80 RAZÕES PORQUE O CRISTÃO NÃO PODE PERDER A SALVAÇÃO

“Porque Deus nos escolheu nele antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em sua presença” – Efésios 1:4.

Por Pr. Plínio Sousa.

INTRODUÇÃO

Certa vez, Spurgeon disse:

Uma expiação universal é como uma ponte de grande largura com somente metade de um arco, ela não cruza o rio: Chega somente à metade do caminho, ela não pode assegurar a salvação de ninguém.

Acredito que 80 razões são suficientes para que o crente tenha segurança convicta na salvação. Apenas uma promessa de Deus, somente uma, seria suficiente para que o crente, na Pessoa de Cristo, descansasse e regozija-se em uma esperança viva, mas com fé, temor e tremor, com o máximo de fidelidade à sã doutrina. Vejamos, pois:

01) Gênesis 7:16 – Sendo a arca um tipo de Cristo (1 Pedro 3:20, 21; Romanos 6:4), o crente está seguro nEle (Colossenses 3:3; Apocalipse 3:7).

Fazendo um paralelo de Gênesis 7:16 com João 10:9 onde Cristo diz ser a porta das ovelhas, podemos de forma metafórica, assim dizer que a porta da arca também simbolizava Cristo.

A palavra grega usada para “porta” em João 10:9 é “θύρα – thyra” que metaforicamente significa porta através da qual as ovelhas entram e saem, nome daquele que traz salvação para aqueles que seguem a sua orientação, a porta do reino do céu (semelhante a um palácio) denota as condições que devem ser cumpridas a fim de ser recebido no reino de Deus. Assim podemos afirmar que Jesus está tipificado na porta da arca, não somente como a “arca” que nos conduz seguro a salvação, mas a entrada que nos leva a salvação. Por sua vez, Noé cumpriu as orientações de Deus para sua própria salvação, e a de seus entes queridos, assim todos os crentes em Cristo recebeu de Deus o dom da salvação em Cristo Jesus, assim tendo segurança e salvação por meio de Seu sacrifício. (cf. Efésios 2:8, 9; Atos 16:31); (cf. NOTA).

NOTA: Jesus se referia aos vice-pastores do rebanho ou a todos os crentes? Favorável ao primeiro ponto de vista está o fato de que entrar já foi usado em relação ao pastor (v.1, 2). Além disso, entrar e sair é uma familiar expressão do A.T., relacionada com a atividade do líder (1 Samuel 18:16; 2 Samuel 3:25). Apesar disso, a largura da linguagem – alguém – e as palavras será salvo favorecem uma referência inclusiva. No sentido redentor a palavra salvar ocorre poucas vezes em João (3:17; 5:34; 12:47). A liberdade do crente, em contraste com a sua situação no Judaísmo, parece estar indiretamente sugerida ao entrar e sair e sua nova satisfação (achará pastagem) era uma bem recebida mudança da aridez dos ensinamentos aos quais estivera sujeito.

D. A Carson define o (v.9 – 10) da seguinte forma:

Barrett (p.371 – 373) provê uma lista impressionante de expressões “porta” nas fontes judaicas, cristãs e helenísticas. Mas a riqueza da lista derrota seu propósito. Tudo o que se demonstra é que “porta” é uma metáfora comum em várias religiões. Que significado ela tem em qualquer passagem particular deve ser determinado pelos parâmetros contextuais e conceituais do texto à mão. Aqui, a idéia não é que o pastor Jesus tira seu próprio rebanho de um curral bastante misturado (v.1 – 5), mas que Jesus, a porta, é o único meio pelo qual as ovelhas podem entrar na segurança do curral (v.9a) ou na rica forragem do pasto (v.9b). O pensamento é semelhante a João 14:6: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim”. Enquanto o ladrão vem apenas para roubar, matar e destruir, Jesus vem para que tenham vida, e a tenham plenamente. Essa é uma forma proverbial de insistir que há somente um meio de receber vida eterna (os sinóticos podem ter preferido falar sobre entrar no reino, embora entrar na vida também seja atestado neles); somente uma fonte de conhecimento de Deus; somente uma fonte de nutrição espiritual; somente uma base para a segurança espiritual –, somente Jesus. O mundo ainda procura seus salvadores humanísticos e políticos – seus Hideres, Stalins, Maos e Pol Pots — e, só muito tarde, fica-se sabendo que eles confiscaram descaradamente propriedades privadas (eles vieram “apenas para roubar”), cruelmente espezinharam a vida humana (eles vieram “apenas para […] matar”), e desdenhosamente atacaram tudo que é valioso (eles vieram “apenas para […] destruir”). Jesus tem razão. Não é a doutrina cristã do céu que é o mito, e sim o sonho humanista de utopia. Dentro do mundo metafórico, vida […] plenamente sugere ovelhas gordas, saciadas e vigorosas, não aterrorizadas por bandidos; fora do mundo narrativo, ela significa que a vida que os verdadeiros discípulos de Jesus desfrutam não deve ser entendida como mais tempo para preencher (meramente vida “eterna”), mas vida de qualidade dificilmente imaginada, vida para ser vivida. E tentador ver aqui uma alusão ao Salmos 118:20: “Esta é a porta do Senhor, pela qual entram os justos”. Certamente os versículos seguintes (118:22 – 24) são apropriadamente aplicados a Cristo em outro lugar no Novo Testamento (Mateus 21:42; 2 Pedro 2:7).

Concluo afirmando que os justos pela fé (Romanos 1:17) viveram, entraram pela “porta” Jesus, e se refugiaram na “arca” Jesus, imputados em sua santa justiça consumada no Calvário.

02) Efésios 4:30 – O crente está selado no Espirito Santo (Efésios 1:13; 2 Timóteo 2:19), e este selo é inviolável e irrevogável (Ester 8:8; Daniel 6:12).

O termo grego para “fostes selados” é “ἐσφραγίσθητε – esphragisthēte” que exprimi a ideia de colocar um selo, marcar com um selo, selar por segurança: de Satanás. A fim de provar, confirmar, ou atestar algo, autenticar, provar o testemunho de alguém: provar que ele é quem diz ser, ou seja, confirmar o testemunho de um crente na pessoa de Cristo, autenticar a salvação por meio de Jesus Cristo, assegurando com uma marca (um selo) que todos os crentes em Cristo estão livres das acusações de Satanás para o Dia da redenção.

A palavra usada para redenção no grego é “ἀπολυτρώσεως – apolytrōseōs” que significa uma libertação efetuada pelo pagamento de resgate, liberação obtida pelo pagamento de um resgate.

Os crentes serão libertados definitivamente do poder do pecado e da morte, e terão suas entradas liberadas no Reino dos céus pelo sacrifício de Jesus na Cruz no Calvário. (cf. NOTA).

NOTA: E não entristeçais o Espírito de Deus. Aquilo que entristece o Espírito Santo é pecado. O remédio é a confissão (cons. 1 João 1:9). Embora o Espírito Santo possa ser entristecido, Ele jamais abandona o crente. Ele é o nosso selo. Fomos selados por Ele para o dia da redenção (cons. Efésios 1:13). Ele é a garantia de que a nossa redenção será completada.

03) 2 Coríntios 1:22 – O crente tem o penhor do Espirito Santo como garantia segura e inabalável (2 Coríntios 5:5).

A palavra grega usada para “penhor” é “ἀρραβῶνα – arrabōna” que descreve o Espírito Santo como o penhor de nossas alegrias futuras e contentamento no céu. O Espírito Santo nos dá um antegozo ou garantia das coisas que acontecerão.

04) Gálatas 3:15 – Deus fez com o crente, na pessoa de Abraão (Gálatas 3:29), uma aliança irrevogável.

A palavra grega usada para testamento é “διαθήκην – diathēkēn” onde aparece também em Hebreus 9:16 para identificar um testamento, ou vontade que não tem autoridade legal até a morte da pessoa que o fez, conforme ilustrado pela ratificação do primeiro testamento do Sinai (cf. Êxodo 24:5 – 8). Da mesma maneira, a morte de Cristo foi necessária para o estabelecimento do Novo Testamento. (cf. NOTA).

NOTA: (v.15) Falo como homem. Esta é uma expressão técnica, uma espécie de pedido de desculpas. A imutabilidade dos arranjos divinos estaria além de qualquer debate, mas Paulo acha que é necessário discutir o assunto para tomar inteiramente compreensível aos seus leitores. Mesmo nos arranjos humanos, uma vez confirmados, uma parte do convênio não pode, por si mesmo, deixá-lo de lado como se não mais vigorasse, nem pode lhe acrescentar algo como nos testamentos. (v.26 – 29) Todos, tanto os gentios como os judeus são bem recebidos na família de Deus mediante a fé. E assim eles alcançam sua posição em Cristo Jesus. Batizados em Cristo. O batismo nas águas leva uma pessoa a desfrutar da comunhão da Igreja, mas por trás desse fito jaz um aspecto mais significativo do batismo – ser separado pelo Espírito para viver em união com Cristo e o Seu corpo (1 Coríntios 12:13). De Cristo vos revestistes. O Senhor Jesus se torna o segredo e a esfera da nova vida que é participada com outros crentes. Sois um em Cristo Jesus. Filiação com Deus envolve fraternidade em Cristo. Surge um novo homem nele (Efésios 2:15). As costumeiras distinções e divisões da vida desaparecem neste relacionamento. Estar em Cristo Jesus, pertencendo-Lhe, faz-nos parte dos descendentes de Abraão, uma vez que Cristo é essa descendência, conforme já ficou declarado em Gálatas 3:16, 19. Filiação faz do crente também um herdeiro (Romanos 8:17).

A palavra pacto, concerto, aliança muitas vezes usado nas Escrituras pela palavra “בְּרִיתִ֣י – b êriyth” (Testamentum). Porque a palavra aliança é utilizada para designar a relação estreita que Deus entrou pela primeira vez com Noé (Gênesis 6:18; 9:9). Depois com Abraão, Isaque e Jacó, e sua posteridade (Levítico 26:42). Mas, sobretudo com Abraão (Gênesis 15 e Gênesis 17), e depois por meio de Moisés com o povo de Israel (Êxodo 24; Deuteronômio 5:2; 29:1). Com esta última aliança os israelitas são obrigados a obedecer à vontade de Deus expressa e solenemente promulgada na Lei mosaica, e Ele (Deus) o Todo-poderoso, lhes promete a sua proteção e bênçãos de todos os tipos neste mundo, mas ameaça transgressores com as punições mais severas.

Assim, no Novo Testamento encontramos menção de “αἱ πλάκες τῆς διαθήκης – As placas do pacto” (הַבְּרִית לוּחות, Deuteronômio 9:9, 15), as tábuas da lei, em que os deveres do pacto foram inscritos (Êxodo 20); “κιβωτός τῆς διαθήκης – Arca da Aliança” (הַבְּרִית אֲרון, Deuteronômio 10:8; Deuteronômio 31:9; Josué 3:6), a arca da aliança ou lei, em que essas tabelas foram depositados, Hebreus 9:4; Apocalipse 11:19; “διαθήκη περιτομῆς – aliança da circuncisão”, a aliança da circuncisão, fez com Abraão, cujo sinal e selo era a circuncisão (Gênesis 17:10; Atos 7:8); de “τό αἷμα τῆς διαθήκης – o sangue da aliança”, o sangue das vítimas, pelo derramamento e aspersão do qual o pacto Mosaico foi ratificado (Hebreus 9:20; Êxodo 24:8), de “αἱ διαθῆκαι – os pactos, os acordos, os testamentos, os convênios” um feito com Abraão, o outro por meio de Moisés com os israelitas (Romanos 9:4). “αἱ διαθῆκαι τῆς ἐπαγγελίας – as promessas” as obrigações às quais a promessa de salvação através do Messias foi anexada (Efésios 2:12). “συνθηκαι ἀγαθῶν ὑποσχέσεων” para a salvação cristã é o cumprimento das promessas divinas, anexo a esses convênios, especialmente a que fez com Abraão (Lucas 1:72; Atos 3:25; Romanos 11:27; Gálatas 3:17) onde “διαθήκη” é de Deus arranjo, ou seja, a promessa feita a Abraão. Como o novo e muito mais excelente vínculo de amizade que Deus no tempo do Messias entraria em com o povo de Israel é chamado “חֲדָשָׁה בְּרִית” – “καινή διαθήκη – Novo Testamento” (Jeremias 31:31) – Que promessa divina Cristo fez (Hebreus 8:8 – 10; Hebreus 10:16) – que encontramos nos N.T dois pactos distintas faladas “δύο διαθῆκαι – Dois concertos” (Gálatas 4:24; Hebreus 9:15, 18, cf. 8:9) o último é contrastada, como “καινή διαθήκη – Novo Tetsamento” (Mateus 26:28; Marcos 14:24; 1 Coríntios 11:25; 2 Coríntios 3:6; Hebreus 8:8). “κρείττων διαθήκη – Concerto mais útil, mais vantajoso, mais aproveitável”, Hebreus 7:22; “αἰώνιος διαθήκη”, Hebreus 13:20; e Cristo é chamado “κρείττονος – mais útil, mais vantajoso, mais aproveitável” ou “νέας διαθήκης μεσίτης – Um novo mediador” (Hebreus 8:6; 9:15). Esta nova aliança liga os homens a exercer fé em Cristo, e Deus lhes promete graça e salvação eterna. Este pacto Cristo estabeleceu e ratificou (validou ou reafirmou algo que foi dito ou prometido) por sofrer morte, e morte de Cruz, portanto, as frases “τό αἷμα τῆς καινῆς διαθήκης – O sangue do Novo Testamento” – “τό αἷμα τῆς διαθήκης – O sangue da aliança” (Hebreus 10:29) – e “τό αἷμα μου τῆς διαθήκης – O meu sangue da aliança, ou meu sangue pelo derramamento de que a aliança é estabelecida é a segurança do crente na pessoa e sacrifício de Jesus Cristo. O crente está no “melhor concerto”, pois é um Testamento Novo, definitivo e eterno onde o testador, morreu e ressuscitou para cumprir a Lei e a promessa já antes estabelecida (Mateus 26:28; Marcos 14:24).

05) 1 Coríntios 11:25 – Deus fez com o crente, na pessoa de Abraão, uma aliança incondicional, selada com sangue (Jeremias 34:18, 19; Gênesis 15:12 – 21), e não com sapato (Rute 4:7, 8) ou com sal (Números 18:19; Levítico 2:13).

06) Gênesis 17:7 – 10 – Deus fez com o crente, na pessoa de Abraão, uma aliança unilateral (o rompimento da aliança só seria possível se Deus morresse).

07) Jeremias 31:31 – 33 – Mediante a nova aliança (com sangue), o temor do Senhor é insuflado no coração do crente (Jeremias 32:39, 40) para que não se aparte de Deus (Hebreus 3:12; 8:8 – 13; Ezequiel 36:26, 27).

08) Salmos 12:7 – O crente é guardado por Deus, do mal que há no mundo.

09) Salmos 17:8 – O crente é guardado por Deus como a menina dos Seus olhos.

10) Salmos 25:20 – A alma do crente é guardada por Deus (Salmos 97:10).

11) Salmos 37:28 – O crente é preservado para sempre.

12) Salmos 121:5 – 8 – O Senhor guarda o crente, guarda a sua alma de todo o mal; guarda a sua saída, guarda a sua entrada, e o guarda para sempre.

13) Salmos 145:20 – O Senhor guarda os crentes que O amam.

14) Jeremias 31:3 – O amor de Deus para com o crente é eterno.

15) Jó 5:19 – O crente é guardado do mal (Salmos 91: João 17:9 – 26).

16) 1 João 5:18 – O crente é guardado do maligno (2 Tessalonicenses 3:3; Jeremias 31:11).

“Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não está no pecado; aquele que nasceu de Deus o protege, e o Maligno não o atinge”.

O termo grego para “[o] protege” é “τηρεω – tereo” que expressa cuidado atento e sugere posse presente, indica custódia segura e frequentemente implica em ataque de fora [do Diabo], pode marcar o resultado do qual “φυλασσω – phulasso” que significa guardar de ser perdido ou de perecer, cuidar para não escapar, guardar uma pessoa para que permaneça segura, é o meio. A palavra grega que descreve “[não o] atinge” é “ἅπτεται – haptetai” que denota a ideia de tocar, assaltar ou atacar alguém, e dessa investida do Diabo o crente está seguro por Deus, em Jesus Cristo. (cf. NOTA).

NOTA: (v.18) “Sabemos”. Com conhecimento certo e positivo. Não vive em pecado. Tempo presente, pecado habitual. “O poder da intercessão para vencer as consequências do pecado poderiam parecer um encorajamento para uma certa indiferença ao pecado” (Westcott; p.193). “A condição da filiação divina é incompatível, não simplesmente com o pecado para morte, mas com o pecado de qualquer aspecto” (Plummer; p.125). “Toca, atinge, ou detenha”. Aparece em João só em João 20:17, e não significa um simples toque superficial, mas um agarramento. Satanás não pode agarrar e manter preso aquele que é nascido de Deus.

Em 2 Tessalonicenses 3:3 em uma afirmativa diz que o “Senhor é fiel, que confortará e guardará (o crente) do maligno”. (cf. Satanás sabe quem são os eleitos de Deus?).

A palavra grega para “guardará” é “φυλάξει – phylaxei” que significa guardar ou vigiar, manter o olhar sobre: para que não escape, guardar de ser raptado, preservar seguro e sem distúrbio, guardar de ser perdido ou de perecer. Por isso a afirmação de Mateus em dizer “Pois se levantarão falsos cristos e falsos profetas e apresentarão grandes milagres e prodígios para, se possível, iludir até mesmo os eleitos”. Se possível, por que não há possibilidade de um eleito ser iludido, engando pelos mensageiros de Satanás. (cf. 2 Tessalonicenses 2:9 – 11; Apocalipse 13:13, 14; 2 Timóteo 2:19).

As palavras gregas “φυλάξει – phylaxei” e “τηρεω – tereo” expressam o mesmo significado, são termos sinônimos.

17) Judas 24 – O crente é guardado para não tropeçar (1 Samuel 2:9; Isaías 63:13).

“Àquele que é poderoso (Deus) para impedi-los de cair e para apresentá-los diante da sua glória sem mácula e com grande alegria” – Judas 1:24.

O termo “para impedi-los – ou seja, manter seguro de tropeçar” no grego é descrito pela mesma palavra usada em 2 Tessalonicenses 3:3 e 1 João 5:18 “φυλάξει – phylaxei”. A ação de preservar o crente é direta, sendo a proteção o criador, salvador e consolador (Trindade). (cf. NOTA).

NOTA: Uma das maiores e mais sublimes bênçãos do N.T., é esta que se encontra no final desta curta epístola. Duas outras bênçãos paulinas comparáveis são a de Romanos 16:25 e 1 Timóteo 6:14 – 16. Vital a todas as exortações feitas aos crentes é o lembrete dos recursos infinitos do próprio Deus, único que tem competência para nos guardar de tropeçarmos nesta vida e atraí-los a Ele próprio no último dia. Ele aperfeiçoará a obra da santificação para que os crentes sejam irrepreensíveis, ou imaculados.

18) João 11:9 – A fé do crente não lhe permite tropeçar (Romanos 9:31 – 33).

19) Provérbios 10:25 – O crente tem perpétuo fundamento (2 Timóteo 2:19; 1 Coríntios 3:11).

“Passada a tempestade, o ímpio já não existe, mas o justo permanece firme para sempre” – Provérbios 10:25.

20) 1 Pedro 1:5 – O crente é guardado pela fé no poder de Deus.

21) Hebreus 12:2 – Jesus é o Autor da fé, e por isso, o crente não pode perdê-la (Filipenses 1:29; 1 Coríntios 3:5; Atos 18:27; Gálatas 5:22; 2 Tessalonicenses 3:2).

22) Romanos 16:25 – O crente é guardado pelo poder de Deus (2 Timóteo 1:12; Judas 24). (cf. NOTA).

NOTA: Desta maneira a carta aos romanos chega a um final com doxologia, que é também um resumo do evangelho. Aqui ressoam as notas do evangelho que Paulo pregou e amou. (1) É um evangelho que faz os homens capazes de manter-se firmes. Deus disse a Ezequiel: “Filho do homem, põe-te em pé, e falarei contigo” (Ezequiel 2:1). O Evangelho é aquele poder que faz os homens capazes de erguer-se solidamente contra os embates do mundo e os assaltos da tentação.

A doxologia centraliza-se na capacidade ou poder de Deus de fortalecer os eleitos. O fortalecimento divino é segundo o evangelho de Paulo e a pregação de Jesus Cristo.

Essa pregação tem sido levada avante conforme a revelação do mistério ou segredo. Três coisas são declaradas sobre o mistério ou segredo: (1) guardado em silêncio nos tempos eternos, ou há muito tempo atrás (v.25). (2) agora se tornou manifesto, e foi dado a conhecer por meio das Escrituras proféticas (isto é, o A.T.), segundo o mandamento do Deus eterno (v.26). (3) para a obediência por fé, entre todas as nações (v.26).

23) Hebreus 6:17 – A salvação do crente se fundamenta em duas coisas imutáveis: a) a promessa (Josué 21:45; Atos 13:32; 2 Coríntios 1:20; Efésios 3:6; Hebreus 9:14, 15; 10:23; 1 João 2:25); b) o juramento (Hebreus 6:16). Só a promessa, sem o juramento já era em si mesma suficiente, mas Deus querendo mostrar a imutabilidade daquilo que Ele decretou, foi além da promessa, fazendo juramento. E Deus foi ainda mais além quando jurou pelo Seu próprio nome, porque não havia outro nome superior ao Seu (Hebreus 6:13, 16; Jeremias 44:26; Números 23:19).

24) Salmos 37:32, 33 – O crente jamais será condenado (Salmos 89:30 – 35; 1 Coríntios 11:32).

“O ímpio fica à espreita do justo, querendo matá-lo; mas o Senhor não o deixará cair em suas mãos, nem permitirá que o condenem quando julgado” – Salmos 37:32, 33.

25) Salmos 37:23, 24 – Se o crente cair, não ficará prostrado (Salmos 145:14; Provérbios 24:16; Jó 4:4; Romanos 14:4; Miquéias 7:8).

26) Salmos 121:3 – O crente pode se desviar temporariamente da “graça” [pecar] (Gálatas 5:4), mas jamais cair finalmente da graça [apostatando] (Salmos 17:5; 66:9).

“Meus passos seguem firmes nas tuas veredas; os meus pés não escorregaram” – Salmos 17:5.

27) Isaías 46:3, 4 – O crente é conduzido por Deus até o fim (Salmos 121:8).

28) 1 Coríntios 10:13 – A tentação não pode condenar o crente (Romanos 6:14, 18; 2 Pedro 2:9). (cf. NOTA).

NOTA: (v.13) Não vos sobreveio tentação que não fosse humana. Quem quiser pode contentar-se com suas interpretações pessoais. Quanto a mim, penso que isto foi escrito para encorajar os coríntios, para que, após ouvirem acerca desses terríveis exemplos da ira divina, mencionados por Paulo, não ficassem perturbados, nem assombrados, nem sucumbidos. Consequentemente, a fim de que sua exortação tivesse algum efeito, ele acrescenta que há oportunidade para arrependimento. Ele poderia ter posto nestes termos: “Não há necessidade de desespero, e eu mesmo não tive a intenção de deixar-vos desanimados. Naturalmente, o que vos sobreveio não vai além do que usualmente sucede aos homens.” Outros são mais inclinados a crer que aqui ele está recriminando a pusilanimidade dos coríntios em ceder quando uma tentação leve os atingia; e não há dúvida de que o termo “humanus”, traduzido por humana, às vezes significa moderado. Portanto, o significado, segundo eles. É o seguinte: “É correto que vos deixeis sucumbir diante de uma leve tentação?”. Visto, porém, ser mais adequado ao contexto olharmos este versículo em termos de consolação, então sinto-me mais inclinado a adotar este ponto de vista.

Deus, porem, é fiel. Assim como lhes disse que tivessem bom ânimo com relação ao passado, com o fim de movê-los ao arrependimento, também os encoraja com uma esperança definida para o futuro, pois Deus não permitirá que fossem tentados além de suas forças. Contudo os adverte a que atentassem bem para o Senhor, porque, se pusermos nosso coração em nossos próprios recursos, a tentação, não importa quão suave seja, levará a melhor sobre nós e nos subjugará. Ele denomina o Senhor de fiel. Sua intenção vai além da idéia de Deus ser verdadeiro em suas promessas. Ele poderia ter posto nestes termos: “O Senhor é o Protetor comprovado de seu povo, e em sua proteção estais seguros, porque jamais deixa os seus entregues a sua própria sorte. Por isso, tendo-vos uma vez tomado sob sua fidedignidade pessoal [in suam fidem], não tendes necessidade alguma de temer, desde que dependais inteiramente dele. Pois indubitavelmente estaria procedendo falsamente em relação a vós caso viesse a revogar seu apoio no momento em que necessitássemos dele; ou, ao nos ver lutando em meio às fraquezas, arqueados sob pesado fardo, permitisse se prolongassem nossas lutas (tentações) por tempo indefinido.

29) João 4:14 – O crente jamais terá sede (Lucas 16:24). (cf. NOTA).

NOTA: A água do poço tinha de ser consumida ininterruptamente, mas a água que Cristo fornece satisfaz de modo que a pessoa nunca mais terá sede. É assim que a vida eterna refrigera. Pode-se estabelecer um paralelo com os repetidos sacrifícios da antiga aliança e o sacrifício do Cordeiro de Deus oferecido uma vez para sempre. Ainda não compreendendo, mas já receptiva, a mulher pediu essa água, para que a sua vida ficasse mais fácil (4:15). [Comentário Bíblico Moody – João].

30) João 5:24 – O crente já passou da morte para a vida.

Esse versículo, introduzido pela fórmula solene: Eu lhes asseguro, desenvolve um tema introduzido nos versículos precedentes. O Filho. João nos disse, “dá vida a quem Ele quer” (v.21). Agora, apresenta-se quem são essas pessoas em outros termos: Quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou (a construção grega apresenta uma descrição singular e coordenada) tem a vida eterna e não será condenado. O Filho curou o inválido junto ao tanque de Betesda com Sua palavra, e Sua palavra é também que traz vida eterna (cf. 6:63, 68) e purificação (15:3), ou julgamento (12:47). Aquele que pertence a Deus ouve o que Deus diz (8:47). Ouvir a palavra de Jesus é idêntico a ouvir a palavra de Deus, já que o Filho fala somente o que o Pai lhe concede dizer. Ouvir, nesse contexto, como acontece com frequência em outras passagens, inclui crença e obediência. A crença é declarada, e seu objeto é aquele que enviou Jesus – não porque seria inapropriado especificar Jesus como o objeto de fé (3:16; 14:1), mas porque o contexto imediato está preocupado em mostrar como o Filho, em tudo que Ele diz e faz, media o Pai para nós. Como as palavras e os feitos do Filho são as palavras e os feitos do Pai, então a fé colocada no Filho é colocada no Pai que o enviou. Aquele que ouve e crê dessa forma tem a vida eterna e não será condenado (“κέκριται – kekritai”, aqui significando “julgado desfavoravelmente”, como em 3:18 “κρινω – krino”). A idéia é praticamente indistinguível do componente negativo da doutrina da justificação de Paulo: o crente não vai ao julgamento final, mas deixa a corte já absolvido. Nem é necessário para o crente esperar até o último dia para experimentar um pouco da vida da ressurreição: o crente tem a vida eterna e passou da morte para a vida (cf. Colossenses 1:13). Essa é talvez a mais forte afirmação no quarto evangelho da escatologia inaugurada. Todavia, isso não significa que o evangelista adotou o erro de Himeneu e Fileto (2 Timóteo 2:17, 18), que afirmavam que a ressurreição já havia acontecido. Os versículos seguintes (especialmente v.28,29) demonstram que João ainda antecipa uma ressurreição final. Mas a ênfase sobre a escatologia realizada é tipicamente joanina.

31) Romanos 6:8, 9 – O crente já morreu com Cristo (2 Timóteo 2:11).

32) 1 Pedro 1:3, 4 – O crente foi regenerado para uma viva esperança.

33) 1 Pedro 1:23 – O crente foi regenerado pela Palavra de Deus.

34) 1 João 3:9 – O crente foi regenerado pelo Espirito Santo (João 3:5; Tito 3:5).

35) João 6:37 – 40 – O crente jamais será lançado fora.

36) João 6:47 – O crente já possui a vida eterna (1 João 5:11 – 13; 1 Timóteo 6:12).

37) João 10:28 – O crente não pode ser arrancado da mão do Filho.

Cristo oferecia a vida eterna como um presente (10:28). Ao dizer que jamais perecerão se pertencessem ao seu rebanho, Jesus usou a mais forte expressão conhecida na língua. Essa certeza era possível porque a vida oferecida fundamentava-se no Seu dom (Romanos 11:29) e não em consecuções (execuções, conquistas, realizações, obtenção ou conseguimentos) humanas. Suas ovelhas também estavam a salvo de influências estranhas – ninguém as arrebatará da minha mão. As ovelhas pertenciam a Cristo porque eram presentes do Pai para Ele (10:29). Naturalmente o Pai tinha interesse na sua preservação. Considerando que Ele é supremo – maior do que tudo – não se pode imaginar que algum poder seja capaz de arrancá-las de Sua protetora mão (Romanos 8:38, 39). A conclusão do assunto é que nenhuma separação pode ser feita entre o Pai e o Filho. Eles são mais do que colaboradores, são um na essência (a palavra um não está no masculino – um indivíduo – mas no neutro, um ser).

38) João 10:29 – O crente não pode ser arrancado da mão do Pai.

39) Lucas 15:3 – 10 – Há alegria no céu por um pecador (ovelha perdida resgatada pelo poder de Jesus, transmitido pelo Evangelho) que se arrepende.

40) João 10:27 – O crente é conhecido do Senhor (João 10:14; 2 Timóteo 2:19; 1 Coríntios 8:3; Gálatas 4:9; Mateus 7:21 – 23).

O que então poderia explicar a obtusidade (a insensibilidade e a estupidez) de tantos ouvintes? E que eles não pertencem às ovelhas de Jesus. Não é só que suas próprias ovelhas ouçam a sua voz, que Ele as conheça e que elas o sigam (afirmações dos v.1 – 18 e repetidas aqui), mas que aqueles que não são suas ovelhas não ouvem sua voz, que Ele não as conhece, e que, portanto, eles não o seguem. Nem Jesus nem João querem reduzir a responsabilidade moral dos oponentes de forma alguma. O fato de não serem ovelhas de Jesus não os desculpa, isso os condena. A afirmação de predestinacionismo (Eleição e Predestinação – Calvinismo) garante que mesmo sua incredulidade massiva não é uma surpresa, ela deve ser esperada, e cai sob a cobertura da soberania de Deus (6:44; 12:37). Deus salvará os que diante mão predestinou para salvação, os eleitos. (cf. Efésios 1:4 – 23).

41) Mateus 28:20 – Jesus está com o crente todos os dias até o fim dos séculos.

42) Romanos 8:1 – Nenhuma condenação há para o crente (Romanos 8:33, 34).

“Agora, pois”, retrocede ao último versículo de (7:25). Uma vez que a libertação vem por meio de Jesus Cristo não existe nenhuma condenação (que envolva castigo ou destino eterno) há para os que estão em Cristo Jesus. Aqueles que estão em Cristo não são condenados, porque Cristo foi condenado em lugar deles. Não haverá nenhum castigo para eles, porque Cristo levou esse castigo.

Através de todo este capítulo duas palavras se repetem e ocorrem várias vezes. Estas duas palavras são carne (sarx) e espírito (pneuma). Não entenderemos a passagem a menos que compreendamos o modo em que Paulo usa estas palavras.

(1) Em primeiro lugar, tomemos a palavra sarx. Literalmente significa carne, e a mais superficial leitura das cartas de Paulo mostrará quão frequentemente usa o termo, e como o usa em um sentido que lhe é totalmente próprio. Em termos gerais, usa-a de três maneiras diferentes:

(a) Usa-a em sentido totalmente literal. Fala de circuncisão na carne (Romanos 2:28). Isto significa simplesmente a circuncisão corporal.

(b) Várias vezes usa a frase kata sarka, que significa literalmente segundo a carne. Mais frequentemente esta frase significa olhar as coisas de um ponto de vista humano. Por exemplo, Paulo diz que Abraão é nosso antecessor kata sarka, segundo a carne, que é do ponto de vista humano. Diz que Jesus é filho de Davi kata sarka, segundo a carne (Romanos 1:3). Quer dizer, pelo lado humano de sua ascendência Jesus é filho de Davi. Fala dos judeus como seus parentes kata sarka (Romanos 9:3). Isto quer dizer, falando de relações humanas e em termos humanos, os judeus são parentes de Paulo. Quando Paulo usa a frase kata sarka, indica sempre que está considerando as coisas do ponto de vista humano.

(c) Mas Paulo tem um uso do termo sarx que lhe é totalmente próprio. Quando está falando dos cristãos, fala dos dias em que estava na carne (em sarki) (Romanos 7:5). Fala daqueles que andam segundo a carne em oposição àqueles que vivem a vida cristã (Romanos 8:4, 5). Diz que aqueles que vivem segundo a carne não podem agradar a Deus (Romanos 8:8). Diz que o ocupar-se da carne é morte, e que esta é hostil a Deus (Romanos 8: 6 – 8). Fala a respeito de viver segundo a carne (Romanos 8:12). Diz a seus amigos cristãos: “Vós não viveis segundo a carne” (Romanos 8:9, Reina–Valera 1995). Agora, é evidente, especialmente no último exemplo, que Paulo não está usando o termo carne simplesmente no sentido do corpo, como nós dizemos carne e sangue. Como o usa então? Quando Paulo usa o termo carne desta maneira se refere realmente à natureza humana em toda sua fraqueza, sua impotência e seu desamparo. Refere-se à natureza humana em sua vulnerabilidade ao pecado e à tentação. Refere-se àquela parte do homem que dá ao pecado sua oportunidade e sua cabeça de ponte. Ele se refere à natureza humana pecaminosa sem Cristo e sem Deus. Significa todas as coisas que atam o homem ao mundo em lugar de a Deus. Viver segundo a carne é viver uma vida mundana, viver uma vida dominada pelos ditados e desejos da pecaminosa natureza humana em lugar de uma vida dominada pelos ditados de Deus e seu amor. A carne é o lado mais baixo da natureza do homem. Deve-se notar cuidadosamente que quando Paulo pensa a respeito do tipo de vida que vive um homem dominado pela carne, sarx, não está de maneira nenhuma pensando exclusivamente em pecados sexuais e corporais. Não está pensando absolutamente no que chamamos pecados carnais. Quando dá uma lista das obras da carne, em Gálatas 5:19 – 21, inclui os pecados sexuais e corporais; mas também inclui idolatria, ciúmes, iras, lutas, heresias, invejas, homicídios. A carne para Paulo não era algo físico; era algo espiritual. A carne era a natureza humana com todo seu pecado e fraqueza, e impotência e frustração; a carne é tudo o que o homem é sem Deus e sem Cristo.

(2) Vem à palavra Espírito. Só neste capítulo a palavra Espírito aparece não menos de trinta vezes. Agora, a palavra Espírito tem um pano de fundo bem definido no Antigo Testamento. Em hebraico o termo é ruach, e contém duas idéias básicas. (a) Ruach não somente quer dizer Espírito; também quer dizer vento. Leva sempre implícita a idéia de poder, poder como o de um poderoso vento impetuoso.

(a) Ruach, no Antigo Testamento, sempre expressa a idéia de algo que é mais que humano, algo que não é do homem e não está ao alcance do homem. Para Paulo, Espírito representava um poder divino. Assim Paulo diz nesta passagem que houve um tempo em que o cristão, antes de ser cristão, estava à mercê de sua própria natureza humana pecaminosa. Nesse estado a Lei tinha chegado a ser simplesmente algo que o movia a pecar, e nesse estado ia de mal a pior, derrotado e frustrado. Mas, quando chegou a ser cristão, entrou em sua vida o impetuoso poder do Espírito de Deus, e, porque agora havia em sua vida um poder que não era dele, entrou em uma vida vitoriosa em lugar de uma existência derrotada.

Na segunda parte da passagem Paulo fala do efeito da obra de Jesus sobre nós. É uma passagem muita complicada e difícil, mas o ponto a que Paulo quer chegar é ao seguinte. Recordemos que começou tudo isto dizendo que todos os homens pecaram em Adão. Vimos como a concepção judia da solidariedade fez possível a Paulo arguir que, literalmente, todos os homens pecaram em Adão e que todos estavam envoltos naquele pecado e sua consequência — a morte.

Mas este quadro tem outro lado. A este mundo veio Jesus. Veio como um homem; veio com uma natureza total e verdadeiramente humana. Vivendo como homem foi sem pecado; derrotou o pecado; condenou o pecado; nele o pecado foi vencido e conquistado; e levou uma vida de perfeita obediência a Deus, de perfeito cumprimento da Lei de Deus. Agora, porque Jesus foi completamente homem, exatamente como nós fomos um com Adão, agora somos um com Ele; e, exatamente como estávamos envoltos no pecado de Adão, estamos envoltos na perfeição de Jesus. NEle a humanidade cumpriu a Lei de Deus, exatamente como em Adão a humanidade a quebrantou. NEle a humanidade rendeu a Deus perfeita obediência, exatamente como em Adão a humanidade mostrou a Deus uma fatal desobediência. Os homens são salvos porque uma vez estiveram envoltos no pecado de Adão, mas agora estão envoltos na bondade de Jesus. Este é o argumento de Paulo, e para ele e para aqueles que o escutavam era totalmente convincente, por mais difícil que seja para nós compreendê-lo. Porque o que Jesus fez abre aos cristãos uma vida que já não está dominada pela carne, pela pecaminosa e impotente natureza humana, mas uma vida que está dominada por esse Espírito de poder, esse Espírito de Deus, que enche o homem de um poder que não é dele. Elimina-se o castigo do passado, assegura-se a fortaleza para o futuro.

43) Romanos 8:30 – Sendo justificado, o crente também será glorificado.

Os verbos: chamou, justificou e glorificou relacionam-se com o plano (eterno conselho de Deus) e a execução do Seu propósito. Tendo Deus um plano, ou propósito – resumir todas as coisas, reuni-las em Cristo, as coisas do céu e da terra (Efésios 1:10, 11), Ele é capaz de operar conjuntamente para o bem daqueles que O amam. A ênfase que Paulo dá aqui está no que Deus faz pelos muitos irmãos. A única resposta humana mencionada é o amor a Deus.

44) Romanos 8:28 – Todas as coisas cooperam para o bem do crente (Gênesis 50:20).

Paulo começa com um axioma básico: Sabemos. Depois ele declara esta verdade: Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus. Paulo coloca a frase “aqueles que amam a Deus” primeiro, para que não haja dúvidas sobre os que estão envolvidos nas “cousas que cooperam para o bem”. Essas coisas são para aqueles que continuamente expressam amor a Deus tanto por meio de atitude quanto por atos. Mais adiante eles são definidos como aqueles que são chamados segundo o propósito (plano ou decreto). A chamada e a eleição são colocados lado a lado em 2 Tessalonicenses 2:13, 14; 2 Pedro 1:10. A chamada pode ser focalizada sobre o destino eterno (2 Tessalonicenses 2:14) ou sobre a vida terrena de liberdade e santidade (Gálatas 5:13; 1 Tessalonicenses 4:7).

45) Romanos 8:35 – 39 – Nada poderá separar o crente do amor de Deus (João 13:1).

Obstáculos formidáveis não podem nos separar do amor que Cristo nos dispensa. Essas dificuldades são: tribulação, angústia, perseguição, fome, nudez, perigo ou espada (isto é, a morte violenta). O apóstolo cita Salmos 44:22 para mostrar quais as dificuldades que o povo de Deus tem de enfrentar. Sua conclusão é que em todas essas dificuldades, somos mais do que vencedores, por meio daquele que nos amou. O significado aqui é o seguinte: “Estamos no processo de alcançar a vitória”. Nas pressões externas da vida podemos obter a vitória por meio daquele que nos amou. Estamos vencendo, não através de nossa própria força ou talento, mas por meio de Cristo.

46) 1 Coríntios 3:15 – O crente infiel será salvo como pelo fogo (1 Coríntios 5:1 – 5; 11:29 – 32).

Assim João Calvino define 1 Coríntios 3:15:

Não há dúvida de que Paulo está falando dos que, embora retenham sempre o fundamento, misturam feno com ouro, restolho com prata, madeira com pedras preciosas. Em outros termos, aqueles que edificaram sobre Cristo, porém, em razão da enfermidade da came, deram espaço a algum conceito humano, ou motivado pela ignorância, se desviaram, até certo ponto, da estrita pureza da Palavra de Deus. Muitos dos santos fizeram isso – Cipriano, Ambrósio, Agostinho e outros. O leitor pode adicionar também, caso o queira, os que se acham mais próximos de nossos próprios dias Gregório e Bernardo, bem como outros como eles, cujo propósito era edificar sobre Cristo, mas que, infelizmente, às vezes retrocediam do correto sistema de construir.

Paulo afirma que pessoas como essas podem ser salvas, porém sobre esta condição: se o Senhor apagar sua ignorância e purificá-la de toda impureza; e isso é o que significa a frase “como por meio do fogo”. Portanto, sua intenção é sugerir que ele mesmo não os priva da esperança da salvação, contanto que espontaneamente aceitem a perda da obra que empreenderam e sejam purificados pela mercê divina, tal como o ouro é refinado na fornalha. Além do mais, ainda que Deus às vezes purifique seu povo por meio de sofrimentos, tomo o termo fogo aqui no sentido de o teste feito pelo Espírito. É assim que Deus corrige e destrói a ignorância de seu povo, pela qual pode ser controlado por algum tempo. Sei muito bem que muitos aplicam isso à cruz, porém estou certo de que minha interpretação satisfará a todos quantos desfrutam de são juízo.

Podemos concluir forjando uma réplica, breve, a ser direcionada para os papistas que usam esta passagem em apoio do purgatório. Seu ponto de vista é que os pecadores, a quem Deus perdoa, passam pelo fogo a fim de que sejam salvos. Então, por esse caminho eles sofrem o castigo de Deus a fim de que sua justiça seja aperfeiçoada. Prefiro omitir aqui seus inumeráveis comentários sobre o montante de castigo e sobre o livramento dele. Pergunto, porém: quem de fato são aqueles que passam pelo fogo? Paulo está peremptoriamente falando somente de ministros. “Mas”, dizem eles, “a mesma consideração se aplica a todos”. Como a dizer: Deus é certamente o melhor juiz, não nós! Mas, mesmo que lhes fizesse tal concessão, quão infantilmente se aferram à palavra fogo. No entanto, qual é o propósito do fogo senão o de consumir o feno e a palha e, em contrapartida, o de provar o ouro e a prata? Querem dizer, porventura, que as doutrinas são discernidas pelo fogo de seu purgatório? Quem ainda não descobriu o quanto a verdade se distingue da falsidade? Além disso, quando esse dia chegará, em cuja luz a obra de cada um será exibida? Começou com o princípio do mundo e prosseguirá até seu término? Se restolho, feno, ouro e prata são empregados metaforicamente, que limites a conceder, que sorte de correspondência haverá entre as diferentes sentenças, se fogo não é usado metaforicamente? Nem mais um passo com tais futilidades, porque seus absurdos prontamente saltam aos olhos! Quanto a mim, acredito que a real intenção do apóstolo já ficou sobejamente estabelecida.

47) 1 Coríntios 1:8 – O crente será confirmado até o fim (Romanos 1:16; Romanos 16:25; 2 Tessalonicenses 3:3).

48) Filipenses 1:6 – Deus mesmo terminará a obra no crente (Filipenses 2:13).

No versículo seis Paulo diz que confia em que Deus, que começou a boa obra nos filipenses, continue-a e a complete de tal maneira que estejam preparados para o dia de Cristo. Há aqui na linguagem grega uma figura que não é possível reproduzir na tradução. O problema está nas palavras que Paulo usa para começar (ἐναρξάμενος – enarxamenos) e para completar (ἐπιτελέσει – epitelesei) – ambos são termos técnicos para indicar o começo e o final de um sacrifício. No sacrifício grego havia um rito inicial. Acendia-se uma tocha sobre o altar que era submersa chamejante numa fonte de água. Desta maneira a chama sagrada purificava a água e a água purificada era aspergida sobre o povo e sobre a vítima para fazê-los santos e puros. Então se continuava com o que se conhecia como eufemia: o silêncio sagrado em que o adorador orava a seu deus. Finalmente se trazia uma cesta de cevada; alguns grãos eram esparramados sobre a vítima e sobre o piso a seu redor. Isto era levado a cabo no começo do sacrifício. O termo técnico para esta realização era o verbo “enarxamenos” que Paulo usa aqui. O verbo usual para completar o ritual do sacrifício e realizar um serviço com toda perfeição e em seus detalhes mais mínimos era “epitelesei”. Também Paulo o usa aqui para completar. Toda a frase que Paulo redige se move na atmosfera do sacrifício; as palavras e as imagens são sacrificiais. Assim, pois, Paulo considera a vida de cada cristão como um sacrifício preparado para oferecer-se a Jesus Cristo. É a mesma imagem que encontramos em Romanos onde diz-se que os fiéis ofereçam seus corpos como um sacrifício vivo, santo e aceitável a Deus (Romanos 12:1). A vinda de Cristo será semelhante à de um rei. Em tal ocasião os súditos de um rei se sentem obrigados a apresentar-lhe oferendas como objeto de lealdade e amor. O único dom que Jesus Cristo deseja de nós está em nós mesmos e em nossas vidas. Deste modo a tarefa suprema da vida não é outra coisa senão dispor de nossa vida para oferecê-la a Jesus Cristo. Somente a graça de Deus nos dá esta capacidade. Desde o momento em que empreendemos o caminho cristão a graça de Deus começa também a nos dispor como um sacrifício perfeito que se oferece a Jesus Cristo. E se continuamos permitindo que sua graça trabalhe em nós, esta graça completará sua obra para que cheguemos a ser o sacrifício perfeito.

49) Colossenses 3:3 – A vida do crente está escondida com Cristo em Deus.

A vida do cristão está escondida com Cristo em Deus. O que está escondido fica encoberto ou oculto e não se vê. O mundo não pode reconhecer o cristão; a verdadeira grandeza do cristão está escondida para o mundo. Paulo continua: “Vem o dia em que Cristo voltará em glória e naquele dia o cristão, a quem ninguém reconheceu, participará dessa glória, e será evidente aos olhos de todos”. Em certo sentido Paulo diz — e o diz de verdade — que virá um dia em que os veredictos da eternidade inverterão os veredictos do tempo, e os juízos de Deus os juízos dos homens.

O cristão não só morreu, mas também ressuscitou com Cristo. Em sua experiência real ele reside “nos lugares celestiais” (Efésios 2:6). A velha dispensação ainda se manifesta no cristão individual –, ele peca, fica doente, morre; a nova dispensação permanece oculta, apenas realizada no corpo do Salvador.

50) Efésios 5:27 – A igreja será sempre irrepreensível (2 Coríntios 11:2; 1 Coríntios 12:26, 27).

51) 1 Tessalonicenses 5:1 – 10 – O crente não será surpreendido na vinda do Senhor.

52) 2 Timóteo 2:13 – O crente infiel será salvo pela fidelidade de Deus (Romanos 3:3).

“Se somos infiéis, ele permanece fiel, pois não pode negar-se a si mesmo” – 2 Timóteo 2:13.

53) Hebreus 13:5 – O crente jamais será abandonado por Deus.

“(…) Nunca o deixarei, nunca o abandonarei” – Hebreus 13:5.

54) 1 João 5:1 – O crente é nascido de Deus, e não pode “desnascer”

(1) Como nascidos de Deus, amamos os irmãos – 5:1 – 3.

a) – Os gnósticos negavam que Jesus de Nazaré fosse o Cristo. João toma a fé nesta verdade em teste essencial do nascido de Deus. Que o gerou é Deus. Que dele é nascido é o crente.

b) – Aqui se declara o inverso de 4:20, 21. Também se pode dizer que aquele que ama a Deus ama os Seus filhos, e que aquele que ama os filhos de Deus ama a Deus. Quando. Literalmente, sempre quando.

c) – Penosos, um fardo opressivo e exaustivo. Amor transforma os mandamentos de Deus em luz.

55) 1 Pedro 1:4 – O crente possui a natureza divina.

O resultado de um novo nascimento é uma nova herança, que foi descrita como incorruptível (indestrutível), sem mácula (sem mancha), imarcescível (fresca) e reservada (vigiada) nos céus para vós outros. Para os leitores de Pedro, que já tinham renunciado à sua parte na herança terrena de Israel, a prometida terra dos antepassados, e que também trilham de passar pela proscrição e privação dos bens terrenos (cf. Hebreus 10:34), este pensamento da verdadeira herança daria conforto e equilíbrio. Como isto nos faz lembrar as advertências de nosso Senhor aos seus discípulos para que convertessem suas propriedades terrenas em verdadeiras riquezas! (Por exemplo Lucas 12:33, 34).

56) Romanos 8:9 – 11 – O crente é propriedade de Cristo (1 Coríntios 6:19, 20).

57) 1 Tessalonicenses 5:23, 24 – O crente é conservado irrepreensível.

58) 1 João 5:16 – O crente não pode pecar para a morte eterna (1 João 3:9; 5:18).

59) 1 Coríntios 12:3 – O crente não pode blasfemar contra o Espírito Santo (Mateus 12:32; Marcos 9:39, 40; Lucas 11:23; 1 João 5:10; João 3:33).

60) 1 João 2:19 – O crente é perseverante na fé (Mateus 10:22; 24:13; 2 João 9; Apocalipse 13:10; 14:12).

Saíram de nosso meio. Nunca organicamente unidos ao corpo. Teriam permanecido conosco. A sua separação do grupo cristão é a prova de sua falsa profissão, e o seu afastamento denunciou-os como anticristos. A apostasia é possível para aqueles que nunca realmente aceitaram Cristo como seu Salvador. Mas o crente na pessoa de Cristo é perseverante na fé de acordo com os textos: (Isaías 54:10; João 6.51; Romanos 5:8 – 10; 8:28 – 32, 34 – 39; 11:29; Filipenses 1:6; 2 Tessalonicenses 3:3; Hebreus 7:25).

61) João 10:26 – O crente é “ovelha” e não “porca” lavada (2 Pedro 2:20 – 22).

Jesus, então, dá vida eterna para suas próprias ovelhas. Em termos da metáfora das ovelhas, Jesus já disse que Ele dá para elas. Vida […] plenamente, vida plena (v.10); agora Ele afirma claramente que essa vida é sua própria vida eterna, frequentemente oculta no evangelho sob as figuras de água, pão, luz, bom pastor. A consequência de ele conhecer suas ovelhas e de lhes dar vida eterna é que elas jamais perecerão.

62) João 13:10 – O crente já está limpo do seu pecado (João 15:3).

Pedro precisava saber que a virtude do lavar não era quantitativa, pois O ato era simbólico da purificação interior. Banhou (λελουμένος – leloumenos) indica um banho completo. “Lavar… pés”. Aqui a palavra é “νίψασθαι – nipsasthai”, apropriada para a lavagem de porções individuais do corpo, tal como na narrativa anterior. A lavagem da regeneração torna uma pessoa limpa à vista de Deus. Isto está simbolizado no batismo cristão, que só se administra uma única vez. Purificação posterior das manchas de impureza não substitui a purificação inicial, mas só tem significado à luz dela (1 João 1:9). Estais limpos, mas não todos. A referência é a Judas. Jesus sabia o que havia no seu coração e quais eram seus planos (6:70, 71). Com referência a limpos (cf. 15:3). Judas não era um homem regenerado.

63) 1 Coríntios 1:30 – Cristo é a justiça do crente.

“É, porém, por iniciativa dele que vocês estão em Cristo Jesus, o qual se tornou sabedoria de Deus para nós, isto é, justiça, santidade e redenção” – 1 Coríntios 1:30.

A palavra grega usada para “justiça” é “δικαιοσύνη – dikaiosynē” que significa num sentido amplo: estado daquele que é como deve ser, justiça, condição aceitável para Deus.

64) 1 Coríntios 1:30 – Cristo é a santificação do crente.

A palavra grega usada para “santificação” é “ἁγιασμὸς – hagiasmos” que significa num sentido moral, puro, sem pecado, justo e santo, algo muito santo; um santo Jesus Cristo.

É a palavra mais comum para santo no grego clássico, e expressa sua concepção usual de santidade, mas é rara no N.T. porque não é adequada para expressar a plenitude da concepção do N.T.

65) 1 Coríntios 1:30 – Cristo é a redenção do crente.

A palavra grega usada para “redenção” é “ἀπολύτρωσις – apolytrōsis” que significa uma libertação efetuada pelo pagamento de resgate, realizado no Calvário por Jesus Cristo definitivamente.

66) Salmos 25:20 – Deus é o refúgio do crente (Hebreus 6:18).

67) 1 João 2:22, 23 – O crente não pode negar o filho (Mateus 10:33; 2 Timóteo 2:12).

68) Romanos 8:37 – O crente sempre será vencedor (João 16:33; Apocalipse 2:7, 11, 17, 26; 3:5, 12, 21).

69) 1 João 5:4 – O crente vence o mundo.

“O que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé” – 1 João 5:4.

A palavra grega para descrever essa vitória sobre o mundo é “νικᾷ – nika” que significa de cristãos, que permanecem firmes na sua fé até a morte diante do poder de seus inimigos, tentações e perseguições.

70) 1 João 2:14 – O crente vence o diabo (1 João 4:4; Apocalipse 12:11).

71) Romanos 6:14 – O crente vence o pecado (a carne).

A abundância da graça é de natureza tal que o pecado não terá domínio sobre os crentes. Não estamos debaixo da lei, mas da graça. Aqueles que estão em Cristo não estão sob o regime da lei mosaica para obtenção da salvação. Estamos sob a graça de Deus e de Cristo. Todo o A.T., – a Lei, os Profetas e os Escritos (os Salmos, por exemplo) – certamente revelam o pecado (Romanos 3:20; 5:20) quando compreendidos à luz dos ensinamentos de Cristo, e dos apóstolos depois da morte e ressurreição dEle. O Antigo Testamento também ensina as grandes verdades cristãs sobre Deus. Paulo encarava Cristo e seus ensinamentos como sendo a própria lei. “Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo” (Gálatas 6:2). “Aos sem lei, (eu me fiz) como se eu mesmo o fosse sem lei (para os gentios como gentio), não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo, para ganhar os que vivem fora do regime da lei. (Os gentios)” – 1 Coríntios 9:21.

(1) O Sofisma de que se deve pecar, porque os crentes estão debaixo da graça e não da lei – 6:15 – 7:6.

Quando estamos sob a graça, temos um novo proprietário. Este fato muda toda a conduta do crente. Nosso “status” sob a graça é como o de uma mulher casada com outro homem depois da morte do marido. Envolve toda uma nova maneira de vida. Assim, por analogia, Paulo mostra que estar sob a graça, não permite nunca que o crente seja indiferente ao pecado.

a) Fidelidade, Fruto, Destino (6:15 – 23). Aqui Paulo apela para o que seus leitores já conhecem. Ele os faz lembrar de suas vidas passadas e do fruto que produziam. Ele lhes fala do resultado de sua nova dedicação. Ele apresenta o contraste dos resultados eternos das duas diferentes formas de fidelidade.

72) Romanos 11:29 – O dom de Deus é irrevogável.

Paulo ensina a fidelidade de Deus quando diz: os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis. Dons. Os privilégios desfrutados por Israel (9:4, 5). Vocação. A declaração divina a Israel ou Jacó que eles eram o Seu povo (Isaías 48:12). Os gentios, que foram desobedientes a Deus, obtiveram a misericórdia por causa da, ou por meio da desobediência de Israel.

73) João 19:30 – Todo o pecado do crente está consumado.

A fortíssima palavra grega para “consumado” é “Τετέλεσται – Tetelestai” que descreve a obra de Cristo da seguinte forma. “Está consumado” (João 19:30) Cristo satisfez a justiça de Deus pela morte por todos para pagar pelos pecados do eleito. Estes pecados nunca poderão ser punidos outra vez já que isto violaria a justiça de Deus. Os pecados podem ser punidos apenas uma vez, seja por um substituto ou por você mesmo.

74) Gálatas 3:13 – O crente foi resgatado para sempre da maldição da Lei.

“Cristo nos redimiu da maldição da lei quando se tornou maldição em nosso lugar, pois está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado num madeiro” – Gálatas 3:13.

O Filho se fez maldito, para que os malditos fossem feitos filhos.

75) Apocalipse 5:9 – O crente foi comprado com sangue (1 Coríntios 6:20; 7:23; 1 Pedro 1:18, 19).

76) Salmos 90:17 – É Deus quem efetua a obra no crente (João 3:21; Efésios 3:20; Isaías 26:12; 64:4; Filipenses 2:13).

“Esteja sobre nós a bondade do nosso Deus Soberano. Consolida, para nós, a obra de nossas mãos; consolida a obra de nossas mãos!” – Salmos 90:17.

77) João 17:20 – Cristo intercedeu pelos crentes, e continua intercedendo (Hebreus 7:25; 1 João 2:1; Romanos 8:34).

“Minha oração não é apenas por eles. Rogo também por aqueles que crerão em mim, por meio da mensagem deles” – João 17:20.

78) Romanos 8:26, 27 – O Espírito Santo intercede pelo crente.

Semelhantemente, o Espírito ajuda nossa fraqueza. A fraqueza mencionada é a nossa incapacidade de analisar situações e orar inteligentemente sobre elas. Sabemos que esta é a fraqueza mencionada por causa da frase seguinte. Dá-se que o Espírito intercede por nós sobremaneira com gemidos inexprimíveis. Às vezes não conseguimos orar porque as palavras não podem expressar a necessidade que sentimos. A ação do Espírito com gemidos inexprimíveis mostra como Deus penetra em nossa experiência através do Seu Espírito. Deus Pai que investiga os corações (dos homens) sabe qual é a mente do Espírito. Deus conhece toda a reação do Espírito a qualquer situação ou questão. A intercessão que Ele faz em favor dos santos é segundo a vontade de Deus. Estas palavras certamente declaram que a comunicação do pensamento e conhecimento de cada um é partilhada por dois membros da Divindade – Pai e Espírito (isto é, o Espírito Santo).

79) 2 Coríntios 1:20 – Jesus é o “Amém” das promessas de Deus (João 6:47).

“Pois quantas forem às promessas feitas por Deus, tantas têm em Cristo o “sim”. Por isso, por meio dele, o “Amém” é pronunciado por nós para a glória de Deus” – 2 Coríntios 1:20.

A palavra grega para “sim” é “Ναί – Nai” que literalmente significa sim, de verdade, seguramente, verdadeiramente, certamente. Assim o crente tem verdadeiramente segurança na salvação confiada na Pessoa de Jesus, e Seu sacrifício vicário ou sacrifício expiatório, o qual Cristo foi o substituto pelo pecado do homem na cruz do Calvário. A expiação do pecado por meio de uma vida dada em substituição. Aleluia!

80) 1 Pedro 4:1 – O crente já cessou do pecado (Romanos 6:14; 1 João 3:9).

Louvado seja o Senhor Jesus Cristo pela Salvação eterna! Engrandecido seja o Seu nome, porque a salvação das nossas almas não depende dos nossos esforços, mas exclusivamente dEle. Somos irremediavelmente salvos, vamos viver com Cristo pelos séculos dos séculos. Amém!

Paz e graça.

Capa: Marcos Frade.
Citações: Comentário Bíblico Moody, Comentário Bíblico de D.A Carson, Comentário Bíblico William Barclay e Comentário Bíblico de João Calvino.

DOWNLOAD 80 RAZÕES PORQUE O CRISTÃO NÃO PODE PERDER A SALVAÇÃO

Plinio Sousa

Plínio Sousa é fundador do Instituto Reformado Santo Evangelho — IRSE, é Pastor Reformado, Bacharel em Teologia e Mestre em Teologia do N.T. Especializado em Interpretação Bíblica e em Teologia Sistemática; Professor de Grego; Métodos de Estudo Bíblico; EBD — Escola Bíblica Dominical; Teologia do Novo Testamento, Psicologia; Sociologia e Filosofia da Educação, atua como Diretor Geral e Professor do IRSE. É Psicólogo Cristão; Juiz de Paz Eclesiástico; (Autoridade Eclesiástica e Ministro de Confissão Religiosa, Conforme Decreto Lei 3.689/41, artigo 295 VIII §ª 4º); Capelão Cristão; Missionário; Palestrante e Escritor.

Apologista, autor de diversos artigos teológicos, de 04 (quatro) livros, atua como conteudista do Instituto Êxito de Teologia (SP), da WRF — World Reformed Fellowship (Comunidade Mundial Reformada) onde também é membro e do Santo Evangelho (Blogue do IRSE); também atua como co-editor do site Reformados 21. É membro da TDI — Sociedade Brasileira do Design Inteligente sob nº de registro 1057.

Adepto e muito abrangente com a defesa da Teologia Reformada e a herança Puritana. Acredita na inspiração verbal e plenária, na revelação proposicional, infalibilidade, inerrância, clareza e suficiência das Sagradas Escrituras. É Supralapsarianista, Calvinista, Aliancista [Teologia Pactual], Pedobatista, Amilenista, e Cessacionista –, rejeita a crença no livre–arbítrio, no apostolado contemporâneo e nos dons revelacionais. Quanto à liturgia, adota o Princípio Regulador do Culto –, como entenderam os Reformadores.
LER  A COSMOVISÃO “KUYPERIANA”
error: Protegido!
%d blogueiros gostam disto: