PERSEVERANÇA DOS SANTOS

Por John Piper.

Do que consideramos no capítulo anterior, concluímos que o povo de Deus perseverará até ao fim e não se perderá. Os conhecidos de antemão são predestinados; os predestinados são chamados; os chamados são justificados; e os justificados são glorificados (Romanos 8:30). Ninguém deste grupo se perde. Pertencer a este povo significa estar eternamente seguro. No entanto, queremos dizer mais do que isso quando falamos na doutrina da perseverança dos santos. Queremos dizer que os santos têm de perseverar e perseverarão na fé e na obediência que procede da fé. A eleição é incondicional, mas a glorificação não o é. Nas Escrituras, há muitas advertências de que aqueles que não se apegam a Cristo podem se perder no final. As oito teses seguintes são meu resumo desta doutrina crucial.

NOSSA FÉ TEM DE PERMANECER ATÉ AO FIM, SE DEVEMOS SER SALVOS

Isto significa que o evangelho é o instrumento de Deus na preservação da fé, bem como o instrumento que gera a fé. Não agimos com um tipo de indiferença arrogante para com o chamado à perseverança apenas porque uma pessoa professou a fé em Cristo, como se pudéssemos, baseados em nossa perspectiva, ter certeza de que agora ela está além do alcance do Maligno. Há um combate da fé a ser realizado. Os eleitos realizarão esse combate. E, por meio da graça soberana de Deus, eles vencerão o combate. Temos de permanecer na fé até ao fim, se devemos ser salvos. Em 1 Coríntios 15:1, 2, Paulo mostra a necessidade de perseverança: “Irmãos, venho lembrar-vos o evangelho que vos anunciei, o qual recebestes e no qual ainda perseverais; por ele também sois salvos, se retiverdes a palavra tal como vo-la preguei, a menos que tenhais crido em vão”. Este “se retiverdes” mostra que há um falso começo na vida cristã. Jesus contou a parábola dos solos para advertir contra esses tipos de falso começo. O que foi semeado em solo rochoso, esse é o que ouve a palavra e a recebe logo, com alegria; mas não tem raiz em si mesmo, sendo, antes, de pouca duração; em lhe chegando à angústia ou a perseguição por causa da palavra, logo se escandaliza. O que foi semeado entre os espinhos é o que ouve a palavra, porém os cuidados do mundo e a fascinação das riquezas sufocam a palavra, e fica infrutífera (Mateus 13:20 – 22). Em outras palavras, como Paulo diz em 1 Coríntios 15:2, há um “crer em vão” – que significa um falso crer, um vir a Cristo por razões que não incluem amor por sua glória e ódio ao pecado. Paulo diz: a evidência da genuinidade de nossa fé é o fato de que retemos a Palavra – de que perseveramos. De modo semelhante, Paulo diz em Colossenses 1:21 – 23: E a vós outros também que, outrora, éreis estranhos e inimigos no entendimento pelas vossas obras malignas, agora, porém, vos reconciliou no corpo da Sua carne, mediante a Sua morte, para apresentar-vos perante Ele santos, inculpáveis e irrepreensíveis, se é que permaneceis na fé, alicerçados e firmes, não vos deixando afastar da esperança do evangelho que ouvistes e que foi pregado a toda criatura debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, me tornei ministro. E, outra vez, em 2 Timóteo 2:11, 12: “Fiel é esta palavra: Se já morremos com ele, também viveremos com ele; se perseveramos, também com ele reinaremos”. Nestas palavras, Paulo está seguindo o ensino de Jesus. Jesus disse: “Aquele, porém, que perseverar até ao fim, esse será salvo” (Marcos 13:13). E, depois de Sua ressurreição, Jesus disse às sete igrejas do Apocalipse: “Ao vencedor, dar-lhe-ei que se alimente da árvore da vida” (Apocalipse 2:7). “Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida” (Apocalipse 2:10; cf. 2:17, 25 – 26; 3:5, 11 – 12, 21). Isto é o que pretendemos dizer quando falamos em necessidade de perseverança – a afirmação de que temos de perseverar. No entanto, um esclarecimento é conveniente. Perseverar na fé não significa que os santos não passam por tempos de dúvida, trevas espirituais e falta de confiança nas promessas e na bondade de Deus. “Ajuda-me na minha falta de fé” (Marcos 9:24) não é uma oração contraditória. Incredulidade pode coexistir com uma fé verdadeira. Portanto, o que queremos dizer quando afirmamos que a fé tem de perseverar até ao fim é que nunca chegaremos a um ponto de renunciar Cristo com tal dureza de coração que nunca retornaremos, mas, em vez disso, somente provaremos que fomos hipócritas na fé que professamos. Um exemplo desse tipo de dureza é Esaú. Atentando, diligentemente, por que ninguém seja faltoso, separando-se da graça de Deus, nem haja alguma raiz de amargura que, brotando, vos perturbe, e, por meio dela, muitos sejam contaminados, nem haja algum impuro ou profano, como foi Esaú, o qual, por um repasto, vendeu o seu direito de primogenitura. Pois sabeis também que, posteriormente, querendo herdar a bênção, foi rejeitado, pois não achou lugar de arrependimento, embora, com lágrimas, o tivesse buscado (Hebreus 12:15 – 17). Esaú se tornou espiritualmente tão endurecido e insensível em seu amor por este mundo que, quando tentou se arrepender, não pôde. Tudo que ele pôde fazer foi chorar pelas consequências de sua tolice e não pela verdadeira feiura de seu pecado ou pela desonra que lançou sobre Deus, em preferir uma simples refeição ao direito de primogenitura. Por outro lado, o Novo Testamento se esforça para assegurar-nos para que não desesperemos, pensando que o desvio e a inconstância no pecado é um caminho sem volta. É possível arrepender-se e retornar. Esse processo de desvio e retorno está incluído na “perseverança dos santos”. Por exemplo, Tiago disse: “Aquele que converte o pecador do seu caminho errado salvará da morte a alma dele e cobrirá multidão de pecados” (Tiago 5:20). E João disse: “Se alguém vir a seu irmão cometer pecado não para morte, pedirá, e Deus lhe dará vida (…). Toda injustiça é pecado, e há pecado não para morte” (1 João 5:16, 17). O alvo de João, nestas palavras, era dar esperança aos que fossem tentados a desesperar-se e aos que os amavam e oravam por eles. João começou sua epístola da maneira como a terminou: “Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 João 1:8, 9). Portanto, quando falamos da necessidade (e da certeza, como veremos em seguida) de perseverança, não queremos dizer perfeição. E não queremos dizer que não há lutas e incredulidade séria. Temos de guardar em mente tudo que já vimos até aqui neste livro. Pertencer a Cristo é uma realidade sobrenatural, produzida por Deus e preservada por Ele (Jeremias 32:40). Os santos não são marcados mais profundamente pelo que fazem e sim pelo que são. Eles são nascidos de novo. São uma nova criação. Não entram e saem desta novidade. Ela é obra de Deus. É também irrevogável. Mas o seu fruto em fé e em obediência é um combate até ao fim. E a perseverança diz: o combate será realizado e não será perdido no final.

A OBEDIÊNCIA, QUE EVIDENCIA A RENOVAÇÃO INTERIOR REALIZADA POR DEUS, É NECESSÁRIA PARA A SALVAÇÃO FINAL

Isto não significa que Deus exige perfeição. Filipenses 3:12 deixa claro que o Novo Testamento não sustenta a exigência de que aqueles que são justificados em Cristo Jesus pela fé sejam impecavelmente perfeitos. “Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus” (cf. 1 João 1:8 – 10 e Mateus 6:12). Todavia, o Novo Testamento exige que sejamos moralmente diferentes e andemos em novidade de vida. Por exemplo: “Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hebreus 12:14). “Porque, se viverdes segundo a carne, caminhais para a morte; mas, se, pelo Espírito, mortificardes os feitos do corpo, certamente, vivereis” (Romanos 8:13). “Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam” (Gálatas 5:19 – 21; cf. Efésios 5:5 e 1 Coríntios 6:10).

 “Ora, sabemos que o temos conhecido por isto: se guardamos os seus mandamentos. Aquele que diz: Eu o conheço e não guarda os seus mandamentos é mentiroso, e nele não está à verdade. Aquele, entretanto, que guarda a Sua palavra, nele, verdadeiramente, tem sido aperfeiçoado o amor de Deus. Nisto sabemos que estamos nEle: aquele que diz que permanece nEle, esse deve também andar assim como Ele andou” (1 João 2:3 – 6; cf. 1 João 3:4 – 10, 14; 4:20). “Disse, pois, Jesus aos judeus que haviam crido nEle: Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos” (João 8:31; cf. Lucas 10:28; Mateus 6:14, 15; 18:35; Gênesis 18:19; 22:16, 17; 26:4, 5; 2 Timóteo 2:19). Novamente, deve haver cautela para que ninguém entenda estas passagens no sentido de perfeccionismo. A Primeira Epístola de João foi escrita para nos ajudar a manter nosso equilíbrio bíblico neste assunto. Por um lado, ela diz: “Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus” (1 João 3:9). Entretanto, por outro lado, ela diz: “Se dissermos que não temos (não “tivemos”, mas temos) pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós” (1 João 1:8) e: “Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo” (1 João 2:1). A perseverança dos santos não é a garantia da perfeição e sim de que Deus nos manterá combatendo o combate da fé, para que odiemos nosso pecado e nunca façamos paz duradoura com ele.

OS ELEITOS DE DEUS NÃO PODEM SER PERDIDOS

Esta é a razão por que cremos na eterna segurança – ou seja, a segurança eterna dos eleitos. A implicação é que Deus operará de tal modo em nós, que todos aqueles que Ele escolheu para a salvação eterna serão capacitados por Ele a perseverarem na fé até ao fim, e cumprirão, pelo poder do Espírito Santo, os requisitos quanto a um novo tipo de vida. Vimos antes, em Romanos 8:30, a inalterável corrente de obras divinas: “E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou”. O que é evidente neste versículo é que aqueles que são chamados de maneira eficaz à esperança da salvação perseverarão realmente até ao fim e serão glorificados. Não há abandonos nesta sequência. Estas são promessas de Deus arraigadas, em primeiro lugar, na eleição incondicional e na graça soberana, que produz a conversão e a perseverança que consideramos antes. Os elos na corrente são inquebráveis, porque a obra salvadora de Deus é infalível, e Seus compromissos na nova aliança são irrevogáveis. Outra vez, Paulo estava seguindo os ensinos de Seu Senhor, Jesus Cristo. As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar. Eu e o Pai somos um (João 10:27 – 30; cf. Efésios 1:4, 5). Vimos antes que ser uma ovelha de Jesus significa ser escolhido por Deus e dado ao Filho. Em outras palavras, a promessa de Jesus de não perder nenhuma de Suas ovelhas é o compromisso soberano do Filho de Deus em preservar na fé os eleitos, pelos quais Ele deu a Sua vida.

HÁ UM DESVIAR-SE DE ALGUNS CRENTES, MAS, SE PERSISTIREM NO ERRO, MOSTRAM QUE SUA FÉ NÃO ERA GENUÍNA E QUE NÃO ERAM NASCIDOS DE DEUS

Em 1 João 2:19, o apóstolo disse: “Eles saíram de nosso meio; entretanto, não eram dos nossos; porque, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco; todavia, eles se foram para que ficasse manifesto que nenhum deles é dos nossos”. De maneira semelhante, a parábola dos quatro solos, conforme interpretada em Lucas 8:9 – 14, retrata pessoas que, “ouvindo a palavra, a recebem com alegria; estes não têm raiz, creem apenas por algum tempo e, na hora da provação, se desviam”. O fato de que tal coisa seja possível justifica por que o ministério do evangelho em cada igreja local precisa conter muitas admoestações aos membros da igreja, para perseverarem na fé e não se deixarem enredar com aquelas coisas que talvez possam sufocá-los e resultar em sua condenação. Os pastores não sabem infalivelmente quais dos seus ouvintes são solo bom e quais são solo mau. Suas exortações e advertências são a maneira de ajudar os santos a perseverarem. Eles ouvem as advertências, dão-lhes atenção e, assim, autenticam seu humilde e bom coração de fé.

DEUS NOS JUSTIFICA COMPLETAMENTE POR MEIO DO PRIMEIRO ATO GENUÍNO DE FÉ SALVADORA – ESTE É O TIPO DE FÉ QUE PERSEVERA E PRODUZ FRUTO NA “OBEDIÊNCIA POR FÉ”

Aqui, o argumento é que a ênfase sobre a necessidade de fé perseverante e obediência não significa que Deus espera ver nossa obediência e perseverança antes de nos declarar totalmente justos, em união com Jesus Cristo. Romanos 5:1 diz que fomos “justificados (…) mediante a fé”. É um ato passado. No momento em que cremos em Jesus, somos unidos a Cristo. Em união com Ele, Sua justiça é contada como nossa. Paulo disse que almejava “ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé” (Filipenses 3:9). A base de nossa aceitação diante de Deus é somente Cristo – Seu sangue e Sua justiça. “Aquele que não conheceu pecado, Ele o fez pecado por nós; para que, nEle, fôssemos feitos justiça de Deus” (2 Coríntios 5:21). “Por meio da obediência de um só, muitos se tornarão justos” (Romanos 5:19). O papel de nossa fé não é a realização de algo virtuoso que Deus recompensa com salvação. A fé é receber de Cristo, que realizou o que não podíamos, uma punição por nosso pecado e uma provisão de nossa perfeição. A fé não é o fundamento de nossa aceitação e sim o meio ou o instrumento da união com Cristo, que, sozinho, é o fundamento de nossa aceitação diante de Deus. O papel da obediência em nossa justificação é dar evidência de que nossa fé é autêntica. Obras de amor não são à base de nossa aceitação inicial e final diante de Deus. A função dessas obras é validar e tornar pública a obra soberana de Deus em dar-nos o novo nascimento e criar o novo coração de fé. Paulo afirmou isso nas seguintes palavras: “Em Cristo Jesus, nem a circuncisão, nem a incircuncisão têm valor algum, mas a fé que atua pelo amor” (Gálatas 5:6). Na justificação, o que tem valor para Deus é o tipo de fé que atua pelo amor. Não é o nosso amor que leva Deus a ser totalmente por nós. Deus é totalmente por nós pela fé em Cristo, que nos capacita a amar. O amor é um fruto do Espírito. E recebemos o Espírito por meio de nosso primeiro ato de fé (Gálatas 3:2). Portanto, a necessidade de perseverança na fé e na obediência para a salvação final não significa que Deus espera até ao fim para que nos aceite, nos adote e nos justifique. Não lutamos a luta da fé para que Deus seja totalmente por nós. Isso aconteceu em nossa união com Cristo, em nosso primeiro ato de fé. Pelo contrário, lutamos porque Deus é totalmente por nós. Paulo o expressou nestes termos: “Prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus” (Filipenses 3:12). Cristo nos tornou povo Seu. É por isso que continuamos a lutar. No julgamento final de acordo com as obras (e não com base em obras), o valor dessas obras em relação à justificação, no tribunal divino, será o de evidência pública da fé invisível e da união com Cristo. Cristo será o único fundamento de nossa aceitação, tanto naquela ocasião quanto agora.

AS OBRAS DE DEUS FAZEM SEUS ELEITOS PERSEVERAREM

Não lutamos a luta da fé sozinhos, e nossa segurança está alicerçada no amor soberano de Deus, que realiza o que nos chamou a fazer. Os textos seguintes são todos expressões da nova aliança que consideramos no capítulo 5. Jesus comprou para nós todas as promessas de Deus quando derramou Seu sangue (Lucas 22:20; 2 Coríntios 1:20). Uma das mais preciosas de todas as promessas relaciona a nova aliança ao compromisso absoluto de Deus em fazer-nos perseverar: “Farei com eles aliança eterna, segundo a qual não deixarei de lhes fazer o bem; e porei o meu temor no seu coração, para que nunca se apartem de mim” (Jeremias 32:40). Esta promessa reaparece em muitas expressões maravilhosas no Novo Testamento: “Sois guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para revelar-se no último tempo” (1 Pedro 1:5). “Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeços e para vos apresentar com exultação, imaculados diante da sua glória, ao único Deus, nosso Salvador, mediante Jesus Cristo, Senhor nosso, glória, majestade, império e soberania, antes de todas as eras, e agora, e por todos os séculos. Amém” (Judas 24, 25). “O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. Fiel é o que vos chama, o qual também o fará” (1 Tessalonicenses 5:23, 24). “Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus” (Filipenses 1:6). “O qual (Jesus Cristo) também vos confirmará até ao fim, para serdes irrepreensíveis no Dia de nosso Senhor Jesus Cristo. Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados à comunhão de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor” (1 Coríntios 1:8, 9). “Ora, o Deus da paz, que tornou a trazer dentre os mortos a Jesus, nosso Senhor, o grande Pastor das ovelhas, pelo sangue da eterna aliança, vos aperfeiçoe em todo o bem, para cumprirdes a sua vontade, operando em vós o que é agradável diante dele, por Jesus Cristo, a quem seja a glória para todo o sempre. Amém” (Hebreus 13:20, 21). Às vezes, eu pergunto às pessoas: por que você crê que acordará como um cristão amanhã de manhã? Por que acha que terá a fé salvadora quando acordar amanhã? Pergunto isto para testar o tipo de opinião da pessoa quanto à perseverança. A resposta bíblica não é: sei que escolherei crer amanhã de manhã. Estou comprometido com Jesus. Essa é uma confiança muito frágil. A resposta se acha em todos estes textos. Deus é fiel. Deus agirá em mim. Deus me guardará. Deus completará a Sua obra até ao final. A resposta é o agir contínuo de Deus e não o meu compromisso constante. Quando faço esta pergunta, estou sondando se a pessoa tem a opinião de que a segurança eterna é como uma vacinação. Recebemos nossa vacina quando fomos convertidos e não podemos mais pegar a doença de incredulidade. Essa é uma analogia enganadora porque subentende que o processo de preservação é automático, sem a obra contínua do grande médico. A perseverança não é como uma vacinação, e sim como um programa de terapia vitalício em que o grande médico nos acompanha durante todo o tratamento. Ele nunca nos abandonará (Hebreus 13:5). Essa é a maneira de perseverarmos. É a maneira pela qual temos segurança.

PORTANTO, DEVEMOS SER ZELOSOS EM CONFIRMAR NOSSA VOCAÇÃO E ELEIÇÃO

O livro de 2 Pedro nos diz: Por isso, irmãos, procurai, com diligência cada vez maior, confirmar a vossa vocação e eleição; porquanto, procedendo assim, não tropeçareis em tempo algum. Pois desta maneira é que vos será amplamente suprida à entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo (1:10, 11). O ensino de Pedro não é que nosso chamado e eleição são frágeis e precisam ser amparados. Com base em Romanos 8:29, 30, vimos claramente que o chamado e a eleição são as realidades mais firmes sob o poder de Deus. São elos inquebráveis na corrente da salvação. O que Pedro quer dizer é isto: sejam zelosos em manter sua segurança quanto ao chamado e à eleição, e em confirmá-las continuamente, por andarem no gozo delas. Pedro explica nos versículos anteriores que Deus nos deu, “pelo seu divino poder”, “todas as coisas que conduzem à vida e à piedade, pelo conhecimento completo daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude” (2 Pedro 1:3). Deus não nos deixou entregues a nós mesmos para confirmarmos nosso chamado e eleição. Por meio de poder divino, crescemos na fé, na virtude, no conhecimento, no domínio próprio, na perseverança, na piedade, na fraternidade e no amor (2 Pedro 1:5 – 7). Em outras palavras, fazemos esforços zelosos para crermos tão profundamente nas promessas e no poder de Deus, que o pecado é mortificado em nossa vida pelo Espírito e o alvo do amor é seguido com alegria. A fé atuando pelo amor (Gálatas 5:6) é a maneira de confirmarmos nosso chamado e eleição.

A PERSEVERANÇA É UM PROJETO DE COMUNIDADE

Deus nunca tencionou que lutássemos sozinhos a luta da fé. Devemos lutar uns pelos outros. Uma das afirmações mais admiráveis de Paulo sobre a perseverança dos eleitos é 2 Timóteo 2:10: “Tudo suporto por causa dos eleitos, para que também eles obtenham a salvação que está em Cristo Jesus, com eterna glória”. Para muitos, isto é impressionante. Já não é certo que os eleitos obterão a salvação na glória final? Sim, é. Aqueles que Deus justificou, a esses Ele glorificou. No entanto, a pergunta trai uma suposição que este último ponto tenta remover – a suposição de que certos resultados implicam que não há necessidade de nos esforçarmos em direção a eles. Isto é um engano. A salvação é certa para os eleitos de Deus. Ela não falhará. Todavia, um dos meios que Deus ordenou para confirmarmos a salvação é a parceria humana que nos fortalece na luta da fé. Paulo viu seu ministério da Palavra como essencial à perseverança dos eleitos. Considere um exemplo simples. Suponha que Deus predestinou que um prego seja fixado numa tábua e tenha a cabeça nivelada à tábua. É certo que isto acontecerá. Deus é Deus, e Ele planejou isso. Mas isso significa que Ele é indiferente a martelos? Não. De fato, Deus também ordenou que a maneira como o prego entrará na tábua é por ser batido com um martelo. De modo semelhante, os eleitos certamente serão salvos no final, com glória eterna. Isso significa que Deus é indiferente ao ministério da Palavra em levá-los à glória? Não. Deus o tornou essencial. E a razão por que isso não destrói a certeza de salvação é que Deus é tão soberano em relação aos meios quanto em relação aos fins. Vemos esta verdade aplicada a todos nós em Hebreus 3:12, 13: Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo; pelo contrário, exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado. Deus não deixará nenhum de Seus eleitos cair na destruição. Contudo, a maneira como Ele nos guardará de cair (Judas 24) é por exortação mútua de outros irmãos em nossa vida. Este é um dos tributos mais elevados que talvez sejam pagos à igreja. Deus ordena o corpo de Cristo como o meio de Seu guardar infalível dos eleitos. Terminamos este capítulo com a esperança e o desejo de que você se aprofunde cada vez mais na graça do Deus de graça perseverante. Se você permanecer nesta verdade e deixá-la penetrar em sua alma, descobrirá que a certeza da graça de Deus, que cumpre a aliança para você, é um fundamento muito maior, mais forte e mais prazeroso do que qualquer opinião de segurança eterna que a torna impessoal e automática, como uma vacinação. Saber que Deus o escolheu, o chamou, lhe deu fé, nunca o abandonará, o preservará e o apresentará inculpável na presença de Sua glória, com grande alegria – essa segurança traz gozo, força e coragem invencíveis à sua vida. Que Deus o aprofunde cada vez mais na graça divina da perseverança.

Paz e graça.

Capa: Marcos Frade.

Extraído do Livro: Cinco Pontos; Capítulo Seis; 2014 Editora Fiel.

Confira:

(1) DEPRAVAÇÃO TOTAL

(2) ELEIÇÃO INCONDICIONAL

(3) EXPIAÇÃO LIMITADA

(4) GRAÇA IRRESISTÍVEL

DOWNLOAD PERSEVERANÇA DOS SANTOS

Plinio Sousa

Plínio Sousa é fundador do Instituto Reformado Santo Evangelho — IRSE, é Pastor Reformado, Bacharel em Teologia e Mestre em Teologia do N.T. Especializado em Interpretação Bíblica e em Teologia Sistemática; Professor de Grego; Métodos de Estudo Bíblico; EBD — Escola Bíblica Dominical; Teologia do Novo Testamento, Psicologia; Sociologia e Filosofia da Educação, atua como Diretor Geral e Professor do IRSE. É Psicólogo Cristão; Juiz de Paz Eclesiástico; (Autoridade Eclesiástica e Ministro de Confissão Religiosa, Conforme Decreto Lei 3.689/41, artigo 295 VIII §ª 4º); Capelão Cristão; Missionário; Palestrante e Escritor.

Apologista, autor de diversos artigos teológicos, de 04 (quatro) livros, atua como conteudista do Instituto Êxito de Teologia (SP), da WRF — World Reformed Fellowship (Comunidade Mundial Reformada) onde também é membro e do Santo Evangelho (Blogue do IRSE); também atua como co-editor do site Reformados 21. É membro da TDI — Sociedade Brasileira do Design Inteligente sob nº de registro 1057.

Adepto e muito abrangente com a defesa da Teologia Reformada e a herança Puritana. Acredita na inspiração verbal e plenária, na revelação proposicional, infalibilidade, inerrância, clareza e suficiência das Sagradas Escrituras. É Supralapsarianista, Calvinista, Aliancista [Teologia Pactual], Pedobatista, Amilenista, e Cessacionista –, rejeita a crença no livre–arbítrio, no apostolado contemporâneo e nos dons revelacionais. Quanto à liturgia, adota o Princípio Regulador do Culto –, como entenderam os Reformadores.
LER  ELEIÇÃO INCONDICIONAL
error: Protegido!
%d blogueiros gostam disto: