A BELEZA DA SANTIDADE

 

“Adorai o Senhor na beleza da santidade” – Salmos 29:2.

Por Arthur W. Pink.

“Adorai o Senhor na beleza da santidade” (Salmos 29:2). Santidade é a antítese do pecado, e a beleza da santidade está em contraste direto com a feiura do pecado. O pecado é uma deformidade, uma monstruosidade. O pecado é repulsivo, repelente ao Deus infinitamente puro; é por isso que Ele escolheu a lepra, a mais repugnante e terrível de todas as doenças, para ser seu emblema.

Quando o Profeta foi divinamente inspirado para descrever a condição degenerada de Israel foi nestas palavras: “Desde a planta do pé até a cabeça não há nele coisa sã, senão feridas, e inchaços, e chagas podres” (Isaías 1:6). Oh, que o pecado fosse repugnante e odioso para nós; não apenas em suas formas mais grosseiras, mas o pecado em si. No extremo oposto da hediondez do pecado está a “beleza da santidade”. A santidade é amável aos olhos de Deus, é necessariamente assim. Ela é o reflexo da Sua própria natureza, pois Ele é “glorioso em santidade” (Êxodo 15:11); oh, que ela possa ser cada vez mais atraente e mais sinceramente buscada por nós. Talvez a maneira mais simples de trazer à tona a beleza da santidade será em contrastá-la a partir das belezas temporais e do sentido.

Em primeiro lugar, a beleza da santidade é imperceptível para o homem natural, e é aí que ela difere radicalmente das belezas da mera natureza. Ele pode contemplar e admirar um lindo vale, o rio que flui suavemente, os pinheiros da montanha, a queda d’agua da cachoeira, mas para a excelência das graças espirituais, ele não tem olhos. Ele considera como covarde alguém que (pela graça) humildemente se submete a provações dolorosas.

Ele olha para aquele que nega a si mesmo por amor de Cristo como um tolo. Ele considera o homem que segue rigorosamente o caminho estreito como aquele que perde o melhor da vida. O homem natural é totalmente incapaz de discernir a excelência do que é de grande valor aos olhos de Deus; alguém acha que estamos dizendo isso muito severamente? Então, deixe-o ser lembrado do fato solene de que quando o Santo habitou aqui na terra o não regenerado não viu nEle “nenhuma beleza” para que o desejassem (Isaías 53:2), e é o mesmo hoje. Deus deve remover as escamas dos olhos do nosso coração antes que possamos perceber que a santidade é bela. Em segundo lugar, a beleza da santidade é real e genuína, e é aí que ela difere radicalmente de grande parte da beleza que é vista no mundo. Quanto do que atrai o olhar do homem natural é artificial e fictício. Quanta beleza humana é forjada, produto dos artifícios de salão. Mesmo quando a beleza física é natural, quão raramente é acompanhada de virtudes morais.

Não admira que os nossos antepassados estavam acostumados a dizer: “A beleza é apenas superficial”. Não é assim com a beleza da santidade; ela está enraizada no homem interior, e lança a sua influência purificadora sobre todo o ser. “Enganosa é a graça, e vã é a formosura” (Provérbios 31:30). Mas a santidade não decepciona seu possuidor, pois, a sua beleza é espiritual e Divina. É verdade que há muitas falsificações no mundo religioso, mas o artigo genuíno tem um anel que ele, o piedoso, não pode confundir.

Em terceiro lugar, a beleza da santidade é permanente, e é aí que ela difere radicalmente de toda a beleza da Terra. O vale arborizado, cujas tonalidades variadas são tão agradáveis sob o sol de verão, é desfolhado e monótono quando chega o inverno. O pôr-do-sol glorioso que a inteligência humana não pode nem produzir nem reproduzir adequadamente desaparece em poucos minutos. O mais belo rosto humano murcha rapidamente: “toda a sua beleza se foi” (Lamentações 1:6). Mesmo quando é preservada até o fim de uma vida curta, “sua formosura se consumirá na sepultura” (Salmos 49:14). Sim, há mudança e decadência em tudo o que vemos. A única beleza que é imperecível e eterna é a beleza da santidade.

O fruto do Espírito nunca perderá a sua flor; graças espirituais serão perseveradas depois deste pobre mundo todo ter virado fumaça. Quão fervorosamente, então, devemos orar: “Seja sobre nós a formosura do SENHOR nosso Deus” (Salmos 90:17).

Em quarto lugar, a beleza da santidade é satisfatória, e aqui ela difere radicalmente da beleza das coisas do tempo e sentido. Mais cedo ou mais tarde estas igualmente enfastiam-se em alguém, senão deixam um vazio doloroso. Observe o viajor que peregrina de leste a oeste, de norte a sul, buscando novas paisagens. Em quanto tempo ele se cansa, descobrindo que a paisagem mais bela não pode fornecer o contentamento de espírito e paz de coração. O homem é mais do que uma criatura material, e, portanto, requer algo mais do que coisas materiais — não importa o quão belas — para atender às suas necessidades. São as coisas do Espírito somente, que dão satisfação. “Piedade com contentamento é grande ganho” (1 Timóteo 6:6).

 Na verdade, o Cristão nunca está satisfeito com a sua própria santidade; sim ele continua a ter fome e sede de justiça, até o fim de sua jornada no deserto; apesar do mais santo que sejamos, o mais próximo que andemos com Deus, o mais real descanso da alma que desfrutemos. E a abençoada sequência demonstrará o contraste ainda mais claramente; ao em vez de descobrir que só temos perseguido as sombras, o Cristão tem a certeza: “eu me satisfarei da tua semelhança quando acordar” (Salmos 17:15).

Em quinto lugar, a beleza da santidade é glorificar a Deus, e é aí que ela difere radicalmente de muita beleza humana. Glorificar o seu Criador é o dever sagrado do homem, e nada honra-o tanto quanto o nosso caminhar na separação de tudo o que é desagradável para Ele. Mas, infelizmente, encantos físicos e graças espirituais raramente são encontrados nas mesmas pessoas. Um notável exemplo disto é visto no caso de Absalão de quem está registrado: “Não havia, porém, em todo o Israel homem tão belo e tão aprazível como Absalão; desde a planta do pé até à cabeça não havia nele defeito algum” (2 Samuel 14:25), ainda que não temia a Deus e tenha perecido em seus pecados. Como muitas mulheres têm usado seus atrativos pessoais para seduzir os homens em vez de exaltar a Deus. Como o homem abastado e bonito tem utilizado seus dons para a autoglorificação, em vez de usá-los para o louvor de Deus. Mas a beleza da santidade sempre redunda em honra do seu Autor.

“Adorai o Senhor na beleza da santidade”. Este é o único tipo de beleza que o Senhor Se importa em nossas devoções.

“A santidade é para a alma como a luz é para o mundo, para ilustrá-la e enfeitá-la. Não é a grandeza que nos coloca diante de Deus, mas a piedade” (Thomas Watson). Deus não Se deleita em arquitetura enfeitada e vestes caras. É a beleza da pureza interior e santidade exterior que agrada ao Três-Vezes-Santo. Sinceridade de coração, fervor de espírito, reverência de comportamento, o exercício da fé, as saídas do amor são alguns dos elementos que compõem a “beleza da santidade” em nossa adoração.

Traduzido do original em Inglês

The Beauty of Holiness By A. W. Pink

Via: EternalLifeMinistries.org

Tradução por William Teixeira.

Revisão por Camila Almeida.

Paz e graça.

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LER  DEUS ESTÁ FAMINTO

Plinio Sousa

Plínio Sousa é fundador do Instituto Reformado Santo Evangelho — IRSE, é Pastor Reformado, Bacharel em Teologia e Mestre em Teologia do N.T. Especializado em Interpretação Bíblica e em Teologia Sistemática; Professor de Grego; Métodos de Estudo Bíblico; EBD — Escola Bíblica Dominical; Teologia do Novo Testamento, Psicologia; Sociologia e Filosofia da Educação, atua como Diretor Geral e Professor do IRSE. É Psicólogo Cristão; Juiz de Paz Eclesiástico; (Autoridade Eclesiástica e Ministro de Confissão Religiosa, Conforme Decreto Lei 3.689/41, artigo 295 VIII §ª 4º); Capelão Cristão; Missionário; Palestrante e Escritor.

Apologista, autor de diversos artigos teológicos, de 04 (quatro) livros, atua como conteudista do Instituto Êxito de Teologia (SP), da WRF — World Reformed Fellowship (Comunidade Mundial Reformada) onde também é membro e do Santo Evangelho (Blogue do IRSE); também atua como co-editor do site Reformados 21. É membro da TDI — Sociedade Brasileira do Design Inteligente sob nº de registro 1057.

Adepto e muito abrangente com a defesa da Teologia Reformada e a herança Puritana. Acredita na inspiração verbal e plenária, na revelação proposicional, infalibilidade, inerrância, clareza e suficiência das Sagradas Escrituras. É Supralapsarianista, Calvinista, Aliancista [Teologia Pactual], Pedobatista, Amilenista, e Cessacionista –, rejeita a crença no livre–arbítrio, no apostolado contemporâneo e nos dons revelacionais. Quanto à liturgia, adota o Princípio Regulador do Culto –, como entenderam os Reformadores.
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