A TRANSFIGURAÇÃO DE CRISTO

 

“Este é o meu Filho, o Escolhido; ouçam a ele!” – Lucas 9:35.

Por Pr. Plínio Sousa.

Uma lição acerca da Glória de Deus, manifestada em Seu Filho Jesus Cristo na forma encarnada, homem, onde temos uma lição para toda uma vida na terra, nunca se esquecer da Glória que será revelada em um século vindouro, por nossa gloria não é ser deste mundo.

A história da transfiguração tem uma convergência de três temas:

1) A revelação progressiva da identidade de Jesus.

2) Jerusalém como o objeto da narrativa da viagem (v.9 – 19).

3) O sofrimento, a morte e a ressurreição de Jesus.

Vistos em conjunto, esses temas fornecem a estrutura do restante da narrativa de Lucas.

Primeiro, a revelação progressiva de Sua identidade tem sido vista no capítulo 9. Quanto mais clara a Sua identidade é retratada no capítulo, porém menor é o número de pessoas a quem ela é revelada. Esse é um contraponto do perfil do crescente público do ministério. As multidões pensam que Jesus possa ser João Batista ou Elias ou um dos Profetas do passado que voltou dos mortos (v.18,19). Mas eles mal compreendem a sua identidade. Mais intimamente ainda na presença dos Doze, Ele é revelado como o Cristo de Deus (v.20). Mas para os seus três discípulos mais chegados – Pedro, Tiago e João, Ele é revelado na presença de Moisés e Elias como filho a quem Deus havia escolhido (v.28 – 36). Para o círculo íntimo, Sua identidade revelada em glorioso esplendor (v.31).

Cerca de uma semana depois de Jesus claramente dizer aos Seus discípulos que iria sofrer, ser morto e ressuscitar (Lucas 9:22), Ele levou Pedro, Tiago e João a um monte para orar. Enquanto orava, Sua aparência pessoal foi transformada em uma forma glorificada, e as suas vestes tornaram-se brancas deslumbrantes, e aqui não consigo achar o significado para natureza do que é Glória, a palavra grega que mais se aproxima é “ἐξαστράπτων – exastraptōn” que denota a ideia de brilhar repentinamente como um raio, ser radiante. Moisés e Elias apareceram e falaram com Jesus sobre a Sua morte (partida) que aconteceria em breve. Boas novas por meio das lentes da iminente morte de Jesus, uma sensação de perigo e tensão permanecera em tudo o que ocorre como um artifício significativo na história.

Esses dois homens deixaram o mundo sob circunstâncias fora do comum: Moisés foi sepultado pela mão de Deus (Deuteronômio 34:5,6), e Elias foi tomado em um redemoinho (2 Reis 2:11). Eles representavam a Lei e os profetas, subordinados a Jesus, mas importantes testemunhas da sua obra. (cf. NOTA).

NOTA: Aqui nos encontramos com outro dos grandes momentos da vida de Jesus na Terra. Devemos recordar que estava para partir a Jerusalém fazia a cruz. Já vimos a importante passagem na qual perguntou a seus discípulos quem criam que era ele, com o propósito de descobrir se alguém tinha consciência disso. Mas havia uma coisa que Jesus nunca faria: não tomaria nenhuma resolução sem a aprovação de Deus Nesta cena o vemos procurar e receber essa aprovação. Nunca saberemos o que aconteceu no Monte da Transfiguração, mas sabemos que foi algo grandioso. Jesus tinha ido ali para procurar a aprovação de Deus para o passo decisivo que ia dar. Moisés e Elias apresentaram-se a Ele. O primeiro era o grande legislador do povo do Israel; o segundo o maior de seus profetas. Foi como se os príncipes da vida, o pensamento e a religião de Israel motivassem a Jesus a continuar. Agora podia partir para Jerusalém, seguro de que ao menos um pequeno grupo de homens sabia quem era, que o que estava fazendo era à consumação de toda a vida, pensamentos e trabalho de sua nação, e que Deus estava de acordo com sua decisão.

Há aqui uma expressão muito vívida. Diz dos três apóstolos: “… mas permanecendo acordados, viram a glória do Jesus…”.

(1) Na vida perdemos muito porque nossas mentes estão dormidas. Há certas coisas que tendem a manter dormitadas nossas mentes.

(a) Os preconceitos. Pode ser que estejamos tão obstinados em nossas idéias que nossas mentes estejam fechadas. Se uma nova idéia bater à nossa porta, somos como dorminhocos que não despertamos.

(b) A letargia mental. Há muitos que rechaçam a enérgica tarefa de pensar. Disse Platão: “Não vale a pena viver uma vida que não se examinou”. Mas, quantos de nós pensamos realmente nas coisas em sua totalidade? Foi dito de alguém que havia tangenciado os clamorosos desertos da infidelidade, ao qual alguém replicou mais sábio que teria sido melhor se ele tivesse aberto passado por eles lutando. Às vezes estamos tão entorpecidos que nem sequer enfrentamos nossos problemas e nossas dúvidas.

(c) O amor à tranquilidade. Há uma espécie de mecanismo de defesa que nos faz fechar a porta automaticamente em face de qualquer pensamento que nos incomode. É possível drogar-se mentalmente até que a mente adormece.

(2) Mas a vida está cheia de coisas destinadas a despertar.

(a) A tristeza. Uma vez Edgar disse de um jovem cantor, que era tecnicamente perfeita, mas cantava sem sentimento nem expressão. “Será grande quando algo despedace seu coração” Muitas vezes a dor pode despertar rudemente ao homem, mas nesse momento, através das lágrimas verá a glória.

(b) O amor. Em alguma parte Browning fala de duas pessoas que se apaixonaram. Ela o olhou. Ele a olhou como pode fazê-lo um apaixonado “e de repente despertou a vida”. O verdadeiro amor desperta horizontes que jamais sonhamos que existiam.

(c) O sentido de necessidade. Por muito tempo alguém pode viver a rotina da vida adormecido e, de repente, surge um problema completamente impossível de resolver, alguma pergunta sem resposta, alguma tentação entristecedora, o requerimento de um esforço que considera além de sua capacidade. Nesse dia não fica outra coisa senão chorar, aferrando-se ao céu. E esse sentido de necessidade o desperta para Deus.

Faríamos bem em orar: “Senhor, mantém-me sempre acordado diante de ti”.

Segundo, a centralidade de Jerusalém quanta história é reafirmada na transfiguração. Até Moisés e Elias sabem que o destino de Jesus está na Cidade Santa: “Falavam sobre a partida de Jesus, que estava para se cumprir em Jerusalém” (v.31). Somente Lucas registra o conteúdo da conversa deles (cf. Mateus 17:3; Marcos 9:4).

Jerusalém aparece na narrativa de Lucas 31 vezes, comparadas com 12 em Mateus e 11 em Marcos. Na parte do ministério da Galiléia, Lucas refere-se à Jerusalém 14 vezes; Mateus oito vezes; Marcos, sete. A narrativa da paixão em Lucas refere-se a Jerusalém 10 vezes, comparadas com as duas de Mateus e quatro em Marcos.

Em todos os três Evangelhos a jornada para Jerusalém é importante para estrutura da narrativa do ministério galileu. Mas em Lucas ela é uma busca constante e passional.

As referências exclusivas de Lucas a Jerusalém são encontrados em (5:17; 9:31,51; 10:30; 13:4,22,33; 17:11; 19:11,41; 21:20,24; 23:7,28; 24:13,18,33,47,52). Somente em Lucas, Jesus diz “preciso prosseguir hoje, amanhã e depois de amanhã, pois certamente nenhum profeta deve morrer fora de Jerusalém!” (13:33).

Em Atos, Lucas continua seu foco em Jerusalém, com a estrutura da narrativa formada em torno do progresso do Evangelho de Jerusalém a Roma: “Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria, e até os confins da terra” – Atos 1:8. (cf. 19:21).

Finalmente, o terceiro tema é o sofrimento e a morte de Jesus. Isso é reafirmado na transfiguração quando Moisés e Elias falam sobre a Sua partida (v.31). Isso significa que a iminente morte de Jesus está preordenada por Deus e é parte do plano Divino, e não um acidente da história. (cf. NOTA).

NOTA: A obra da cruz era de importância suprema para os planos celestiais. Partida é literalmente (ἔξοδον/exodon – saída da vida, morte). A morte de Jesus foi uma retirada de uma esfera e o começo de uma nova vida em outra.

O tratamento de Lucas quanto à transfiguração é mais circunspecto do que o de Mateus e Marcos. Estes evangelistas indicam que Jesus foi “μετεμορφώθη ἔμπροσθεν αὐτῶν – metemorphōthē emprosthen autōn” – “transfigurado diante deles” (Mateus 17:2; Marcos 9:2). Lucas afasta-se dessa linguagem direta. Em vez disso, ele afirma que τὸ εἶδος τοῦ προσώπου αὐτοῦ ἕτερον – to eidos tou prosōpou autou heteron – a aparência de seu rosto se transformou (v.29). Essa linguagem está mais sintonizada com o tema de uma visão. Note que o evento ocorre à noite.

Somente o Lucas descreve os três discípulos como “dominados pelo sono” (v.32). Logo, eles veem os dois homens com Jesus quando acordam (cf. Jó 33:14,15; Isaías 29:7; Daniel 7:12).

Assim como tantos momentos significativos em Lucas, o contexto desse evento é oração (3:21; 6:12; 9:18). Eles haviam se retirado, mais uma vez, para um local solitário para orar; dessa vez, foram para o monte (v.28).

A transfiguração tem numerosas alusões e outras histórias do Antigo Testamento. Enquanto os três seguidores mais íntimos de Jesus olhavam para Ele, a aparência de seu rosto se transformou (v.29). Isso é reminiscente da glória brilhante no rosto de Moisés quando ele esteve na presença de Deus (Êxodo 34:30 – 35). As roupas de Jesus ficaram alvas e resplandecentes como o brilho de um relâmpago ou muito branca e brilhante (NTLH), assim como a vestimenta de Deus era “branca como a neve” em Daniel 7:9; cf. Atos 9:3).

Significantemente o texto de Daniel 7:13,14 logo depois fala do Filho do Homem que recebeu “autoridade, glória e o reino; todos os povos, nações e homens de todas as línguas o adorarão. Seu domínio é um domínio eterno que não acabará, e seu reino jamais será destruído” (v.14). Esse crucial ensinamento do Antigo Testamento sobre o Filho do Homem não poderia estar longe da mente do antigo leitor, Já que Lucas refere ao Filho do Homem frequentemente (25 vezes) em seu Evangelho, e recentemente em sua autoidentificação em 9:22.

Quando Moisés e Elias (v.30) repentinamente aparecem conversando com Jesus, eles também aparecem em glorioso esplendor (v.31). O aparecimento dessas duas figuras centrais do A.T com Jesus indica que Ele é o profeta prometido “como” Moisés.

Deus prometeu a Moisés em Deuteronômio que Ele levantaria “do meio dos seus irmãos um profeta como você; porei minhas palavras na sua boca, e ele lhes dirá tudo o que eu lhe ordenar” (Deuteronômio 18:18; Atos 3:22,23). Deus também prometeu a Moisés em Deuteronômio que pediria “contas” a todos se não obedecessem às palavras do profeta (Deuteronômio 18:19).

Em Atos 7:37, Lucas especificamente identifica Jesus como o profeta de quem Moisés se referia. Dada a controvérsia com os líderes religiosos sobre a identidade de Jesus em Lucas, a alusão a essa profecia que parece particularmente relevante. Em Deuteronômio, a autenticidade de um profeta era comprovada quando suas profecias cumpriam-se (Deuteronômio 18:21,22). Já que Jesus acaba de profetizar a Sua morte e ressurreição (Lucas 9:22), o leitor sabe que Jesus é o verdadeiro profeta a quem Moisés se referia. E, contundentemente, Moisés e Jesus ficam lado a lado no monte da Transfiguração, com o próprio Moisés dando a Jesus a sua aprovação como profeta.

 “O aparecimento de Moisés e Elias, com Jesus significa que a Lei e os Profetas apoiam a Jesus em sua missão messiânica”.

Onisciente narrador está ciente do tópico da conversa entre Moisés, Elias e Jesus: falava sobre a partida de Jesus, que estava para se cumprir em Jerusalém (v.31). Eles conversavam sobre a “partida” de Jesus. Em grego, isto é ἔξοδον/exodon, “um termo poderosamente simbólico” já que foi pelo Êxodo que Moisés tirou o povo da escravidão do Egito (Craddock, 1990, p.134). Aqui, isso aparece com uma circunlocução ou eufemismo para a Sua morte. Esse êxodo é descrito como algo que Ele faria “se cumprir em” (v.31). Isso indica que a Sua morte não é um acidente da história nem vitória para os Seus inimigos.

A soberania de Deus leva em conta as experiências iniciais de Jesus de ser testado no deserto (4:1 – 13). Está também em jogo a Sua disputa com os poderes demoníacos (4:33 – 36; 6:18; 7:21; 8:26 – 39). Dessa forma, o tema subjacente da história é que os propósitos redentores de Deus nunca estão em perigo de serem superados pelo mal. A referência ao cumprimento também explica, indiretamente, porque o Filho do Homem deve “sofrer” (9:22): é a vontade de Deus. (cf. NOTA).

NOTA: É necessário que o Filho do homem sofra… E no terceiro dia ressuscite. É necessário (Δεῖ – Dei “Necessário”, o termo tem força em seu significado, denota uma ideia expressa relativo ao que Cristo teve que finalmente sofrer, seus sofrimentos, morte, ressurreição, e ascensão) foi uma necessidade estabelecida pelo conselho e decreto de Deus, especialmente por aquele propósito Seu que se relaciona com a salvação dos homens pela intervenção de Cristo e que é revelado nas profecias do Antigo Testamento, indicando uma necessidade lógica. Cristo estava obrigado a cumprir o propósito de Deus revelado nas Escrituras. Este conceito aparece nas pregações da igreja primitiva (Atos 2:23,24; 13:17 – 34; 17:3; 26:22,23). A morte de Jesus foi uma tragédia, mas não foi um acidente; pois ele estava cumprindo o propósito de Deus na redenção.

Moisés e Elias também falam de Sua jornada para Jerusalém (v.31). Essa é a primeira referência a esse destino final. Significantemente, Lucas é o único a incluir tal afirmação. Em uma cena marcante, os critérios normais de tempo e de espaço são colocados de lado. A natureza surreal do evento é também vista na experiência de Pedro, Tiago e João. Eles estão “dominados pelo sono (πν hypnō Sono) (ARC: “carregado de sono”). Isso parece indicar uma cena noturna. Mas após a transfiguração, eles ficam completamente acordados (v.32).

Pedro oferece-se para construir três “σκηνὰς – skēnas”, abrigos (v.33), para celebrar o momento sagrado. Parece um gesto fraco para imortalizar esse evento transcendente, mas isso pode referir-se à Festa dos Tabernáculos (Êxodo 23:16; 34:22; Levítico 23:34 – 42  Fitzmyer, 1981, 1:801). (cf. NOTA).

NOTA: Moody define de outra forma, ele não ver a ação de Pedro como um gesto fraco, mas como um gesto de confraternização. “Pedro estava pensando em um abrigo temporário, pois ele desejava desfrutar da companhia dos visitantes celestiais durante algum tempo”.

Durante esse festival anual do outono, os peregrinos viajavam alegremente para Jerusalém para celebrar a colheita. Talvez, o ato de construir três tendas fosse inspirado pela referência a Jerusalém. Mas o narrador deixa claro que Pedro “não sabia o que estava dizendo” (v.33).

A “nuvem” representa a presença de Deus no A.T (Êxodo 16:10; 19:9,18; 24:15,18). Aqui, ela remete as aparições de Deus a Moisés no Monte Sinai durante os eventos do Êxodo. O temor é a reação típica (Êxodo 20:18 – 20). A tal teofania (Teofania é uma manifestação de Deus na Bíblia que é tangível aos sentidos humanos. Em seu sentido mais restritivo, é uma aparência visível de Deus no período do Antigo Testamento, muitas vezes, mas não sempre, em forma humana).

Pedro, João e Tiago ficaram com medo ao entrarem na nuvem (v.34). Quem entra na nuvem? Os discípulos, Jesus e os dois dignitários do Antigo Testamento, ou todos eles?

Uma voz celestial emana da nuvem: “Este é o meu Filho, o Escolhido, ouçam-no!” (v.35). Marcos e Mateus registra o “meu amado Filho” (ὁ Υἱός μου ὁ ἀγαπητός – ho Huios mou ho agapētos) Marcos 9:7; Mateus 17: 5.

Essa “no hebraico “בת קל bath qol” (= filha de uma voz) é semelhante à ocorrência no batismo de Jesus (cf. 3:21,22). Em ambas as experiências, a voz declara que Jesus é “meu Filho”.

Essas declarações são o centro teológico do Evangelho de Lucas (como também em Mateus 3:17 e 17:5; Marcos 1:11 e 9:7). Elas estabelecem a questão da identidade de Jesus por meio da proclamação divina. A dependência dos cristãos primitivos nessa passagem teria sido controversa entre os judeus. A voz do céu na tradição Judaica constituía uma autoridade divina que o argumento racional não poderia contestar.

A reivindicação cristã de uma voz declarando Jesus como o Filho de Deus usurpava a Torá no assunto central da fé judaica. Tal reivindicação teria sido especialmente provocativa após a destruição do templo, quando a Torá ficou sozinha no centro da prática judaica.

As precisas palavras da voz celestial diferem pouco daquelas pronunciadas no batismo de Jesus.

Primeiro, agora ela está na terceira pessoa: “Este é o meu filho” (v.35), e não na segunda pessoa: “Tu és o meu filho” (3:22). Isso torna-a um anúncio aos discípulos, e não uma afirmação pessoal a Jesus.

O Pai repetiu sua aprovação no final do ministério popular do Seu Filho (3:22).

Segundo, dessa vez ela não está acompanhada de um modificador, “o Escolhido”, e da ordem “ouçam-no”. A palavra “escolhi” (ἐκλελεγμένος – eklelegmenos; fonte da palavra “eleição”, em português) ecoa a linguagem da eleição, feita por Deus, de Israel entre as nações (Salmos 33:12; 65:4; Isaías 41:8; Atos 13:17), da tribo de Judá (Salmos 78:68 – 70), e de Moisés (Salmos 105:26).

Semelhantemente, Jesus “escolheu” Seus discípulos (εκλεγομαι – eklegomai, Lucas 6:13; Atos 1:2). Essa palavra não é usada nos outros Evangelhos (cf. Marcos 3:13 – 19; Mateus 10:1 – 4) Essa linguagem também ecoa em Deuteronômio 18:15 – 21. Em Deuteronômio a aceitação de um profeta como Moisés é acompanhada pela obrigação de aceitar o que ele diz: “O Senhor, o seu Deus, levantará do meio de seus próprios irmãos um profeta como eu; ouçam-no” (Deuteronômio 18:15). Logo, temos aqui em Lucas; “ouçam-no” (9:35). Jesus é o profeta como Moisés, que deve ser obedecido.

RESUMO

Uma sensação de expectativa acompanha a descida de Jesus do monte após a transfiguração.

Jesus lhes advertiu a não contarem a ninguém o que tinham visto, pelo menos até depois de sua ressurreição. As três narrativas deste evento são encontradas em Mateus 17:1 – 8; Marcos 9:2 – 8 e Lucas 9:28 – 36. Sem dúvida, o propósito da transfiguração de Cristo em pelo menos uma parte de Sua glória celeste foi para que o “círculo íntimo” dos discípulos adquirisse uma maior compreensão de quem era Jesus. Cristo sofreu uma mudança drástica na aparência a fim de que os discípulos pudessem vê-lo em Sua glória. Os discípulos, que só o conheciam em Seu corpo humano, tinham agora uma maior percepção da divindade de Cristo, embora não pudessem entendê-la completamente. Isso lhes deu a garantia de que precisavam após ouvir a notícia chocante de Sua morte próxima. Simbolicamente, o aparecimento de Moisés e Elias representava a Lei e os Profetas. Entretanto, a voz de Deus do céu – “Ouçam a Ele!” mostrou claramente que a Lei e os Profetas deviam dar lugar a Jesus. Aquele que é o novo e vivo caminho está substituindo o antigo, como é descrito na carta aos Hebreus 7:12,18,19:

“Porque, mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz também mudança da lei… Porque o precedente mandamento é ab-rogado por causa da sua fraqueza e inutilidade; (Pois a lei nenhuma coisa aperfeiçoou) e desta sorte é introduzida uma melhor esperança, pela qual chegamos a Deus”.

 Ele é o cumprimento da Lei e das inúmeras profecias no Antigo Testamento. Além disso, em Sua forma glorificada eles tiveram uma breve visualização da Sua glorificação e entronização vindoura como Rei dos reis e Senhor dos senhores. Aleluia!

Os discípulos nunca esqueceram o que acontecera naquele dia na montanha, e sem dúvida essa era a intenção. João escreveu em seu evangelho: “Vimos a sua glória, glória como do Unigênito vindo do Pai, cheio de graça e de verdade” – João 1:14. Pedro também escreveu: “De fato, não seguimos fábulas engenhosamente inventadas, quando lhes falamos a respeito do poder e da vinda de nosso Senhor Jesus Cristo; pelo contrário, nós fomos testemunhas oculares da sua majestade. Ele recebeu honra e glória da parte de Deus Pai, quando da suprema glória lhe foi dirigida a voz que disse: ‘Este é o meu filho amado, em quem me agrado’. Nós mesmos ouvimos essa voz vinda do céu, quando estávamos com ele no monte santo” (2 Pedro 1:16 – 18). Aqueles que testemunharam a transfiguração deram o seu testemunho aos outros discípulos e incontáveis milhões através dos séculos.

CONCLUSÃO

Hoje aprendemos diante esse texto sagrado que esta é uma palavra fiel e digna de toda aceitação, não devemos nos esquecer desse grande Dia, o dia da volta de nosso Senhor Jesus Cristo em grande Glória e Poder para buscar a Sua igreja, a Sua noiva, não uma meretriz! Devemos ser separados e fiéis diante nosso Noivo, pois, “Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra, para apresentá-la a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito”, por isso “Assim, aquele que julga estar firme, cuide-se para que não caia” 1 Coríntios 10:12. Imagine tal situação! Uma noiva cair na entrada nupcial, isso seria uma vergonha para si mesma, para os convidados e para o noivo! Mas se falando da eternidade, de nosso casamento eternal, será uma vergonha eterna. Pois, a igreja que não estiver fundamentada em Cristo, na verdade de Sua palavra, cairá de vergonha por toda a eternidade, sendo-a lançada no mais profundo abismo, Jesus disse: Vocês estão vendo tudo isto? Perguntou Ele. “Eu garanto que não ficará aqui pedra sobre pedra; serão todas derrubadas”, tudo que não estiver em Cristo será destruído, mas os que confiam no Senhor serão como o monte Sião, que não se abala, mas permanece para sempre (Salmos 125:1). Cristo voltou da glória da Transfiguração para continuar o seu ministério e para morrer. O primeiro passo no caminho da humilhação foi o constrangimento da impotência dos seus discípulos. Ó geração incrédula e perversa! (v.41) O Senhor falava aos discípulos, não ao pai (do jovem endemoninhado). Apesar de seus privilégios e experiência anterior no seu ministério, continuavam sem poder. A exortação às nossas vidas é que nos acheguemos a Palavra de Deus, pois, é o poder para todo aquele que crê, assim não seremos envergonhados, e não envergonharemos o nome Santo do Senhor em nossas vidas (Romanos 1:16). A glória seja dada a Jesus, “Pois dEle, por Ele e para Ele são todas as coisas. A Ele seja a glória para sempre! Amém. (Romanos 11:36). Oremos pela igreja de Cristo! Oremos! Amém.

Paz e graça.

[Citações: Comentário Bíblico Moody; William Barclay; David A. Neale – Lucas; Novo Testamento].

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Plinio Sousa

Plínio Sousa é fundador do Instituto Reformado Santo Evangelho — IRSE, é Pastor Reformado, Bacharel em Teologia e Mestre em Teologia do N.T. Especializado em Interpretação Bíblica e em Teologia Sistemática; Professor de Grego; Métodos de Estudo Bíblico; EBD — Escola Bíblica Dominical; Teologia do Novo Testamento, Psicologia; Sociologia e Filosofia da Educação, atua como Diretor Geral e Professor do IRSE. É Psicólogo Cristão; Juiz de Paz Eclesiástico; (Autoridade Eclesiástica e Ministro de Confissão Religiosa, Conforme Decreto Lei 3.689/41, artigo 295 VIII §ª 4º); Capelão Cristão; Missionário; Palestrante e Escritor.

Apologista, autor de diversos artigos teológicos, de 04 (quatro) livros, atua como conteudista do Instituto Êxito de Teologia (SP), da WRF — World Reformed Fellowship (Comunidade Mundial Reformada) onde também é membro e do Santo Evangelho (Blogue do IRSE); também atua como co-editor do site Reformados 21. É membro da TDI — Sociedade Brasileira do Design Inteligente sob nº de registro 1057.

Adepto e muito abrangente com a defesa da Teologia Reformada e a herança Puritana. Acredita na inspiração verbal e plenária, na revelação proposicional, infalibilidade, inerrância, clareza e suficiência das Sagradas Escrituras. É Supralapsarianista, Calvinista, Aliancista [Teologia Pactual], Pedobatista, Amilenista, e Cessacionista –, rejeita a crença no livre–arbítrio, no apostolado contemporâneo e nos dons revelacionais. Quanto à liturgia, adota o Princípio Regulador do Culto –, como entenderam os Reformadores.
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