 19.

Como resultado, Deus seria perfeitamente justo em permitir que todos nós passássemos a eternidade no inferno.

Entretanto, Deus escolhe salvar alguns para manifestar o Seu amor, e por essa eleição outros não são eleitos por consequência sofrerão Sua ira. Ele não está sendo injusto com aqueles que não foram escolhidos, porque eles estão recebendo aquilo que merecem. Ao escolher ter compaixão por alguns, Deus não está sendo injusto com os outros. Ninguém merece nada de Deus, por isto, ninguém pode protestar se não receber nada de Deus.

Certa vez  John MacArthur disse:

“Nunca suavize o evangelho. Se a verdade ofende, então deixe que ofenda. As pessoas passam toda a sua vida ofendendo a Deus; deixe que se ofendam por um momento”.

E essa verdade infelizmente ofende a muitos. Uma ilustração seria se eu desse dinheiro a cinco pessoas em um grupo de 20. As 15 pessoas que não recebessem dinheiro ficariam aborrecidas? Provavelmente sim. Mas elas têm o direito de se aborrecerem? Não, não têm. Por quê? Porque não devia dinheiro a nenhuma delas. Eu simplesmente decidi ser generoso com algumas, não porque mereciam, mas porque eu quis ser generoso e bondoso. Assim foi Deus.

A Bíblia diz que tudo o que devemos fazer é crer no Senhor Jesus Cristo e seremos salvos (João 3:16; Romanos 10: 9, 10). E é isso que é importante, não é preciso que você creia nessa doutrina para ser salvo, apenas confiar em Cristo como a fonte de Sua salvação e a Cruz do Calvário como o meio dela, “Arrependei-vos, e crede no evangelho” (Marcos 1:15). É bem verdade que existem riquezas na doutrina da predestinação e eleição, riquezas profundas, gozo, segurança, paz e uma esperança viva e eficazmente forte atuando na vida daqueles que a bem compreenderam, mas também existe algo nocivo.

Certa vez João Calvino declarou:

“Não devemos falar precipitadamente da eleição de Deus, e dizer que somos predestinados, a não ser se completamente seguros da nossa salvação. Não devemos falar levianamente disso: se Deus nos tomou para sermos Seus filhos ou não. Como então? Olhando para o que está estabelecido no evangelho. Ali Deus nos mostra que Ele é nosso Pai, e que Ele nos trará à herança da vida, tendo nos marcado com o selo do Espírito Santo em nossos corações, que é um testemunho indubitável da nossa salvação, se o recebemos por fé”.

A Bíblia nunca descreve a Deus rejeitando quem nEle crê ou mandando de volta alguém que o busque (Deuteronômio 4:29). De algum jeito, no mistério de Deus, a predestinação e eleição trabalham de mãos dadas com a pessoa sendo atraída por Deus (João 6:44) e crendo na salvação (Romanos 1:16). Pense nessa ilustração: Uma pessoa passando por uma porta com uma placa convite que diz: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei”. (Mateus 11:28), passa uma pessoa não aceita, passa outra ler o convite, mas também não aceita, mas uma terceira pessoa ler o convite e pensa consigo: Esse convite é para mim, eu senti que é para mim eu vou aceita-lo. Mas, quando essa pessoa entra pela porta, ela ver pela parte interior outra placa que diz: “Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer”. (Mateus 6:44).

Note que até o momento a pessoa talvez pense que a escolha foi dela própria, mas de alguma forma foi Deus quem a levou até o Cristo de acordo com Filipenses 2:13 “porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a Sua boa vontade” e em outro texto diz: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie”. (Efésios 2:8, 9).

A salvação do início ao fim é uma obra sobrenatural de Deus. É de eternidade a eternidade. E por quê? Porque todos os homens nascem mortos em seus delitos e pecados de acordo com Efésios 2:1 “Vocês estavam mortos em suas transgressões e pecados”. E como um morto por ver, ouvir ou sentir alguma coisa? É necessário que receba vida, e é exatamente isso que Deus faz, Ele nos dá vida de acordo com o texto de Efésios 2:4, 5 “Todavia, Deus, que é rico em misericórdia, pelo grande amor com que nos amou, deu-nos vida juntamente com Cristo, quando ainda estávamos mortos em transgressões — pela graça vocês são salvos”. De acordo com os textos de São Paulo, que se quisermos conhecer a livre misericórdia de nosso Deus em nos salvar, temos de ir até o Seu conselho eterno, pelo qual Ele nos escolheu antes da fundação do mundo. Disso vemos que Ele não considerou nossas pessoas, nem a nossa dignidade, nem qualquer mérito que poderíamos possivelmente possuir. Antes de nascermos, fomos arrolados em Seu registro. Ele já havia nos adotado por Seus filhos. Portanto vamos conceder tudo a Sua misericórdia, sabendo que não podemos nos orgulhar de nós mesmos, a não ser que venhamos furtar Dele a honra que lhe pertence.

Após a sua conversão, Santo Agostinho declara consigo (Solilóquio):

“Estavas comigo, mas eu não estava contigo. Retinham-me longe de ti as tuas criaturas, que não existiriam se em ti não existissem. Tu me chamaste, e teu grito rompeu a minha surdez. Fulguraste e brilhaste e tua luz afugentou minha cegueira. Espargiste tua fragrância e, respirando-a, suspirei por ti. Eu te saboreei, e agora tenho fome e sede de ti. Tu me tocaste, e agora ardo no desejo de tua paz”.

Deus predestina quem será salvo, e devemos entender que quem recebe o dom da fé em Cristo para ser salvo são os eleitos. Os dois fatos são igualmente verdadeiros. Outra ilustração é um arqueiro atirando uma flecha, no momento em que a flecha está no ar ela se senti livre para acertar qualquer parte do alvo, mas sabemos que quem determinou a parte do alvo a ser acertada foi o arqueiro. Deus determinou o nosso alvo antes da fundação do mundo, Cristo.

A origem de tudo é Deus, enquanto Ele faz a proposta de salvação ao ser humano, dando-lhe a liberdade de resposta. Trata-se, pois, da unidade de um desígnio de salvação que da parte de Deus como dom oferecido e da parte do ser humano como resposta ou aceitação, sendo a recusa deste dom de Deus por parte do ser humano a perda da unidade ou a cisão irremediável de seu ser. A manifestação de quem é o ser humano dá-se progressivamente na história da salvação.

Outra coisa que devemos entender é que Deus não é somente amor, Ele também é justiça, Deus escolheu vasos (pessoas) para manifestar Sua ira de acordo com o texto de Romanos 9:13 – 22 “Como está escrito: Eu amei a Jacó, porém aborreci a Esaú. Que diremos, pois? Há, porventura, em Deus injustiça? De modo nenhum. Pois a Moisés disse: Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia, e terei compaixão de quem me aprouver ter compaixão. Assim, pois, não é daquele que quer, nem daquele que corre, mas de Deus que usa de misericórdia. Pois disse a Escritura a Faraó: Para isto mesmo te levantei, para mostrar em ti o meu poder, e para que seja anunciado o meu nome por toda a terra. Logo ele tem misericórdia de quem quer, e a quem quer endurece. Dir-me-ás, então: Por que se queixa ele ainda? Pois quem resiste à sua vontade? Mas antes, ó homem, quem és tu que replicas a Deus? Porventura a coisa formada dirá a quem a formou: Por que me fizeste assim? Porventura não tem o oleiro poder sobre o barro para fazer da mesma massa um vaso para honra, e outro para desonra? Que diremos, se Deus, querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, preparados para a perdição, a fim de que também desse a conhecer as riquezas da sua glória sobre os vasos de misericórdia, que de antemão preparou para a glória (…)”.

Deus escolheu vasos de misericórdia para manifestar Sua glória “bondade e amor” e outros vasos de ira para manifestar Sua Justiça. Alguém pode perguntar e como um Deus pode predestinar pessoas ao inferno? A resposta é: “Mas antes, ó homem, quem és tu que replicas a Deus? Porventura a coisa formada dirá a quem a formou: Por que me fizeste assim?”. A Palavra de Deus nos coloca, onde devemos sempre está – criaturas. (cf. NOTA).

NOTA: “Nas passagens anteriores Paulo esteve mostrando que através de toda a história de Israel houve um contínuo processo de seleção e eleição por parte de Deus. Surge uma objeção muito natural: Se no fundo de todo processo está à eleição e o rechaço de Deus, como pode Deus condenar os homens que a rejeitaram? A falta não é deles absolutamente; é realmente de Deus. A responsabilidade não recai sobre eles; recai sobre Deus. A resposta de Paulo é simples, quase próxima da crueldade. Sua resposta é que ninguém tem direito de discutir com Deus. Quando um oleiro faz um vaso, este não pode replicar ao oleiro; o oleiro tem absoluto poder sobre ele; do mesmo montão de barro pode fazer um vaso para um propósito honroso e outro para um propósito desonroso, e o barro não tem nada que ver com isso e nem sequer tem direito a protestar. Quanto a isto Paulo toma a figura de Jeremias (Jeremias 18:1 – 6)”.

William Barclay – Terá que dizer duas coisas sobre isto:

 (1) É uma má analogia. Um grande comentarista do Novo Testamento disse que esta é uma daquelas poucas passagens que desejaríamos que Paulo não tivesse escrito. Há uma diferença entre um montão de barro e um ser humano. O ser humano é uma pessoa e o montão de barro uma coisa. Pode ser que alguém possa fazer o que quiser com uma coisa, mas não pode fazer o que quiser com uma pessoa. O barro não deseja replicar; o barro não deseja questionar. O barro não pode sentir nem pensar; o barro não pode ser angustiado, nem afligido e torturado. Se alguém padeceu inexplicavelmente alguma tristeza tremenda, que lhe rompe o coração e lhe entristece a alma, não seria de muita ajuda dizer-lhe que não tem direito a lamentar-se, porque Deus pode fazer o que quiser. Este é o sinal de um tirano, não de um Pai amante. É um fato básico do Evangelho que Deus não trata os homens como o oleiro trata o montão de barro; trata-os como um pai amante trata a seu filho.

(2) Mas uma vez dito isto, devemos recordar uma coisa: esta passagem surgiu de um coração angustiado. Paulo estava diante do fato entristecedor de que o próprio povo de Deus, seus próprios parentes, tinham rechaçado e crucificado o próprio filho de Deus. Não era que Paulo queria dizer isto; viu-se forçado a dizê-lo. A única explicação possível que pôde encontrar foi que, para seu próprio propósito, Deus tinha tido que cegar de algum modo a seu próprio povo. De qualquer maneira, Paulo não deixa o argumento aqui. Continua dizendo que este rechaço dos judeus aconteceu para que pudesse ser aberta a porta aos gentios. Agora, mais uma vez, o argumento de Paulo não é satisfatório. Uma coisa quer dizer que Deus usou uma situação pecaminosa para curar dela algo bom; mas é uma coisa completamente diferente dizer que Deus elaborou uma situação pecaminosa para tirar algo bom dela. De fato quer dizer que Deus fez o mal para que pudesse surgir o bem. O que Paulo está dizendo é que Deus obscureceu deliberadamente as mentes, e cegou os olhos, e endureceu os corações, da massa do povo judeu para que se pudesse abrir o caminho de entrada aos gentios. Novamente, devemos recordar que este não é o argumento de um teólogo tranqüilamente sentado pensando em seu estudo; é o argumento de um homem cujo coração estava desesperado por encontrar alguma razão para uma situação completamente incompreensível. Enfim a única resposta que Paulo pode encontrar é que Deus o fez.

Agora, Paulo estava arguindo com judeus, e sabia que a única maneira em que podia sustentar seu argumento era reforçá-lo com citações de suas próprias Escrituras. Assim, pois, continua citando textos para provar que este rechaço dos judeus e esta aceitação dos gentios tinha sido realmente antecipada pelos profetas. Oséias havia dito que Deus faria seu povo de um povo que não era seu povo (Oséias 2:23). Disse que um povo que não era o povo de Deus seria chamado filhos de Deus (Oséias 1:10). Mostra como Isaías tinha previsto uma situação na qual Israel teria sido consumido se não tivesse ficado um remanescente (Isaías 10:22, 23; 13:10). O argumento de Paulo é que Israel teria previsto sua destruição se só a tivesse compreendido. É fácil criticar a Paulo nesta passagem; mas a única coisa que terá que lembrar é que Paulo, em sua desesperada angústia por seu próprio povo, aferrava-se ao fato que de algum modo tudo é obra de Deus. Para ele isto era a única coisa que ficava por dizer.

Existem textos claros onde Deus pré-ordenou pessoas para perdição como o texto de 2 Tessalonicenses 2:3, 4 que nos diz sobre a pessoa do anticristo: “Ninguém, de nenhum modo, vos engane, porque isto não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o Homem da iniquidade, o filho da perdição, qual se opõe e se levanta contra tudo que se chama Deus ou é objeto de culto, a ponto de assentar-se no santuário de Deus, ostentando-se como se fosse o próprio Deus”. Ou seja, Deus predestinou a esse homem para a perdição eterna justamente para manifestar a Sua terrível ira.

Em Apocalipse 13:5 – 8 declara como será esse homem: “E foi-lhe dada uma boca, para proferir grandes coisas e blasfêmias; e deu-se lhe poder para agir por quarenta e dois meses. E abriu a sua boca em blasfêmias contra Deus, para blasfemar do seu nome, e do seu tabernáculo, e dos que habitam no céu. E foi-lhe permitido fazer guerra aos santos, e vencê-los; e deu-se lhe poder sobre toda a tribo, e língua, e nação. E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo”.

Em 2 Tessalonicenses 2:8 – 12 diz para qual motivo este homem será levantado sobre a terra, e qual será o seu fim no advento da volta de Cristo: “E então será revelado o iníquo, a quem o Senhor desfará pelo assopro da sua boca, e aniquilará pelo esplendor da sua vinda; A esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais e prodígios de mentira, E com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para se salvarem. E por isso Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam a mentira; Para que sejam julgados todos os que não creram a verdade, antes tiveram prazer na iniquidade”. O texto declara que é Deus que enviará a “operação do erro” para que as pessoas creiam na mentira para que todos sejam julgados por não crerem na verdade. E por isso Deus se torna um Ser injusto? É claro que não, é misterioso a todos os homens. Mas a Escritura declara que Deus é Justo em todos os Seus decretos – “Tu, cujos olhos são puros e imaculados, que não suportam ver o mal; que não podes tolerar a malignidade. Então, por que tens paciência com os perversos? Por que ficas em silêncio enquanto os ímpios devoram os que são mais justos que eles?” – Habacuque 1:13; “Porque tu, ó Deus, não tens prazer na injustiça, e contigo não pode habitar o mal. Os loucos não pararão à tua vista; odeias a todos os que praticam a maldade” – Salmos 5:4, 5. Deus é verdadeiramente bom “Verdadeiramente bom é Deus para com Israel, para com os limpos de coração” – Salmos 73:1.

E por que essas pessoas receberão esse juízo? A resposta está no texto: “Porque não receberam o amor da verdade para se salvarem” (não foram eleitas para a manifestação do amor de Deus, mas pessoas escolhidas para manifestação de Sua ira – justiça). E alguém pode perguntar: O anticristo, o homem iníquo poderá se arrepender? A resposta é não, pois, Deus o predestinou para esse fim, a manifestação da Sua terrível ira será sobre esse homem, Deus mandará ao inferno de acordo com o texto de Apocalipse 19:20 “E a besta foi presa, e com ela o falso profeta, que diante dela fizera os sinais, com que enganou os que receberam o sinal da besta, e adoraram a sua imagem. Estes dois foram lançados vivos no lago de fogo que arde com enxofre” e Apocalipse 20:10 “E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde estão a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre”. O texto é profético, e não existe como essa profecia ser alterada.

Um resumo sobre o anticristo: Jesus o chamou de “o abominável da desolação” (Mateus 24:15). Paulo o chamou de “o homem da iniquidade, o filho da perdição” (2 Tessalonicenses 2:3) e também de “o iníquo” (2 Tessalonicenses 2:8). João o chamou de “o anticristo” (1 João 2:18) e também “a besta que emerge do mar” (Apocalipse 13:1; 19:20). O anticristo receberá o poder, o trono e grande autoridade de Satanás (Apocalipse 13:2). Será adorado (Apocalipse 13: 4). Parecerá invencível (Apocalipse 13:4). Vai perseguir e matar os santos (Apocalipse 13:7). Será adorado por todos os homens, exceto aqueles cujo nome está no livro da vida (Apocalipse 13:8). O anticristo, porém, será derrotado fragorosamente por Jesus em Sua segunda vinda (2 Tessalonicenses 2:8). Será lançado no lago de fogo para sofrer eternamente (Apocalipse 19:20; 20:10). A igreja de Cristo, porém, desfrutará das venturas eternas no novo céu e na nova terra (Apocalipse 21:1 – 7).

A RESPONSABILIDADE DO HOMEM

Que o Senhor predestina e, todavia o homem é responsável são dois fatos que poucos podem ver claramente. São tidos por inconsistentes e contraditórios; no entanto, essas são duas verdades que se convergem e se encontrarão em alguma parte na eternidade, junto ao trono de Deus de onde procede toda a verdade.

Frequentemente é dito que as doutrinas que cremos têm uma tendência a levar-nos ao pecado. Não sei quem tem a audácia e o atrevimento de fazer tal afirmação tendo em vista o fato de que os mais santos homens que já existiram criam nelas. Quem se atreve a dizer que o Calvinismo é uma religião licenciosa o que ele pensa do caráter de Agostinho, Whitefield, Calvino os quais foram os grandes expositores destas verdades, o que dirá dos puritanos? Se um homem houvesse sido um arminiano nesta época Ele teria sido reputado como o pior dos hereges, mas agora nós somos vistos como hereges e eles como ortodoxos. Nós temos regressado à antiga escola, podemos trazer nossa descendência até os apóstolos (…) podemos correr uma linha de ouro até Jesus Cristo passando por uma lista de poderosos pais, os quais todos sustentavam estas gloriosas verdades. Pergunto: “Onde acharemos homens melhores e mais santos?” (…) Nada faz um homem mais virtuoso do que uma fé na verdade. Uma doutrina mentirosa levará a uma prática mentirosa. Ninguém pode ter uma fé errônea sem daqui a pouco ter uma vida errônea também; eu creio que uma coisa naturalmente leva à outra. De todos os homens, aqueles que têm uma piedade desinteressada, uma reverência mais sublime, uma devoção mui ardente, são os que crêem que são salvos pela graça, sem as obras, mediante a fé, e que isso não vem deles mesmos, mas é dom de Deus.

O amor do Pai não se destina a apenas uns poucos, e sim também a um incontável número de pessoas.

Uma grande multidão, a qual nenhum homem pode contar”, estará no céu. Um homem pode contar até números bem altos; coloquem para trabalhar os seus Newtons, suas mais poderosas calculadoras e certamente eles poderão contar grandes números, mas Deus, e Ele somente, pode contar a multidão dos seus redimidos. Eu creio que haverá mais pessoas no céu do que no inferno. Se alguém me perguntar por que eu penso assim eu responderia: porque Cristo deve “ter a preeminência” em todas as coisas e eu não consigo conceber como Ele poderia ter a preeminência se houvesse mais pessoas nos domínios de satanás do que no paraíso. Além disso, eu jamais li alguma coisa afirmando que no inferno haveria uma grande multidão que nenhum homem poderia contar.

C. H. Spurgeon declarou:

O falecido Sr. Denham colocou ao pé do seu retrato uma frase admirável: “A salvação é do Senhor”. Isso representa a substância e a conclusão do calvinismo. Se alguém me perguntasse o que eu quero dizer com ser um calvinista, eu lhe responderia: É alguém que diz que a salvação é do Senhor.

Agora, amados, quando ouvis a alguém rindo ou zombando de uma expiação limitada, podeis dizer-lhe isto. Uma expiação universal (para todos) é como uma ponte de grande largura com somente metade de um arco, ela não cruza o rio: chega somente à metade do caminho, ela não pode assegurar a salvação de ninguém. Ora, eu prefiro colocar meus pés sobre uma ponte tão estreita como a de Hungerford, que chega até o fim, do que sobre uma ponte que é tão larga quanto o mundo, se ela não chegar até o fim, do outro lado do rio.

“Se Deus me amou uma vez, então Ele me amará para sempre” – C. H. Spurgeon.

CONCLUSÃO

 João Calvino declarou:

Devemos enfatizar essa fala de João Calvino: “Não devemos falar precipitadamente da eleição de Deus, e dizer que somos predestinados, a não ser se completamente seguros da nossa salvação. Não devemos falar levianamente disso: se Deus nos tomou para sermos Seus filhos ou não. Como então? Olhando para o que está estabelecido no evangelho. Ali Deus nos mostra que Ele é nosso Pai, e que Ele nos trará à herança da vida, tendo nos marcado com o selo do Espírito Santo em nossos corações, que é um testemunho indubitável da nossa salvação, se o recebemos por fé”.

E depois desse longo artigo, você deve consigo pensar: Sou um eleito (a)? Jesus morreu por mim? Serei salvo (a)?

 Deixando a controvérsia, contudo, responderei uma questão. Diga-me, então, pastor, por quem Cristo morreu? Responda-me uma ou duas questões, e te direi se Ele morreu ou não por você. Você quer um Salvador? Sente necessidade de um Salvador? Tem consciência do seu pecado hoje? O Espírito Santo lhe ensinou que é um pecador? Então, Cristo morreu por você e será salvo.

Senti hoje que não tem esperança neste mundo, senão Cristo? Compreende que não pode oferecer por você mesmo nenhuma expiação que satisfaça a justiça de Deus? Abandonaste toda confiança em você mesmo? E pode dizer sob os seus joelhos dobrados: Senhor, salva-me, ou pereço? Cristo morreu por você. Porém, Se dizes: Sou tão bom como deve ser, posso ir ao céu por minhas próprias boas obras, Então, lembre-se, a escritura diz de Jesus: Eu não vim chamar os justos, senão, os pecadores ao arrependimento. Enquanto permaneceres neste estado, não há expiação para pregar para você. Mas se você se sente culpado, miserável, ciente da sua culpa, e está pronto a tomar para ser teu único Salvador, não somente te direi que pode ser salvo, mas, o que é melhor, que será salvo. Quando está despido de tudo, não tendo nada, exceto esperança em Cristo, quando está preparado para vir com as mãos vazias para tomar a Cristo para ser seu tudo, e você nada, então poderá olhar para Cristo e dizer:

“Tu amado, Tu imolado Cordeiro de Deus! Tuas aflições foram suportadas por mim, por Tuas feridas fui curado, e por Teus sofrimentos fui perdoado”.

E então, veja se paz de mente terás, porque se Cristo morreu por você, não podes se perder. Deus não pune duas vezes a mesma coisa. Se Cristo foi punido pelo seu pecado, Ele jamais te punirá.

Pagamento a justiça de Deus não pode demandar, primeiro, da mão sangrenta do fiador, e então novamente da minha.

Nós podemos hoje, se crermos em Cristo, chegar ao próprio trono de Deus, permanecer ali, e se nos disser: Você é culpado? Poderemos dizer: Sim. Culpado. Mas se a questão é colocada assim: O que você tem para dizer? Porque motivo não deveria ser castigado por sua culpa? Podemos responder:

“Grande Deus, tanto a Tua Justiça como o Teu amor são garantias de que o Senhor não nos punirá por nossos pecados. Porque, não punistes o Senhor a Cristo pelo pecado, por nós? Como poderia o Senhor, então, ser justo, como poderia o Senhor ser Deus, se o Senhor pune a Cristo o substituto, e então o próprio homem mais tarde?”.

A única pergunta com a qual devemos nos preocupar é: Cristo morreu por mim? E a única resposta que podemos dar é: Esta é uma Palavra fiel, e digna de toda aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores.

Você pode escrever o seu nome nessa frase, entre os pecadores, não entre os pecadores lisonjeiros “os que se envaidecem em suas obras” achando que são aceitos por Deus por seus méritos, não esses, mas entre os pecadores que se sentem como tais, entre os que choram sua culpa, entre os que a lamentam, entre os que buscam misericórdia por causa dela em cada segundo de sua vida, em cada suspiro. É um pecador? Se assim se sente, se assim reconhece, se assim professa, está convidado agora a crer que Jesus Cristo morreu por você, por que é um pecador, e está convidado a cair sobre esta grande e inamovível rocha, e achar segurança eterna no Senhor Jesus Cristo – “… Eu lhes dou a vida eterna, e elas jamais perecerão; ninguém as poderá arrancar da minha mão. Meu Pai, que as deu para mim, é maior do que todos; ninguém as pode arrancar da mão de meu Pai” – João 10:28, 29. Amém.

No entanto, sustentemos firmemente o que aqui nos é ensinado: Deus tendo nos escolhido antes do mundo ter seu inicio, devemos atribuir a causa da nossa salvação à Sua livre bondade. Devemos confessar que Ele não nos toma para sermos Seus filhos, por qualquer mérito de nós mesmos, pois não tínhamos nada para nos recomendar à seu favor. Portanto, devemos colocar a causa e a fonte da nossa salvação somente Nele e fundamentar a nós mesmos sobre isso, caso contrário, tudo que construirmos, virá a ser nada.

Existe justiça em Deus em resgatar aqueles que não eram resgatáveis (a Igreja), e a justiça em Deus em condenar a pecadores.

Romanos 11:33 proclama: “Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!”

Paz e graça.

Capa: Marcos Frade.
Citações: A GRAÇA II – Santo Agostinho; A Doutrina da Eleição – João Calvino; Santo Agostinho – Solilóquios, p. 31; Comentário Romanos William Barclay; Sermão de C. H. Spurgeon (Uma defesa do Calvinismo).

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Plinio Sousa

Plínio Sousa é fundador do Instituto Reformado Santo Evangelho — IRSE, é Pastor Reformado, Bacharel em Teologia e Mestre em Teologia do N.T. Especializado em Interpretação Bíblica e em Teologia Sistemática; Professor de Grego; Métodos de Estudo Bíblico; EBD — Escola Bíblica Dominical; Teologia do Novo Testamento, Psicologia; Sociologia e Filosofia da Educação, atua como Diretor Acadêmico e Professor do IRSE. É Psicólogo Cristão; Juiz de Paz Eclesiástico; (Autoridade Eclesiástica e Ministro de Confissão Religiosa, Conforme Decreto Lei 3.689/41, artigo 295 VIII §ª 4º); Capelão Cristão; Missionário; Palestrante e Escritor.

Apologista, autor de diversos artigos teológicos, de 04 (quatro) livros, atua como conteudista do Instituto Êxito de Teologia (SP), da WRF — World Reformed Fellowship (Comunidade Mundial Reformada) onde também é membro e do Santo Evangelho (Blogue do IRSE); também atua como co-editor do site Reformados 21. É membro da TDI — Sociedade Brasileira do Design Inteligente sob nº de registro 1057.

Adepto e muito abrangente com a defesa da Teologia Reformada e a herança Puritana. Acredita na inspiração verbal e plenária, na revelação proposicional, infalibilidade, inerrância, clareza e suficiência das Sagradas Escrituras. É Supralapsarianista, Calvinista, Aliancista [Teologia Pactual], Pedobatista, Amilenista, e Cessacionista –, rejeita a crença no livre–arbítrio, no apostolado contemporâneo e nos dons revelacionais. Quanto à liturgia, adota o Princípio Regulador do Culto –, como entenderam os Reformadores.
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