CONSELHOS PARA UMA IGREJA SEM AMOR

“Amados, amemos uns aos outros, pois o amor procede de Deus; e todo aquele que ama é nascido e conhece a Deus” – 1 João 4:7.

Por Pr. Plínio Sousa.

“Saudação aos queridos e amados irmãos da igreja de Tessalônica, capital da província romana da Macedônia, Eu, Paulo, Silas e Timóteo escrevemos esta carta a vocês por está alegre em ter a certeza que vocês estão unidos com Deus, o Pai, e com o Senhor Jesus Cristo”.

Ao iniciar a carta aos irmãos tessalonicenses Paulo elogia a robustez da fé dos irmãos e a fidelidade da igreja estabelecida por ele mesmo em sua segunda viagem missionária, (Atos 17:1 – 10), nessa ocasião os judeus fizeram grande oposição aos cristãos e por isso Paulo e Silas foram forçados a fugir para a cidade de Beréia.

Mais tarde já na cidade de Corinto Paulo recebeu do jovem e bom ministro Timóteo, o seu companheiro de trabalho notícias a respeito da situação dos cristãos em Tessalônica.

Paulo então escreve a primeira carta a esses irmãos para lhes dizer como está contente com o progresso espiritual deles e para animá-los a continuarem firmes na fé em Cristo e a viverem de uma maneira que agrade a Deus. Paulo pede que esses irmãos não fiquem preocupados em relação aos mortos, de quando vão ressuscitar e quando Jesus Cristo vai voltar. Paulo pede que confiem no amor de Deus, o qual “não nos escolheu para sofrermos o castigo da sua ira, mas para nos dar a salvação por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (5:9).

Ao lermos a primeira carta escrita para os tessalonicenses notamos o amor de Paulo com os irmãos, sentimos a mesma alegria que Paulo sentiu ao descrever a situação que todos os irmãos se encontravam, sentimos a sensação que nos é transmitida, é o primeiro amor que está nas entranhas da fé desses tão queridos e amados irmãos. A robustez na fé em Cristo não é somente para aquela província, ou para alegria de Paulo, mas para todas as cidades circunvizinhas que comunicava aos quatro ventos de tamanha mudança na vida desses cristãos de Tessalônica, acredito que a maior alegria para Paulo como um servo de Cristo a favor do evangelho, é saber que a igreja de Cristo avançava em graça, e continuamente se conformando a imagem de Jesus Cristo. Paulo começa a carta com um tom de pai, ele diz “sempre damos graças a Deus por vós todos fazendo menção de vós em nossas orações”. (1:2), a lembrança na mente de Paulo é algo verdadeiro, acompanhado de um amor puro, é o cuidado de um pai com o seu filho amado e obediente. Ao mudar de assunto, em relação à fé Paulo está tão certo que diz, “Desse assunto não precisarei falar com vocês”. Mas como em todas as cartas paulinas, Paulo cita alguns acontecimentos e começa dizendo sobre o quanto que ele padeceu perseguição na cidade de Filipos, até chegar à cidade de Tessalônica. E lembra que Deus deu a eles coragem para levar a boa notícia vinda dele para aquela cidade. E afirma que essa notícia não é baseada em erros, nem em enganos, mas baseada naquilo que Deus confiou a eles para que fosse anunciado. O santo evangelho.

Seria bom se todos os líderes atuais estivessem a grande postura do apóstolo Paulo, integridade em pregar um evangelho sem palavras lisonjeiras, nem com interesses, de igual modo, pela exposição escriturística não procurasse elogios dos homens, e que somente sentisse a vontade de dar a própria vida a favor daqueles que ouvem o evangelho de Cristo, nos mesmos moldes da vida de Paulo, se assim fosse, certamente a igreja não estaria como está.

O tom dessa primeira escrita é de alívio e gratidão a Deus, essa gratidão que Paulo, Silas e Timóteo sentiam era pelo crescimento da igreja na ausência forçada de Paulo. Deveria ser assim com a igreja de Cristo, na ausência de Seu Senhor, ela deveria crescer em graça e conhecimento acerca da revelação, mas não é isso que acontece, ela cresce em intelecto e falsa espiritualidade, essa igreja atual é fraca, débil e sincrética, ela está doente e não existe um médico em seu seio, é como um caso de câncer terminal, não se pode fazer mais nada, a não ser aliviar a dor com paliativos, sabemos que não haverá cura, mas a dor dela é paulatinamente aliviada com um placebo, e sem nenhuma certeza de cura, assim ela caminha moribunda e infeliz, ela não pode se alegrar na morte. Ela até cresceu, o seu corpo até se desenvolveu, mas ainda pensa, e age como menina. Nesse caso o casamento é lícito?

Podemos descrever a igreja assim, como guia ela sempre teve a Cristo, não por sua fidelidade, mas pela fidelidade de Cristo, mas nesse exato momento, a igreja precisa ainda mais, ela é guiada pelos homens, ela precisa do Senhor Jesus como guia e salvador, ela precisa voltar-se a Deus, outrora Cristo guiava os salvos, nesta era “os salvos” guia “os salvos”, ela está doente e a única cura é Cristo. A ignorância acerca da Deidade de Jesus é a sua enfermidade maior, e o conhecimento acerca da manifestação do amor de Deus na pessoa de Cristo Jesus em justiça deve ser a sua cura. Carregam a Cristo como um acessório dispensável, volumoso e muitas vezes desconfortável, mas quando necessário, Ele está ali pronto para ser usado. De uma forma ou de outra, os membros dessa igreja visível estão dispostos a viverem até o último momento de suas vidas como meros bastardos – pessoas que nasceram de um casal que ainda não está casado, e que nunca se casarão, serão sempre órfãos de Pai, desamparados, desvalidos, e privados de um protetor e provisor.

“É um longo caminho até o altar, e por esse caminho se manifestará os verdadeiros convidados, e os convidados participarão com o anfitrião da celebração do casamento. Não sabemos o dia nem a hora, mas sabemos que está marcada a cerimônia, e esse casamento já se deu na eternidade, é uma aliança eternal. Maranata! vem, Senhor!”.

A carta aos Tessalonicenses não tem uma teologia apurada, ou bem elaborada como Romanos, também não encontramos nenhuma repreensão ou heresia ameaçadora como Gálatas, e nem conselhos pastorais como nas cartas aos Coríntios, a Timóteo e Tito. Podemos notar, que em 1 Coríntios é mencionado “o amor” como algo primeiro, oposto as outras questões dada como secundárias.

“Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria. O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; Tudo sofre tudo crê, tudo espera, tudo suporta”.

É interessante notar que essa igreja de Tessalônica não tinha uma adversidade de dons espirituais, ou ministeriais da igreja de Corinto, nem tinha o conhecimento teológico que a igreja dos Romanos possuía, mas nela havia uma amor sem fingimento, uma fidelidade ao amor de Deus, que se manifestava pela genuína fé em Cristo, uma fé nascida do ventre das escrituras, existia ali verdadeiramente o amor ao próximo, e o temor e tremor pelo santo evangelho, uma característica real que os acompanhavam, a total dedicação ao serviço do Reino dos céus.

Então logo aprendemos que os dons passarão e o conhecimento teológico também, mas o amor é o único dom que irá nos acompanhar por toda a eternidade.

Defino o amor em algumas palavras, não exaustivas.

Amor resiste na adversidade, mostra prudência na prosperidade, é forte no sofrimento, alegra-se com boas novas, está acima da tentação, ele é generoso na hospitalidade, agradável entre verdadeiros irmãos, paciente com a falta de fé, este é o espírito dos livros sagrados, a virtude da profecia, a salvação dos mistérios, é à força do conhecimento, a generosidade da fé, a riqueza para os pobres, vida aos moribundos. O amor é tudo!.

O modelo comum das cartas de Paulo, que se baseava em ensinamento teológico acompanhado de aplicação prática, é ligeiramente modificado na carta aos Tessalonicenses.

Os capítulos 1 – 3 ensaiam as lembranças de Paulo sobre seu ministério entre eles, sua preocupação com os estado da fé que eles tinham. E o seu consolo e alívio vem pelo jovem e compromissado Timóteo.

A comissão de Timóteo para voltar para a igreja e trazer a notícia que seria sua coroa de glória, seu deleite notável em saber da fé inabalável deles, os amados irmãos da igreja de Tessalônica.

Os capítulos 4 – 5 contêm as exortações características sobre assuntos como pureza sexual (4:1 – 8; 5:23), a caridade responsável (4:9 – 12), estima e apoio aos líderes (5:12 – 13), paciência e prestabilidade em relação às várias necessidades humanas (5:14 – 15). Quanto dessas instruções observa-se nas igrejas atuais? Deixo a resposta com você querido (a) leitor (a).

EXORTAÇÕES SOBRE A PUREZA SEXUAL

“Finalmente, irmãos, vos rogamos e exortamos no Senhor Jesus, que assim como recebestes de nós, de que maneira convém andar e agradar a Deus, assim andai, para que possais progredir cada vez mais. Porque vós bem sabeis que mandamentos vos temos dado pelo Senhor Jesus. Porque esta é a vontade de Deus, a vossa santificação; que vos abstenhais da fornicação; Que cada um de vós saiba possuir o seu vaso em santificação e honra; Não na paixão da concupiscência, como os gentios, que não conhecem a Deus. Ninguém oprima ou engane a seu irmão em negócio algum, porque o Senhor é vingador de todas estas coisas, como também antes vo-lo dissemos e testificamos. Porque não nos chamou Deus para a imundícia, mas para a santificação. Portanto, quem despreza isto não despreza ao homem, mas sim a Deus, que nos deu também o seu Espírito Santo. E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo”.

UMA CARIDADE RESPONSÁVEL E CONTÍNUA

“Quanto, porém, ao amor fraternal, não necessitais de que vos escreva, visto que vós mesmos estais instruídos por Deus que vos ameis uns aos outros; Porque também já assim o fazeis para com todos os irmãos que estão por toda a macedônia. Exortamo-vos, porém, a que ainda nisto aumenteis cada vez mais. E procureis viver quietos, e tratar dos vossos próprios negócios, e trabalhar com vossas próprias mãos, como já vo-lo temos mandado; Para que andeis honestamente para com os que estão de fora, e não necessiteis de coisa alguma”.

ESTIMA E APOIO AOS LÍDERES

“E rogamo-vos, irmãos, que reconheçais os que trabalham entre vós e que presidem sobre vós no Senhor, e vos admoestam; E que os tenhais em grande estima e amor, por causa da sua obra. Tende paz entre vós”.

PACIÊNCIA E PRESTABILIDADE EM RELAÇÃO ÀS VÁRIAS NECESSIDADES HUMANAS

“Rogamo-vos, também, irmãos, que admoesteis os desordeiros, consoleis os de pouco ânimo, sustenteis os fracos, e sejais pacientes para com todos. Vede que ninguém dê a outrem mal por mal, mas segui sempre o bem, tanto uns para com os outros, como para com todos”.

Pela falta dessas instruções, a igreja contemporânea naufraga na fé, a pureza não é levado a sério, o cuidado aos necessitados não é levada a sério, a estima e apoio a líderes é impossível de se ter, pois, são dos tais que procedem todos os tipos de abominações, e abandono das sagradas escrituras, líderes descompromissados, gerando assim uma igreja descompromissada com o Reino de Deus, e por último a prestabilidade em relação a todas as necessidades humanas, isso não se têm pelo amor de muitos ter se esfriado.

A grande diferença da igreja de Tessalônica e a igreja atual, é que a igreja dos Tessalonicenses já seguia esses conselhos quando Paulo ainda estava com eles, e essa igreja atual não segue a tais conselhos, Paulo só encoraja que eles deveriam fazer cada vez mais (4:1) “assim andai, para que possais progredir cada vez mais”, enquanto essa igreja atual nem começou a fazer. E a igreja de Tessalônica até aquele exato momento continuava a fazer a vontade de Deus (5:11) “Por isso exortai-vos uns aos outros, e edificai-vos uns aos outros, como também o fazeis”.

Das frases cuidadosamente balanceadas em 1:3 “Lembrando-nos sem cessar da obra da vossa fé, do trabalho do amor, e da paciência da esperança em nosso Senhor Jesus Cristo, diante de nosso Deus e Pai”, e das repetições em 5:8 “Mas nós, que somos do dia, sejamos sóbrios, vestindo-nos da couraça da fé e do amor, e tendo por capacete a esperança da salvação”, está claro que Paulo e, provavelmente, outros antigos cristãos missionários falavam repetidamente da fé, esperança e amor como um trio favorito das virtudes cristãs.

Devemos nos voltar à pregação sadia, e a uma piedade que acompanha a essa pregação, voltarmos com todas as nossas forças ao conselho bíblico, devemos agora mesmo como cristãos restaurar a pureza nos cultos públicos, devemos voltar a falar das virtudes cristãs que alicerçaram a igreja de Tessalônica, a fé genuína em Cristo, a esperança que Cristo voltará para nos buscar e o amor que esse sentimento tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. Assim seremos salvos e agradaremos o coração de nosso Deus, único e verdadeiro, fiel e digno de toda exaltação, de todo louvor, de toda honra e majestade, para todo sempre, louvado seja para sempre. Porque dEle, e por Ele, e para Ele são todas as coisas; glória, pois, a Ele eternamente. Amém!

Paz e graça da parte de nosso SENHOR Jesus Cristo.

Capa: Marcos Frade.

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Plinio Sousa

Plínio Sousa é fundador do Instituto Reformado Santo Evangelho — IRSE, é Pastor Reformado, Bacharel em Teologia e Mestre em Teologia do N.T. Especializado em Interpretação Bíblica e em Teologia Sistemática; Professor de Grego; Métodos de Estudo Bíblico; EBD — Escola Bíblica Dominical; Teologia do Novo Testamento, Psicologia; Sociologia e Filosofia da Educação, atua como Diretor Geral e Professor do IRSE. É Psicólogo Cristão; Juiz de Paz Eclesiástico; (Autoridade Eclesiástica e Ministro de Confissão Religiosa, Conforme Decreto Lei 3.689/41, artigo 295 VIII §ª 4º); Capelão Cristão; Missionário; Palestrante e Escritor.

Apologista, autor de diversos artigos teológicos, de 04 (quatro) livros, atua como conteudista do Instituto Êxito de Teologia (SP), da WRF — World Reformed Fellowship (Comunidade Mundial Reformada) onde também é membro e do Santo Evangelho (Blogue do IRSE); também atua como co-editor do site Reformados 21. É membro da TDI — Sociedade Brasileira do Design Inteligente sob nº de registro 1057.

Adepto e muito abrangente com a defesa da Teologia Reformada e a herança Puritana. Acredita na inspiração verbal e plenária, na revelação proposicional, infalibilidade, inerrância, clareza e suficiência das Sagradas Escrituras. É Supralapsarianista, Calvinista, Aliancista [Teologia Pactual], Pedobatista, Amilenista, e Cessacionista –, rejeita a crença no livre–arbítrio, no apostolado contemporâneo e nos dons revelacionais. Quanto à liturgia, adota o Princípio Regulador do Culto –, como entenderam os Reformadores.
LER  SERMÃO SOBRE JÓ 1:9 – 12
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