COMO POSSO RECONHECER UM FALSO MESTRE?

“A árvore boa não pode dar frutos ruins, nem a árvore ruim produzir bons frutos” – Mateus 7:18.

Por Pr. Plínio Sousa.

Certa vez Martinho Lutero disse:

“Qualquer ensinamento que não se enquadre nas Escrituras deve ser rejeitado, mesmo que faça chover milagres todos os dias”.

¹Aqueles que entram pelo caminho apertado precisam se precaver contra os falsos profetas, que dizem guiar os crentes, mas que na realidade praticam a mentira. Disfarçados como ovelhas não deve ser entendido como a vestimenta do profeta, mas é um contraste evidente aos lobos perversos. O povo de Deus de todas as épocas precisou estar alerta contra os líderes mentirosos (Deuteronômio 13:1; Atos 20:29; 1 João 4:1; Apocalipse 13:11 – 14). Pelos seus frutos. As doutrinas proferidas por esses falsos profetas, mais do que as obras que praticam, uma vez que a aparência exterior pode não despertar suspeitas. O teste do profeta é a sua conformidade com as Escrituras (1 Coríntios 14:37; Deuteronômio 13:1 – 5). Árvore má.

Uma árvore arruinada, sem valor, inútil. A falta de utilidade de uma árvore como essa exige a sua imediata retirada do pomar para que não prejudique as outras.

²Nada impede tanto aos homens de passar pela porta estreita e chegar a serem verdadeiros seguidores de Cristo como as doutrinas carnais, apaziguadoras e aduladoras dos que se opõem à verdade. Estes podem ser conhecidos pelo arrasto e os efeitos de suas doutrinas. Uma parte de seus temperamentos e condutas resulta contrária à mente de Cristo. As opiniões que levam a pecar não vêm de Deus.

Jesus nos advertiu que “falsos Cristos e falsos profetas” virão e tentarão enganar até mesmo os eleitos de Deus, apesar de não ser possível (Mateus 24:23 – 27; cf. 2 Pedro 3:3 e Judas 17 – 18).

A palavra usada para descrever “falsos profetas” é “pseudoprophētai – ψευδοπροφῆται” que denota a ideia de quem, agindo como um profeta divinamente inspirado declara falsidades como se fossem profecias divinas. O termo grego usado para apontar “os falsos Cristos” é um sinônimo “ψευδοχριστος” que significa literalmente falso Cristo, pretenso Messias, que exalta a si mesmo ao invés de Cristo, proclamando que é o Cristo. Alguns têm dado o mesmo sentido à “αντιχριστος”. Mas é muito mais provável que signifique alguém totalmente oposto a Cristo, alguém que exalta a si mesmo contra Cristo, proclamando que não há Cristo. Devemos nos atentar para o ateísmo prático cristão. Crentes que em meio as suas confissões meramente religiosas vivem como se Deus não existisse (cf. Mateus 7:23). O termo usado para descrever a característica de uma confissão falsa não conhecida de Cristo é “anomian – ἀνομίαν” denotando o desprezo e violação da lei, porque não conhece a lei, e por essa razão a transgride.

Para melhor se prevenir contra a falsidade e contra falsos mestres, conheça a verdade, ela é libertária e precisa em suas declarações. Para detectar uma imitação, estude a “coisa” verdadeira, estude a verdade como ela é exposta, e aplicada em sua condição real. Qualquer crente que “maneja bem a palavra da verdade” (2 Timóteo 2:15) e que faz um estudo cuidadoso da Bíblia pode identificar “falsa doutrina, falsos mestres e falsos Cristos”. Por exemplo, um crente que leu as atividades do Deus Pai, Deus Filho (Jesus Cristo) e Deus Espírito Santo em Mateus 3:16 – 17 irá imediatamente questionar qualquer doutrina que negue a Trindade. Portanto, o “primeiro passo” é estudar a Bíblia e julgar todo ensino de acordo com o que diz a Escritura.

Jesus disse “pelo fruto se conhece a árvore” (Mateus 12:33). Ao buscar por “frutos”, aqui estão três testes específicos para aplicar em qualquer mestre para determinar a precisão do seu ensino, e a veracidade do mesmo:

(1) O que esse mestre diz sobre Jesus?

Em Mateus 16:15 Jesus pergunta: “Quem dizeis que eu sou?”. Pedro responde: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”, um dos princípios de confessionalidade cristã, e por essa resposta Pedro é chamado “bem – aventurado”. Em 2 João 9, lemos: “Todo aquele que ultrapassa a doutrina de Cristo e nela não permanece não tem Deus; o que permanece na doutrina, esse tem tanto o Pai como o Filho”. Em outras palavras, Jesus Cristo e a Sua obra de redenção são de maior importância, tome cuidado com qualquer um que nega que Jesus é igual a Deus, desvaloriza a morte de Jesus no nosso lugar ou rejeita a humanidade de Jesus. 1 João 2:22 diz: “Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Este é o anticristo, o que nega o Pai e o Filho”, devemos ter cuidado com um evangelho que não fala sobre as doutrinas da graça, que não combate o pecado e que não fala da justiça de Deus. Se não falar desses pontos, não podemos aceitar como o genuíno evangelho da salvação. Devemos considerar maldito, e assim, combater se possível com a nossa vida e reputação, julgando sempre pela reta justiça (a Escritura).

“Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça” João 7:24.

O termo “julgai” no (v.24) descrito pelo termo grego “krisin – κρίσιν” imprime uma ideia de analisar o certo ou errado por uma fonte verdadeira (a Escritura Sagrada), é um julgamento; ou seja, opinião ou decisão proferida acerca de qualquer coisa, especialmente em matéria de justiça e injustiça, certo e errado, partindo desses pressupostos devemos automaticamente ligar a Deus todo esse processo de julgamento. Pois somente Deus é reto Juiz, e somente dEle procede reta justiça. E como chegamos? Somente pela Escritura. A ideia de um julgamento é de uma análise criteriosa em todas as esferas de acordo com uma Lei, fazendo-se justiça. Ser chamado a esse julgamento para que o caso possa ser examinado e julgado. Assim devemos fazer com todos os expoentes da Palavra de Deus.

Universalmente o termo grego “krisin – κρίσιν” é usado em: 1 Timóteo 5:24 (em que ver epakolouthousin – ἐπακολουθέω descrevendo o ato de provar o erro, declarando culpado os presbíteros em suas ações pecaminosas) justamente fazendo um paralelo direto dos textos em que se fala de um julgamento por se viver em desacordo com a Lei de Cristo (cf. Judas 1:9; 2 Pedro 2:1; João 7:24; João 8:16).

“Os pecados de alguns homens são manifestos, precedendo o juízo; e em alguns se manifestam depois” – 1 Timóteo 5:24.

O caráter de uma pessoa, acompanhado de pecados, ou de boas obras e seus resultados, será revelado mais cedo ou mais tarde (cf. Mateus 7:22, 23).

(2) Esse mestre prega o evangelho?

O evangelho é definido como as boas novas concernentes à morte, ao sepultamento e à ressurreição de Jesus de acordo com as Escrituras (1 Coríntios 15:1 – 4). Por mais bonitas que soem as afirmações positivas “Deus lhe ama” – “Deus quer que alimentemos os famintos…” – “Deus quer que você tenha prosperidade” – “O melhor dessa terra é para você!” Não é a mensagem completa do evangelho, as boas novas da salvação revela a Justiça de Deus e o Seu amor. Como Paulo adverte em Gálatas 1:7: “Há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo”. Ninguém, nem mesmo um grande pregador, tem o direito de mudar a mensagem que Deus nos deu. “Se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema (Amaldiçoado)” (Gálatas 1:9; cf. 1 Coríntios 16:22), Devemos ter em mente que Jesus Cristo não morreu para que o homem tenha prosperidade financeira, e nem cura física, mas para satisfazer a justiça de Deus, para que assim, existisse a Palavra da reconciliação entre o homem e Deus, concretizando o seu propósito determinado desde a fundação do mundo em salvar um povo para Si, os eleitos. O apóstolo Paulo foi um santo homem, apto na Palavra de Deus, e mesmo assim por diversas vezes não teve suas orações respondidas de acordo com os seus desejos (2 Coríntios 12:8 – 9), teve um “espinho na carne” (profundo sofrimento agonizante), foi preso, sentiu frio, medo, foi impedido por Satanás não tendo autoridade sobre ele (1 Tessalonicenses 2:18), teve fome e sede, foi perseguido e açoitado por diversas vezes, apedrejado, sofreu perigo de morte, de salteadores, dos gentios, perigos dos falsos irmãos, sentiu fadiga, em vigílias, muitas vezes em jejum, muitas vezes em nudez, e além dessas coisas externas, o oprimia o cuidado de todas as igrejas, e no final de sua vida depois de passar por muitas coisas ruins, foi morto de uma forma cruel, decapitado em Roma/Itália segundo a tradição. (cf. 2 Coríntios 11:24 – 28; Filipenses 4. Lembremo-nos das palavras de Jesus, “no mundo tereis aflições” (João 16:33). “Jesus dizia a todos: Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me” (Lucas 9:23). O evangelho é a renuncia de nossas vidas por amor a Ele, “Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á” (Mateus 16:25). “Porque a vós vos foi concedido, em relação a Cristo, não somente crer nEle, como também a padecer por Ele” (Filipenses 1:29). Sabemos que Deus tem prazer em abençoar o Seu povo, mas nem sempre Ele o fará.

(3) Esse mestre exibe qualidades de caráter que glorificam ao Senhor?

Falando de falsos mestres, Judas 11 diz: “Prosseguiram pelo caminho de Caim, e, movidos de ganância, se precipitaram no erro de Balaão, e pereceram na revolta de Corá”. Em outras palavras, um falso mestre pode ser reconhecido pelo seu orgulho (a rejeição dos planos de Deus por parte de Caim), sua ganância (a profecia de Balaão por dinheiro) e rebelião (a autopromoção de Corá contra Moisés), “A árvore boa não pode dar frutos ruins, nem a árvore ruim produzir bons frutos” (Mateus 7:18). Para estudar mais, revise os livros da Bíblia escritos especificamente para combater falsos ensinamentos dentro da igreja: Gálatas; 2 Pedro; 2 João; e Judas. Frequentemente é difícil identificar um falso mestre – falso profeta. É disso que se trata um “lobo em pele de cordeiro”. “Existem atualmente muitos mercenários” (João 10:10). Satanás e seus demônios se mascaram como ministros de justiça (2 Coríntios 11:15). Apenas sendo inteiramente familiar com a verdade você será capaz de reconhecer uma imitação, e facilmente descobrirá um falso mestre (falso profeta).

CONCLUSÃO

 Invocamos a essa conclusão um dos principais pilares da Teologia Reformada, o Sola Scriptura.

Um dos princípios sustentado pela Reforma Protestante do Século XVI foi à afirmação da suficiência das Escrituras (Sola Scriptura significa Somente as Escrituras, em latim). Com isso, os Reformadores enfatizaram que somente a Bíblia é a única autoridade infalível dentro da Igreja: Somente as Escrituras são incondicionalmente autoritativas.

Um dos problemas fundamentais entre os cristãos dos séculos XX – XXI está na não aceitação teórica (confessional) e prática (vivencial) da Bíblia como Palavra autoritativa, inerrante e infalível de Deus. Uma visão relapsa deste ponto determina o fracasso teológico e espiritual da Igreja. Este desvio teológico, acerca destas doutrinas, tem contribuído de forma acentuada, para que os homens não mais discirnam a palavra de Deus e, por isso, não possam gozar da sua operação eficaz levada a efeito pelo Espírito Santo (cf. 1 Tessalonicenses 2:13; cf. João 17:17), caindo assim, na “rampa escorregadia dos falsos mestres”, sendo incorrentes na negação de toda Doutrina, recebendo com eles igual castigo.

“Maldita seja toda pessoa que não puser em prática as palavras desta Lei! E todo o povo pactuará, respondendo: Amém, é verdade, assim seja!” (Deuteronômio 27:26).

Paz e graça.

Capa: Marcos Frade.
Citações do Comentário Bíblico Moody [1]; Comentário Matthew Henry [2].

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Plinio Sousa

Plínio Sousa é fundador do Instituto Reformado Santo Evangelho — IRSE, é Pastor Reformado, Bacharel em Teologia e Mestre em Teologia do N.T. Especializado em Interpretação Bíblica e em Teologia Sistemática; Professor de Grego; Métodos de Estudo Bíblico; EBD — Escola Bíblica Dominical; Teologia do Novo Testamento, Psicologia; Sociologia e Filosofia da Educação, atua como Diretor Acadêmico e Professor do IRSE. É Psicólogo Cristão; Juiz de Paz Eclesiástico; (Autoridade Eclesiástica e Ministro de Confissão Religiosa, Conforme Decreto Lei 3.689/41, artigo 295 VIII §ª 4º); Capelão Cristão; Missionário; Palestrante e Escritor.

Apologista, autor de diversos artigos teológicos, de 04 (quatro) livros, atua como conteudista do Instituto Êxito de Teologia (SP), da WRF — World Reformed Fellowship (Comunidade Mundial Reformada) onde também é membro e do Santo Evangelho (Blogue do IRSE); também atua como co-editor do site Reformados 21. É membro da TDI — Sociedade Brasileira do Design Inteligente sob nº de registro 1057.

Adepto e muito abrangente com a defesa da Teologia Reformada e a herança Puritana. Acredita na inspiração verbal e plenária, na revelação proposicional, infalibilidade, inerrância, clareza e suficiência das Sagradas Escrituras. É Supralapsarianista, Calvinista, Aliancista [Teologia Pactual], Pedobatista, Amilenista, e Cessacionista –, rejeita a crença no livre–arbítrio, no apostolado contemporâneo e nos dons revelacionais. Quanto à liturgia, adota o Princípio Regulador do Culto –, como entenderam os Reformadores.
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