JESUS DESCEU AO INFERNO?

“Por isso é que foi dito: Quando ele subiu em triunfo às alturas, levou cativo muitos prisioneiros, e deu dons aos homens. (Que significa ele subiu, senão que também descera às profundezas da terra? Aquele que desceu é o mesmo que subiu acima de todos os céus, a fim de encher todas as coisas)” – Efésios 4:8 – 10.

Por Pr. Plínio Sousa.

Vamos analisar a parte do “Credo apostólico” onde menciona que Cristo desceu ao inferno, será mesmo que Jesus desceu ao inferno? A alma de Jesus foi ao Inferno no período entre Sua morte e ressurreição? Há bastante confusão em relação a esta pergunta. Este conceito vem principalmente do Credo dos Apóstolos, que afirma: “Ele desceu até o Inferno”.

“Creio em Jesus Cristo, Seu único Filho, nosso Senhor, o qual foi concebido por obra do Espírito Santo; nasceu da virgem Maria; padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado”.

O credo agora pula do nascimento de Jesus para a Sua morte. Nada é dito sobre a vida e ministério de Jesus. A vida de Jesus não foi importante? Claro que sim! Nós somos justificados por causa da perfeita obediência de Jesus. A vida de perfeita obediência é imputada em nós pela fé. Mas por que o credo não fala sobre a vida de Jesus? É muito provável que o Credo Apostólico quer focar no propósito da vinda de Jesus.

“A razão pela qual o Filho de Deus se fez homem foi para derramar Seu sangue como um sacrifício completo, perfeito e suficiente”. (J.I. Packer, Growing in Christ, Crossway, p. 52).

A transição do nascimento para a morte indica que Jesus veio para morrer.

1 – PADECEU – sofreu  (latim: “passus” – paixão). Diferente da expectativa messiânica dos judeus no primeiro século – Jesus, o verdadeiro Messias, veio para sofrer.

Os sofrimentos de Jesus não foram para purificar a Sua própria alma, não foram consequências de uma vida de pecados, não foram apenas exemplares – mas sim, pelos nossos pecados.

1 Pedro 3:18 Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; mortificado, na verdade, na carne, mas vivificado pelo Espírito; O foco dos sofrimentos de Jesus está no fato dos sofrimentos dEle terem sido substitutos – os sofrimentos de Jesus foram no lugar do Seu povo. É isso o que Pedro fala: ‘os sofrimentos do justo, no lugar dos injustos’, servem para nos levar a Deus.

A teologia dos sofrimentos e da morte de Cristo como sendo substitutas é encontrada tanto no A.T quanto no N.T: Isaías 53:3 – 5.  Foi desprezado e rejeitado pelos homens, um homem de tristeza e familiarizado com o sofrimento. Como alguém de quem os homens escondem o rosto, foi desprezado, e nós não o tínhamos em estima. Certamente Ele tomou sobre si as nossas enfermidades e sobre Si levou as nossas doenças, contudo nós o consideramos castigado por Deus, por Ele atingido e afligido. Mas Ele foi transpassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas iniquidades; o castigo que nos trouxe paz estava sobre Ele, e pelas Suas feridas fomos curados; Romanos 8:32 Aquele que não poupou a seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós; Hebreus 9:28 assim também Cristo foi oferecido em sacrifício uma única vez, para tirar os pecados de muitos; e aparecerá segunda vez, não para tirar o pecado, mas para trazer salvação aos que o aguardam; Lucas 24:25 – 27 Ele lhes disse: “Como vocês custam a entender e como demoram a crer em tudo o que os profetas falaram! Não devia o Cristo sofrer estas coisas, para entrar na sua glória?” E começando por Moisés e todos os profetas, explicou-lhes o que constava a respeito dEle em todas as Escrituras.

OS SOFRIMENTOS DE CRISTO

1 – Lembra-nos que Ele sofreu em nosso lugar. Ele não merecia. Nós merecíamos todo aquele sofrimento. A morte de Jesus foi em nosso lugar, a obra foi toda feita por Ele (Sola Fide).

2 – Esse foi o propósito de Jesus vir ao mundo – padecer no nosso lugar, tomando sobre Si a ira de Deus (Apocalipse 13:8 todos aqueles que não tiveram seus nomes escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a criação do mundo).

3 – Nos fala do nosso chamado, apesar dos nossos sofrimentos não trazerem redenção, eles fazem parte do caminhar dos discípulos de Jesus. Pedro usa os sofrimentos de Jesus para nos exortar: 1 Pedro 2:21 Porque para isto sois chamados, pois, também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as suas pisadas.

2 – SOB O PODER DE PÔNCIO PILATOS – Ao citar Pilatos o credo proclama a historicidade da morte de Jesus. A morte de Jesus foi um fato histórico e verdadeiro.

Quando o credo declara que foi no tempo de Pilatos, ele está declarando que a morte de Jesus ocorreu num momento que pode ser datado. Diferente dos relatos de outros deuses e de outros eventos mitológicos a morte de Jesus foi um evento na história que foi relatado por outras pessoas (Por exemplo, Cornélio Tácito e Flávio Josefo).

AO CITAR O NOME DE PILATOS O CREDO TEM POR OBJETIVO

A – Consolidar a historicidade da morte de Jesus. É um evento histórico.

B – Pilatos era o Publica Persona, ele representava a opinião de todos. Ao colocar Jesus na cruz Pilatos expressou a opinião do povo. Nós, através de Pilatos, colocamos Jesus na cruz.

C – Pilatos era um gentio. Ser entregue nas mãos dos gentios representava o julgamento e a ira de Deus (Deuteronômio 21:10; Juízes 2:14; Isaías 19:4; Salmos 106:41; 1 Crônicas 21:13). Ao declarar que Jesus morreu sob o poder de Pilatos o credo declara que Jesus recebeu a ira de Deus. A ira que estava sobre nós caiu em Jesus.

3 – FOI CRUCIFICADO, MORTO E SEPULTADO

CRUCIFICADO – Fala do tipo de morte de que Jesus recebeu. A ira de Deus sobre Jesus foi demonstrada claramente no tipo de morte que Ele recebeu. Jesus morreu como o pior de todos os criminosos e rebeldes da Sua época.

Esse era o processo mais horroroso e humilhante de matar alguém. A pessoa era despida e apanhava publicamente, depois carregava um pedaço de madeira com o qual seria crucificado, era amarrada e pregada a cruz e ficava sendo exibida a todos como lição de punição.

PROCESSO DA CRUCIFICAÇÃO

1 – A crucificação era precedida de flagelação (flagellum = açoite de couro); 2 – O condenado levava a sua própria cruz ou pelo menos a haste horizontal “patibulum”; 3 – Pendurada ao seu pescoço havia uma placa que anunciava o crime; 4 – Depois de amarrado à cruz, era deixado para morrer de inanição; 5 – Quando era pregado à cruz, às vezes lhe davam uma bebida entorpecente; 6 – Um pequeno bloco de madeira “sedile” servia de apoio para o corpo ou os pés. Três agravantes: 1) Exposição ao sol e aos insetos; 2) Posição retorcida do corpo; 3) Sede insuportável.

Cícero: “Que o próprio nome da cruz esteja distante não somente do corpo de um cidadão romano, mas até mesmo de seus pensamentos”. Ele também disse: “A crucificação é a mais terrível e horrorosa de todas as punições”.

Mas a crucificação não fala somente dos horrores que Jesus passou, ela também fala da Soberania de Deus em todo o processo da morte do nosso Salvador.

“Esta forma de execução era uma punição romana reservada para escravos e para os piores criminosos, e o fato de que Jesus foi submetido a esse tipo de morte dependia de uma combinação de eventos que nenhum ser humano poderia ter previsto. Era necessário que, embora Ele devesse ser preso, acusado, julgado e condenado pelos judeus. Sua sentença de morte deveria ser infligida pelos gentios. Era necessário que a traição e condenação de Jesus ocorressem durante a Páscoa, quando era ilegal para os judeus matarem qualquer homem. A desculpa dos governantes judeus, que não podiam executar a morte, não significa que esse poder havia sido retirado deles, mas que era contra a lei deles exercerem condenação naquele dia. Se o tempo tivesse sido outro, os próprios judeus teriam executado a sentença de morte, eles apedrejariam Jesus. Assim, a Escritura foi cumprida nEle, “Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro”.

A cruz que era o sinal de humilhação, vergonha e horror se torna para o cristão o símbolo de graça, amor e redenção. A crucificação mostra que o Evangelho é escândalo e desprezo para muitos, mas para os cristãos é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê.

MORTO – A consequência da crucificação foi à morte, Jesus precisava morrer.

A morte de Jesus é celebrada pelos cristãos toda vez que celebramos a Ceia do Senhor. Diferente das outras religiões que lamentam a morte de seus líderes o cristianismo celebra a morte do seu Líder.

Alguns falsos ensinos surgiram alegando que Jesus não havia sido morto verdadeiramente. O docetismo alegava que Jesus nunca teve um corpo material. Aqui o Credo Apostólico vai contra esses tipos de ensinos.

A morte do nosso Senhor é alicerce da fé cristã – 1 Coríntios 15:3 – 5. Pois, o que primeiramente lhes transmiti foi o que recebi, que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras, e apareceu a Pedro e depois aos Doze. Sem a morte de Jesus não há Evangelho.

Jesus não somente sofreu no nosso lugar, mas Ele morreu por nós.

O sangue precisava ser derramado e a morte necessitava ocorrer. Na economia de Deus a Sua ira somente podia ser apaziguada mediante a morte de um sacrifico perfeito.

Levítico 17:11 “Pois a vida da carne está no sangue, e eu o dei a vocês para fazerem propiciação por si mesmos no altar; é o sangue que faz propiciação pela vida”.

A morte do nosso salvador deve ser proclamada, pois é através da morte de Jesus que nós temos vida.

E SEPULTADO – Os corpos dos criminosos crucificados não eram enterrados, eles permaneciam na cruz para apodrecerem ou serem comidos pelos animais. Mas o de Jesus foi sepultado como sinal de que Deus aceitou a Sua morte (Isaías 53:9).

A SOBERANIA DE DEUS NO SEPULTAMENTO DE JESUS

1 – Deus havia falado através do profeta Isaias que Jesus seria sepultado – 53:8 – 9 Da opressão e do juízo foi tirado; e quem contará o tempo da sua vida? Porquanto foi cortado da terra dos viventes; pela transgressão do meu povo Ele foi atingido. E puseram a sua sepultura com os ímpios, e com o rico na sua morte; ainda que nunca cometeu injustiça, nem houve engano na sua boca.

A ação de sepultar Jesus já é a primeira demonstração da vindicação do Servo Sofredor.

2 – Por Jesus ter sido crucificado na Páscoa os judeus não queriam os corpos naquela região enquanto milhares de pessoas passavam por lá – João 19:31 Esse era o Dia da Preparação, e o dia seguinte seria um sábado especialmente sagrado. Por não quererem que os corpos permanecessem na cruz durante o sábado, os judeus pediram a Pilatos que ordenasse que lhes quebrassem as pernas e os corpos fossem retirados.

Deus usa o tempo em que Jesus foi crucificado para cumprir a promessa do sepultamento de Cristo.

O sepultamento de Jesus reforça a ideia de que Ele realmente morreu. O corpo de Jesus foi sepultado – Mateus 27:65 – 66 “Levem um destacamento”, respondeu Pilatos. “Podem ir, e mantenham o sepulcro em segurança como acharem melhor. Eles foram e armaram um esquema de segurança no sepulcro; e além de deixarem um destacamento montando guarda, lacraram a pedra”.

Jesus recebeu a ira de Deus em Seu corpo – sendo crucificado, morto e sepultado.

“CREIO EM JESUS CRISTO, SEU ÚNICO FILHO, NOSSO SENHOR, O QUAL FOI CONCEBIDO POR OBRA DO ESPÍRITO SANTO; NASCEU DA VIRGEM MARIA; PADECEU SOB O PODER DE PÔNCIO PILATOS, FOI CRUCIFICADO, MORTO E SEPULTADO; DESCEU AO HADES; RESSURGIU DOS MORTOS AO TERCEIRO DIA”.

1 – DESCEU AO HADES “descendit ad inferna”.

Nas Escrituras Hebraicas, a palavra usada para descrever a esfera dos mortos é “sheol”. Esta palavra simplesmente significa “Sepultura”; a “habitação dos mortos”; o “mundo inferior”; “lugar dos mortos” ou o “lugar das almas/espíritos que partiram”. A palavra grega do Novo Testamento que é usada para inferno é “Hades”, que também se refere ao “lugar dos mortos”. Outras Escrituras no Novo Testamento indicam que “Sheol /Hades” é um lugar temporário, onde as almas ficam enquanto aguardam a ressurreição e julgamento final. Apocalipse 20:11 – 15 dá a distinção clara entre os dois. Inferno (o lago de fogo) é o lugar final e definitivo de julgamento para os perdidos. Hades é um lugar temporário. Então, não, Jesus não foi ao “Inferno” porque “Inferno” é uma esfera futura que somente entrará em vigor após o Julgamento do Grande Trono Branco (Apocalipse 20:11 – 15).

Sheol /Hades é uma esfera com duas divisões (Mateus 11:23; 16:18; Lucas 10:15; 16:23; Atos 2:27:31), o território dos salvos e o dos perdidos. O território dos salvos é chamado “Paraíso” e “Seio de Abraão”. Os territórios dos salvos e dos perdidos são separados por um “grande abismo” (Lucas 16:26). Quando Jesus subiu aos Céus, Ele levou consigo os ocupantes do Paraíso “os crentes” (Efésios 4:8 – 10). O que Efésios está dizendo é que quando Jesus ascendeu aos céus Ele levou para o céu com Ele um grupo de pessoas ressuscitadas com Ele. Ele levou as pessoas que estavam no cativeiro da morte, cativas (isto é, redimidas) com Ele (longe do poder de Satanás) para o reino de Seu Pai. Foi uma pequena amostra da eficácia de seu sacrifício. Lembremo-nos do criminoso arrependido da cruz “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso” (cf. Lucas 23:43). O lado perdido do “Sheol/Hades” permaneceu intacto, ou seja, melhor dizendo o “Geena”. Todos os mortos incrédulos para lá vão e esperam seu futuro julgamento final. Jesus foi ao “Sheol/Hades”? Sim, de acordo com Efésios 4:8 – 10 e 1 Pedro 3:18 – 20.

Essa é a frase do credo mais debatida entre os cristãos. Nenhuma outra afirmação trouxe e traz tanto debate como essa que diz que Jesus desceu ao “inferno”.

De acordo com Wayne Grudem, a frase “desceu ao inferno” não foi encontrada em qualquer uma das versões iniciais do credo e ela não foi incluída em qualquer outra versão do Credo do Apostólico até 650.

INTERPRETAÇÕES

Muitos falam que Jesus desceu ao inferno – lugar de punição para os injustos – para: 1) Pegar as chaves do inferno; 2) Buscar os santos que lá estavam “limbus patrum”; 3) Experimentar a plenitude dos sofrimentos; 4) Proclamar Sua vitória sobre os inimigos; 5) Pregar as boas novas. Baseando em passagens como 1 Pedro 3:19 – 20 e Efésios 4:8 – 9.

Muitos pastores do movimento pentecostal de curas e milagres – Word of Faith Movement – usam essa ideia de que Jesus desceu ao inferno e sofreu ao lado de Satanás para alegar que Jesus sofreu até no inferno para trazer uma restauração total para os cristãos. Uma grande invenção da parte dos homens.

A Palavra INFERNO:

No latim a palavra usada é “inferna” ou “inferus” – que significa baixo. O texto grego do Credo Apostólico usa a palavra “κατώτατα” (katotata) = baixo, partes baixas ou inferiores (Efésios 4:9).

A palavra infernos é geralmente usada para traduzir a palavra grega “hades”. “Hades” é geralmente usada no lugar da palavra hebraica “sheol”.

O grande problema é que na nossa mente toda vez que ouvimos a palavra “inferno” nós já pensamos no lugar de punição do ímpio. Mas as palavras “infernos” (latim), “hades” (grego) e “sheol” (hebraico) tem na maioria das vezes outro sentido.

“Sheol” – {“Sheh-ol” – שְׁאוֹל} – “shĕ’owl” (STRONG: 7585) tem um sentido geral de lugar dos mortos – de todos os mortos. Ela é geralmente traduzida como sepultura, sepulcro, cova – (algumas versões traduzem como ‘inferno’ – mas eu não concordo).

“Uma terceira interpretação é que ‘sheol’ não descreve o lugar onde as almas dos mortos vão, mas o lugar onde os corpos vão – a sepultura. Essa interpretação da palavra ‘sheol’ figura uma típica sepultura da Palestina, escura e com vermes. Todas as almas dos homens não vão para um mesmo lugar, mas todas as pessoas vão para a cova”. (Theological Wordbook of the Old Testament – R. Lay Harris, Gleasson Archer, Bruce Waltke – Moddy).

“Hadēs – Ἅδης – essa palavra aparece dez vezes no N.T. e muitos acreditam ser semelhante à palavra hebraica ‘sheol’ – sendo ‘hadēs’ também um lugar geral para os mortos”. A palavra ‘hadēs’ pode significar, “a morada invisível ou mansão dos mortos, o lugar do inferno – punição, o lugar ou condição mais baixa que alguém pode estar”. (William D. Mounce, The Analytical Lexicon to the Greek New Testament, “Grand Rapids Zondervan, 1993”, 52 – 53).

‘Hadēs’ não necessariamente implica no lugar de punição, na maioria das vezes ela tem o sentido de morte e sepultura no N.T.

Hadēs é a habitação dos mortos. É a palavra grega equivalente à hebraica “sheol” (Salmos 6:5). A versão Revista e Atualizada traduz ‘Hadēs’ como inferno, mas isso é enganoso. Jesus não estava se referindo ao tormento do inferno eterno; estava afirmando que o sepulcro não poderia reter os eleitos. As portas, “obstáculos”, da morte não foram capazes de deter Jesus e não podem manter cativo o cristão – (1 Coríntios 15:55). Sendo “as portas do Hadēs não prevalecerão, uma promessa de ressurreição”. (Com Vergonha do Evangelho, John MacArthur – Fiel, p. 208).

A palavra mais usada para representar o lugar de julgamento dos ímpios é a palavra “geenna” (γέεννα).

A palavra inferno no Credo Apostólico tem o sentido de sepultura – o lugar mais baixo. Isso enfatiza a verdade declarada anteriormente que Jesus havia sido sepultado. Por ter sido sepultado Ele realmente desceu ao inferno “katotata” – ao túmulo, a cova – ao lugar mais baixo. “Descer ao Hades é o substituto de crucificado, morto e sepultado”.

POR QUE JESUS NÃO DESCEU AO INFERNO

(lugar de punição do ímpio)?

1 – Na cruz Jesus declarou, “Está consumado”. (João 19:30). Jesus não foi ao inferno para sofrer mais.

2 – Na cruz Jesus disse que naquele mesmo dia Ele estaria no Paraíso (Lucas 23:43).

3 – Jesus não precisou descer ao inferno para pegar as chaves da morte, pois de acordo com Daniel 7 toda a autoridade foi dada a Jesus pelo Ancião dos Dias na ascensão dEle.

Ao declarar que Jesus desceu ao “Hades” o credo enfatiza que o processo da morte foi totalmente concluído. Jesus não apenas apareceu estar morto, não ficou em estado de coma, mas experimentou a morte por completo.

Jesus desceu á cova mais baixa, experimentou a morte por completo como consequência do Seu sepultamento.

“O que o credo diz, é que Jesus entrou, não no geenna, mas no hades – isto é, Ele realmente morreu, e isso foi uma morte genuína e não simulada”. (J.I. Packer, Growing in Christ, Crossway, p. 56).

Paz e graça.

Capa: Marcos Frade.

DOWNLOAD JESUS DESCEU AO INFERNO?

 

Plinio Sousa

Plínio Sousa é fundador do Instituto Reformado Santo Evangelho — IRSE, é Pastor Reformado, Bacharel em Teologia e Mestre em Teologia do N.T. Especializado em Interpretação Bíblica e em Teologia Sistemática; Professor de Grego; Métodos de Estudo Bíblico; EBD — Escola Bíblica Dominical; Teologia do Novo Testamento, Psicologia; Sociologia e Filosofia da Educação, atua como Diretor Acadêmico e Professor do IRSE. É Psicólogo Cristão; Juiz de Paz Eclesiástico; (Autoridade Eclesiástica e Ministro de Confissão Religiosa, Conforme Decreto Lei 3.689/41, artigo 295 VIII §ª 4º); Capelão Cristão; Missionário; Palestrante e Escritor.

Apologista, autor de diversos artigos teológicos, de 04 (quatro) livros, atua como conteudista do Instituto Êxito de Teologia (SP), da WRF — World Reformed Fellowship (Comunidade Mundial Reformada) onde também é membro e do Santo Evangelho (Blogue do IRSE); também atua como co-editor do site Reformados 21. É membro da TDI — Sociedade Brasileira do Design Inteligente sob nº de registro 1057.

Adepto e muito abrangente com a defesa da Teologia Reformada e a herança Puritana. Acredita na inspiração verbal e plenária, na revelação proposicional, infalibilidade, inerrância, clareza e suficiência das Sagradas Escrituras. É Supralapsarianista, Calvinista, Aliancista [Teologia Pactual], Pedobatista, Amilenista, e Cessacionista –, rejeita a crença no livre–arbítrio, no apostolado contemporâneo e nos dons revelacionais. Quanto à liturgia, adota o Princípio Regulador do Culto –, como entenderam os Reformadores.

One thought on “JESUS DESCEU AO INFERNO?

Comments are closed.

%d blogueiros gostam disto: