AMILENISMO

“E lançou-o no abismo, e ali o encerrou, e pôs selo sobre ele, para que não mais engane as nações, até que os mil anos se acabem. E depois importa que seja solto por um pouco de tempo” – Apocalipse 20:3.

Por Pr. Plínio Sousa.

Há dois tipos de amilenismo: (1) O Amilenismo Clássico que considera o Reino de Deus como sendo o domínio de Deus sobre os santos que estão nos céus, fazendo do Reino de Deus um reino celestial – o Reino dos Céus (B.B Warfield). (2) O Amilenismo Agostiniano, que também é o ponto de vista defendido pela Igreja Católica Romana, considera o cumprimento de todas as promessas do Antigo Testamento com respeito ao Reino, como sendo o reinado de Cristo do trono do Pai sobre a Igreja, que está na terra (Santo Agostinho).

Esses dois pontos de vista são considerados ortodoxos, pois ainda defendem uma interpretação literal das doutrinas da ressurreição, do juízo, do castigo eterno, e outros temas relativos. O Amilenismo Modernista, no entanto, nega as doutrinas da ressurreição, do juízo, da segunda vinda, do castigo eterno, e outros assuntos relativos. O amilenismo romano produziu o sistema de purgatório, o limbo, e outras doutrinas não bíblicas. A ênfase será apenas no amilenismo ortodoxo.

DESCRIÇÃO E ORIGEM

 O Amilenismo Agostiniano ensina que não haverá um milênio de paz e justiça na terra antes do fim do mundo. Os amilenistas crêem que haverá um crescimento contínuo de bem e mal no mundo que culminará na Segunda Vinda de Cristo quando os mortos serão ressuscitados e se processará o último julgamento. Os amilenistas crêem que o Reino de Deus está presente agora no mundo, enquanto o Cristo vitorioso governa Seu povo através de sua Palavra e Espírito. Este conceito de amilenismo recebe o nome agostiniano porque foi defendido por Agostinho de Hipona (354 – 430 d.C.). Inicialmente Agostinho era pré-milenista, mas abandonou esta posição “em vista do extremismo e carnalidade imoderada daqueles que sustentaram o pré-milenismo em sua época”.

Agostinho foi também influenciado por Ticônio “Ticonius” (370 – 390) e pelo método de interpretação alegórica de Orígenes (185 – 253). Durante os primeiros três séculos a interpretação pré-milenista dominou sobre a Igreja Primitiva, mas a partir do século IV o amilenismo ganhou força, principalmente porque a Igreja Cristã recebeu uma posição favorável do Imperador Constantino, que deu fim à perseguição da Igreja. A “conversão” de Constantino e o reconhecimento político do cristianismo foram interpretados como o princípio do reino milenial sobre a terra. No Concílio de Éfeso, em 431, o pré-milenismo foi condenado como superstição. Embora o amilenismo tenha dominado na história da Igreja por treze séculos (do século IV a XVII), especialmente porque tinha o respaldo dos Reformadores, o pré-milenismo continuou a existir e a ser defendido por certos grupos de crentes.

Durante o século XIX o pré-milenismo atraiu novamente a atenção. Este interesse foi nutrido pelo violento transtorno das instituições políticas e sociais europeias na época da Revolução Francesa. O Amilenismo Agostiniano angariou expressão no seio da Igreja, dominando por treze séculos. Ainda hoje o Amilenismo Agostiniano encontra adeptos em todas as denominações religiosas.

O Dr. Pentecost (1915 – 2004) alista sete razões porque o Amilenismo Agostiniano é tão popularmente aceito: (1) É um sistema inclusivo, que pode abraçar todas as esferas de pensamento teológico: protestante modernista, protestante ortodoxo e católico romano. (2) Com exceção do pré-milenismo, é a teoria relativa ao milênio mais antiga; e, portanto, tem a proteção ou a cobertura da antiguidade sobre ela. (3) Tem o selo da ortodoxia, porquanto foi o sistema adotado pelos reformadores e chegou a ser o fundamento de muitas declarações de fé. (4) Se conforma com o eclesiasticismo moderno, que tem acampado na igreja visível que é, para o amilenismo, o centro de todo o programa de Deus. (5) Apresenta um simples sistema escatológico, com uma só ressurreição, um juízo, e muito pouco programa profético futuro. (6) Se conforma facilmente com as pressuposições da chamada “teologia do pacto”. (7) Atrai a muitos por ser uma interpretação “espiritual” da Escritura, em vez de ser uma interpretação literal, a qual seria um “conceito carnal” do milênio.

APOIO DO NOVO TESTAMENTO

Notamos nesta definição que o termo amilenismo é infeliz, pois sugere que os amilenistas não crêem em qualquer tipo de milênio. É verdade que os amilenistas agostinianos rejeitam a idéia de um reino terreno literal de mil anos que se seguirá ao retorno de Cristo, mas também é verdade que eles crêem que o milênio de Apocalipse 20 não é exclusivamente futuro, mas está em processo de realização hoje, não literalmente, mas de forma espiritual. Cristo reina hoje na terra, através da Igreja, pois os amilenistas crêem que o reino de Deus está no seio da Igreja.

“Certa vez, tendo sido interrogado pelos fariseus sobre quando viria o Reino de Deus, Jesus respondeu: “O Reino de Deus não vem de modo visível, nem se dirá: ‘Aqui está ele’, ou ‘Lá está’; porque o Reino de Deus está entre vocês” – Lucas 17:20,21.

Os amilenistas crêem que os crentes já reinam com Cristo no presente, pois Ele “nos constituiu reino, sacerdotes para o seu Deus e Pai” (Apocalipse 1:6). A Igreja de Cristo é “sacerdócio real” (1 Pedro 2:9), e nessa qualidade reina, expandindo o Reino de Deus no mundo, através da proclamação “das virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz”. Para os Amilenistas Agostinianos o Reino de Deus prometido ao povo de Israel, foi transferido para a igreja (Mateus 25:42,43), porque Israel rejeitou o seu Messias. Por causa disso a Igreja agora é o novo “Israel de Deus” (Gálatas 6:16).

Os amilenistas crêem na expansão do evangelho, porque acreditam que Apocalipse 20:3 já se cumpriu. Para eles Satanás está preso agora. Figueredo citando Agostinho diz que em sua exegese concluiu que Cristo o prendeu na sua 1ª vinda, Ele “manietou o valente” (Mateus 12:26 – 29), desfez as obras dele (1 João 3:8), aniquilou-o na cruz (Hebreus 2:14) e triunfou dele na cruz (Colossenses 2:15). Expulsou e julgou o príncipe deste mundo (João 12:31; 16:11). Em Lucas 10:17,18 ele é “lançado à terra” quando os discípulos pregavam.

Para explicar a ação de Satanás na presente era Figueredo explica que a palavra “preso” (ἔκλεισεν – ekleisen) usado em Apocalipse 20:3 não significa inativo, mas apenas limitado. “Sua prisão, cremos, é relacionada com o impedimento de sua ação contra a Igreja (Mateus 18:16 – 18), ele não pode impedir o avanço da Igreja e do Evangelho”. Figueredo prossegue dizendo que esta limitação de Satanás terá fim, quando ele for solto novamente, fato que será concomitante com a grande tribulação (Mateus 24:29,30) e com a apostasia (2 Tessalonicenses 2:8). Depois o Senhor descerá do céu e destruirá o Anticristo. “Então se seguirão o novo céu e a nova terra, onde os salvos reinarão, não apenas por mil anos, mas para sempre”. (cf. NOTA)

“O Dr. Russel Shedd informa que Agostinho interpretou a prisão de Satanás à maneira da Escatologia Realizada de Dodd. Shedd diz que para Agostinho, Marcos 3:27 continha a chave da compreensão certa do milênio, explicou este verso assim: ninguém poderá entrar na casa do poderoso e tomar os seus bens sem primeiramente amarrá-lo. O homem forte era Satanás. Seus bens são os cristãos (antes da conversão) que estavam sob o seu domínio. Cristo o dominou, amarrando-o e segurando-o durante todo o período entre a primeira e a segunda vinda. No fim desta época Satanás será posto em liberdade para testar a Igreja. Em seguida será absolutamente dominado, iniciando a era eterna” – NOTA.

O Amilenismo Agostiniano, portanto, prevê o completo domínio do bem sobre o mal, através da pregação do evangelho. À medida que o Reino de Deus está sendo expandido na terra, através da Igreja, a situação do mundo vai melhorando.

AS DUAS RESSURREIÇÕES

 A interpretação que se dá as duas ressurreições mencionadas em Apocalipse 20:4 – 6 direcionam para uma das posições escatológicas existentes. Aqueles que interpretam as duas ressurreições como sendo ambas corporais, ocorridas interpoladamente entre um período de mil anos, inclinam-se para o pré-milenismo. Os que defendem ser a primeira ressurreição, uma ressurreição espiritual, e a segunda uma ressurreição corporal, adotam o amilenismo ou o pós-milenismo.

Os amilenistas, tanto quanto os pós-milenistas, alegam que as pessoas mencionadas em Apocalipse 20:4 que “viveram e reinaram com Cristo durante mil anos” passaram por uma ressurreição espiritual, ocorrida no novo nascimento, e agora reinam espiritualmente com Cristo.

Para fundamentar esta interpretação apelam para a exegese do texto. Afirmam que o verbo grego          “ἔζησαν” (ezēsan que significa viver, ter vida verdadeira, ser ativo, abençoado, eterno no reino de Deus) aplica-se tanto a uma ressurreição espiritual, da alma, como a uma ressurreição literal, do corpo. Aqui em Apocalipse 20 o “viveram” do versículo 4 faz referência à uma ressurreição espiritual, enquanto que o “reviveram” (ἔζησαν) do versículo 5 se refere a uma única ressurreição corporal, tanto dos salvos quanto dos perdidos.

Para dar amparo à interpretação espiritual, citam outras passagens do Novo Testamento onde o mesmo verbo grego é utilizado com esse sentido. Em João 5:21 é usado o verbo grego “ζωοποιεῖ” (zōopoiei) significa fazer viver, dar vida) com sentido espiritual. Este mesmo verbo é usado em 1 Coríntios 15:22,36,45; 2 Coríntios 3:6; 1 Pedro 3:18; Romanos 4:17. Efésios 2:1 – 6 também dá apoio a uma ressurreição espiritual. Mas a passagem de maior expressão, mencionada pelos alegoristas, para comprovar a ocorrência de uma ressurreição espiritual e outra física no mesmo contexto, encontra-se em João 5:25 – 29 “Em verdade, em verdade vos digo, que vem a hora, e já chegou, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus; e os que ouvirem viverão (“ζήσουσιν – zēsousin”) …Não vos maravilheis disto, porque vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida: e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo”.

O Dr. Ladd diz que “aqui há primeiramente uma ressurreição espiritual, seguida por uma ressurreição física escatológica. Intérpretes amilenistas argumentam que Apocalipse 20 deveria ser interpretado de forma análoga a João 5.

Para o grupo dos que vivem a hora já chegou. Isto deixa claro que a referência é aos que estão espiritualmente mortos e entram na vida ouvindo a voz do Filho de Deus. O outro grupo (todos), são os que se acham nos túmulos, são tanto aqueles que estão espiritualmente mortos, como aqueles que vivem e já tiveram parte na primeira ressurreição. Ambos serão trazidos à vida, simultaneamente, uns para a ressurreição da vida e outros para a ressurreição do juízo. “Desse modo fica claro que o texto está falando de dois tipos de “viver”: uma ressurreição espiritual no presente e uma ressurreição física no futuro”.

PROFECIAS DO ANTIGO TESTAMENTO

Um dos principais argumentos dos amilenistas para a interpretação das profecias do Antigo Testamento acerca dos últimos tempos é que as profecias do Antigo Testamento acerca da primeira vinda de Jesus cumpriram-se espiritualmente.

A hermenêutica adotada pelos amilenistas, para as profecias, é o método alegórico de interpretação. Para os amilenistas o conteúdo histórico da Bíblia deve ser entendido literalmente; o material doutrinário também deve ser interpretado desta maneira; a informação moral e espiritual, do mesmo modo, segue este padrão, entretanto, o material profético deve ser interpretado alegoricamente.

Os defensores do amilenismo argumentam que há diversas profecias, no Antigo Testamento, acerca da primeira vinda de Jesus, que se cumpriram espiritualmente. Como exemplo, podemos citar uma profecia de Oséias onde lemos: “Quando Israel era menino, eu o amei; e do Egito chamei o meu filho” (Oséias 11:1). Esta afirmação histórica que Deus chamou Israel do Egito no Êxodo foi aplicada espiritualmente, no Novo Testamento, a Jesus Cristo, em Mateus 2:15.

“… para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor pelo profeta, que diz: Do Egito chamei o meu Filho”.

Outro exemplo citado pelos exegetas amilenistas é a profecia de Isaías 53:5,6. Em seu contexto, no Antigo Testamento, esta passagem não é uma profecia do Messias, mas sim um servo anônimo, pois o servo sofredor nunca é chamado de Messias. Muitas passagens identificam o servo sofredor com o próprio povo de Israel (Isaías 45:3; 49:3 – 5; 52:13). Entretanto os escritores do Novo Testamento aplicaram o texto de Isaías 53: 5 – 6 a Jesus Cristo (Mateus 8:17; Atos 8:30 – 35). Portanto à luz do Novo Testamento o servo sofredor é ao mesmo tempo Israel e o seu Messias. Nota-se o princípio da interpretação espiritual aplicável ao texto.

Vemos este mesmo princípio aplicado à Igreja (Oséias 1:9,10; 2:23 em Romanos 9:25,26; Jeremias 31:33,34 em Hebreus 8:8 – 12) como também em relação a João Batista (Malaquias 3:1; 4:5 em Mateus 11:13,14; 17:11,12). Assim, dentro da perspectiva amilenista “o que une o Antigo e o Novo Testamento é a unidade do pacto da graça. Os amilenistas não crêem que a história deve ser dividida em uma série de dispensações distintas e discrepantes, mas veem um único pacto da graça que percorre toda a história. Este pacto da graça ainda está em efeito hoje, e culminará na convivência eterna de Deus e seu povo redimido na nova terra”.

O Dr. J. Dwight Pentecost, em sua obra Eventos do Porvir explica as implicações da teologia do pacto “Considera todo o programa de Deus como um programa redentor de maneira que todas as eras são variações na revelação progressiva do pacto da redenção. No que se refere à escatologia, considera que todos os santos de todas as eras são membros da Igreja. Isto perde de vista todas as distinções que há entre o programa que Deus tem para Israel e que tem para a Igreja, e requer a negação do ensino da Escritura de que a Igreja é um mistério, não revelado até a era presente”.

Vejamos ainda mais dois exemplos de passagens proféticas do Antigo Testamento, que são interpretadas como sendo a descrição do reino milenial. O amilenista Anthony A. Hoekema dá a sua interpretação. A primeira está em Isaías 11:6 – 9 onde lemos que “o lobo habitará com o cordeiro, e o leopardo se deitará junto ao cabrito” Hoekema argumenta que “no fim dos tempos haverá uma nova terra (por exemplo, Isaías 65:17; 66:22; Apocalipse 21:1). Por que não podemos entender os detalhes que encontramos nestes versos como descrições da vida na nova terra? Por que temos de pensar nestas palavras como se tivessem aplicação apenas a um período de mil anos precedendo a nova terra?”.

A outra passagem que Hoekema faz referência é Isaías 65:17 – 25. Ele argumenta que o verso 18 chama o leitor a exultar “perpetuamente” não apenas por mil anos nos novos céus e nova terra que acabaram de ser descritos. Isaías não está falando aqui de uma novidade para durar apenas mil anos, mas uma novidade eterna.

AMILENISMO CLÁSSICO – DESCRIÇÃO

Contrariando o amilenismo agostiniano, o amilenismo clássico não defende um futuro tão otimista para a humanidade. Para eles a presente era vai piorando cada vez mais até a Segunda Vinda de Cristo, o qual virá para dar fim a apostasia. Isto acontece porque este tipo de amilenismo ensina que o milênio mencionado em Apocalipse 20 é distinto da era da Igreja, mesmo que preceda ao Segundo Advento. Esta posição parece ter surgido, como uma tendência alternativa, em substituição ao Amilenismo Agostiniano, para explicar a realidade de que o mundo não vai melhorar, mesmo diante da pregação do evangelho. Pelo contrário, perpetua-se a incredulidade, o pecado e a rejeição de Cristo.

Desse modo os amilenistas clássicos asseveram que o milênio não é tanto um período de tempo, mas sim de um estado de bem-aventurança dos santos nos céus. Pentecost citando mais uma vez o pré-milenista John F. Walvoord (1910 – 2002), que por sua vez cita o amilenista B.B. Warfield (1851 – 1921) escreve, com a reconhecida ajuda de Theodor Kliefoth (1810 – 1895), define o milênio com estas palavras:

“A visão, em poucas palavras, é uma visão da paz daqueles que estão mortos no Senhor, e Sua mensagem para nós está incorporada nas palavras de Apocalipse 14:13: Bem-aventurados de agora em diante os que morrem no Senhor, passagem da qual a era presente é em verdade somente uma aplicação. O quadro que se nos apresenta aqui é, enfim, o quadro do estado intermediário dos santos de Deus reunidos no céu, longe do ruído confuso e das vestes banhadas em sangue que simbolizam a guerra sobre a terra, para que eles possam aguardar com segurança o fim”.

Para os amilenistas clássicos o Reino de Deus é o Reino dos Céus, e este foi inaugurado na 1ª vinda de Jesus “Se, porém, eu expulso os demônios pelo dedo de Deus, certamente é chegado o reino de Deus sobre vós”. (Lucas 11:20). Outro versículo usado para defender o amilenismo encontra-se naquela passagem quando Jesus enviou seus discípulos para pregarem o Reino de Deus aos seus compatriotas judeus, “anunciai-lhes: a vós outros está próximo o reino de Deus”. (Lucas 10:9). Desse modo, o reino prometido a Israel foi transferido para a Igreja (Mateus 21:43).

Cristo reina nos céus agora. Enquanto Ele reina, o evangelho será pregado na terra, até que seja divulgado a todas as nações (Mateus 24:14). O evangelho, porém, será rejeitado, pois os homens “não suportarão a sã doutrina” (2 Timóteos 4:3), a iniquidade se multiplicará e os crentes se esfriarão “E, por multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos”. (Mateus 24:12). Nos últimos tempos “sobrevirão tempos difíceis” (2 Timóteo 3:1), e por isso, surgirão doutrinas de demônios, para as quais “alguns apostatarão da fé” (1 Timóteo 4:1). Nesse estado caótico Jesus voltará “quando vier o Filho do Homem, achará porventura fé na terra?” (Lucas 18:8). Em sua segunda vinda julgará os povos, separará o trigo do joio, e criará os novos céus e a nova terra. É nesta nova terra que o reino dos céus será implantado.

INTERPRETAÇÃO DE APOCALIPSE

O sistema de interpretação do livro de Apocalipse é o mesmo adotado pelo pós-milenismo, conhecido como paralelismo progressivo, que foi defendido por William Hendriksen (1900 – 1982), em seu livro: “More Than Conquerors” (Mais do que vencedores: uma interpretação do livro do Apocalipse). Este método de interpretação divide o livro de apocalipse em seções, geralmente sete, “cada uma das quais recapitula os eventos do mesmo período ao invés de descrever os eventos de períodos sucessivos. Cada uma delas trata da mesma era – o período entre a primeira e a segunda vinda de Cristo – retomando temas anteriores, elaborando-os e desenvolvendo-os ainda mais. Apocalipse 20, portanto, não fala de eventos muitos removidos para o futuro, e o significado dos mil anos deve ser achado nalgum fato passado e/ou presente”.

Anthony Andrew Hoekema (1913 – 1988) utilizando-se do paralelismo progressivo interpreta Apocalipse como segue: A primeira destas seções está nos capítulos 1 a 3. (…) Conforme lemos estas cartas (dirigidas às sete igrejas) somos impressionados por duas coisas. Primeiramente, há referência a eventos, pessoas e lugares da época em que o livro de Apocalipse foi escrito. Em segundo lugar, os princípios, recomendações e avisos contidos nestas cartas valem para a igreja de todos os tempos.

A segunda destas seções é a visão dos sete selos que se encontra nos capítulos 4 a 7. (…) Nesta visão vemos a igreja sofrendo provas e perseguições sobre o pano de fundo da vitória de Cristo.

A terceira seção, nos capítulos 8 a 11, descreve as sete trombetas de julgamento. Nessa visão vemos a igreja vingada, protegida e vitoriosa.

A quarta seção, capítulos 12 a 14, começa com a visão da mulher dando à luz um filho enquanto o dragão espera para devorá-lo logo que ele nasça – uma referência óbvia ao nascimento de Cristo.

A quinta seção encontra-se nos capítulos 15 e 16. Descrevem as sete taças da ira, representando desta forma de maneira bem vívida a visitação final da ira de Deus sobre os que permanecem impenitentes.

A sexta seção, capítulos 17 a 19, descreve a queda da Babilônia e das bestas. Babilônia representa a cidade do mundo – as forças do secularismo e impiedade que se opõem ao reino de Deus.

A sétima seção, narra o fim do dragão, descreve o juízo, o triunfo final de Cristo e Sua igreja e o universo restaurado, chamado aqui de os novos céus e nova terra. Observe que apesar destas seções serem paralelas entre si, revelam também um certo grau de progressão escatológica. A última seção, por exemplo, leva-nos mais além para o futuro que as outras. Apesar do juízo final já ter sido anunciado em (1:7), e brevemente descrito em (6:12 – 17), não é apresentado detalhadamente senão quando chegamos a (20:11 – 15). Apesar do gozo final dos redimidos já ter sido insinuado em (7:15 – 17), não encontramos uma descrição detalhada e elaborada da bênção da vida na nova terra senão quando chegamos ao capítulo 21 (21:1; 22:5). Por esta razão, este método de interpretação é chamado paralelismo progressivo.

CONCLUSÃO

Acredito ser essa a posição escatológica menos complicada, Esse texto fez a exposição resumida da posição amilenista, para a maioria dos cristãos que sequer tem uma posição escatológica bem definida acerca do futuro da igreja, segue a explicação da escatologia, infelizmente não há exposição acerca desse assunto atualmente, espero ter ajudado a esclarecer a esse assunto de difícil compreensão por muitos cristãos. O presente estudo não tem a pretensão de esgotar o assunto, pois quando se trata de profecias não há ninguém neste mundo com autoridade vinda de Deus, para explicar, sem margens de erros, os acontecimentos futuros. A profecia está selada. É verdade que “O Senhor Deus não fará coisa alguma, sem primeiro revelar o seu segredo aos seus servos, os profetas” (Amós 3:7; cf. Gênesis 18:17). Também é verdade que as coisas reveladas “pertencem a nós e a nossos filhos para sempre…”(Deuteronômio 29:29b). Porém “… as coisas encobertas pertencem ao Senhor nosso Deus…”(Deuteronômio 29:29a), e “Não nos compete conhecer os tempos ou épocas que o Pai reservou para a sua exclusiva autoridade” (Atos 1:7). Devemos nos lembrar das palavras de Jesus: “… a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão somente o Pai” (Mateus 24:36).

Com estas coisas em mente, devemos percorrer o caminho das profecias com muito cuidado e humildade. Porém, não devemos nos desanimar, acreditando, como afirmam alguns, que é impossível conhecermos os tempos e épocas profetizadas. É claro que não ousaríamos descrever os detalhes das profecias, pois estes a Deus pertence, mas à nós foi dado o privilégio e também o dever de estudá-las “… para que cumpramos todas as palavras desta lei” (Deuteronômio 29:29).

Portanto ao nos dirigirmos às profecias, como crentes, é nosso dever decidir qual sistema hermenêutico que vamos adotar, se é amilenismo, pós-milenismo ou pré-milenismo. Entretanto não devemos fazê-lo com arrogância, achando que somos infalíveis. Deus só revela seus segredos àqueles que se humilham perante Ele (1 Pedro 5:5).

Quando fizermos nossas escolhas não devemos desprezar nossos irmãos em Cristo que adotam sistemas diferentes. Portanto cabe aqui o velho, mas bem apropriado axioma (provérbio) cristão:

“Unidade no essencial, tolerância no secundário, e amor em tudo!”.

Não devemos contender com nossos irmãos de opiniões diferentes, sobre questões que só a Deus compete decidir. Podemos presumir, mas não somos infalíveis.

“E esperemos pela volta de nosso Senhor Jesus Cristo para reinarmos com Ele eternamente” Amém.

Paz e graça.

Capa: Marcos Frade.

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Plinio Sousa

Plínio Sousa é fundador do Instituto Reformado Santo Evangelho — IRSE, é Pastor Reformado, Bacharel em Teologia e Mestre em Teologia do N.T. Especializado em Interpretação Bíblica e em Teologia Sistemática; Professor de Grego; Métodos de Estudo Bíblico; EBD — Escola Bíblica Dominical; Teologia do Novo Testamento, Psicologia; Sociologia e Filosofia da Educação, atua como Diretor Geral e Professor do IRSE. É Psicólogo Cristão; Juiz de Paz Eclesiástico; (Autoridade Eclesiástica e Ministro de Confissão Religiosa, Conforme Decreto Lei 3.689/41, artigo 295 VIII §ª 4º); Capelão Cristão; Missionário; Palestrante e Escritor.

Apologista, autor de diversos artigos teológicos, de 04 (quatro) livros, atua como conteudista do Instituto Êxito de Teologia (SP), da WRF — World Reformed Fellowship (Comunidade Mundial Reformada) onde também é membro e do Santo Evangelho (Blogue do IRSE); também atua como co-editor do site Reformados 21. É membro da TDI — Sociedade Brasileira do Design Inteligente sob nº de registro 1057.

Adepto e muito abrangente com a defesa da Teologia Reformada e a herança Puritana. Acredita na inspiração verbal e plenária, na revelação proposicional, infalibilidade, inerrância, clareza e suficiência das Sagradas Escrituras. É Supralapsarianista, Calvinista, Aliancista [Teologia Pactual], Pedobatista, Amilenista, e Cessacionista –, rejeita a crença no livre–arbítrio, no apostolado contemporâneo e nos dons revelacionais. Quanto à liturgia, adota o Princípio Regulador do Culto –, como entenderam os Reformadores.
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