CRISTO MORREU POR TODOS OS HOMENS DA TERRA?

“Assim como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos” – Mateus 20:28.

Por C. H. Spurgeon.

Expiação limitada – Se Cristo na cruz teve a intenção de salvar a cada pessoa, sem exceção, então Ele intentou salvar aqueles que já haviam se perdido antes que Ele morresse. Se esta doutrina é verdadeira, que Ele morreu por todos os homens, então Ele morreu por alguns que estavam no inferno antes que Ele viesse ao mundo. Porque sem dúvida havia milhares que haviam sido reprovados por causa de seus pecados. Se foi mesmo a intenção de Cristo salvar todos os homens, como Ele foi deploravelmente frustrado, porque temos Seu próprio testemunho acerca do lago de fogo e neste lago tem sido lançados, segundo a teoria da redenção ilimitada pessoas que foram compradas pelo seu sangue. Essa é uma concepção mil vezes mais odiosa e repulsiva do que qualquer consequência que associam à doutrina cristã e calvinista da expiação limitada ou particular.

Frequentemente, dizem que nós limitamos a expiação realizada por Cristo, porque asseveramos que Cristo não efetuou expiação por todos os homens ou que todos os homens não serão salvos. Portanto, nossa resposta a isso é: Por um lado, os nossos oponentes é que limitam a expiação, e não nós. Os arminianos dizem: Cristo morreu por todos os homens. Pergunte-lhes o que eles querem dizer com isto. Cristo, de fato, morreu a fim de assegurar a salvação de todos os homens? Eles responderão: “Claro que não”. Nós lhes dirigimos a próxima pergunta: Cristo morreu para assegurar a salvação de qualquer homem em particular? Eles responderão: “Não. Cristo morreu a fim de que qualquer homem pudesse ser salvo, se…”, e então adicionam certas condições para a salvação. Nós dizemos, então, voltando à primeira afirmação: Cristo não morreu para assegurar a salvação de ninguém, certo? Vocês devem dizer que “não”, vocês são obrigados a dizer isso, porque crêem que um homem que foi perdoado pode, todavia, cair da graça e perecer.

Portanto, quem é que limita a morte de Cristo? Vocês. Por que vocês? Porque vocês afirmam que Cristo não morreu para assegurar infalivelmente a salvação de qualquer pessoa.

Nós apresentamos nossas escusas, quando vocês dizem que limitamos a morte de Cristo, nós dizemos: “Não meu querido senhor, sois vós os que o fazeis”.

Pedimos-lhe perdão e declaramos que Cristo morreu a fim de assegurar infalivelmente a salvação de uma multidão de pessoas que ninguém pode enumerar, afirmamos que por Sua morte não somente poderão ser salvos, mas que o serão, devem ser salvos, e de maneira alguma correr o risco de serem outra coisa, senão salvos. Você está satisfeito com a sua doutrina da expiação, fique com ela. Jamais abandonaremos a nossa.

Agora, amados, quando ouvir alguém rindo ou zombando da expiação limitada, podeis dizer-lhe isto:

“Uma expiação universal é como uma ponte de grande largura com somente metade de um arco, ela não cruza o rio: Chega somente à metade do caminho, ela não pode assegurar a salvação de ninguém”.

Ora, eu prefiro colocar meus pés sobre uma ponte estreita, mas que chega até o fim, do que sobre uma ponte que é tão larga quanto o mundo, se ela não chegar até o fim, do outro lado do rio.

Há aqueles que dizem que o meu dever é dizer que todos os homens foram redimidos, e que as escrituras garantem isso:

“O qual se deu a si mesmo em preço de redenção por todos, para servir de testemunho há seu tempo” – 1 Timóteo 2:5 – 6.

Porém, parece haver deveras argumentos muito, muito grandes do outro lado da questão. Por exemplo, olhe aqui.

“Eis que o mundo todo vai após ele” – João 12:19. Todo mundo vai após Cristo?

“E toda a província da Judéia e os de Jerusalém iam ter com eles: E todos eram batizados por ele no rio Jordão, confessando os seus pecados” – Marcos 1:5. Foi toda a Judéia, ou toda Jerusalém batizada no Jordão?

“Sabemos que somos de Deus e que todo mundo está no maligno” – 1 João 5:19. Todo o mundo aqui significa todas as pessoas? Se assim for, quem seria os “de Deus”?

As palavras “mundo” e “todos” têm sete ou oito significados na escritura, e raramente “todos” significam todas as pessoas, tomadas individualmente.

As palavras são usadas geralmente para significar que Cristo redimiu alguns de todos os tipos, alguns judeus, alguns gentios, alguns ricos, alguns pobres, e que Ele não restringiu Sua redenção a judeus ou gentios.

Deixando a controvérsia, contudo, responderei uma questão. Diga-me, então, pastor, por quem Cristo morreu? Responda-me uma ou duas questões, e te direi se Ele morreu ou não por você. Você quer um Salvador? Sente necessidade de um Salvador? Tem consciência do seu pecado hoje? O Espírito Santo lhe ensinou que é um pecador? Então, Cristo morreu por você e será salvo.

Senti hoje que não tem esperança neste mundo, senão Cristo? Compreende que não pode oferecer por você mesmo nenhuma expiação que satisfaça a justiça de Deus? Abandonaste toda confiança em você mesmo? E pode dizer sob os seus joelhos dobrados: “Senhor, salva-me, ou pereço?”.

Cristo morreu por você. Porém, Se dizes: “Sou tão bom como deve ser, posso ir ao céu por minhas próprias boas obras”, Então, lembre-se, a escritura diz de Jesus: “Eu não vim chamar os justos, senão, os pecadores ao arrependimento”. Enquanto permaneceres neste estado, não há expiação para pregar para você. Mas se você se sente culpado, miserável, ciente da sua culpa, e está pronto a tomar para ser teu único Salvador, não somente te direi que pode ser salvo, mas, o que é melhor, que será salvo. Quando está despido de tudo, não tendo nada, exceto esperança em Cristo, quando está preparado para vir com as mãos vazias para tomar a Cristo para ser seu tudo, e você nada, então poderá olhar para Cristo e dizer:

“Tu amado, Tu imolado Cordeiro de Deus! Tuas aflições foram suportadas por mim, por Tuas feridas fui curado, e por Teus sofrimentos fui perdoado”.

E então, veja se paz de mente terás, porque se Cristo morreu por você, não podes se perder. Deus não pune duas vezes a mesma coisa. Se Cristo foi punido pelo seu pecado, Ele jamais te punirá.

“Pagamento a justiça de Deus não pode demandar, primeiro, da mão sangrenta do fiador, e então novamente da minha”.

Nós podemos hoje, se crermos em Cristo, chegar ao próprio trono de Deus, permanecer ali, e se nos disser: “Você é culpado?”. Poderemos dizer: “Sim. Culpado”. Mas se a questão é colocada assim: “O que você tem para dizer? Porque motivo não deveria ser castigado por sua culpa?” Podemos responder:

“Grande Deus, tanto a Tua Justiça como o Teu amor são garantias de que o Senhor não nos punirá por nossos pecados. Porque, não punistes o Senhor a Cristo pelo pecado, por nós? Como poderia o Senhor, então, ser justo, como poderia o Senhor ser Deus, se o Senhor pune a Cristo o substituto, e então o próprio homem mais tarde?”.

A única pergunta com a qual devemos nos preocupar é: “Cristo morreu por mim?”, e a única resposta que podemos dar é: “Esta é uma Palavra fiel, e digna de toda aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores”.

Você pode escrever o seu nome nessa frase, entre os pecadores, não entre os pecadores lisonjeiros ‘os que se envaidecem em suas obras’ achando que são aceitos por Deus por seus méritos, não esses, mas entre os pecadores que se sentem como tais, entre os que choram sua culpa, entre os que a lamentam, entre os que buscam misericórdia por causa dela em cada segundo de sua vida, em cada suspiro. É um pecador? Se assim se sente, se assim reconhece, se assim professa, está convidado agora a crer que Jesus Cristo morreu por você, por que é um pecador, e está convidado a cair sobre esta grande e inamovível rocha, e achar segurança eterna no Senhor Jesus Cristo. Amém.

Paz e graça.

DOWNLOAD CRISTO MORREU POR TODOS OS HOMENS DA TERRA?

Plinio Sousa

Plínio Sousa é fundador do Instituto Reformado Santo Evangelho — IRSE, é Pastor Reformado, Bacharel em Teologia e Mestre em Teologia do N.T. Especializado em Interpretação Bíblica e em Teologia Sistemática; Professor de Grego; Métodos de Estudo Bíblico; EBD — Escola Bíblica Dominical; Teologia do Novo Testamento, Psicologia; Sociologia e Filosofia da Educação, atua como Diretor Geral e Professor do IRSE. É Psicólogo Cristão; Juiz de Paz Eclesiástico; (Autoridade Eclesiástica e Ministro de Confissão Religiosa, Conforme Decreto Lei 3.689/41, artigo 295 VIII §ª 4º); Capelão Cristão; Missionário; Palestrante e Escritor.

Apologista, autor de diversos artigos teológicos, de 04 (quatro) livros, atua como conteudista do Instituto Êxito de Teologia (SP), da WRF — World Reformed Fellowship (Comunidade Mundial Reformada) onde também é membro e do Santo Evangelho (Blogue do IRSE); também atua como co-editor do site Reformados 21. É membro da TDI — Sociedade Brasileira do Design Inteligente sob nº de registro 1057.

Adepto e muito abrangente com a defesa da Teologia Reformada e a herança Puritana. Acredita na inspiração verbal e plenária, na revelação proposicional, infalibilidade, inerrância, clareza e suficiência das Sagradas Escrituras. É Supralapsarianista, Calvinista, Aliancista [Teologia Pactual], Pedobatista, Amilenista, e Cessacionista –, rejeita a crença no livre–arbítrio, no apostolado contemporâneo e nos dons revelacionais. Quanto à liturgia, adota o Princípio Regulador do Culto –, como entenderam os Reformadores.
LER  PREDESTINAÇÃO E ELEIÇÃO
error: Protegido!
%d blogueiros gostam disto: