A ARMADURA DE DEUS

“Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo” – Efésios 6:11.

EXEGESE DE EFÉSIOS 6:10 – 20.

Por Pr. Plínio Sousa.

O que é se revestir de toda a armadura de Deus? A frase “toda a armadura de Deus” vem da passagem do Novo Testamento: “Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis. Estai, pois, firmes, cingindo-vos com a verdade e vestindo-vos da couraça da justiça. Calçai os pés com a preparação do evangelho da paz; embraçando sempre o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do Maligno. Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus” (Efésios 6:13 – 17).

Na carta aos Efésios (v.12) indica claramente que o conflito com Satanás é espiritual e, portanto, nenhuma arma física pode ser usada efetivamente contra ele, e os demônios. Não temos uma lista de táticas específicas que são usadas nessas batalhas, à esfera aonde ocorrem essas pelejas são infinitamente superior, e diametralmente oposta a esfera que estamos inseridos, e não temos nenhum conhecimento acerca dessa dimensão, devemo-nos concentrar em Satanás, pois, ele é uma criatura dotada de sagacidade, de astúcia e sabedoria, e que todas as suas ações são feitas “sem lei” – (ανομια – anomia) não no sentido de insubordinação a Deus como criatura, pois de fato ele está sob o poder de Deus, sob o domínio de Deus, não obstante como “o diabo de Deus”, usado por Deus em inúmeros decretos, e isso sabemos, mas é no sentido de negação da lei moral de Deus, diretamente, como ilegalidade, e falta de conformidade com a lei, violação da lei, e desacato à lei, iniquidade, e impiedade são os fundamentos de suas ações, e por razão, consequentemente, não existem nele princípios morais, ele é uma criatura imoral e perversa. Pensemo-nos por um instante em um criminoso da mais alta periculosidade que age sem lei, existe ali uma lei posta, mas o criminoso não a obedece e nem teme as suas sanções, e por ter recebido já penas graves, não importa com as suas demandas, ele é um foragido da lei (“fora da lei”), com um longo histórico de crimes, todavia, mesmo ele estando sob a lei, ele não a obedece. Satanás já sofreu essa pena grave (sanções eternas), e por isso ele arde em cólera, ele é um criminoso com um longo histórico de crimes hediondos, datados da eternidade a história. É como um criminoso que foi sentenciado à morte, e quando deparado com uma situação de perigo, ele nada mais teme, sabendo que em tudo, lhe resta pouco tempo. A expressão “O Diabo de Deus” do reformador Martinho Lutero, nos lembra da verdade bíblica de que Satanás não é um ser autônomo, com liberdade plena para agir e fazer o que lhe interessa. Ao lermos as Escrituras, especialmente o livro de Jó, fica muito evidente o fato de que o Satanás continua servo de Deus depois de sua rebelião, tanto quanto era nos dias de sua doce obediência. Na Bíblia vemos que Satanás é usado por Deus para causar cegueira nas mentes daqueles que não aceitam o evangelho (2 Coríntios 4:4); remover pensamentos de dentro das mentes (Marcos 4:15); disciplinar desobedientes (1 Coríntios 5:5; 1 Timóteo 1:20) e para muitas outras obras que o Senhor desejar usá-lo como quiser, quando quiser e da maneira que quiser.

Como disse C.S. Lewis: “Não há uma guerra, mas sim uma rebelião interna, e o rebelde encontra-se sob controle”.

Devemos também enfatizar que os seus princípios são de ódio, são maus, perversos, Satanás é um ser imoral, vil, dotado de engano (Gênesis 3:5; João 8:44; 2 Coríntios 4:4; 11:14, 15), não possui amor, desconhece o significado de afeição, e a base de seu reinado, desde antes a fundação mundo é a mentira, “Ele nunca se apoiou na verdade” – João 8:44, a sua confirmada natureza é regida pela rebelião contra Deus (Isaías 14:12 – 15; Ezequiel 28:12 – 19), Seus Decretos e Sua igreja (Lucas 22:3; Mateus 6:23; 1 Tessalonicenses 2:18; 3:5). Outro ponto, são os demônios que o seguiram, são seres assim como Satanás, são seres pessoais, que possuem inteligência, emoções e vontade. Isso é uma realidade tanto para os anjos bons como para os anjos maus. Eles possuem: Inteligência (Mateus 8:29; 2 Coríntios 11:3; 1 Pedro 1:12), emoções (Lucas 2:13; Tiago 2:19; Apocalipse 12:17), e vontade própria (Lucas 8:28 – 31; 2 Timóteo 2:26; Judas 6).

A Caminhada Cristã como uma Guerra. (6:10-20). Em toda esta divisão da epístola muito se disse sobre a vida cristã prática. Neste parágrafo o andar do cristão foi descrito como uma batalha, um conflito mortal no qual ele está alistado contra o poder de Satanás e suas hostes. E São Paulo nos revela tal coisa no trecho que citamos dias passados em nossas vidas (Efésios 6:12), que guerreamos contra as potências espirituais, não contra a carne e o sangue.

No entanto, a passagem é bem clara ao dizer que quando seguimos todas as instruções fielmente, recebemos “poder” (Capacidade) “δύνασθαι – dynasthai que significa ser capaz” de resistir ao poder do mal, através de “esquemas e ciladas” (μεθοδείας/methodeias que significa métodos, artifícios, ou truque), (v.11), e assim garantirmos vitória sobre o Dia mal, qualquer que seja a tentação. Consigo virá o escape. “Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar” – 1 Coríntios 10:13.

A metáfora aqui se baseia na armadura e roupa de batalha do soldado romano do século I. Evidentemente, a metáfora militar pretende mostrar o leitor que agora estamos engajados em uma batalha ativa.

Embora alguns sugiram que o ponto de vista de uma contenda agressiva contínua minimize a vitória alcançada da cruz, ele, na verdade, afirma a vitória e todo o resto. Toda batalha espiritual combatida hoje em dia é vitoriosa somente ao se apropriar da provisão da Cruz e do Sangue de Jesus Cristo “e, despojando as autoridades e poderes malignos, fez deles um espetáculo público, triunfando sobre todos eles na cruz” – Colossenses 2:15.

(v.11) Revesti-vos de toda a armadura de Deus. Ainda que Deus a tenha providenciado, o indivíduo cristão tem a responsabilidade de vesti-la; isto é, ele deve conscientemente se apropriar do poder que o Senhor Jesus Cristo põe à sua disposição. Toda a armadura de Deus. A armadura está descrita em detalhes, como também os inimigos que o crente tem de enfrentar. Para poderdes ficar firmes. Sem esta armadura de Deus, o cristão não tem capacidade de permanecer firme. Aquele que está assentado com Cristo nos lugares celestiais e andando neste mundo tem também de tomar agora uma posição contra as ciladas – os métodos ou estratagemas – do diabo. Vejamos dois pontos cruciais:

1) A fé pessoal que se posiciona contra o mal e 2) A oração agressiva que assalta as fortalezas demoníacas são duas facetas distintas e complementares da vida espiritual.

Essa passagem inteira fornece mais apoio a esta perspectiva: (v.11) “estar firme contra” (δύνασθαι – dynasthai que significa ser capaz, manter agressivamente na retaguarda ou manter-se à frente e opor-se). (v.12) “lutar” (πάλη – palē significa engajar-se ativamente em um combate um-a-um, a ideia é da luta romana (competição entre dois no qual cada um se esforça para derrubar o outro, e que é decidido quando o vencedor é capaz de manter seu oponente no chão com seu braço sobre o seu pescoço).

“Porque a nossa luta não é”. O motivo porque precisamos de toda a armadura de Deus. Contra o sangue e a carne. Os israelitas sob o comando de Josué tiveram de lutar contra a carne e o sangue a fim de conquistar a terra de Canaã. A nossa guerra é espiritual e não física. E, sim, contra os principados. Não uma comparação, mas uma negação absoluta. Nas hostes de Satanás encontramos diferentes categorias. Não é possível fazer separações distintas entre os diversos tipos de inimigos aqui mencionados. Contra os dominadores deste mundo tenebroso. Literalmente, os príncipes do mundo destas trevas. Contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes. Esta é a última das cinco vezes em que “en tois epouraniois – ἐν τοῖς ἐπουρανίοις”, “nas regiões celestiais”, ocorre na epístola.

(v.13) “ficar firme” (στῆναι – stēnai que significa manter a firmeza depois de uma batalha ativa, a ideia é de um soldado romano em uma longa luta, onde o mesmo pode continuar seguro e são, permanecendo ileso, pronto ou preparado para outra, sendo de uma mente firme, alguém que não hesita, e que não desiste), e (v.14) “estar firmes” (στῆτε – stēte significa tomar posição para a próxima batalha (luta), uma forma prolongada de uma palavra primária “σταω – stao stah’-o”, e é a ideia de permanecer imóvel, permanecendo firme em seu lugar).

Vejamos a assertiva e afirmativa no ensino de Paulo: (v.11) “estar firme contra”, (v.12) “lutar”, (v.13) “ficar firme”, (v.14) “Estai, pois, firmes”. Neste e nos versículos citados a armadura está descrita em detalhes. Todas essas coisas falam num certo sentido do próprio Senhor Jesus Cristo, que é a nossa defesa. E nEle temos firmeza, uma rocha inamovível. E assim, cingindo-nos com a verdade. Aquele que tem os lombos cingidos está preparado para a atividade (cf. 1 Pedro 1:13). Da couraça da justiça. (cf. Isaías 59:17, 15). Calçai os pés. Grande parte da linguagem desta seção foi tirada de diversas passagens do Antigo Testamento (cf. Isaías 52:7).

Nesse momento do artigo preciso abrir um parêntese: Porque muitos não conseguem ser capazes diante batalhas espirituais, contra as potências espirituais? Simples! Uma vida sem santidade.

Não quero aqui colocar, algo de meritório nas obras humanas, mas destacar um ponto na responsabilidade humana. Jesus Cristo nos ensinou: Devemos arrancar de nossas vidas o pecado que nos afasta de Deus, os decretos de Deus certamente não anulam a responsabilidade de um cristão, por sua vez deve-se posicionar como um soldado valente, em meio às ciladas postas pelo inimigo, dando legalidade para que o mesmo abata-lhe, e assim traga consequências terríveis. “(…) anda ao redor como leão, rugindo e procurando a quem devorar” (1 Pedro 5:18), momentos de escuridão, tendo somente o inferno como um tenebroso e vindouro castigo eterno, “pois o salário do pecado é a morte”, deve ser um meio pelo qual o cristão pense na sua batalha pessoal e intrasferível  (Romanos 6:23). Pecados devem ser arrancados, e não cultivados em nossas vidas, Jesus Cristo nos ensinou que não devemos orar por determinados pecados, mas arrancá-los.

“Existe muito barulho religioso nesta geração, mas ainda assim não há qualquer evidência do fruto da mortificação do pecado” – John Owen.

“Portanto, se a tua mão ou o teu pé te escandalizar, corta-o, e atira-o para longe de ti; melhor te é entrar na vida coxo, ou aleijado, do que, tendo duas mãos ou dois pés, seres lançado no fogo eterno. E, se o teu olho te escandalizar, arranca-o, e atira-o para longe de ti; melhor te é entrar na vida com um só olho, do que, tendo dois olhos, seres lançado no fogo do inferno” – Mateus 18:8, 9.

São pecados que temos condições reais de arrancá-los de nossas vidas “Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar” – 1 Coríntios 10:13, Deus é o nosso escape, e muitos são os crentes que não o arrancam por sentirem prazeres em tais pecados, e não mais pesar, estão saturados. A maior evidência de um salvo em Cristo, é o ódio por tudo que Deus odeia, e se amamos o que Deus odeia, odiamos a Deus.

Vejamos por essa transcrição adaptada do sermão “Pregação Chocante” por Paul D. Washer, uma perspectiva.

Porque é precisa entender que a Bíblia diz que “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Romanos 3:23), e muitos não sabem, e nem tem ideia do que isso significa, é que todos (os incrédulos) são totalmente depravados, e nascem odiando a Deus, e nunca buscariam a Deus, nunca iriam a Deus, todos são rebeldes contra Deus, e quebram toda a Sua Lei.

Não é só uma questão de que pecamos outrora, a questão é: “Nunca fizemos nada além de pecar”. (Efésios 2:1 – 3). A Bíblia diz que até nossas maiores obras são como “trapo de imundícia” (Isaías 64:6), perante Deus e por causa disso sabe o que merecemos? A ira de Deus! O ódio Santo de Deus, e os crentes dizem esperem um pouco, Deus não pode odiar ninguém, Deus é amor! Não meu amigo (a)! Muitos precisam entender uma coisa: Jesus Cristo ensinou, os profetas ensinaram, e os apóstolos ensinaram.

Que a não ser a graça de Deus revelada em Jesus Cristo nosso Senhor, a única coisa que resta para muitos é a ira de Deus! A violenta ira de Deus! Por causa da rebelião de nossos pecados, quando se trata desse assunto dizem: Deus não pode odiar, porque Deus é amor! “Mas digo: Deus tem odiado porque Deus é amor, vejamos: Eu amo criança, portanto odeio aborto, se amo negro, devo odiar o racismo, se amo judeus, devo odiar o holocausto”, se eu amo o que é Santo, devo odiar o que não é Santo, Deus é um Deus Santo, e isso é algo que essa Igreja do Brasil esqueceu, e atualmente muitas “igrejas” não ensinam isso, muitas das coisas que você adora fazer, Deus odeia. Você sabia disso?

Por que foi citada essa parte do sermão “pregação chocante” de Paul Washer? A resposta é: Devemos entender a gravidade de se viver em iniquidade, “sem lei” (ανομια – anomia) como citado no início desse artigo, é Satanás que reina sobre essa maneira, antes de entendermos sobre a “Armadura de Deus”, pois o que a sustenta é a Santidade de Deus, uma vez que o crente vive em iniquidade, é impossível que o poder de Deus se manifeste, Lembremo-nos, mesmo Paulo tendo um espinho na carne, o poder se aperfeiçoou em Paulo, por ele ter uma vida de santidade e obediência, e o espinho, acabou se tornando parte de Sua armadura. (cf. 2 Coríntios 12:7 – 10; Mateus 7:24 – 27; Lucas 6:47, 78; Romanos 2:6 – 9; Tiago 1:21 – 25).

A primeira parte de nossa armadura é a verdade (v.14). Isso é fácil de entender, já que Satanás é o “pai da mentira”, e Cristo é a verdade, Ele é a Palavra (o logos) da verdade (João 8:44; João 14:6). Decepção é uma das primeiras coisas que Deus considera ser uma abominação. Uma “língua mentirosa” é uma das coisas que “o Senhor aborrece” (Provérbios 6:16, 17). Ele diz claramente que nenhum mentiroso vai entrar no céu (Apocalipse 22:14, 15), a única coisa que as Escrituras atribui a “paternidade” ao Diabo, é a mentira. Somos então exortados a usar a verdade para a nossa própria santificação, libertação e para o bem daqueles a quem somos testemunhas.

Havia o cinto da verdade. Era o cinto que rodeava a túnica do soldado e do qual pendia a espada; o cinto lhe dava liberdade de movimento. Os outros podem conjeturar e andar tateando; o cristão se move livre e rapidamente porque em qualquer situação conhece a verdade.

No (v.14) somos encorajados a nos vestir com a couraça da justiça. Uma couraça iria proteger um guerreiro contra um golpe fatal ao coração, ou outros órgãos importantes. Essa justiça não é obras de justiça feitas pelos homens, apesar de que elas seriam barreiras de proteção quando usadas contra acusações e censuras do inimigo. Ao invés disso, essa é a justiça de Cristo por Seus méritos infinitos, imputada por Deus e recebida pela fé (Romanos 5:15 – 17; 1 Coríntios 15:22), a qual guarda os nossos corações contra as acusações de Satanás, e protege o nosso ser interior contra seus ataques (Gálatas 5:22, 23).

Havia a couraça de justiça. Quando um homem está revestido da justiça é inexpugnável. Não são as palavras as que defendem contra a acusação, mas sim a vida boa. Uma vez alguém acusou a Platão de certos crimes e pecados. “Pois bem”, disse Platão, “devemos viver de tal maneira que demonstremos a mentira destas acusações”. A única maneira de enfrentar as acusações contra o cristianismo é demonstrar quão bom pode ser um cristão, santo e irrepreensível (santa vocação).

No (v.15) fala da preparação dos pés para o conflito espiritual. O soldado moderno, assim como o guerreiro da antiguidade, precisa prestar bastante atenção aos seus pés. Às vezes o inimigo da antiguidade colocava obstáculos perigosos no caminho dos soldados que estavam avançando. Isso é bem parecido com os campos minados de hoje. Doenças também podem danificar os pés de um soldado que não tem seus pés protegidos. A idéia de ter o evangelho da paz como calçado sugere o que precisamos para poder avançar no território de Satanás, precisamos da mensagem da graça, a qual é tão essencial para ganhar almas para Cristo.

Havia as sandálias, que eram o sinal de que alguém estava equipado e preparado para a marcha. O sinal do cristão é seu afã de estar no caminho para pregar o evangelho e participá-lo a outros. Ele está sempre

disposto a comunicar a boa notícia de Cristo aos que não a conhecem.

“Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho” – Salmos 119:105. O evangelho deve unicamente guiar o cristão. (cf. Mateus 4:1 – 11).

Satanás tem colocado muitos obstáculos no caminho da propagação do evangelho, fazendo milhares de cristãos abandonarem as Escrituras Sagradas, ela é o manual de regra e fé para a vida cristã, a única fonte de autoridade, a autoridade da Bíblia é intrínseca e decorre da sua origem divina, visto ser a revelação direta, viva e pessoal de Deus aos seres humanos. (2 Timóteo 3:16, 17).

O escudo da fé, ao qual o (v.16) se refere, torna ineficaz o ataque de Satanás de plantar dúvidas em relação à fidelidade de Deus, e Sua Palavra. Nossa fé da qual Cristo é o autor e consumador (Hebreus 12:2) É como um escudo de ouro, precioso, sólido e importante. Esse escudo é como um escudo de guerreiros fortes, pelo quais coisas importantes são alcançadas, e pelo qual um crente não só repele, (podendo “apagar todos os dardos inflamados do maligno” v.16), mas também conquista o inimigo.

Havia o escudo. A palavra que Paulo usa para escudo não se aplica ao relativamente pequeno escudo redondo, mas sim ao grande e oblongo que levava o guerreiro pesadamente armado. Uma das armas mais perigosas nas guerras da antiguidade era o dardo aceso. Era um dardo que levava na ponta uma estopa empapada em breu. Esta estopa era acesa ao arrojar o dardo. Mas o grande escudo oblongo era a arma própria para extingui-lo. O escudo era feito de duas placas de madeira grudadas. Quando um desses dardos chocava-se com o escudo cravavase na madeira e a chama se extinguia sozinha. A fé pode enfrentar os dardos da tentação. Para Paulo a fé é sempre plena e perfeita confiança em Cristo. Isto significa que a fé é sempre uma estreita relação pessoal com Cristo; quando partimos estreitamente unidos a Cristo nos vemos livres da tentação.

O capacete da salvação do (v.17) protege a cabeça e serve para proteger uma parte do corpo que é tão importante. Podemos dizer que o jeito que pensamos precisa de preservação (Filipenses 4:8). A cabeça de um soldado era uma das partes principais a serem defendidas, pois ela podia sofrer um dos ataques mais mortais, e é a cabeça que comanda todo o corpo. A cabeça é o centro da nossa mente, e quando ela possui a “esperança” certa do Evangelho de vida eterna, não vai receber doutrina falsa, ou deixar-se influenciar pelas tentações de Satanás de desespero (cf. Romanos 10:11; Filipenses 1:20; Salmos 25:3). Uma pessoa não salva não tem nenhuma esperança de se proteger dos ataques de falsa doutrina porque sua mente é incapaz de discernir entre verdade e mentira, a mente é e sempre foi o campo de batalha de Satanás, a mente saudável, o corpo se torna forte e saudável, uma mente doente, o corpo sempre tende a padecer e sofrer consequências terríveis.

Martinho Lutero sabiamente disse: “Mente vazia é oficina do diabo”.

A salvação é simbolizada pelo capacete. Lembremos sempre que a salvação não apenas olha para trás – não significa apenas o perdão dos pecados passados, mas também a fortaleza frente a todo futuro ataque do pecado. A salvação que está em Cristo nos dá o perdão dos pecados passados e a fortaleza para vencer o pecado futuro.

Há uma espada, que é a palavra de Deus. A palavra de Deus é uma arma que se usa ao mesmo tempo para a defesa e para o ataque. A palavra de Deus é a arma para nos defender contra o pecado e para atacar e vencer o pecado do mundo. Os cavaleiros de Cromwell lutavam com a espada numa mão e a Bíblia na outra. Jamais poderemos derrotar os inimigos de Deus ou ganhar as batalhas divinas sem o Livro divino.

A Bíblia é uma arma poderosa, cerca os inimigos e os mata, ou um antídoto poderoso, uma vez bebida há cura. A ignorância é uma enfermidade que leva a morte, o conhecimento divino é a cura que leva a vida.

O (v.17) interpreta a si mesmo em relação ao que quer dizer com a espada do Espírito. Enquanto o resto da armadura é em sua natureza armas de defesa, aqui se encontra a única arma de ataque na armadura de Deus. Ela se refere à Santidade e Poder da Palavra de Deus (Romanos 1:16; 2 Timóteo 1:8; 3:16, 17; Salmos 40:9, 10; João 17:17). Uma arma espiritual maior não existe. Nas tentações de Jesus no deserto, a Palavra de Deus sempre predominou em Suas Respostas a Satanás: “Está escrito”, essa é a nossa maior proteção, “está escrito”. (cf. Mateus 4). Que benção saber que a mesma Palavra também está disponível a nós em tempos de crise, em relação à Fé e o Amor.

Oração – “A oração é o antídoto para todas as nossas aflições” – Joao Calvino.

Orar no Espírito (quer dizer, com a mente de Cristo, com Seu coração e Suas prioridades) como vemos no (v.18) é o ponto auge do que está envolvido em nos preparar e utilizar todas as armas de Deus anteriormente mencionadas. É significante que essa passagem das Escrituras é tão fiel às prioridades de ministério destacadas por todas as epístolas de Paulo, ele acredita que oração é o elemento mais importante para a vitória e maturidade espirituais. Ele deseja ardentemente esse tipo de oração em sua vida também (vs.19 – 20).

Finalmente Paulo chega à arma mais poderosa — a oração. São três as coisas que devemos notar aqui com respeito à oração. (1) Deve ser constante. Deve-se orar em todos os momentos da vida. Talvez a maior falha da vida cristã seja que frequentemente tendemos a orar só nas grandes crises da vida. Só pela oração diária o cristão torna-se forte cada dia. (2) Tem que ser intensa. Não tem que ser sonolenta, mas sim perseverante. Exige concentração. Uma oração frouxa não leva a parte alguma, exige a concentração em Deus de todas as faculdades. (3) Não deve ser egoísta, deve abranger a todo o povo consagrado de Deus. Os judeus diziam: “Que o homem se una em suas orações com a comunidade”. Penso que frequentemente oramos por nós mesmos e muito pouco por outros. Devemos aprender a orar tanto e tão intensamente pelos outros como por nós.

Paulo se encomenda à oração de seus amigos. E não pede o bem-estar e a paz, mas sim a graça de poder transmitir o mistério do evangelho, que o amor de Deus é para todos os homens, para todo mundo. É preciso sempre lembrar que nenhum líder cristão ou pregador cristão podem levar a cabo sua obra se seu povo não sustentar suas mãos com a oração.

“Orai sem cessar” – 1 Tessalonicenses 5:17. (cf. Neemias 1 – 9; Esdras 9; Daniel 9; João 17) Recomendo a leitura dessas orações nesses livros, certamente Sua oração será mudada em alguns aspectos, senão em sua totalidade.

A grande verdade de todos os males do mundo e da Igreja de Cristo, é que muitos não sabem orar.

“O que vai lhe manter continuamente em vitória, será a sua vida de oração diária ao Filho de Deus. A Igreja que será vitoriosa será a igreja que dobrará os seus joelhos com corações humilhados e pesados, nessa última hora”.

Conselhos de Leonard Ravenhill.

“Se somos fraco na oração, nós somos fracos em toda a parte”. “Um homem pecador pára de orar, um homem de oração pára de pecar”. “A minha maior ambição na vida é estar na lista dos mais procurados do Diabo”. “Nenhum homem é maior do que sua vida de oração. O pastor que não está orando está brincando, as pessoas que não estão orando estão desviando. O púlpito pode ser uma vitrine para mostrar os talentos de uma pessoa; já o quarto de oração não permite nenhum exibicionismo”.

Os homens que foram mais heróicos por Deus foram os homens com maiores vidas devocionais. A única coisa que vai me manter em vitória continuamente pelo Sangue de Cristo é minha Devoção pessoal a Ele, o Filho de Deus.

Minha adoração, que eu dou a Ele, meu tributo diário, é mais do que meu serviço. É mais do que dar meu dinheiro, que eu o ame e o adore e o magnifique e o tome nos meus braços.

Você sabe por que o mundo está pobre e doente exteriormente? Porque não sabemos realmente como orar, é por isso! Eu disse várias vezes e digo de novo: nenhum homem é maior do que sua vida de oração. Deixe-me viver com um homem por um tempo e compartilhar de sua vida de oração e eu lhe direi o quão grande eu penso que ele é, ou quão majestoso eu penso que ele é em Deus.

Paz e graça.

Citações: Comentário Bíblico Moody; William Barclay.

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Plinio Sousa

Plínio Sousa é fundador do Instituto Reformado Santo Evangelho — IRSE, é Pastor Reformado, Bacharel em Teologia e Mestre em Teologia do N.T. Especializado em Interpretação Bíblica e em Teologia Sistemática; Professor de Grego; Métodos de Estudo Bíblico; EBD — Escola Bíblica Dominical; Teologia do Novo Testamento, Psicologia; Sociologia e Filosofia da Educação, atua como Diretor Acadêmico e Professor do IRSE. É Psicólogo Cristão; Juiz de Paz Eclesiástico; (Autoridade Eclesiástica e Ministro de Confissão Religiosa, Conforme Decreto Lei 3.689/41, artigo 295 VIII §ª 4º); Capelão Cristão; Missionário; Palestrante e Escritor.

Apologista, autor de diversos artigos teológicos, de 04 (quatro) livros, atua como conteudista do Instituto Êxito de Teologia (SP), da WRF — World Reformed Fellowship (Comunidade Mundial Reformada) onde também é membro e do Santo Evangelho (Blogue do IRSE); também atua como co-editor do site Reformados 21. É membro da TDI — Sociedade Brasileira do Design Inteligente sob nº de registro 1057.

Adepto e muito abrangente com a defesa da Teologia Reformada e a herança Puritana. Acredita na inspiração verbal e plenária, na revelação proposicional, infalibilidade, inerrância, clareza e suficiência das Sagradas Escrituras. É Supralapsarianista, Calvinista, Aliancista [Teologia Pactual], Pedobatista, Amilenista, e Cessacionista –, rejeita a crença no livre–arbítrio, no apostolado contemporâneo e nos dons revelacionais. Quanto à liturgia, adota o Princípio Regulador do Culto –, como entenderam os Reformadores.
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